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Querol, Pessano, Machado, Camargo e Stefanello (2022)

CAPÍTULO 5

A EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO FERRAMENTA DE

habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade

Assim, justifica-se a elaboração da pesquisa em razão da necessidade de informar a sociedade sobre como suas ações podem interferir na composição do meio ambiente de forma negativaou positiva, assumindo desta forma, o seu compromisso ambiental para o meio ambiente atual e as futuras gerações.

Para Pádua e Tabanez (1998), a educação ambiental propicia o aumento de conhecimentos, mudança de valores e aperfeiçoamento de habilidades, condições básicas para estimular maior integração e harmonia dos indivíduos com o meio ambiente. Por isso, é vista como um agente eficiente de formação para uma geração consciente e sustentável.

Sendo assim, nas últimas décadas do século XX, a educação ambiental se consolidou como um campo que está em crescimento, sendo alvo de inúmeras reflexões que não se limitam ao ambiente escolar, principalmente pelo potencial de suas ações.

Na periferia, onde a escolaridade e a perspectiva de vida são reduzidas, a consciência ambiental torna-se ímpar; atividades muito amplas podem passar despercebidas por essas comunidades, o que mostra a importância de se trabalhar em pequenos grupos.

O slogan ambientalista "Pensar Globalmente, Agir Localmente" serve-nos de norte, pois é através de pequenas ações de educação ambiental que conseguiremos modificar as coisas, trazendo um melhor conhecimento sobre as temáticas de preservação ambiental aos alunos, fortalecendo sua identidade e autoestima, e formando cidadãos conscientes ambientalmente. Assim, justifica-se a elaboração do presente trabalho em razão da sua importância para a efetiva preservação do meio ambiente, bem como, as mudanças que a educação ambiental pode fazer em uma comunidade, colaborando para o bem social, coletivo e ambiental.

O presente estudo aborda o tema educação ambiental. Partiu-se da indagação sobre como a educação ambiental pode sensibilizar e conscientizar uma sociedade no sentido de não serem mais toleradas ações que sejam prejudiciais para o meio ambiente.

O objetivo do trabalho é analisar a percepção ambiental do público-alvo através de questionário, bem como, identificar as relações que o mesmo estabelece com o meio ambiente, em especial ao corpo hídrico presente em seu cotidiano, o Arroio Regalado localizado na periferia da cidade de Alegrete/RS, investigando se há alterações após intervenção de conscientização através da educação ambiental. Além de conscientizar através de palestra e conversas quanto ao uso e preservação dos recursos naturais, identificar se haverá modificações na percepção ambiental após a intervenção de conscientização, quantificar as mudanças recorrentes após a intervenção, e por fim, identificar a compreensão quanto ao impacto causado pelo lixo ao meio ambiente e aos recursos hídricos através das ações antropológicas.

2. MATERIAL E MÉTODOS

A pesquisa foi realizada no município de Alegrete/RS, no período de fevereiro a julho de 2016. Os sujeitos da pesquisa foram estudantes de uma escola pública estadual de ensino fundamental e moradores da periferia da cidade, nas proximidades do arroio Regalado. A mesma é uma pesquisa quantitativa, exploratória e trata-se de um estudo de caso.

Trata-se de uma escola Estadual, que atende 1.000 estudantes distribuídos nos níveis de ensino: infantil, fundamental, médio e educação de jovens e adultos – EJA. Para realização

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da pesquisa foram escolhidas duas turmas de 7º ano, pois, a temática água integra o conteúdo programático nessa série. No total foram pesquisados 30 estudantes, sendo uma turma com total de 18 alunos no turno da manhã e 12 alunos no total no turno da tarde, a média de idade é de 12,4 anos, sendo o mais novo com 12 anos e com maior idade de 13anos. A realização da pesquisa na escola ocorreu em três momentos, conforme pode ser observado a sequência das ações abaixo:

• Aplicação do questionário com 18 questões (apêndice I);

• Palestra;

• Reaplicação do questionário após intervenção.

