3.2 ANÁLISE NORMATIVA
3.2.2 C ONSOLIDAÇÃO DAS L EIS DO T RABALHO – CLT
Dinâmica que o Legislativo não consegue acompanhar com suas edições de leis, não podendo atender à multiplicidade de casos decorrentes da relação trabalhista.
O princípio da norma mais favorável ao trabalhador não é absoluto. Temos dois casos ou exceções resultantes de imperativos.
A primeira ocorre diante de leis proibitivas, sendo que, o Estado através de lei pode vedar outras normas jurídicas sendo a Convenção Coletiva inaplicável por contrariar a lei. Ocorre quando o Estado fixa norma relativa à política salarial e indexação da economia impedindo estipulações contrárias nas negociações coletivas. O segundo caso ocorre diante de leis de ordem pública na sua função de garantia maior da Sociedade, não sendo sua proibição necessariamente expressa.
Parágrafo único. O "quorum" de comparecimento e votação será de 1/8 (um oitavo) dos associados em segunda convocação, nas entidades sindicais que tenham mais de 5.000 (cinco mil) associados.”
As Convenções Coletivas de Trabalho são formadas pelas cláusulas normativas e obrigacionais. As primeiras correspondem às condições de trabalho, e as segundas concernentes às obrigações entre as partes convenentes, ou seja, os sindicatos pactuantes. Uma cláusula que prevê multa ao sindicato pelo descumprimento de uma a Convenção tem caráter obrigacional, ao passo que, uma cláusula que assegura aumento salarial para a categoria tem caráter normativo.
As cláusulas obrigacionais por sua vez podem ser típicas que corresponde o dever de paz e de influencia, e atípicas que tratam de mecanismo de administração da Convenção Coletiva. Uma infringência por meio de greve é clausula típicas e quanto à instituição de comissão de dirimir controvérsias é clausula atípica da Convenção Coletiva de Trabalho.
O artigo 613 da CLT contém as relações de clausulas que deve conter as Convenções Coletivas de Trabalho sendo esta relação meramente exemplificativa, podendo ser incluída quantas cláusulas que se achem necessário na negociação coletiva.
Exemplificativa, mas necessários para que os mesmos tenham validade jurídica.
“Art. 613 - As Convenções e os Acordos deverão conter obrigatoriamente:
I - Designação dos Sindicatos convenentes ou dos Sindicatos e emprêsas acordantes;
II - Prazo de vigência;
III - Categorias ou classes de trabalhadores abrangidas pelos respectivos dispositivos;
IV - Condições ajustadas para reger as relações individuais de trabalho durante sua vigência;
V - Normas para a conciliação das divergências sugeridas entre os convenentes por motivos da aplicação de seus dispositivos;
VI - Disposições sobre o processo de sua prorrogação e de revisão total ou parcial de seus dispositivos;
VII - Direitos e deveres dos empregados e empresas;
VIII - Penalidades para os Sindicatos convenentes, os empregados e as empresas em caso de violação de seus dispositivos.
Parágrafo único. As convenções e os Acordos serão celebrados por escrito, sem emendas nem rasuras, em tantas vias quantos forem os Sindicatos convenentes ou as empresas acordantes, além de uma destinada a registro.”
A parte normativa é sem dúvida a parte mais significativa e atende os interesses históricos – sociais, sendo sua finalidade geral e ampla, que na prática objetiva-se basicamente pelo salário, a jornada de trabalho e as férias.
A parte obrigacional exerce uma função ampliativa e extensiva da Convenção Coletiva, delatar sua competência para além da parte exclusivamente pertinente ao contrato de trabalho. No aspecto obrigacional a liberdade contratual das associações coincide com sua autonomia individual.
A Convenção Coletiva de Trabalho cria obrigação de onerar prevendo diretos e obrigações para os contratos individuais e comportando-se mais como lei do que contrato. É previsto na CLT prazo
para sua assinatura, vigência, modos de divulgação. O prazo máximo de vigência das Convenções Coletivas de Trabalho é de dois anos, prorrogável por igual período.
