4. METODOLOGIA
4.4. AVALIAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS
Os equipamentos foram avaliados quanto à tensão, filtração total, radiação de fuga, tamanho de campo irradiado, camada semi-redutora, dose de entrada na pele, tempo de exposição, tipo de localizador e manutenção periódica.
4.4.1 Filtração Total
A Portaria estabelece que equipamentos com tensão de tubo inferior ou igual a 70 kVp devem possuir uma filtração total permanente não inferior ao equivalente a 1,5 mm de alumínio. Os equipamentos foram inspecionados quanto à filtração total que vem discriminada no manual ou em placa fixada no equipamento.
4.4.2. Radiação de Fuga
Para medir este teste vedou-se a saída do feixe de raios X com uma placa de chumbo de 2 mm. Cada lado da ampola de raios X foi demarcado, gerando 5 pontos denominados A, B, C, D e E que respectivamente corresponderam aos seguintes lados: esquerdo, direito, fundo, frente e trás (Figura 2). Posicionou-se a câmara de ionização, com volume sensível de 180 cc (centímetro cúbico) e um eletrômetro modelo 9015 da Radcal, a uma distância de um metro da ampola e realizadas exposições iguais para todos os lados. O tempo de exposição escolhido foi o mais utilizado pelo CD.
Figura 2 - Pontos do cabeçote utilizados para o teste de radiação de fuga.
A taxa de Kerma no ar calculada e os valores encontrados foram comparados com os da Portaria 453/98 da Vigilância Sanitária que estabelece no máximo 0,25 mGy/h.
4.4.3. Tamanho de Campo
As medidas do tamanho de campo dos equipamentos de raios X odontológicos foram obtidas a partir da irradiação de um filme com chassi 18 x 24 cm, posicionado perpendicular e centralizado ao localizador do tubo sem que houvesse distância entre os mesmos. O tempo de exposição utilizado foi o mais utilizado pelo CD.
Foram utilizados filmes da mesma caixa e lote, sendo revelados na mesma processadora. Após revelação, a imagem referente ao campo da radiação foi demarcada e medida a cada meio centímetro com a ajuda de um densitômetro, equipamento da Nuclear Associates modelo 07-443. Mediu-se a densidade óptica nesses espaços marcados. O tamanho de campo foi determinado na relação da densidade óptica e distância: traçou-se uma reta horizontal na metade da amplitude da densidade (ponto médio dos valores máximo e mínimo) e duas outras verticais na interseção daquela reta com a curva (Figura 3).
Figura 3 - Relação da distância medida em centímetros com a densidade óptica obtida para a determinação do tamanho de campo irradiado pela largura à meia altura.
Para aqueles que ultrapassaram o tamanho do chassi 18 x 24 cm, foi utilizado filme do chassi 35,5 x 35,5 cm. Os valores obtidos para o tamanho de campo foram comparados com o estabelecido pela Portaria 453/98 da Vigilância Sanitária que estabelece no máximo 6 cm de diâmetro.
4.4.4. Camada Semi-Redutora (CSR)
O objetivo deste estudo é determinar a camada semi-redutora (CSR), isto é, a espessura de um material necessária para reduzir a intensidade do feixe de raios X à metade. A partir deste valor e com o valor da tensão utilizada no teste, é possível estimar a filtração total do equipamento de raios X.
Para tanto, utilizou-se do detector de radiação VICTOREEN modelo 4000+, posicionando-se o localizador paralelamente a 2 cm do detector; o tempo de exposição fixo escolhido foi o mais utilizado pelo cirurgião-dentista; a primeira medida de radiação foi feita sem filtro entre o localizador e o detector; as medidas seguintes foram feitas com sucessivas espessuras do filtro: 0,3 mm Al, 1,0 mm Al, 1,3 mm Al, 2,3 mm Al, 2,6 mm Al; e por último, uma medida de radiação feita sem filtro. A partir do gráfico que relaciona a exposição (mR) e a espessura do absorvedor de alumínio determinou-se a CSR. Os valores obtidos para as CSR foram comparados com os estabelecidos pela Portaria 453/98 da Vigilância Sanitária na Tabela 1.
Tabela 1 - Valores mínimos de camadas semi-redutoras em função da tensão de tubo máxima de operação dadas pela Portaria 453/98 da Vigilância Sanitária
kVp CSR (mm Al)
51 1,2 60 1,3 70 1,5 71 2,1 80 2,3 90 2,5
4.4.5. Exatidão e Reprodutibilidade da Tensão
Verificou-se a exatidão e a reprodutibilidade dos valores da tensão de pico aplicada ao tubo de raios X com relação aos valores indicados pelo equipamento, através das medidas do detector de radiação VICTOREEN modelo 4000+, posicionado a 2 cm abaixo e perpendicular ao localizador do tubo de raios X.
