PLANETA
Segundo a Conservation International (CI), o Brasil é considerado “megabio diverso” ou seja, um país que reúne pelo menos 70% das espécies vegetais e animais do Planeta. Primeiro país signatário da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB), sua biodiversidade é qualificada pela diversidade de ecossistemas, de espécies biológicas, de endemismos e de patrimônio genético.
As dimensões continental, as variações geomorfológica e climática, além da maior rede hidrográfica, são responsáveis pela formação de zonas biogeográficas distintas ou biomas, a saber: a Floresta Amazônica, maior floresta tropical úmida do mundo; o Pantanal, maior planície inundável; o Cerrado de savanas e bosques;
a Caatinga de florestas semiáridas; os campos dos Pampas; e a floresta tropical pluvial da Mata Atlântica. Além disso, em seu litoral estão os ecossistemas como recifes de corais, dunas, manguezais, lagoas, estuários e pântanos.
Essa variedade de biomas reflete a enorme riqueza da flora e da fauna e faz com que o Brasil tenha a maior biodiversidade do planeta. Podemos citar, além disso, as espécies endêmicas e diversas espécies de plantas de importância econô- mica mundial – como o abacaxi, o amendoim, a castanha do Brasil (ou do Pará), a mandioca, o caju e a carnaúba – que são originárias do Brasil. Abriga ainda, uma rica sociobiodiversidade, representada por mais de 200 povos indígenas e por diversas comunidades – como quilombolas, caiçaras e seringueiros, para citar alguns – que reúnem um inestimável acervo de conhecimentos tradicionais sobre a conservação da biodiversidade.
Capítulo 5 :: 63
O bioma da Amazônia (conhecida como Floresta Equatorial, Tropical e Úmida) compreende cerca de 42% do território nacional e está presente nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, além de outros países sul-americanos, em áreas de climas Equatorial e Tropical úmido. Possui a maior biodiversidade do planeta e compõe-se por vegetação de grande porte, verdes, com grandes folhas (latifoliadas) e grande densidade.
O bioma da Caatinga, cuja vegetação é adaptada às condições de aridez, é único no mundo, abrange cerca de 10% do território nacional e engloba os estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia (região Nordeste do Brasil) e parte do norte de Minas Gerais (região Sudeste do Brasil).
O bioma dos Campos são formados basicamente por herbáceas, gramíneas e pequenos arbustos de diversas características, variando de acordo com a região, ocupando áreas descontínuas no país. Na região Norte, apresenta-se como savanas de gramíneas baixas; na região Sul, como pradarias mistas subtropicais formadas principalmente pelo Pampa gaúcho, onde o clima é subtropical e a vegetação (aberta e de pequeno porte) se estende do Rio Grande do Sul à Argentina e ao Uruguai. Podem ainda ser encontrados em diversas regiões do planeta tais como, nas estepes russas, nas pradarias norte-americanas e nas savanas africanas.
O bioma do Cerrado localiza-se principalmente no Planalto Central Brasileiro, ocupa cerca de 20% do território brasileiro e é o segundo maior bioma do Brasil. Composto por árvores relativamente baixas (distribuídas entre arbustos e gramíneas), de troncos e ramos retorcidos, cascas espessas e folhas grossas. É um ecossistema similar às chamadas Savanas da África e da Austrália, e é reconhecido como a savana mais rica do mundo em biodiversidade.
O bioma do Pantanal localiza-se no sudoeste de Mato Grosso e oeste de Mato Grosso do Sul e faz a ligação entre o Cerrado (no Brasil Central), o Chaco (na Bolívia) e a Floresta Amazônica (ao Norte do país). Constitui-se numa área de transição e é considerado uma das maiores planícies inundáveis do planeta, formado por uma grande variedade de ecossistemas.
O bioma Mata Atlântica ocupa toda a faixa continental atlântica leste brasileira e se estende para o interior nas regiões Sudeste e Sul do País, ou seja, do Piauí ao Rio Grande do Sul, ocupando inteiramente três estados – Espírito Santo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, 98% do Paraná, além de porções de outras 11 unidades da federação. Definido pela vegetação florestal e por relevo diversificado, é considerado um dos biomas mais ricos do mundo em espécies da flora e da fauna.
