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A base de cálculo utilizada pelo TJSC para quantificação do Dano

No documento paola niary de souza - Univali (páginas 89-102)

O quantum debeatur não deve corresponder a valores aleatórios. Cláudio Antônio Soarez Levand222 a esse respeito analisa:

“Se é certo que a dor moral não tem preço (por exemplo, no caso de perda de uma vida humana), não menos certo é que, no ressarcimento do mal injustamente causado, tanto melhor será para ambas as partes que haja balizamento concreto, o que não tira do juiz o dever de subjetivamente aferir a gravidade do caso concreto, mas lhe impõe a obrigação de arbitrar a indenização com base em valores preestabelecidos, que tanto evitam a fixação de valores irrisórios, como não permitem o locupletamento excessivo do ofendido às custas do ofensor”.

Ademais, é preciso conscientização de que a reparação

Começa-se com um julgado224 de 2º Instância:

“EMENTA: DANOS MORAIS. INSCRIÇÃO NOS ÓRGÃOS DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO. RÉ CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇOS DE TELEFONIA. EXISTÊNCIA DE CONTRATO DE COMODATO DE LINHA TELEFÔNICA ENTRE A AUTORA E TERCEIRO EM QUE RESTOU ESTIPULADA A OBRIGAÇÃO DO ÚLTIMO PELO PAGAMENTO DAS FATURAS. RÉ QUE PASSA A EMITIR AS FATURAS EM NOME DO COMODATÁRIO.

ANUÊNCIA DA RÉ QUANTO AO COMODATO. INSCRIÇÃO DO NOME DA AUTORA PELO NÃO PAGAMENTO DE UMA DAS FATURAS. ILEGALIDADE. DANO MORAL CONFIGURADO.

DESNECESSIDADE DE PROVA. O princípio da relatividade dos contratos tem por escopo limitar a eficácia do ato negocial às partes diretamente envolvidas. Todavia, se terceiro anui com a avença e se sujeita livremente aos seus efeitos, não pode invocar referido princípio para se escusar da obrigação de indenizar um dos contratantes, dentro do limite da obrigação espontaneamente assumida. QUANTUM INDENIZATÓRIO. CORRETA FIXAÇÃO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. O Dano moral independe de demonstração, estando sedimentadas jurisprudência e doutrina no sentido de sua reparabilidade ante a prova do evento Danoso.

Não merece reparos a decisão que fixa os Danos Morais atendendo aos critérios doutrinários e jurisprudenciais, obedecendo aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade.

SENTENÇA MANTIDA”.

Diante do Julgado acima, o doutrinar Nunes225 assim explica: “O ser humano tem uma esfera de valores próprios, que são postos em sua conduta não apenas em relação ao estado, mas, também, na convivência com seus semelhantes. O direito à honra se traduz juridicamente em larga série de expressões compreendidas como princípio da dignidade da pessoa humana: o bom, a fama, o prestígio, a reputação, a estia, o decoro, a consideração, o respeito”.

224 Acórdão: Apelação cível 2005.032776-7, Relator: Jorge Schaefer Martins, Data da Decisão:

31/10/2005.

225 NUNES, Luiz Antonio Rizzato. O principio constitucional da dignidade da pessoa humana:

doutrina e jurisprudência. São Paulo: Saraiva, 2002. p. 109-110.

Ainda na mesma linha de raciocínio Nunes226 relata “A sensação de ser humilhado, de ser visto como “mau pagador”, quando não se é, constitui violação do patrimônio ideal, que é a imagem idônea, a dignidade do nome, a virtude de ser honesto”.

A devolução indevida de cheque acarreta a responsabilidade de indenizar razoavelmente o Dano moral correspondente, que prescinde de prova de prejuízo.

Não há parâmetros legais versando sobre determinação do valor de Danos Morais. Daí caber, ao juiz, fixá-lo sob seu prudente arbítrio227.

Se a ofensa é moral, a reparação também o deve ser, não sendo da finalidade do instituto o propiciar um enriquecimento do ofendido, sendo certo, também, que não haverá de ser irrisória. É de ser ter em mira que importa, também, também, como meio de desagravo, a palavra do juiz, e não só a quantia colocada a acompanhá-la228.

