• Nenhum resultado encontrado

ATLETAS PROFISSIONAIS DE FUTEBOL

No documento MONOGRAFIA COMPLETA - Univali (páginas 62-84)

O ordenamento jurídico destaca regimes diferenciados para alguns empregados, em razão do tipo de atividade profissional que desempenham ou da condição que ostentam. Estes contratos especiais regulam as relações de trabalho de atletas profissionais.

BARROS110 relata que o desporto profissional é trabalho, e a relação do desportista com a instituição é a de emprego, gerada por um contrato de trabalho especial. O desporto praticado de modo profissional caracteriza-se pela remuneração pactuada, em contrato formal de trabalho, entre o atleta e a entidade desportiva.

A qualificação desse contrato como especial resulta da particular posição do sujeito, da natureza do trabalho111 a ser prestado e do local em que é realizada a prestação de serviço.

Destaca-se a Lei nº. 9.615/98 que “a atividade do atleta profissional, de todas as modalidades desportivas, é caracterizada por remuneração pactuada em contrato formal de trabalho firmado com entidade de prática desportiva, pessoa jurídica de direito privado, que deverá conter, obrigatoriamente, cláusula penal para as hipóteses de descumprimento, rompimento ou rescisão contratual”.

110 BARROS, Alice Monteiro. Contratos e regulamentações especiais de trabalho: peculiaridades, aspectos controvertidos e tendências. 3.ed. São Paulo: LTr, 2008. p.98.

111 A legislação especial permite ao legislador concretizar o tratamento da relação jurídica derivada de sua particular natureza, como também reportar-se ao ordenamento legal geral (CLT), quando ausente a incompatibilidade.

Quando a lei fala em ‘contrato formal’, entende-se por contrato escrito.

O contrato entre o atleta, com interesse pecuniário, e a entidade de desporto é visto como um contrato especial de trabalho112.

BARROS 113 explica que a natureza dessa relação de trabalho como especial exige, evidentemente, que a sua disciplina legal se separe da legislação trabalhista geral (CLT), em algumas situações, pela necessidade de se atender à própria especialidade da relação e o particular jogo de interesses das partes, isto é, do desportista, enquanto empregado, e do clube ou time, enquanto empregador, o que nem sempre coincide com o que se dá entre empregado e empregador, de um modo geral. Os exemplos mais comuns são os da duração do contrato de trabalho, o do grau da subordinação jurídica, que acabará por repercutir na caracterização da justa causa, o da duração do trabalho, entre outros.

A autora op. cit.114 exemplifica que, na Itália, os esportes são numerosos e variados, porém, o mais conhecido e seguido é o futebol. Os primeiros rascunhos da legislação apresentados ao Senado, em 1979, consideravam a prestação de trabalho desses desportistas como autônoma, porém, no texto normativo aprovado em caráter definitivo (Lei nº. 91, de 23 de março de 1981), prevaleceu a tese da qualificação do trabalho desportivo como subordinado. Os desportistas profissionais, isto é, os trabalhadores desportistas, compreendem os atletas, treinadores, diretores técnicos esportivos e preparadores físicos, que exercem atividade esportiva a título oneroso em caráter contínuo no âmbito da disciplina regulamentada pelo CONI (Comitê Olímpico Nacional Italiano) e que obtêm a qualificação das federações esportivas nacionais, segundo normas emanadas destas mesmas federações estabelecidas pelo CONI, para a distinção

112 BARROS, Alice Monteiro. Contratos e regulamentações especiais de trabalho: peculiaridades, aspectos controvertidos e tendências. p.108.

113 BARROS, Alice Monteiro. Contratos e regulamentações especiais de trabalho: peculiaridades, aspectos controvertidos e tendências. p.101.

114 BARROS, Alice Monteiro. Contratos e regulamentações especiais de trabalho: peculiaridades, aspectos controvertidos e tendências. p.99.

da atividade profissional daquela desenvolvida por diletantismo115.

