• Nenhum resultado encontrado

heliófila5, não sobreviveria à ambientes sombreados, não competindo, portanto, com áreas com cobertura florestal densa.

Com relação ao aspecto ecológico-ambiental, observa-se que grande parte destas áreas, aptas ao cultivo do dendezeiro, encontram-se antropizadas e em diferentes estágios de degradação, sendo que o cultivo do dendezeiro, conduzido de forma ambientalmente responsável, poderá possibilitar uma recomposição parcial de espaço com uma “floresta de cultivo”, formando um mosaico que possibilite o desenvolvimento socioeconômico, ampliando as opções de renda e emprego da região.

Helene et al. (1994) confirma que ao se plantar árvores, as concentrações de CO2 na atmosfera podem ser reduzidas, pois as plantas têm a capacidade de acumular carbono em sua estrutura enquanto estão em fase de crescimento e, quando atingem o máximo de crescimento, o carbono absorvido tende a ficar acumulado nos tecidos vegetais.

Peterson e Hustrulid (1998) estudando o ciclo de carbono na produção de biodiesel derivado de óleo de colza consideraram que todo o carbono liberado pela combustão de óleo vegetal é fixado pela planta durante o processo de fotossíntese.

Conforme Viégas e Müller (2000), o total de todo o carbono seqüestrado em todas as florestas do mundo corresponde a 450 x 109 t, e destes, estima-se que 11% estejam imobilizados na Floresta Amazônica brasileira.

em risco os recursos da terra e que, se não houver uma estabilidade populacional, econômica e ecológica, os recursos naturais que são limitados serão extintos, tornando a vida no planeta impossível. Esta preocupação mundial tem incentivado as pesquisas que partem do princípio de desenvolver, mas preservando e conservando o meio ambiente.

Baseando-se nos objetivos propostos pela Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento, uma série de medidas deve ser tomada pelos países que buscam alcançar o tão almejado desenvolvimento sustentável. A busca por alternativas para diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias com uso de fontes energéticas renováveis tem se destacado, uma vez que o mundo encontra-se num momento de busca de alternativas que minimizem os impactos ambientais que a produção e o uso de combustíveis não-renováveis causam ao meio ambiente.

Diante disto, a utilização de combustíveis derivados da biomassa, ou biocombustíveis, ressurge dentro de um paradigma sistêmico de busca de matérias-primas renováveis que possibilitem a produção de um combustível alternativo aos derivados fósseis, ao mesmo tempo, ambientalmente sustentáveis, economicamente viável e socialmente justos. Neste sentido, o desenvolvimento sustentável é concebido como a satisfação das necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades.

O ciclo de vida de um determinado produto tem sido objeto de estudo em diversos países, uma vez que o mundo encontra-se num momento de crise ambiental, tendo como preocupações de caráter ambiental, aspectos que compreendem desde a extração, o processo produtivo e seus produtos, o uso, até o posterior descarte.

Essas preocupações têm favorecido o desenvolvimento de normas que dimensionem o valor de um determinado produto, assim como a sua relação com o meio ambiente e minimização dos possíveis impactos que estes venham causar aos recursos naturais (TAVARES JR., 1997).

A Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) é uma ferramenta de gestão ambiental, que se enquadra no âmbito da ecologia industrial, sendo definida, com base em Ribeiro et al. (2007), como uma técnica para determinar os potenciais impactos ambientais associados a um produto, compreendendo etapas que vão desde a extração de matéria-prima da natureza, que entram no sistema produtivo, à disposição do produto final, mediante a compilação de um inventário das intervenções ambientais relevantes desse produto em todo o seu ciclo de vida.

Em inglês usa-se a expressão cradle-to-grave approach (do berço ao túmulo) para reforçar a intenção de uma abordagem completa do processo produtivo (ISO, 2006a).

O ciclo de vida de um produto inicia quando os recursos naturais para sua produção são extraídos de sua origem e termina quando os materiais, resíduos e emissões retornam à natureza.

Os procedimentos básicos para a realização de uma ACV estão normatizados pelas ISO 14040 e 14044 (ISO, 2006a,b). A ISO 14040 compreende a estrutura geral, princípios e requisitos para conduzir e relatar estudos de ACV. A ISO 14044 relata todas as etapas necessárias para se conduzir um estudo utilizando a ACV, compreendendo as fases de definição do objetivo e do escopo do trabalho, a construção do inventário, a avaliação de impacto do ciclo de vida e a interpretação do ciclo de vida.

Neste contexto ela foi definida como um processo objetivo para avaliar um produto, atividade ou processo, identificando e quantificando a energia, os materiais utilizados e os resíduos liberados ao ambiente, com o objetivo de por em prática melhorias ambientais (BARBOSA JR., 2008).

Através da ACV busca-se, portanto, monitorar um produto desde a extração da matéria-prima até a sua destinação final após o uso. Conforme a CETEA (2002), a ACV propõe:

1 - Uma contabilização ambiental, onde se consideram as retiradas de recursos naturais e energia da natureza e as “devoluções” (resíduos e emissões) para o meio ambiente;

2 - A avaliação dos impactos ambientais potenciais relativos às entradas e saídas do sistema.

A realização de estudos de ACV exige informações precisas e detalhadas de vários processos ao longo do ciclo de vida dos produtos analisados, sendo, portanto, necessário a organização de bancos de dados que possibilitem o acesso ágil a informações confiáveis sobre eficiências, fatores de emissões e consumos de matérias-primas e energia nestes processos, agregando os dados de forma estruturada.

As informações coletadas na ACV e os resultados de suas análises e interpretações podem ser úteis na tomada de decisão, na seleção de indicadores ambientais relevantes para avaliação do desempenho ambiental de produtos ou processos e/ou planejamento estratégico.

Encoraja as indústrias a, sistematicamente, considerar as questões ambientais associadas aos sistemas de produção, na literatura internacional especializada esta abordagem é conhecida como Life cycle thinking, avaliando os insumos, as matérias-primas, a manufatura, a distribuição, o uso, a disposição, o reuso e a reciclagem.

Ajuda a melhorar o entendimento dos aspectos ambientais ligados aos processos produtivos de uma forma mais ampla, auxiliando na identificação de prioridades e afastando-

se do enfoque tradicional que só se preocupa com o final do processo na proteção ambiental, conhecido na literatura internacional por end of pipe technology.