Tabela 5.1: Área Territorial ocupada pelos Biomas no Brasil (IBGE, 2004)
Biomas Continentais
Brasileiros Área Aproximada
km² Área Total/Brasil
%
Bioma Amazônia 4.196.943 49,29%
Bioma Cerrado 2.036.448 23,92%
Bioma Mata Atlântica 1.110.182 13,04%
Bioma Caatinga 844.453 9,92%
Bioma Campos (Pampas) 176.496 2,07%
Bioma Pantanal 150.355 1,76%
8.514.877 100,00%
diversidade biológica própria”. Nessa perspectiva, o bioma pode ser nomeado em função da vegetação predominante (Cerrado, Mata Atlântica), do relevo (Pantanal), das condições climáticas (Caatinga no semiárido nordestino) ou do meio físico ( zonas costeira e marinha).
Lançado em 2004 pelo IBGE, o Mapa dos Biomas Brasileiros apresenta uma divisão onde um mesmo bioma contém paisagens distintas da vegetação dominante. É o caso dos Campos e Manchas de Cerrado existentes na Amazônia.
Ao considerar ecossistemas distintos do predominante em um mesmo bioma, tenta-se mostrar que eles precisam ser tratados de maneira integrada. O que afeta um ecossistema provoca impactos em outros ecossistemas vizinhos, mesmo que o primeiro não seja a paisagem preponderante.
De acordo com o IBGE (Figura 5.2 e Tabela 5.1), são seis os grandes biomas brasileiros continentais (Caatinga, Campos, Cerrado, Amazônia, Mata Atlântica e Pantanal) e um bioma aquático (Oceânico, Litorâneo e Lacustre). Observe ainda, os limites dos Biomas e os limites dos tipos Climáticos (Figura 5.3)
Figura 5.2: Biomas Brasileiros. Fonte: IBGE, 2004
Figura 5.3: Climas do Brasil
64 :: GeoGrafia :: módulo 2
Figura 5.5: Biomas do Brasil e Unidades de Conservação
O desmatamento no Brasil está reduzindo de modo significativo sua cober- tura vegetal original. Estima-se que, cerca de 20.000 km² de vegetação nativa é desmatada anualmente em consequência de derrubadas e incêndios para fins agrícolas, industriais ou urbanos que, no conjunto, transformam o ambiente com a construção de estradas, viadutos, túneis, hidrelétricas, minerações, impermea- bilização do solo e causam perda da biodiversidade, empobrecimento do solo, emissão de gás carbônico na atmosfera, erosões, alterações na dinâmica hídrica, alterações climáticas, dentre outros (Figura 5.6). Podemos mencionar alguns exemplos: - introdução de espécies exóticas e grandes plantações, como é o caso do eucalipto introduzido principalmente nos biomas de Cerrado, Pampa e Floresta, alterando a paisagem e a economia regional, além de causar impactos irreversí- veis no ambiente; - introdução da soja no Cerrado, Pantanal, causando impactos ambientais como o assoreamento do leito dos rios, a poluição de nascentes de rios das bacias Amazônica e do São Francisco por agrotóxicos, etc.; - atividades agropecuárias com impactos sociais graves (trabalhadores escravos).
A preocupação em relação à extinção de espécies e à alteração de dinâmicas sistêmicas, tem levado ambientalistas e governos a desenvolver pesquisas com a finalidade de conhecer mais as mudanças provocadas por diferentes usos dos biomas e propor planejamentos adequados que possam colaborar na preservação em consonância com a produção de alimentos. Essa mesma preocupação tem levado à ações de Organizações Não Governamentais a se dedicarem a pesquisa, como é o caso do GREENPEACE.
O bioma Áquático brasileiro constitui-se dos lagos, rios e mares, ou seja, por ambientes de água doce (lênticos e lóticos) ou ambientes de água salgada (plataforma continental, costões rochosos e mar aberto). Os lênticos são formados por lagos e lagoas, ambos de águas paradas e os lóticos, pelos cursos d’água (rios e correntezas) mais velozes, sendo que apresentam diferentes formas da nascente até a foz. Lembramos que, são muitos os cursos d’água, tais como:
• cursos de pântanos (águas escuras que drenam terras úmidas e recebem principalmente águas de chuva);
• cursos montanhosos (águas turbulentas que formam sedimentos finos);
• rios que drenam áreas de solo argiloso (águas turvas e contribuem para a fertilidade do solo local);
• rios de mananciais (recebem grandes quantidades de águas limpas que se infiltram na terra, podendo constituir cursos subterrâneos, águas claras);
• rios de maré (correm para o mar e sofrem os efeitos das marés nas regiões mais baixas).
Já no ambiente marinho, estão manguezais, restingas, dunas, praias, ilhas, costões rochosos, baías, falésias, recifes de corais instalados nas áreas de transição entre litoral, praia, plataforma continental e fundo oceânico.