Avaliaram-se os valores de kVp para três diferentes tempos: o tempo de maior uso, o tempo um pouco acima e o tempo um pouco abaixo, a depender do profissional. Para verificar a exatidão da tensão, em cada valor de kVp, foi determinado o desvio máximo obtido entre os valores selecionados e os valores medidos de kVp máximo, conforme a seguinte fórmula:
sel med sel
máx
kV
kV
desvio kV −
= 100
(2)Onde:
kVsel é o valor nominal no equipamento
kVmed é o valor máximo medido pela câmara de ionização.
Obs.: o intervalo de tolerância de ±10% foi o utilizado para aceitação da conformidade dos desvios.
Para a reprodutibilidade da tensão optou-se pelo cálculo do tempo repetido, tomando os dois valores mais discrepantes medido pela câmara de ionização e utilizando-se a seguinte fórmula:
( ) / 2
100
2 1
2 1
kV kV
kV desvio
máxkV
+
= −
(3)Onde:
kV1 e kV2 são os valores mais discrepantes
Obs.: o intervalo de tolerância de ±10% foi o utilizado para aceitação da conformidade dos desvios.
4.4.6. Reprodutibilidade e Linearidade da Exposição
Verificou-se se a constância de Kerma, para o mAs, dado pelo tempo mais utilizado pelo profissional e a linearidade da exposição estão em conformidade com os padrões de desempenho estabelecidos na Portaria 453/98 da Vigilância Sanitária.
As medidas foram efetuadas utilizando-se o detector de radiação VICTOREEN modelo 4000+ posicionado a 2 cm abaixo e perpendicular ao localizador do tubo de raios X. Como no equipamento de raios X odontológico o mA e o kVp são fixos, foram realizadas três exposições sem variar o tempo. Para a reprodutibilidade da exposição utilizou-se a seguinte fórmula:
( ) / 2
100
menor maior
menor maior
máx
L L
L desvio L
+
= −
(4)Onde:
Lmaior é a maior medida da exposição Lmenor a menor.
Obs.: o desvio máximo deve-se encontrar no intervalo de ±10%.
4.4.7. Exatidão e Reprodutibilidade do Tempo de Exposição
Este parâmetro é particularmente responsável pela dose do paciente e pela densidade óptica da imagem, por isso, foi verificado se o tempo de exposição selecionado no painel do equipamento de raios X é o tempo real da exposição.
As medidas foram efetuadas utilizando-se o detector de radiação VICTOREEN modelo 4000+ posicionado a 2 cm abaixo e perpendicular ao localizador do tubo de raios X. Foram utilizados 3 tipos diferentes de tempo de exposição: um mais abaixo, e outro mais acima do tempo mais utilizado pelo cirurgião-dentista; e, o tempo mais usado em sua rotina, sendo que para este foram feitas três medidas para poder verificar a reprodutibilidade do mesmo.
Para determinar a exatidão do tempo, calculou-se o percentual de variação em relação ao valor nominal, ajustado no painel de controle, sendo considerados em condições adequadas de operação os equipamentos que apresentavam variações menores ou iguais a ±10%, conforme fórmula a seguir:
sel med sel
máx
T
T
desvio = 100 T −
(5)Onde:
Tsel é o valor nominal no equipamento
e o Tmed é o valor medido pela câmara de ionização.
Com relação à reprodutibilidade, calculou-se, para o tempo de exposição mais utilizado, a razão entre as leituras obtidas e o valor do tempo médio (t1/tm, t2/tm, t3/tm). Com base no protocolo da ABFM, foram considerados reprodutíveis os equipamentos cujas razões (ti/tm) estiveram no intervalo de 0,95 a 1,05.
4.4.8. Dose de Entrada na Pele
Estimou-se a dose de entrada na pele representativa dos exames praticados por equipamentos de raios X odontológicos e comparou-se com o nível de referência apresentado na Portaria 453/98 da Vigilância Sanitária.
As medidas foram efetuadas utilizando-se o detector de radiação VICTOREEN modelo 4000+ posicionado abaixo e perpendicular ao localizador do tubo de raios X a duas distâncias 02 e 08 cm.
Para a dose de entrada na pele utilizou-se a seguinte fórmula:
DEP=K
arX BSF X K
TPX F
c (6)Onde:
Kar é o Kerma no ar, BSF é o fator de retro-espalhamento na água para a geometria e qualidade da radiação;
KTP é o fator de correção para a temperatura e pressão;
Fc é o fator de calibração da câmara para a qualidade do feixe.
Os valores obtidos foram comparados com o nível de referência da Portaria que para equipamento odontológico periapical é de 3,5 mGy.