Traz-se também um julgado229, no qual se pode verificar que sempre faz parte do julgamento o livre arbítrio do magistrado:

“RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. DÉBITO NA CONTA CORRENTE DO AUTOR DE FATURA TELEFÔNICA JÁ PAGA, DANDO AZO A DEVOLUÇÃO DE CHEQUE EMITIDO A TERCEIROS E INSCRIÇÃO EM CADASTRO DE EMITENTES DE CHEQUES

226 NUNES, Luiz Antonio Rizzato. O principio constitucional da dignidade da pessoa humana:

doutrina e jurisprudência. São Paulo: Saraiva, 2002. p. 110.

227 NUNES, Luiz Antonio Rizzato. O principio constitucional da dignidade da pessoa humana:

doutrina e jurisprudência. São Paulo: Saraiva, 2002. p. 110.

228 NUNES, Luiz Antonio Rizzato. O principio constitucional da dignidade da pessoa humana:

doutrina e jurisprudência. São Paulo: Saraiva, 2002. p. 110.

229 Acórdão: Apelação cível 2005.031903-8, Relator: Jorge Schaefer Martins, Data da Decisão:

31/10/2005.

SEM FUNDOS. COMPROVAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL. DANO MORAL CARACTERIZADO.

Configura Dano moral a devolução indevida de cheque por insuficiência de fundos em virtude de cobrança, na conta corrente de cliente, de fatura já paga, quando à época da apresentação do cheque existiria saldo positivo suficiente para pagá-lo, caso a empresa ré não tivesse cometido o equívoco e cobrado valor já quitado.

CRITÉRIOS PARA ARBITRAMENTO DA VERBA INDENIZATÓRIA. REDUÇÃO. POSSIBILIDADE DEVIDO ÀS PARTICULARIDADES DO CASO CONCRETO. NOME DO AUTOR INSCRITO NO CADASTRO DE EMITENTES DE CHEQUE SEM FUNDOS POR POUCOS DIAS E AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE MAIORES PREJUÍZOS.

O valor da indenização do Dano moral deve ser arbitrado pelo juiz de maneira a servir, por um lado, de lenitivo para a dor psíquica sofrida pelo lesado, sem importar a ele enriquecimento sem causa ou estímulo ao abalo suportado; e, por outro, deve desempenhar função pedagógica e séria reprimenda ao ofensor, a fim de evitar a recidiva”.

Tal decisão tem cunho de arbitramento, tentando chegar o mais perto possível da reparação do Dano moral, em outro julgado230 do mesmo Tribunal, vê-se claramente que o cunho da valoração está na responsabilidade do magistrado:

“(...) RESPONSABILIDADE CIVIL - DANO MORAL - INSCRIÇÃO E MANUTENÇÃO INDEVIDAS DO NOME DO DEVEDOR NOS ÓRGÃOS CONTROLADORES DO CRÉDITO - DÍVIDA JÁ QUITADA - OBRIGAÇÃO DE INDENIZAR CARACTERIZADA - CRITÉRIOS PARA O ARBITRAMENTO DA VERBA INDENIZATÓRIA - RAZOABILIDADE - INAPLICABILIDADE DO ART. 1.531 DO CÓDIGO CIVIL E DO ART. 42, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR - SUCUMBÊNCIA PARCIAL INEXISTENTE. Configura Dano moral assim a inscrição como a manutenção do nome do devedor

230 Acórdão: Apelação cível 2001.011186-1, Relator: Des. Luiz Carlos Freyesleben, Data da Decisão: 31/10/2002.

junto aos bancos de dados dos órgãos controladores do crédito, quando a dívida já houver sido quitada, independentemente de comprovação do prejuízo material sofrido pela pessoa indigitada, ou da prova objetiva do abalo à sua honra e à sua reputação, porquanto são presumidas as conseqüências Danosas resultantes desses fatos. O valor da indenização do Dano moral deve ser arbitrado pelo juiz de maneira a servir, por um lado, de lenitivo para a dor psíquica sofrida pelo lesado, sem importar a ele enriquecimento sem causa ou estímulo ao abalo suportado; e, por outro, deve desempenhar uma função pedagógica e uma séria reprimenda ao ofensor, a fim de evitar a recidiva. (...)