No primeiro momento foi feito contato com a direção e supervisão da escola, bem como, professora de ciências das turmas pesquisadas para apresentação do projeto, após foi feita a aplicação do questionário para averiguar o conhecimento prévio dos pesquisados sobre a temática, após um intervalo de 10 dias foi realizado uma palestra, com os temas trabalhados no questionário. Foi realizado um intervalo de 20 dias e feito a reaplicação do mesmo questionário para quantificar se ocorreram mudanças na percepção dos alunos em relação aos temas propostos.

Na comunidade, foram pesquisados 25moradores, com idades que variaram entre 12 e 86 anos, sendo que a maioria é composta por moradores com idade superior a 18 anos. O critério utilizado foi a proximidade das residências as margens do Arroio Regalado, nas três quadras pesquisadas.

A comunidade é ribeirinha, ou seja, moram próximos ao leito do Arroio Regalado. O Arroio passa por diversos bairros da periferia da cidade desaguando no Rio Ibirapuitã, que abastece a cidade de Alegrete.

O Arroio Regalado hoje possui pontos de represamento, assoreamento, casas em locais impróprios, poluição das águas, poluição das ruas em seu entorno, e nos últimos anos, a comunidade vem sofrendo com inúmeras enchentes e enxurradas (Figuras 1, 2, 3 e 4).

Figura 1. Arroio Regalado, perímetro urbano. Ponte de ligação entre os Bairros Macedo e Boa Vista (Fonte: Arquivo próprio).

Figura 2. Arroio Regalado, perímetro urbano. Ponte de ligação entre os Bairros Restinga e Boa Vista (Fonte: Arquivo próprio).

Figura 3. Ponte sobre o Arroio Regalado (ligação Bairros Macedo e Boa Vista) durante a enchente em dezembro de 2015. Fonte: Arquivo próprio.

Figura 4 . Ponte sobre o Arroio Regalado (ligação Bairro Macedo e Bairro Boa Vista) durante a enchente em dezembro de 2015. Fonte: Arquivo próprio.

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A realização da pesquisa na comunidade ocorreu na sequência de ações descritas abaixo:

• Apresentação do projeto e aplicação de questionário com 17 questões (Apêndice II);

• Conversa com utilização de folder;

• Reaplicação de questionário;

Todas as fases foram realizadas através de visita domiciliar. Inicialmente foi feita a apresentação do projeto e convite para participação, após foi aplicado o questionário para averiguar o conhecimento prévio dos participantes, após com um intervalo de 07 dias foi realizada uma visita as casas para uma conversa com utilização de um folder explicativo sobre os temas abordados no questionário, e para conclusão com um intervalo de 20 dias foi reaplicado o mesmo.

Na escola e na comunidade os dados obtidos foram analisados e esboçados em tabelas e gráficos em forma percentual de maneira que se pudesse traçar um comparativo antes a após intervenção para quantificar se houve ou não mudanças nas percepções sobre as questões ambientais propostas no presente trabalho.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A partir dos questionamentos, foi possível averiguar o conhecimento prévio do público alvo e o adquirido após a intervenção sobre os temas propostos, sendo eles a água e o lixo, utilizando como embasamento durante as intervenções o Arroio Regalado. Partindo das temáticas propostas, foram trabalhados vários tópicos descritos em forma de tabelas e gráficos a seguir.

Na tabela 01, podem ser observados os dados referentes ao diagnóstico inicial e final da turma 71 do 7º ano do ensino fundamental da escola pública estadual no município de Alegrete, RS, Brasil.