No Brasil, o atleta que praticar o futebol, em caráter profissional, é considerado empregado da associação desportiva que se utilizar de seus serviços mediante salário e subordinação jurídica. O empregador será sempre pessoa jurídica de direito privado (art. 1º da Lei nº. 6.354, de 1976, art. 28 da Lei nº. 9.615, de 24 de março de 1998 e art. 30 de seu regulamento).

Aplicam-se aos atletas profissionais do futebol a Lei nº. 6.354, de 02 de setembro de 1976, cujo anteprojeto foi de autoria do Prof. Evaristo de Moraes Filho; a Lei nº. 9.615, de 24 de março de 1998, conhecida popularmente como Lei Pelé; Lei nº. 9.981, de 14 de julho de 2000; as disposições da CLT compatíveis com a situação desse profissional (art. 28 da Lei nº. 6.354, de 1976) e ainda a Lei nº. 10.672, de 15 de maio de 2003. A par dessas disposições legais, aplicam-se, também, as regras da Federação Internacional de Futebol, dos Códigos Disciplinares de Futebol e outros advindos dos usos, mormente no tocante à remuneração. Não se lhe aplicam as normas contidas nos arts. 451 e 452 da CLT, que dizem respeito à prorrogação e renovação do contrato, pois o contrato do atleta pode ser prorrogado por mais de uma vez e a sua renovação não está sujeita a interstício de seis meses entre os dois contratos. Igualmente, mesmo antes de o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) ser o regime legal, não se estendia ao atleta a indenização de antiguidade prevista no ano art.

477 da CLT, porque o seu contrato é a termo. Em conseqüência, tampouco o instituto da estabilidade previsto no art. 492 da CLT poderia lhe ser estendido.

Atualmente, por força expressa de lei (art. 30, parágrafo único da Lei nº. 9.615, de 1998, modificado pela Lei nº. 9.981, de 2000), não se aplica ao atleta o disposto no art. 445 da CLT, que veda a celebração do contrato por prazo determinado superior a dois anos116.

115 Os empregadores, nessa relação jurídica, são as sociedades desportivas constituídas sob a forma de sociedades por ações ou de responsabilidade limitada (art. 10 da Lei Italiana n. 91, de 1981).

116 Apud BARROS, Alice Monteiro. Contratos e regulamentações especiais de trabalho:

peculiaridades, aspectos controvertidos e tendências. p.109.

No tocante ao atleta, a legislação brasileira distingue situações, pois o desporto poderá ser praticado de forma profissional e não- profissional117 (art. 3º, parágrafo único da Lei nº. 9.615, de 1998 – lei especial, de natureza trabalhista, intitulada Lei Pelé). O primeiro caracteriza-se pela remuneração118 pactuada em contrato formal de trabalho firmado entre o atleta e a entidade desportiva. Estará o ajuste, portanto, sob a égide do Direito do Trabalho, porém, integrará o rol dos contratos especiais. Já o desporto não-profissional será identificado pela liberdade de prática e pela inexistência de contrato de trabalho, sendo permitido o recebimento de incentivos materiais e de patrocínio (art. 3º, parágrafo único, II, da Lei nº. 9.615, de 1998, com a nova redação dada em 2000).

No entendimento de MELO NETO119, por se tratar de um contrato sui generis, com natureza e fisionomia próprias, inobstante o regime geral de contrato de trabalho seja subsidiário, é importante repontar os três elementos constitutivos do contrato desportivo destacados por GERMAIN120:

A prestação de serviço consiste, essencialmente, na atividade desportiva do atleta abrangendo treinamentos e competições para os quais é convocado. Uma controvérsia de natureza mais sentimental que racional centra-se na questão de saber-se se o desporto pode ser elemento constitutivo de um trabalho. A

117 O desporto realizado de modo não-profissional é identificado pela liberdade de prática e pela inexistência de contrato de trabalho, sendo permitido o recebimento de incentivos materiais e de patrocínio (art. 3º, parágrafo único, II, da Lei nº. 9.615, de 1998, com a nova redação dada pela Lei 9.981, de 14 de julho de 2000). Os atletas não-profissionais com idade superior a 20 (vinte) anos não poderão participar de competições desportivas de profissionais (art. 43 da Lei nº. 9.615, de 1998, com a nova redação dada pela Lei nº. 9.981, de 2000).