Primeiramente, impende registrar que, entre nós, à míngua de parâmetros fixos com que trabalhar, o Juiz vê-se posto em camisa de onze varas, dependente, quase só, de seu bom senso para chegar a um valor que condiga com a lesão produzida, sem esfalfar as finanças do causador da lesão de ordem moral. A este tormento é que se refere o eminente José Raffaelli Santini, ao dizer: "Na verdade, inexistindo critérios previstos por lei a indenização deve ser entregue ao livre arbítrio do julgador que, evidentemente, ao apreciar o caso concreto submetido a exame fará a entrega da prestação jurisdicional de forma livre e consciente, à luz das provas que forem produzidas. Verificará as condições das partes, o nível social, o grau de escolaridade, o prejuízo sofrido pela vítima, a intensidade da culpa e os demais fatores concorrentes para a fixação do Dano, haja vista que costumeiramente a regra do direito pode se revestir de flexibilidade para dar a cada um o que é seu. [...] Melhor fora, evidentemente, que existisse em nossa legislação um sistema que concedesse ao juiz uma faixa de atuação, onde se pudesse graduar a reparação de acordo com o caso concreto. Entretanto, isso inexiste. O que prepondera, tanto na doutrina, como na jurisprudência, é o entendimento de que a fixação do Dano moral deve ficar ao prudente arbítrio do juiz" (Dano moral: doutrina, jurisprudência e prática, Agá Júris, 2000, p. 45). (...) Sendo certo que a indenização a esse título deve ser fixada em termos razoáveis, não se justificando que a reparação venha a constituir- se em enriquecimento indevido, com manifestos abusos e exageros, devendo o arbitramento operar com moderação, proporcionalmente ao grau de culpa e ao porte econômico das partes, orientando-se o juiz pelos critérios sugeridos pela doutrina e pela jurisprudência, com razoabilidade, valendo-se de sua experiência e do bom senso, atento à realidade da vida e às

peculiaridades de cada caso. Ademais, deve procurar desestimular o ofensor a repetir o ato" (REsp nº 246.258/SP, Rel.

Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, j. 18/04/00).

O autor Oliveira231 traz em sua obra, diversos julgados sobre Danos Morais, transcreve-se a seguir um julgado de Extravio de Bagagem, onde foi arbitrado, também, o valor dos Danos Morais, levando em consideração a posição econômica do autor e do réu, fora outros elementos que influenciam no convencimento do magistrado:

Civil –Indenização – extravio de bagagem por empresa aérea.

Causando Dano moral, com o extravio da bagagem pelo pagamento de uma soma, que arbitrada com base na gravidade do Dano, no desconforto e na contrariedade causados. Na hipótese o passageiro, não se dirigia para casa nem estava em viagem de lazer, ia fazer-se presente a uma solenidade, representando a Ordem dos Advogados do Brasil. Logo, é razoável que o quantum indenizatório seja arbitrado em cem vezes o preço da passagem. (juiz Tourinho Neto) Embargos improvidos (TRF 1º região – Bem. Infr. Na AC n.º 1997.01.00.021000-1/DF, 2º Seção, Rel. Juiz Cândido Ribeiro, 03/12/97; DJ 30/03/1998, pg. 157 mv).

E dentro outros inúmeros julgados de diversas fontes, pode-se observar que a jurisprudência está tendente ao acolhimento dos Danos Morais, e quanto a sua valoração, ao aqui, já exposto, que é o arbitramento pelo juiz, levando em consideração a capacidade econômica das partes, o grau de culpa ou lesão do infrator, como também outros elementos levado aos autos que mereçam a atenção do magistrado.

De acordo com os julgados acima, e ainda os relacionados abaixo, pode-se observar que o TJSC, tem se inclinado na tendência da aplicabilidade subjetiva do magistrado para a valoração do Dano moral, levando em consideração os critérios objetivos, com as condições econômicas das partes e o grau de culpa ou dolo do infrator:

231 OLIVEIRA, Marcius Geraldo Porto de. Dano Moral proteção jurídica da consciência. 2. ed.

São Paulo: LED, 2002. p. 372.