De acordo com a concepção dos alunos, em relação à importância da implantação de projetos de educação ambiental, foi possível averiguar, que antes da intervenção 83,3% dos alunos afirmaram que não acreditavam que a implantação de projetos de educação ambiental possa gerar resultados positivos, ou seja, ajudar a conscientizar a população sobre a importância de preservar o meio ambiente. Após intervenção, houve uma mudança nessa concepção, pois, 94,4% dos alunos responderam positivamente a importância da realização de projetos de educação ambiental. Isso deve-se ao fato, da maioria relatar durante a intervenção não ter conhecimento sobre o termo educação ambiental, sendo assim, relataram não possuir informações sobre como a mesma pode interferir positivamente na busca por melhorias no meio ambiente.

A educação ambiental é uma ferramenta educativa, mas também desenvolve um papel de caráter social capaz de construir valores que contribuem na efetivação das atitudes dentro de um ambiente individual ou coletivo. Segundo Reigota (1998), a educação ambiental aponta para propostas pedagógicas centradas na conscientização, na mudança de comportamento, no desenvolvimento de competências, na capacidade de avaliação e na participação dos educandos.

Tabela 01. Análise percentual dos dados referente ao diagnóstico inicial e final da turma 71 do 7º ano do ensino fundamental da escola pública estadual no município de Alegrete, RS, Brasil.

Em relação ao lixo, 44,4% dos alunos afirmaram não conhecer os impactos que o mesmo causa ao meio ambiente. Após a palestra, 94,4% responderam conhecer esses impactos, mostrando que houve uma mudança após a intervenção.

Em relação à coleta seletiva,55,5% dos alunos responderam não conhecer esse processo de recolhimento de resíduos, antes da intervenção e 44,4% afirmaram ter conhecimento. Porém quando questionados sobre a existência de coleta seletiva na cidade de Alegrete todos responderam que não sabiam. Isso demonstra que existe falta de conhecimento por falta dos alunos tanto sobre os tipos de processos de recolhimento e armazenamento de resíduos, bem como a forma operacional adotada na cidade onde vivem. Isso pode também estar relacionado a uma falha do município em divulgar em diferentes meios de comunicação social, a importância da coleta seletiva e mobilizar a população para que possam colaborar.Após a intervenção, 88,8% dos alunos responderam saber o que é coleta seletiva e 77,7% afirmaram que não existe coleta seletiva na cidade de Alegrete, demonstrando que houve um avanço no conhecimento da realidade local dos pesquisados, pois, não existe sistema de coleta seletiva na cidade.

De acordo com Didonet (1999,p.17):

...a coleta seletiva constitui processo de valorização dos resíduos, em que estes são selecionados e classificados na própria fonte geradora, visando seu reaproveitamento e reintrodução no ciclo produtivo”.

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Quando questionados sobre separação se resíduos, antes da intervenção, 77,7% dos alunos afirmaram que eles e seus familiares não eram adeptos dessa rotina em suas residências, após a intervenção, 88,8% responderam positivamente à questão. Durante a reaplicação do questionário foi questionado aos alunos se depois da palestra havia ocorrido mudanças em seus hábitos, e muitos responderam de forma positiva. Isso justifica a modificação de suas respostas.

Na pergunta, sobre reaproveitamento de materiais recicláveis, também referente a resíduos, sem intervenção, 83,3% responderam que não realizavam reaproveitamento de materiais, e após intervenção esse número diminuiu para 44,4%, mostrando a eficácia de conversar sobre importância de reciclar.

Em relação à separação de resíduos na escola, antes da intervenção 83,3% afirmaram que há separação de resíduos dentro da escola, após intervenção 94,4% responderam da mesma forma. Isso demonstra que os alunos possuem conhecimento sobre o seu ambiente escolar, pois, a escola é adepta da separação de resíduos, possuindo lixeiras apropriadas no pátio da escola, e a separação também é feita no refeitório da mesma.