118 O art. 28 da Lei n. 9.615, afirma que a atividade de atleta profissional, dentre outras particularidades, caracteriza-se por remuneração pactuada em contrato formal de trabalho:

Art. 457. Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber.

§1º Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador.

§2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de cinqüenta por cento do salário percebido pelo empregado.

§3º Considera-se gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada à distribuição aos empregados.

119 MELO FILHO, Álvaro. Lei Pelé: comentários à Lei nº. 9.615/98. p.94.

120 Apud MELO FILHO, Álvaro. Lei Pelé: comentários à Lei nº. 9.615/98. p.94.

resposta é certamente negativa quando esta prática é amadora, isto é, pelo prazer que acarreta, configurando pura e simplesmente um jogo, ou seja, o oposto ao trabalho. Contudo, a resposta torna-se positiva a partir do momento em que o atleta se dedica ao desporto, não somente pela satisfação e pela alegria pessoal que dali retira, mas também com uma outra finalidade, qual seja, percebe uma retribuição: o atleta remunerado faz do desporto um trabalho.

BARROS121 define que o desporto realizado de modo não profissional será identificado pela liberdade de prática e pela inexistência de contrato de trabalho, sendo permitido o recebimento de incentivos materiais e de patrocínio (art. 3º, parágrafo único, II, da Lei nº. 9.615, de 1998, com a nova redação dada pela Lei nº. 9.981, de 14 de julho de 2000). Não se reconhece, portanto, o vínculo empregatício com os jogadores de futebol amadores, pois não o fazem em caráter profissional, mas por prazer e diversão.

Nesse sentido, ressalta KRIEGER122 que o contrato de trabalho é peça chave na relação atleta/clube. Repita-se que o contrato de trabalho é o instrumento que estabelece o vínculo legal entre ambos, conforme disposto no §1º do art. 28 da Lei, que define que o vínculo esportivo – conhecido como o nome de condição legal de jogo – nasce do vínculo empregatício. Assim, a condição legal de jogo de um atleta em relação à determinada entidade de prática é estabelecida pelo registro de seu contrato junto à entidade dirigente respectiva.

Inexistindo o registro, inexiste a forma juridicamente perfeita para determinar a existência ou não da condição de jogo.

A rigor, este §1º do art. 28 tem o nítido objetivo de ampliar e completar o quadro legislativo de proteção aos atletas profissionais, seja em relação à legislação trabalhista, seja em referência à legislação da seguridade social. Vale, portanto, a

121 BARROS, Alice Monteiro. Contratos e regulamentações especiais de trabalho: peculiaridades, aspectos controvertidos e tendências. p.103.

122 KRIEGER, Marcílio César Ramos. Lei Pelé e legislação desportiva brasileira anotadas. p.27.

regulação especial da lei desportiva no pertinente ao atleta profissional, e a incidência subsidiária dos ditames gerais, trabalhistas e de seguridade social, só exsurgirá na omissão ou ausência de disciplinamento específico nesta lei ou no contrato de trabalho respectivo. Além de dever buscar-se a compatibilidade entre as legislações geral e especial, respeitando, sobretudo, o espírito, sentido e escopo global da legislação desportiva, impõe-se realçar que o contrato de trabalho, sob pretexto de estabelecer peculiaridades, não pode fazer tabula rasa ou tornar letra morta normas trabalhistas e de seguridade social cogentes e de evidente natureza de ordem pública123.

A Lei nº. 9.615, de 1998, estabelece, nos art. 28 e 30, que o contrato de trabalho do atleta formal será escrito e terá prazo determinado, com vigência nunca inferior a três meses; essa exigência visa a propiciar-lhe um tempo mínimo para mostrar suas habilidades profissionais.

O art. 30 da Lei nº. 9.615/98 explicita que o contrato de trabalho do atleta profissional terá o prazo determinado, com vigência nunca inferior a três meses124.