Elenca-se mais um julgado232:

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS - REPORTAGEM - ART. 49, §2O, DA LEI DE IMPRENSA - LEGITIMIDADE PASSIVA DO AUTOR DA MATÉRIA E DO JORNAL QUE VEICULOU A NOTÍCIA - OFENSAS À HONRA - PRIVACIDADE VIOLADA - CONDENAÇÃO MANTIDA - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - RECURSOS DE APELAÇÃO DOS RÉUS NÃO PROVIDOS.

RECURSO ADESIVO DO AUTOR - QUANTUM INDENIZATORIO MAJORADO - COMPENSAÇÃO PELO ABALO MORAL - POSSIBILIDADE DO LESANTE E GRAU DE INTENSIDADE DO DANO SOFRIDO PELO LESADO - VEREADOR - PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO. São legitimados passivos, para serem demandados em ação indenizatória por Dano moral causado em face de publicação de matéria na imprensa, tanto o autor desta quanto a empresa jornalística, tratando-se de responsabilidade civil solidária. "São civilmente responsáveis pelo ressarcimento de Dano, decorrente de publicação pela imprensa, tanto o autor do escrito quanto o proprietário do veículo de divulgação". (Súmula 221 do STJ)" (EI n. 97.015318-0. Relator:

Des. Wilson Augusto do Nascimento) O fato da vida privada veiculado em notícia publicada em jornal, gerador de Dano moral, enseja a devida indenização, a fim de compensar-se a ofensa à honra e coibir práticas abusivas por parte da imprensa. Ao fixar o valor da condenação, deve o julgador valorar a possibilidade do lesante, neste caso, um Jornal, bem como o grau de intensidade do Dano sofrido pelo lesado, pessoa de vida pública, a fim de evitar decisão iníqua.

E neste sentido vai-se verificando que realmente o Dano moral esta devidamente previsto e concebido pelo mundo moderno, necessitando cada povo chegar a um consenso, dentro de suas realidades, para a fixação e valoração do Dano, não causando condenações irrisórias ou enriquecimento sem justo motivo.

232 Acórdão: Apelação cível 02.022233-5, Relator: Des. Wilson Augusto do Nascimento. Data da Decisão: 10/09/2004

CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com o trabalho desenvolvido, buscaram-se os parâmetros de avaliação e quantificação dos Danos extrapatrimoniais que a sociedade vem estabelecendo, levando-se em conta que o Dano extrapatrimonial, pode subsistir sem a presença do Dano material, e dependendo da lesão que a vítima sofreu, esta pode ser indenizada.

Conclui-se que, no caso de Dano material, a reparação cinge-se a restituir o bem lesado, ou o valor pecuniário aferido pela fórmula matemática, leva-se em conta o patrimônio que o indivíduo possuía antes da lesão e a diminuição aferida devido à lesão sofrida. Ficou evidenciado que o Dano extrapatrimonial, devido à cultura e o processo econômico estabelecido no País influenciam de maneira clara aos Magistrados, a não conseguir, ainda, estabelecer critérios próprios para a sua devida quantificação. Esta questão, que foi superada nos dias atuais, pelos Tribunais e estes, através de sentenças reiteradas sobre o assunto, estabeleceram os critérios para a compensação dos Danos extrapatrimoniais.

No decorrer do trabalho, nota-se que, a legislação possui alguns elementos que possam ser utilizados como parâmetro de aferição do Dano, resta que, fica realmente ao encargo do Magistrado a avaliação do Dano extrapatrimonial.

Vê-se, com isso, que o Magistrado possui enorme papel de função social e apaziguadora dos conflitos inerentes aos casos concretos. Há doutrinadores que não concordam em deixar ao arbítrio do juiz a avaliação, como Augusto F. M. Ferraz de Arruda, e outros que nem concordam em ser compensado o Dano extrapatrimonial.

Mas, atualmente, a maioria dos doutrinadores, tanto os nacionais como os estrangeiros, vêem que para se chegar ao montante indenizatório dos Danos Morais, necessário se faz que seja submetido aos critérios axiológicos do Magistrado, dentro do prudente poder que lhe foi outorgado, deverá sopesar dentre outros fatores concretos de cada caso.

