5.1 O cenário
5.1.1 As Instituições segundo a modalidade de CAPS
A Portaria nº. 336 / GM, do Ministério da Saúde, de 19 de fevereiro de 2002, estabelece que os Centros de Atenção Psicossocial – CAPS constituem-se em modalidades de serviço definidos por ordem crescente de porte, complexidade e abrangência populacional em conformidade com os seguintes critérios:
a) CAPS I – com capacidade operacional para atendimento em municípios com população entre 20.000 e 70.000 habitantes;
b) CAPS II – com capacidade operacional para atendimento em municípios com população entre 70.000 e 200.000 habitantes;
c) CAPS III – com capacidade operacional para atendimento em municípios com população acima de 200.000 habitantes;
d) CAPS i II – para atendimentos a crianças e adolescentes, constituindo-se na referência para uma população de cerca de 200.000, ou outro parâmetro populacional a ser definido pelo gestor local, atendendo a critérios epidemiológicos;
e) CAPS ad II – para atendimento de pacientes com transtornos decorrentes do uso e dependência de substâncias psicoativas - SPAs, com capacidade operacional para atendimento em municípios com população superior a 70.000 habitantes.
Os 53 CAPS, em suas diferentes modalidades, estão distribuídos geograficamente no Estado, conforme mostra o mapa na figura 1.
FIGURA 1: Mapa - distribuição geográfica dos CAPS existentes por modalidades e regiões.
Santa Catarina, 2007.
FONTE: Secretaria de Estado da Saúde, Santa Catarina, 2007.
Santa Catarina caracteriza-se pela predominância de municípios menores, cuja população é inferior a 70.000 habitantes. Daí observar-se (figura 1) um número maior de CAPS na modalidade I, (31), que equivale a 58% das instituições existentes, as quais se destinam a atender municípios com uma população entre 20.000 e 70.000 habitantes. Já a modalidade II, num total de 12, correspondendo a 23%, se destina a municípios que possuem entre 70.000 e 200.000 habitantes.
Por sua vez, a modalidade CAPSi, planejada para atender especialmente crianças e adolescentes, tendo por referência uma população em torno de 200.000 habitantes, registra um número menor de instituições dessa modalidade no Estado, 5 (9%).
Da mesma forma, há apenas 5 instituições, 9% de CAPS Ad, uma vez que a legislação prevê sua implantação em municípios com mais de 70.000 habitantes para atender, especificamente, usuários de álcool e droga, enquanto que nos municípios menores esse atendimento compete aos CAPS I. Como se percebe, há uma coerência entre o encontrado no estudo e o que preconiza a legislação.
0 2 4 6 8 10
CAPS I 8 1 3 0 5 1 6 7
CAPS II 2 2 3 2 0 1 1 1
CAPSi 0 1 2 1 0 0 0 1
CAPS Ad 0 1 2 1 0 0 1 0
Sul Grande
Fpolis V.Itaj Nord Plan.
Norte
Plan.
Serr.
Meio Oeste
Extr.
Oeste
FIGURA 2: Distribuição da freqüência de CAPS existentes segundo modalidade e regiões.
Santa Catarina, 2007.
Ao se examinar o mapa1 e a figura 2, observa-se que as regiões Sul, Extremo-Oeste, meio-Oeste e Planalto Norte possuem maior número de CAPS I, de modo que juntas atingem 84% das instituições existentes, nessa modalidade, no Estado, enquanto outras três regiões dispõem apenas de 16% (10% no Vale do Itajaí, 3% na Grande Florianópolis e 3% no Planalto Serrano). No Nordeste não há nenhum CAPS dessa modalidade.
Já no que se refere à modalidade de CAPS II, percebe-se um equilíbrio maior na distribuição entre as regiões. Com exceção do Planalto Norte que não possui essa modalidade e do Vale do Itajaí onde há 3 instituições (25% do total), as demais regiões possuem entre 1 e 2 instituições, ficando o percentual entre 8 e 16% por região.
Por outro lado, os CAPSi, em número de 5, situam-se no Vale do Itajaí (40%), enquanto a Grande Florianópolis, Extremo-Oeste e Nordeste do Estado absorvem os demais
60%. Da mesma forma, a modalidade Ad concentra 40% das instituições no Vale do Itajaí, sendo que as demais se distribuem nas regiões da Grande Florianópolis, Meio-Oeste e Nordeste do Estado, somando os 60% restantes.