O art. 30 teve sua redação alterada pela Lei nº. 9.981, de 14 de julho de 2000, a qual estabeleceu que o contrato de trabalho do atleta terá prazo determinado, com vigência nunca inferior a três meses nem superior a cinco anos, deixando expresso que o disposto no art. 445 da CLT não se aplica ao atleta (art. 30, parágrafo único)125.

Nesse entendimento, ressalta MELO FILHO126:

O art. 28 da Lei nº. 9.615/98 estatui em seu caput que ‘a

123 MELO FILHO, Álvaro. Lei Pelé: comentários à Lei nº. 9.615/98. p.99-100.

124 MELO FILHO, Álvaro. Lei Pelé: comentários à Lei nº. 9.615/98. p.103.

125 BARROS, Alice Monteiro. Contratos e regulamentações especiais de trabalho: peculiaridades, aspectos controvertidos e tendências. p.110.

126 MELO FILHO, Álvaro. Lei Pelé: comentários à Lei nº. 9.615/98. p.94.

atividade do atleta profissional, de todas as modalidades desportivas, é caracterizada por remuneração pactuada em contrato formal de trabalho firmado com entidade de prática desportiva, pessoa jurídica de direito privado, que deverá conter, obrigatoriamente, cláusula penal para as hipóteses de descumprimento, rompimento ou rescisão unilateral’. Este ditame guarda estreita harmonia com o parágrafo único, I, do art. 3º da mesma lei quando alude ao desporto profissional tipificado ‘por remuneração pactuada em contrato formal de trabalho entre o atleta e a entidade de prática desportiva.

Complementa BARROS127:

O contrato de trabalho do jogador de futebol deverá conter os nomes das partes contratantes individualizadas e caracterizadas; o modo e a forma de remuneração, especificados o salário, os prêmios, as gratificações e, quando houver, as bonificações, bem como o valor das luvas, se previamente ajustadas, além do número da carteira de trabalho.

Os contratos de trabalho serão numerados pelos empregadores em ordem sucessiva e cronológica, datados e assinados pelo atleta ou pelo seu representante legal, sob pena de nulidade (art. 3º da Lei nº. 6.354, de 1976, incisos I, III, IV, VI, §2º).

No domínio do contrato de trabalho dos praticantes desportivos profissionais, o disciplinamento legal justifica-se quer em razão das especificidades e singularidades que a atividade desportiva comporta e que o regime geral do contrato de trabalho desconhece, por ser cada vez maior o número de praticantes desportivos que fazem do desporto profissão ou meio de vida, sendo remunerado pela sua prática, em todas as modalidades desportivas128.

127 BARROS, Alice Monteiro. Contratos e regulamentações especiais de trabalho: peculiaridades, aspectos controvertidos e tendências. p.111.

128 MELO FILHO, Álvaro. Lei Pelé: comentários à Lei nº. 9.615/98. p.94.

O Decreto nº. 2.574/98, assim determina no §3º do art. 32129:

§3º. O contrato de trabalho de que trata o caput deste artigo, cujo modelo padrão será expedido pelo INDESP, será celebrado em no mínimo, duas vias, de mesmo teor e forma, destinadas uma para cada parte, e deverá conter obrigatoriamente as seguintes cláusulas e condições:

I – o nome completo das partes contratantes devidamente individualizadas e caracterizadas;

II – o nome da associação empregadora, endereço completo, inscrição no Cadastro de Pessoa Física – CPF, modalidade de prática e o nome da entidade de administração filiada;

III – o nome do atleta contratado, apelido desportivo, data de nascimento, filiação, estado civil, endereço completo, número e série da Carteira de Trabalho, do Registro Geral da Cédula de Identidade, do registro junto ao Cadastro de Pessoa Física do Ministério da Fazenda;

IV – o prazo de duração;

V – o valor da remuneração total e a forma de pagamento, que poderá ser semanal, quinzenal ou mensal;

VI – o valor dos prêmios e a forma de pagamento;

VII – o valor das luvas e a forma de pagamento;

VIII – o valor das gratificações e a forma de pagamento;