Questionado aos alunos se possuem preocupação em diminuir o lixo gerado em suas residências, sem intervenção, 77,7% responderam nunca ter pensado nisso e após intervenção, 83,3% responderam se preocupar com a problemática. Isso demonstra que a intervenção através da educação ambiental despertou diferentes olhares em relação ao meio ambiente, e embora primeiramente não demonstrassem muita preocupação em relação ao seu lixo, 100%

dos pesquisados afirmaram que existe relação entre o lixo jogado na rua e as enxurradas, tanto antes como após intervenção. Mostrando que possuem conhecimento que o lixo pode causar enchentes e enxurradas, porém ainda não haviam repensado como diminuir seu próprio lixo.

Em relação à água, 94,4% responderam que acreditam que é um recurso que pode acabar. Após a intervenção esse número passou para 100%, mostrando assim, que possuem conhecimento sobre o assunto. Quanto ao lixo como contaminante os alunos tanto antes comoapós a intervenção, responderam em sua totalidade que acreditam que o lixo pode contaminar a água e torná-la imprópria para consumo. O intenso uso da água e a poluição gerada contribuem para agravar sua escassez e resulta na necessidade crescente do acompanhamento das alterações da qualidade da água (Braga, 2002).

Pode se observar que100% dos alunos responderam que se preocupam em economizar água, tanto antes como após a intervenção. Porém quanto ao reaproveitamento da água nas suas residências antes da intervenção 94,4% afirmaram não reaproveitar água em suas residências. E esse número baixou para 55,5% após a intervenção. Mesmo com uma mudança, os resultados demonstram uma preocupação econômica e não ambiental na economia da água, todavia, durante a palestra foram demonstradas muitas maneiras de reutilizar a água de forma a economizar e preservar esse bem que como citado anteriormente, pode esgotar. Pois, se faz necessário que sejam repensadas as atitudes tomadas em prol do ambiente em que vivemos.

Para Chalita (2002, p. 34), a educação constitui-se na mais poderosa de todas as ferramentas de intervenção no mundo para a construção de novos conceitos e a consequente mudança de hábitos.

Em relação às enchentes enxurradas, tanto antes como após intervenção, todos alunos afirmaram já ter presenciado as mesmas. Isso demonstra que essa realidade faz parte de seu cotidiano, pois, a escola é próxima do Arroio Regalado e os alunos moram nas comunidades do entorno, portanto convivem com essa realidade.

Em respeito às doenças transmitidas direta ou indiretamente pela água 88,8% dos alunos responderam antes da intervenção, conhecer algum tipo de doença e após a intervenção, esse número mudou para 94,4%, demonstrando que eles já possuíam um nível elevado de conhecimento sobre o assunto, durante a palestra eles fizeram muitos questionamentos e comentaram que esse conteúdo estava sendo trabalhado em sala de aula. Percebe-se também a importância da água para nosso organismo que para cumprir corretamente suas funções precisa ser de boa qualidade, sem sofrer com a poluição, pois, pode causar grandes riscos a saúde.

Segundo Didonet (1997, p.6), as doenças que têm a água como agente transmissor poder ser classificados em dois grupos:

a) doenças de veiculação hídrica – aquelas em que a água atua como veículo propriamente dito do agente infeccioso, como no caso da febre tifóide, da desinteria bacilar etc. [...]doenças de origem hídrica – aquelas decorrentes de certas substâncias contidas na água em teor inadequado, e que dão origem a doenças como a fluorose, metamoglobinemia e saturnismo [...]

Sobre as enchentes e enxurradas os alunos responderam que acreditam que a situação pode melhorar em decorrência da mudança de atitudes da comunidade em relação ao lixo e a poluição da água, antes da intervenção a resposta positiva foi de 94,4% e esse número passou para 100% após a intervenção. Esse fato mostra que os alunos possuem conhecimento sobre a importância da preservação, e que há necessidade de instigá-los mais há repensar sobre suas atitudes em relação ao meio onde vivem.