Constata-se, pois, na figura 2, a existência de CAPS da modalidade I em todas as regiões, com exceção do Nordeste do Estado, Também a modalidade II se faz presente em todas as regiões, com exceção do Planalto Norte. Já a modalidades CAPSi tem sua abrangência reduzida para quatro das oito regiões pelos motivos anteriormente citados, ou seja, pelos critérios estabelecidos pela Portaria Nº. 336/02 112, que prevê sua implantação em municípios de maior porte. A modalidade de CAPS Ad conta com menor número de instituições, tendo-se em conta que se destina a municípios com população superior a 70.000 habitantes. Por outro lado, há que se considerar que a implantação dos CAPS depende de solicitação dos gestores municipais.
Por sua vez, a figura 3 contém o número de instituições incluídas no estudo, totalizando 45, o que representa 85% do total dos CAPS de Santa Catarina.
Considerando-se a participação por região, observa-se que houve um índice de 100%
nas regiões do Vale do Itajaí, Planalto Serrano e Nordeste do Estado. No Sul e no Extremo- Oeste a participação atingiu 90% das instituições existentes; no Meio-Oeste, 87%; na Grande Florianópolis, 60% e no Planalto Norte 40%.
0 2 4 6 8
CAPS I 7 0 2 1 2 2 4 6
CAPS II 2 1 3 2 1 1 0 1
CAPSi 0 1 2 1 0 0 0 1
CAPS Ad 0 1 2 1 1 0 0 0
Sul Gr.
Fpolis v.Itajaí Nord. Plan.
Norte Plan.
Serr. Meio Oeste Extr.
Oeste
FIGURA 3: Distribuição da freqüência de CAPS pesquisados segundo a modalidade e regiões. Santa Catarina, 2007.
112 BRASIL.MINISTÉRIO DA SAÚDE. PORTARIA GM Nº. 336, de 19 de fevereiro de 2002. Estabelece as modalidades dos Centros de Atenção Psicossocial CAPS, os parâmetros para a implantação e funcionamento, visando a reinserção social dos portadores de transtornos mentais. Ministério da Saúde, Brasília, 2002.
Por outro lado, tomando-se por referência as modalidades de CAPS, (figura 4) constata-se uma participação de 100% nas modalidades CAPSi e CAPS Ad, enquanto a modalidade II atingiu 90% e a modalidade I foi a que teve menor percentual (77%), apesar do maior número de instituições.
0 10 20 30 40 50 60
inst.exist. 31 12 5 5 53
inst.pesq. 24 11 5 5 45
CAPS I CAPS II CAPS i CAPS Ad TOTAL
FIGURA 4: Comparativo entre instituições existentes e instituições pesquisadas segundo Segundo modalidades. Santa Catarina, 2007.
A mesma figura permite visualizar as instituições pesquisadas por modalidade, em relação ao total de instituições existentes no Estado. No cômputo geral, o maior número de instituições localiza-se no Vale do Itajaí e no Sul, seguindo-se o Extremo-Oeste. A Grande Florianópolis e o Planalto Serrano são as regiões com menor número de instituições.
Sobre o número de CAPS, o Estado de Santa Catarina pode comportar mais instituições, uma vez que possui 57 municípios com população superior a 20.000 habitantes.113 Desses municípios, 15 tem população superior a 70.000 habitantes, entendendo- se que poderiam ser implantados mais instituições da modalidade CAPS II, bem como de outras modalidades, segundo os critérios expressos na Portaria Nº. 336/02 do Ministério da Saúde. Como a iniciativa de implantar um CAPS deve ser do gestor municipal, resta saber se não há interesse dos gestores ou se as solicitações não estão sendo atendidas. A Portaria GM
113 LISTA DE MUNICÍPIOS DO ESTADO DE SANTA CATARINA POR POPULAÇÃO – Wikipédia.
Disponível em < http://pt.wikipedia.org >. Acesso em 31/07/2007.
nº. 245/05 determina que o Ministério da Saúde deve destinar incentivo financeiro antecipado para a implantação de CAPS (SERRANO , 2004) 114.