IX – a carga horária;

X – o regime de concentração, antes de cada competição;

XI – a informação do número da apólice de seguro de acidentes pessoais e de vida, feitos a favor do atleta, contendo o valor do prêmio, a data de vencimento e o nome da companhia de seguros;

129 Apud ZAINAGHI, Domingos Sávio et al. Direito desportivo. p.64.

XII – vantagens adicionais oferecidas ao atleta; e

XIII – o visto de autorização de trabalho temporário previsto no item V do art. 13 da Lei nº. 6.815, de 19 de agosto de 1980, o passaporte contendo o visto de entrada fornecido pelo Ministério das Relações Exteriores e a RNE da Política Federal, quando se tratar de contratos celebrados com atletas de origem estrangeira.

A Lei nº. 6.354/76 determina em seu art. 3º, §1º que os contratos serão registrados nas federações regionais e na Confederação. A FIFA determina em seu art. 5º do “Regulamento sobre o Contrato de Transferências de Jogadores”, que os contratos de trabalho devem ser enviados em cópia para a associação nacional, no Brasil, a CBF, ficando à disposição daquela entidade internacional.

No entendimento de AIDAR, determina a Lei nº 9.615/98, em seu art. 35, a obrigação de se comunicar a “entidade nacional de administração da modalidade a condição de profissional, semiprofissional ou amador do atleta”.

Com isso, haverá controle dos contratos, mas sem ferir o sigilo do pactuado entre os contratantes, mas a FIFA poderá requisitar uma cópia do contrato, e neste caso, o clube deverá acatar o pedido. E regulamentando o dispositivo supra, o art. 36 do Decreto nº. 2.574/98 assim preceitua:

Art. 36. A entidade de prática desportiva comunicará em impresso padrão à entidade de administração da modalidade a condição de profissional, semiprofissional ou amador do atleta.

§1º. A comunicação oferecida pela entidade de prática deverá observar o mínimo de informações:

I – nome da entidade de prática desportiva;

II – nome completo e apelido desportivo do atleta;

III – data de nascimento e filiação do atleta;

IV – validade e duração do contrato, com seu início e término, quando se tratar de atleta profissional;

V – validade e duração do contrato, com seu início e término, quando se tratar de contrato de estágio semiprofissional; e VI – validade da manifestação de vontade, quando se tratar de vínculo desportivo de categoria amadora.

§2º. A manifestação de vontade de atleta amador é caracterizada pela ficha de registro desportivo, que poderá ser livremente rescindida por qualquer das partes.

O contrato de trabalho de atleta só deverá ser celebrado no caso de profissionais, não havendo necessidade quando se tratar de semiprofissional130 ou amador.

Ressalta ainda ZAINAGHI131 que o art. 28 da Lei 9.615/98 é de aplicação obrigatória exclusivamente para atletas e entidades de prática profissional de futebol, sendo facultado às demais modalidades desportivas a adoção dos preceitos ali constantes, consoante os termos do art. 94 da lei.

Observa-se ainda que no art. 28, §1º, diz ser de aplicação subsidiária ao contrato

130 A Lei nº. 9.615/98 assim pronuncia quanto ao atleta semiprofissional:

Art. 36. A atividade do atleta semiprofissional é caracterizada pela existência de incentivos materiais que não caracterizem remuneração derivada de contrato de trabalho, pactuado em contrato formal de estágio firmado com entidade de prática desportiva, pessoa jurídica de direito privado, que deverá conter, obrigatoriamente cláusula penal para as hipóteses de descumprimento, rompimento ou rescisão unilateral.

§1º. Estão compreendidos na categoria dos semiprofissionais os atletas com idade entre quatorze e dezoito anos completos.

§2º. Só poderão participar de competição entre profissionais os atletas semiprofissionais com idade superior a dezesseis anos.

§3º. Ao completar dezoito anos de idade, o atleta semiprofissional deverá obrigatoriamente ser profissionalizado, sob pena de, não o fazendo, voltar à condição de amador, ficando impedido de participar em competições entre profissionais.