Em relação ao destino final do lixo de suas residências, antes da intervenção, conforme figura 05, 94,4% dos alunos responderam que os resíduos são destinados a coletores de lixo de rua, que são recolhidos pelos caminhões de lixo em diferentes dias da semana. Após a intervenção, esse número passou para 100%, com os dados obtidos antes e após intervenção foi possível averiguar que os alunos possuem conhecimento sobre os processos de recolhimento de lixo de sua cidade.

Figura 05. Análise percentual sobre o destino final do lixo em residências dos alunos da turma 71.

Na pergunta número 16, presente no gráfico da figura 06, os alunos responderam sobre o que acreditam ser o fator de maior influência na ocorrência de enchentes e enxurradas, o resultado foi o mesmo tanto antes como após a intervenção, 88,8% afirmaram acreditar que a poluição causada pelo lixo é um fator determinante na ocorrência de enchentes e enxurradas.

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A análise desses resultados mostra que os alunos possuem informações sobre a gravidade da problemática da poluição.

Figura 06. Análise percentual sobre o fator de maior influência na ocorrência de enchentes e enxurradas da turma 71.

Na tabela 02, podem ser observados os dados referentes ao diagnóstico inicial e final da turma 72 do 7º ano do ensino fundamental da escola pública estadual de ensino.

Em relação à compreensão dos alunos sobre a importância da implantação de projetos de educação ambiental, antes da realização da intervenção 41,6% dos alunos afirmaram não acreditar em resultados positivos da educação ambiental. Lima (2003) enfatiza que a educação voltada para a sustentabilidade pressupõe a capacidade de aprender, criar e exercitar novas concepções e práticas de vida, de educação e de convivência, capazes de substituir os velhos modelos em esgotamento.

Após intervenção, ocorreu uma mudança e 83,3% dos alunos responderam positivamente a questão. Também foi constatado durante a intervenção que os alunos dessa turma não possuíam conhecimento sobre o termo educação ambiental, portanto muitos responderam de forma negativa a questão, dessa maneira foi possível averiguar que os alunos não conheciam a importância da implantação de projetos de educação ambiental, bem como, o propósito dos mesmos, e como eles podem interferir na busca por mudanças nas atitudes da população em relação ao meio ambiente em que vivem.

Questionados sobre os impactos que o lixo causa ao meio ambiente 58,3% dos alunos afirmaram ter conhecimento sobre o assunto, após a intervenção houve uma mudança mostrando a eficácia da palestra de intervenção, pois, 83,3% dos alunos responderam positivamente a mesma pergunta.

Em relação à coleta seletiva, antes da intervenção, 58,3% dos alunos, afirmaram não saber sobre a mesma. Após a intervenção, esse número diminuiu para 8,3%. Mostrando que os alunos possuíam pouca informação sobre o tema e a intervenção teve grande valia nesse quesito.

Tabela 02. Análise percentual dos dados referente ao diagnóstico inicial e final da turma 72 do 7º ano do ensino fundamental de uma escola pública estadual de ensino, no município de Alegrete, RS, Brasil.

Seguinte essa mesma temática, questionado sobre a existência de coleta seletiva na cidade, antes da intervenção 50% dos alunos responderam que não sabiam sobre a questão, e após a intervenção, 83,3% afirmaram que não existe esse processo na cidade. Isso demonstra que os alunos possuíam muitas dúvidas em relação ao descarte do lixo, pois, não tinham certeza sobre os processos de recolhimento e destino final do mesmo.

Referente à separação de resíduos antes da intervenção 66,6% dos alunos afirmaram não realizar separação de resíduos em suas residências, esse número passou para 41,6% após a intervenção. Seguindo a mesma temática, antes da intervenção 66,6% dos alunos afirmaram não reaproveitar materiais recicláveis, após a intervenção que enfatizou a importância desse recurso, esse número diminuiu para 41,6%.

