Atende ao Objetivo 2
A importância do patrimônio e o difícil trabalho de adequação dos estabelecimentos hoteleiros à época e ao contexto social, cultural e econômico de uma localidade.
Leia a notícia a seguir, publicada na revista Veja Rio – Turismo, em 30 de julho de 2008:
Hotéis às escuras
Projetos de revitalização não saem do papel e apagam pré- dios famosos da cidade
Patrick Moraes
Fotos Divulgação e André Valentim
O Hotel das Paineiras (à esq.) está fechado há 25 anos; o Meridien completa um ano de luzes desligadas.
Imagem de um Rio de Janeiro idílico, o centenário Hotel das Paineiras, encravado na Floresta da Tijuca, está fechado há 25 anos. Devolvido recentemente à União pela Universidade Veiga de Almeida, que havia adquirido o direito de explora- ção por dez anos, o Paineiras – hospedagem de presidentes
como Getúlio Vargas e Café Filho e da seleção brasileira de futebol antes da Copa de 1970 – está no rol daqueles pro- jetos de revitalização que nunca foram adiante. É o mais antigo numa lista de hotéis-ícone da cidade que saíram de cena em decorrência de imbróglios judiciais e acordos mal costurados. A ele se juntam o antigo Le Meridien, um dos símbolos da orla de Copacabana, e o fi nado Hotel Nacional, em São Conrado.
Concorrente do Copacabana Palace na primeira metade do século passado, o Paineiras comemorou seu centenário, em 1984, com uma notícia que parecia auspiciosa: a Universi- dade Veiga de Almeida resolvera arrendar o imóvel por dez anos para transformá-lo num hotel-escola. A intenção era construir uma varanda e mais um pavimento, aumentando de 38 para 54 o número de apartamentos, que seriam mo- dernizados. Apenas três anos depois a União aprovaria o projeto. Embora a universidade pedisse a compensação do tempo perdido, a resposta positiva só viria em 1995, ainda sem defi nição dos valores de aluguel. “Chegamos a fazer 70% do previsto, mas a indefi nição nos impediu de concluir as obras”, conta o reitor Mario Veiga de Almeida Júnior. “Pa- ramos em 1989. Gastamos 3 milhões de dólares e emprega- mos 230 homens num projeto que não sabíamos por quanto tempo iríamos explorar”.
Em Copacabana, o antigo Le Meridien completa em agosto um ano sem hóspedes. O edifício é centro de uma disputa entre a proprietária, a Previ, o fundo de pensão dos funcio- nários do Banco do Brasil, e a Iberostar, rede espanhola de hotéis que no início de 2007 ganhou a concorrência para explorá-lo. Há uma divergência entre as duas partes sobre o orçamento para a reforma do imóvel. Existem as possibili- dades do rompimento do contrato, da concessão para outra operadora e até da venda da propriedade à Iberostar. A úni- ca certeza é que o prédio não volta a abrir nos próximos dez meses. Outro ícone da rede hoteleira que fi cou às moscas é o Hotel Nacional. O leilão do edifício depende do pagamento de uma dívida de 8 milhões de reais à prefeitura do Rio pela Interunion, empresa que adquiriu o imóvel já desativado em 1995. “Esses hotéis são cartões-postais da cidade e vê-los fechados nos causa uma sensação ruim”, lamenta a secretá- ria estadual de Turismo, Esportes e Lazer, Márcia Lins.
Hotelaria
Depois da devolução à União, o Hotel das Paineiras é alvo de mais uma tentativa de revitalização. Agora a adminis- tração do Parque Nacional da Tijuca pensa em transformá- lo num centro de apoio e informações ecológicas para os 2.000 visitantes diários do Corcovado e da Estrada das Pai- neiras. Lá haveria área para exposições, restaurante, café e estacionamento. “A estrada que leva ao Corcovado não tem um lugar para almoço nem banheiros”, explica Ricardo Cal- mon, diretor do parque. “Queremos dar essas opções aos visitantes”. No mês de agosto, em data ainda não defi nida, uma reunião com representantes do governo pode selar a proposta. É ver para crer.
Considerando o texto lido, responda às duas perguntas a seguir:
1. Qual pode ser a importância de um estabelecimento hoteleiro para uma localidade, desde o ponto de vista histórico?
2. Quais os prós e contras de se investir na recuperação de um patrimônio desta natureza, tanto para a atividade hoteleira quanto para a localidade?
Resposta Comentada Como vimos, a estrutura hoteleira de uma cidade faz parte da história da localidade, pois ajuda a constituir o patrimônio urbano que a torna conhecida. Assim, com o passar do tempo, é importante que a rede hoteleira esteja adequada às necessidades e demandas da localidade, ajustando-se a elas. É importante reconhecer que o estabelecimento hoteleiro integra um fato social total e, como parte dele, faz parte da história de uma localidade, em todos os níveis.
O investimento na recuperação de um patrimônio como o consti- tuído pelos edifícios hoteleiros é importante e necessário, a fi m de que por meio dele se possa preservar a própria memória social local.
A preservação, embora em geral exija um grande montante de inves- timento (o que muitas vezes pode ser visto como um fator difi culta- dor), a sua deterioração, por outro lado, além de destruir um ativo com signifi cativo valor econômico, destrói a história e a cultura de uma comunidade.
Resumo
Vimos nesta aula um pouco sobre a história da hospedagem co- mercial no Brasil e no mundo, percebendo que houve vários ciclos de desenvolvimento da hotelaria, que acompanharam o desen- volvimento histórico da própria humanidade, adaptando-se aos diferentes contextos econômicos, sociais, culturais e ambientais.
A origem do conceito moderno de meios de hospedagem e o nascimento da hospitalidade comercial são dois dos movimen- tos mais importantes desse desenvolvimento histórico, pois transformam uma atividade antes graciosa em um negócio, cuja importância é notável e crescente, em todo o mundo.
Desde a antiguidade, já havia referências ao ato social da hos- pitalidade, vista nos termos de um compasso moral e legal, ou seja, percebida como um gesto que era visto como virtude e que, portanto, deveria ser dado em respeito aos mais desvali- dos. Isso, muitas vezes, era feito com base em códigos morais ou leis locais.
Com o tempo, começou-se também associar as viagens ao lazer, à saúde e aos negócios e os meios de hospedagem adaptaram-se, transformando-se em uma atividade comercial rentável.
Na Idade Média, a religião e o comércio foram o mote das via- gens e mais uma vez os meios de hospedagem foram explora- dos de maneira a adaptarem-se às exigências e necessidades dos viajantes. É dessa época a profi ssionalização da atividade hoteleira, como um todo.
Somente na Idade Moderna, com a mudança de hábitos e a con- sequente alteração nas práticas relacionadas ao ato de acolher e hospedar viajantes, a evolução da estrutura de hospedagem
Hotelaria
comercial acontece tanto em termos quantitativos quanto qualita- tivos, inaugurando a era da expansão geográfi ca e da segmenta- ção do mercado de hospedagem comercial.
Hoje em dia, as mudanças e adaptações continuam a acontecer em nível global, colocando a hospitalidade comercial contem- porânea na rota das viagens como fenômeno mundial.