Verifica-se, assim, a condição econômica, tanto do autor do Dano, como da vítima, o grau de culpa ou dolo que foi empregado pelo autor, e os casos de imputabilidade, que a lei estabelece.

O que se vê atualmente é uma disparidade muito grande nos pedidos que são feitos em decorrência do Dano Moral, onde o julgador deve tomar a devida cautela ao aceitar as ações de Dano Moral.

Pois, nos dias atuais, a tendência é de que mero dissabor em que uma relação comercial pode acarretar aos indivíduos faz com que estes, busquem através da tutela jurisdicional a reparação de prejuízos que não podem ser tidos como Danos Morais.

Nesse sentido, o Magistrado tem em suas mãos uma grande responsabilidade de identificar tais situações e aplicar a justiça da melhor forma possível, ou seja, separar o joio do trigo.

Cabe, novamente, ao Magistrado ao quantificar o Dano moral, ter em mente, que a reparação deve atender aos critérios da justiça social.

Verifica-se que os magistrados, hoje, já estão cada vez mais capazes de sopesar e delimitar os Danos extrapatrimoniais. Não importa se há uma função punitiva e se ela é ou não constitucional, o que importa é que na hora da aferição dos Danos extrapatrimoniais, o Magistrado tenha a consciência de não poder prejudicar uma parte demasiadamente a ponto de tornar este instituto uma maneira de enriquecimento ilícito.

E, por fim, deve-se sempre levar em conta que os povos civilizados deram importância a defesa dos valores íntimos dos seres humanos, pois o conjunto destes valores é que faz uma sociedade justa e civilizada, e capaz de se relacionar com outros povos sem a necessidade de violência.

Ao identificar a primeira hipótese restou comprovado que, atualmente, no direito, a previsibilidade para quantificar o Dano moral está restrita ao arbitramento do juiz, a sua decisão deve ser equânime e prudente, respeitando como base outros julgados.

O Juiz tem um poder discricionário, pois, quando se trata de dano material, calcula-se exatamente o desfalque sofrido no patrimônio da vítima e a indenização consistirá no seu exato montante. Mas quando o caso é de dano moral, a apuração do quantum indenizatório se complica, porque o bem lesado (a honra, o sentimento, o nome, etc.) não se mede monetariamente, ou seja, não tem dimensão econômica ou patrimonial.

Cabe assim, ao prudente arbítrio dos juizes e à força criativa da doutrina e jurisprudência a instituição de critérios e parâmetros que haverão de presidir às indenizações por dano moral, a fim de evitar que o ressarcimento, na espécie, não se torne expressão de puro arbítrio, já que tal se transformaria numa quebra total de princípios básicos do Estado Democrático de Direito, tais como, por exemplo, o princípio da legalidade e o princípio da isonomia.

Se a vítima pudesse exigir a indenização que bem quisesse e se o juiz pudesse impor a condenação que lhe aprouvesse, sem condicionamento algum, cada caso que fosse ter à Justiça se transformaria num jogo lotérico, com soluções imprevisíveis e as mais disparatadas.

Onde estaria, então, o amparo que a Constituição assegurou ao princípio

da legalidade? Aonde iria parar o princípio do tratamento igualitário de todos perante a ordem jurídica?

O Magistrado, hoje, tem diversidades de julgados, que estão começando a ficar uniformes, quanto às situações análogas, para poder começar a se apoiar e delimitar os critérios subjetivos de cada caso concreto que for apresentado.

Assim, ao identificar a segunda hipótese restou comprovado que para quantificar o Dano moral, a melhor doutrina e jurisprudência entendem que se devem levar em conta as posses do ofensor e a situação pessoal da vítima, para assim chegar-se a um valor justo para ambas as partes.

E é através da verificação da possibilidade do autor do Dano e da capacidade econômica da vítima, que deve ser fixada a quantia adequada ao ponto de trazer conscientização do autor e desencentivá-lo a uma nova prática do respectivo Dano, mas, em contrapartida, deve ficar atento ao não enriquecimento sem causa da vítima.

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