Primeiramente para que se implante tanto a coleta seletiva como a reciclagem do lixo, é necessário que haja conscientização entre as pessoas. Para isso, é importante informar as vantagens da realização dessas atitudes para o bem individual e em comum. A reciclagem é um processo que interessa ao meio ambiente, constituindo em instrumento eficaz para a preservação dos recursos naturais, pois implica a reintrodução dos materiais no processo produtivo, reduzindo o desgaste físico do meio (MARQUES, 2005, p. 122).

Querol, Pessano, Machado, Camargo e Stefanello (2022)

Sobre a separação de resíduos na escola inicialmente 83,3% dos alunos afirmaram que a mesma é adepta desse recurso, e após intervenção 91,6% fez a mesma afirmação. Isso demonstra que os alunos reconhecem a política adotada pela escola, que possui lixeiras apropriadas no pátio da escola para separação de resíduos, bem como, a mesma é realizada no refeitório da escola.

Em relação ao lixo, onde foi questionado se os alunos possuem preocupação em diminuir o lixo gerado em suas residências, antes da intervenção, 75% dos alunos responderam que nunca haviam pensado sobre o assunto e após a intervenção, 66,6% dos alunos afirmaram ter repensado sobre essa problemática. Levando em consideração que o lixo causa muitos problemas ao meio ambiente como foi notório nas respostas sobre a relação do lixo e as enchentes e enxurradas, onde 91,6 % dos alunos afirmaram que existe relação direta entre eles, e esse número passou a 100% após intervenção. De acordo com Silva (2007, p. 11):

O lixo é um elemento presente na vida de qualquer pessoa, sendo um ótimo tema a ser trabalhado com os alunos, de forma interdisciplinar, objetivando a conscientização e a mudança de atitudes dentro e fora da sala de aula. Assim, a educação ambiental na escola assume um papel preponderante para a formação do sujeito e sua inserção social, propiciando- lhe um agir com consciência e atitude perante os problemas do meio ambiente.

A respeito à água, tanto antes como após a intervenção todos alunos responderam que a mesma é um recurso que pode esgotar, mostrando assim que possuem conhecimento sobre o tema. Seguindo nesta mesma temática, antes da intervenção 83,3% dos alunos responderam que o lixo pode tornar a água imprópria para o consumo, após a intervenção, esse número passou para 100%.

Relativo à economia da água 91,6 % dos alunos responderam antes da intervenção que se preocupam em economizar, esse número aumentou para 100% após intervenção. Em contrapartida apenas 33,3% dos alunos afirmaram reaproveitar água em suas residências, após a intervenção, esse número aumentou para 58,3%. Verificou-se que a maioria dos alunos não associa o uso errôneo da água com seu desperdício, nem tem consciência sobre a reutilização da água em suas residências. De acordo com Alcantara (2009) este fato deve-se também a chamada cultura do desperdício, que foi gerada com o aumento populacional das últimas décadas, proporcionada pelo modo de vida capitalista, que tem por consequência a elevada retirada de recursos naturais do planeta.

Sobre à realidade local, 100% dos alunos afirmaram antes e após intervenção já terem presenciado enchentes e enxurradas em seu bairro ou rua, pois, a maioria dos alunos, mora muito próximo ao Arroio Regalado, local que sofre regularmente com enxurradas e enchentes.

Em relação às doenças transmitidas direta ou indiretamente pela água, antes da intervenção, 58,3% dos alunos afirmaram não conhecer nenhuma, após intervenção esse número diminuiu para 8,3%, mostrando que houve grande compreensão por parte dos alunos da palestra de intervenção.

Ao serem questionados se acreditam que a situação das enchentes e enxurradas podem melhorar em decorrência da mudança de atitudes da comunidade em relação ao lixo e a poluição da água, antes da intervenção a resposta positiva foi de 66,6% e esse número passou para 100% após a intervenção. Essa análise mostra que a intervenção teve grande eficácia em instigar os alunos a repensar atitudes que promovam a preservação do meio ambiente.

No documento rio uruguai - Sites da Unipampa (páginas 76-96)