Apresentamos os principais tipos de biomas encontrados no Brasil de acordo com a classificação do IBGE. Seguem outros mapas (Figura 5.4) que vocês eventualmente encontrarão na literatura ou mesmo nas provas do ENEM, cujas divisões utilizam outros critérios.
Figura 5.4: Biomas do Brasil (11 tipos)
É com o agravamento dos problemas ambientais em nível global, como as queimadas de florestas, o aumento de gás carbônico na atmosfera e seu consequente efeito no aquecimento do Planeta, o crescimento do buraco de ozônio sobre o polo sul, o avanço das fronteiras agrícolas, em detrimento das áreas naturais dentre outros, tem aumentado muito o interesse dos pesquisadores e de toda a mídia em denunciar tais fatos e procurar alternativas, além da criação de Unidades de Conservação que protegem legalmente os biomas (Figura 5.5).
O Brasil possui grandes áreas em estado crítico ou ameaçadas, resultante principalmente, pela fragmentação de habitats e perda de área florestada e diversidade biológica
Capítulo 5 :: 65
dos homens habitantes. De forma que a palavra utilizada epidermicamente teve apenas um valor demagógico. No que tange aos sertões pseudamente receptores dos recursos hídricos a serem tirados do São Francisco, desde o início se falou em “águas para todos”, como se um projeto linear tivesse força para abranger areolarmente todos os sertões povoados de além- Araripe. Mais do que isso, procurou-se dizer que a transposição garantiria águas para beber. Sem lembrar que um certo volume de águas poluídas misturadas com águas salinizadas de alguns grandes açudes impediria o uso imediato das águas para fins potáveis.
Propagou-se desde o início uma estatística aproximada dizendo que a retirada das águas do São Francisco seria de apenas 1% do volume total do rio. Um fato que, segundo os dizeres técnicos limitados, não iria prejudicar nem o rio, nem tampouco a população ribeirinha são-franciscana. Somente não se falou, nem se quis falar, que a maior necessidade de águas para além-Araripe coincidiria com a estação seca dos meados do ano em que o Rio São Francisco permanecia com menor volume de água.
Convém lembrar sempre aos técnicos mal orientados sobre a hidro- climatologia regional dos sertões de aquém e além-Araripe que será mais necessário ter águas exatamente quando o Nordeste semi-árido designado por Grande Sertão Norte estiver mais quente e seco com seus rios “corta- dos”, para usar de uma palavra tradicional criada pelos sertanejos. Tanto o rebaixamento e corte das águas dos sertões além-Araripe quanto aqueles ocorrentes no médio-baixo Vale do São Francisco correspondem ao inverno astronômico; entretanto, devido a um conjunto de fatores hidroclimáticos complexos, nos sertões de além-Araripe ocorre uma secura prolongada que faz a intermitência sazonária dos rios e que, por uma razão pragmática compreensível, conduziu as populações regionais a falarem em verão. Fato que, aliás, não é único no mundo, já que existem outras áreas onde, no inverno astronômico, ocorrem condições quentes e secas que conduzem a uma inversão terminológica regional justificável.
O primeiro ponto a destacar é que o Rio São Francisco cruza os sertões baianos, pernambucanos, pro parte alagoanos e sergipanos, com as águas de suas cabeceiras e uma parte das chuvas sazonárias importantes do domínio dos cerrados. Na realidade, o São Francisco possui quatro setores principais hidroclimáticos sub-regionais a serem considerados com atenção para qualquer tipo de projeto, como esse ora em discussão. Nas suas ca- beceiras, desde a Serra da Canastra até algumas centenas de quilômetros, existem condições tropicais úmidas de planalto com precipitações relativa- mente bem distribuídas, totalizando de 1.100 a 1.400 mm anuais.
A seguir, por outras centenas de quilômetros ocorrem climas tropicais úmidos a duas estações (verão chuvoso e inverno seco), existindo, porém, um total de chuvas anuais que se acrescenta às águas provindas do alto vale. Em seguida, a partir da fronteira de Minas Gerais com a Bahia, ocorre uma dualidade hidrográfica na área em que o rio transpõe o semi-árido no espaço interior de Bahia, Pernambuco, Alagoas e adjacências. Em outras palavras, somente o São Francisco continua perene, porém com rebaixamento do volume da água corrente. A oeste da Bahia, os rios se comportam como se fossem tropicais úmidos a duas estações, conseguindo chegar até a margem esquerda do São Francisco em “pleno inverno”. No
Figura 5.6: Biomas do Brasil e Áreas Desmatadas. Fonte: Atlas Geográfico Escolar. Ensino Fundamental - do 6o ao 9o ano.