UM CLIMA, UMA CONS+CIÊNCIA CAPÍTULO 2
CAPÍTULO 3 UMA INSTITUIÇÃO, UMA ARQUITETURA
3.2 Ambientes Hospitalares – Considerações Gerais
3.2.1 Aspectos subjetivos
vem ser além de agradáveis, adequados ao processo de recuperação. A configuração espacial, por meio da iluminação, das cores, da ventilação, entre outros, influencia o estado psicológico dos pacientes, agravando ou melhorando seu ânimo. Além do tratamento médico e a metodo- logia da equipe médica, a arquitetura também é fundamental para estimular o psicológico dos pascientes.
A arquitetura deverá atender as variáveis subjetivas inerentes a cada um dos ambientes do hos- pital. Ao se referir às áreas de espera, COSTI (2002, p.205), destaca que “devem ser determina- das pelo tipo de usuário e pela sua patologia, podendo ser de repouso ou de estímulo”. Esses ambientes precisam de cuidados especiais, pois, geralmente, são nessas áreas onde o paciente tem o primeiro contato com o hospital. “A primeira impressão que o paciente e o acompanhante têm do ambiente é marcante e influenciada pela sua percepção, que tem estreita relação com sua experiência pessoal. É produzido um gestalt, portanto, o local deve ser agradável e estar preparado para atender um ser humano doente”.
Em áreas de permanência dos pacientes, relativamente à iluminação hospitalar, PECCIN (2002) afirma que a arquitetura deverá considerar “os requisitos visuais de seus dois grupos principais de usuários: staff, com vistas a viabilizar a execução de procedimentos médicos, e os pacien- tes, que devem ter garantias de boas condições de conforto visual. Os requisitos visuais dos usuários incluem diversos critérios quantitativos e qualitativos de iluminação”. Cabe destacar que os aspectos quantitativos da iluminação encontram-se facilmente nas normas, não assim, os aspectos subjetivos que também são importantes.
3.2.1.1 Luz , Cor e estímulo
“É o sistema visual do homem que permite que se perceba a luz e é a luz que possibili- ta o reconhecimento das cores. Ambas interferem na fisiologia e na psiquê do ser hu- mano, interagem e influenciam na percepção ambiental e na sensação de bem-es- tar das pessoas, podendo ocasionar estímulos positivos e negativos (COSTI, 2002).
“Como a cor só existe porque há luz, não há como dissociá-la do conjunto” (COS- TI, 2002). A luz natural permite a percepção real das cores e sua interação nos am- bientes, cria ambientes dinâmicos, produto das variações, em intensidade e cor, ca- racterísticas da luz natural ao longo do dia. Desde o nascimento do sol até seu ocaso, geram-se diversos efeitos: No entardeçer os ambientes ficam mais avermelhados; Em momentos de nuvosidade os ambientes ganham uma aparência acinzentada; Duran-
te o meio dia, quando o sol é mais forte, a luz ambiente fica mais intensa. Esses efeitos proporcionam ambientes mais lúdicos, ricos em luz e intensos graças à interação com o ex- terior – natureza, aspectos que deverão ser pensados na escolha das cores dos ambientes.
COSTI (2002) afi rma que a luz natural é estimulante, pois a variação da sua iluminância cria uma multiplicidade de cores nos ambientes. “Uma abertura com visão para exterior permite a orientabilidade temporal, distrai os pacientes, cujo conforto é maior quando em contato com a natureza“. No entanto, a radiação solar é fundamental para a saúde. “Não há equilíbrio fi siológico se o homen não se expuser à radiação solar por longos períodos de tempo”.
Sendo a radiação solar importante no processo de recuperação dos pacientes, nos hospitais da Rede Sarah criaram-se os solários, espaços determinados para os banhos de sol, importantes na metodologia de tratamento e recuperação dos pacientes. Cabe destacar que, nas diversas propostas dos hospitais, os solários, devido à riqueza das suas formas, agregaram valores es- téticos à sua principal função.
Ao se referir às altas iluminâncias, COSTI (2002) afi rma que são características de ambientes produtivos e “não são adequadas para salas de espera, onde os indivíduos devem relaxar”. Por outro lado, “o uso contínuo e intenso de luz artifi cial ocasiona mudanças no sistema circadiano, pois alteram o ciclo biológico dos seres”. Deve-se ter cuidado com ambientes hospitalares onde a luz artifi cial é a única opção de iluminação.
A luz e a cor são fundamentais para o conforto e não são percebidas apenas pelo sistema visual e pela “consciência”, mas pelo ser humano como um todo. Para compor a ambiência, inicialmente deve-se conhecer as necessidades dos usuários que são relacionadas, principalmente, às suas patologias, e depois, escolher o sistema de iluminação e as cores (COSTI, 2002).
As cores afetam o lado psicológico das pessoas . Elas podem infl uenciar o comportamento dos seres vivos e interferir no seu estado de ânimo; Há cores estimulantes e cores repousan- tes. Muita variedade confunde e desagrada, e o contrário - pouca variedade - atrai e estimula;
Ambientes “neutros” (branco, cinza) têm aparência estática e monótona, induzem à ansiedade, tensão, medo e sofrimento; O temperamento das pessoas também pode interferir na preferência das cores (COSTI, 2002).
Sem que haja mudança de temperatura, “a sensação de conforto térmico é afetada pelas cores que compõem o ambiente” (PECCIN, 2002). “A sensação de calor pode ser amenizada pelas cores “frias”, e o inverso é verdadeiro” (COSTI, 2002). Em ambientes atingidos pela radiação solar, principalmente com orientação norte, por exemplo, a sensação de calor pode ser diminuída utilizando-se cores frias.
Em corredores e salas de espera, a qualidade arquitetônica “deve ser a resultante de um conjun- to de elementos com efeitos positivos no usuário, cujas necessidades fi siológicas e psicológicas, em relação à luz e à cor devem ser supridas também no layout e na funcionalidade (COSTI, 2002).
A luz e a cor têm sido valorizadas nos ambientes de circulação e espera dos estabelecimentos de saúde, mas a sua integração com os demais projetos desde o inicio do processo projetual não é comum. Ocorre em alguns hospitais particulares, mas em hospitais da rede pública ou filan- trópica brasileira é raro. Esta integração, observada em alguns hospitais estrangeiros, ocorre nos hospitais da rede Sarah, onde os corredores- espera são amplos e não resultam de reformas. A proposta arquitetô- nica relacionada ao clima tropical permite integração com a natureza, cores estimulantes estão muito presentes, assim como obras de arte perfeitamente adaptadas ao conjunto, demonstrando que a valorização dos ambientes é feita com diversos elementos e resulta da atuação de diversos professionais. (COSTI, 2002).
Assim como “a passagem da luz para a sombra deve ser feita de forma gradual, pois altos con- trastes entre luz e sombra geram desconforto, e a noção de espaço não deve ser prejudicada pelo ofuscamento” (COSTI, 2002). Ambientes com ventilação natural ou mecânica são impor- tantes como transição entre o exterior e os ambientes internos (ambientes especiais) com ar condicionado.