§4º. A entidade de prática detentora do primeiro contrato de trabalho do atleta por ela profissionalizado terá direito de preferência para a primeira renovação deste contrato, sendo facultada a cessão deste direito a terceiros, de forma remunerada ou não.

§5º. Do disposto neste artigo estão excluídos os desportos individuais e coletivos olímpicos, exceto o futebol de campo.

131 ZAINAGHI, Domingos Sávio. Nova legislação desportiva: aspectos trabalhistas. p.12.

de atleta profissional, as normas gerais da legislação trabalhista e da seguridade social. A Lei nº. 6.354/76 também faz a mesma previsão:

Art. 28. Aplicam-se ao atleta profissional de futebol as normas gerais da legislação trabalhista e da Previdência Social, exceto naquilo que forem incompatíveis com as disposições desta Lei.

Neste sentido, afirma ainda ZAINAGH 132 que pelas determinações dos dois diplomas citados, não há dúvidas de que a relação entre clube e atleta é de emprego. Isso pode ser comprovado pelos arts. 1º e 2º da Lei nº. 6.354/76, assim caracterizam as partes contratantes:

Art. 1º. Considera-se empregador a associação desportiva que, mediante qualquer modalidade de remuneração, se utilize dos serviços de atletas profissionais de futebol, na forma definida nesta Lei.

Art. 2º. Considera-se empregado, para os efeitos desta Lei, o atleta que praticar o futebol, sob subordinação de empregador, como tal definido no art. 1º, mediante remuneração e contrato, na forma do artigo seguinte.

A remuneração consiste em todas as vantagens, das mais variadas espécies, concedidas ao atleta como contrapartida de seus serviços desportivos. Assim, a remuneração abrange valores fixos, bem como os prêmios sob múltiplas formas. Ela compreende igualmente as gratificações e as bolsas concedidas, não pelo empregador do atleta, mas pelos terceiros, organizadores de competições e manifestações de que o atleta participa.

Desta forma, o empregador, no entendimento de

132 ZAINAGHI, Domingos Sávio. Nova legislação desportiva: aspectos trabalhistas. p.12.

ZAINAGHI133 pode ser caracterizado como:

Vê-se, pois, que empregador só poderá ser uma pessoa jurídica, ou seja, uma associação. E esta, como entidade de prática esportiva, deverá revestir-se das formalidades exigidas na legislação específica, como, por exemplo, seu registro na Federação Estadual e na Confederação Brasileira de Futebol.

Quanto ao empregado, ZAINAGHI134 referencia que:

Quanto ao empregado, diz a lei em seu art. 2º:

Considera-se o empregado, para os efeitos desta lei, o atleta que praticar o futebol, sob a subordinação de empregador, como tal definido no art. 1º, mediante remuneração e contrato, na forma do artigo seguinte.

Imprecisa a definição legal face ao que prevê a CLT em seu art.

3º. Falta ao artigo supracitado a não eventualidade que é prevista no texto consolidado.

A subordinação, por si só, não caracteriza a existência de vínculo de emprego, uma vez que se pode imaginar um atleta que jogue apenas uma partida, tendo de obedecer à determinação do técnico (empregado do clube) e não se estará diante de um contrato de trabalho.

Quanto ao objeto, BARROS135 fundamenta que o serviço executado pelo desportista se integra em um espetáculo dirigido ao público e, em conseqüência, se ressente das afeições, moda e inclinações, em síntese, de sua aceitação. A prática desportiva está sujeita à regras, com racionalidade própria que integra o ordenamento jurídico desportivo e que são indiferentes para o

133 ZAINAGHI, Domingos Sávio. Nova legislação desportiva: aspectos trabalhistas. p.12.

134 ZAINAGHI, Domingos Sávio. Nova legislação desportiva: aspectos trabalhistas. p.12.

135 BARROS, Alice Monteiro. Contratos e regulamentações especiais de trabalho: peculiaridades, aspectos controvertidos e tendências. p.100.

No documento MONOGRAFIA COMPLETA - Univali (páginas 62-84)

Documentos relacionados