“Art. 614 - Os Sindicatos convenentes ou as empresas acordantes promoverão, conjunta ou separadamente, dentro de 8 (oito) dias da assinatura da Convenção ou Acordo, o depósito de uma via do mesmo, para fins de registro e arquivo, no Departamento Nacional do Trabalho, em se tratando de instrumento de caráter nacional ou interestadual, ou nos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, nos demais casos.
§ 1º As Convenções e os Acordos entrarão em vigor 3 (três) dias após a data da entrega dos mesmos no órgão referido neste artigo.
§ 2º Cópias autênticas das Convenções e dos Acordos deverão ser afixados de modo visível, pelos Sindicatos convenentes, nas respectivas sedes e nos estabelecimentos das empresas compreendidas no seu campo de aplicação, dentro de 5 (cinco) dias da data do depósito previsto neste artigo.
§ 3º Não será permitido estipular duração de Convenção ou Acordo superior a 2 (dois) anos.”
Para ter vigência, Convenções Coletivas devem ser depositadas na Delegacia Regional do Trabalho – DRT. O deposito é meramente administrativo, vedado pela norma constitucional a interferência na atividade sindical (artigo 8, I, da CF), sendo sua vigência contada pela mera entrega.
O deposito é para fins de registro, arquivamento e publicidade, ficando a disposição de qualquer pessoa que compareça naquela repartição publica e requisitar cópias.
“Art. 615 - O processo de prorrogação, revisão, denúncia ou revogação total ou parcial de Convenção ou Acordo ficará subordinado, em qualquer caso, à aprovação de Assembléia Geral dos Sindicatos convenentes ou partes acordantes, com observância do disposto no art. 612.
§ 1º O instrumento de prorrogação, revisão, denúncia ou revogação de Convenção ou Acordo será depositado para fins de registro e arquivamento, na repartição em que o mesmo originariamente foi depositado observado o disposto no art. 614.
§ 2º As modificações introduzidos em Convenção ou Acordo, por força de revisão ou de revogação parcial de suas cláusulas passarão a vigorar 3 (três) dias após a realização de depósito previsto no § 1º.”
Da mesma forma da Convenção Coletiva, o instrumento de prorrogação, revisão, denúncia ou revogação da norma coletiva será depositado até oito dias na mesma repartição em que a original foi arquivada, para fins de registro, arquivamento e publicidade, ficando a disposição de qualquer pessoa que compareça naquela repartição publica.
A negociação é fundada na autonomia privada coletiva visando um procedimento mais simples, ágil, sem muitos tramites comparados a de elaboração legislativa. A descentralização atende as peculiaridades das partes sendo um instrumento de aceitação plena pelo interessados. Em primazia na negociação da norma coletiva devemos destacar que as partes devem agir de boa-fé, tendo disciplina e respeito, garantido liberdade para exposição de idéias.
Frustrada pela recusa da negociação coletiva, cabe a DRT convocar as partes para negociação, não aplicando nenhuma penalidade para quem descumpriu.
Os dissídios de natureza econômicas decorrente do parágrafo 4 do artigo 616 da CLT, do artigo 2 e do artigo 114 da Constituição Federal, donde verificamos respectivamente o pressuposto da negociação prévia e da competência da justiça do trabalho para conciliar e julgar os dissídios coletivos.
“Art. 616 (CLT) - Os Sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as empresas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusar-se à negociação coletiva.
§ 1º Verificando-se recusa à negociação coletiva, cabe aos Sindicatos ou empresas interessadas dar ciência do fato, conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, para convocação compulsória dos Sindicatos ou empresas recalcitrantes.
§ 2º No caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo desatendimento às convocações feitas pelo Departamento Nacional do Trabalho ou órgãos regionais do Ministério de Trabalho e Previdência Social, ou se malograr a negociação entabolada, é facultada aos Sindicatos ou empresas interessadas a instauração de dissídio coletivo.
§ 3º - Havendo Convenção, Acordo ou sentença normativa em vigor, o dissídio coletivo deverá ser instaurado dentro dos 60 (sessenta) dias anteriores ao respectivo termo final, para que o novo instrumento possa ter vigência no dia imediato a esse termo.
§ 4º - Nenhum processo de dissídio coletivo de natureza econômica será admitido sem antes se esgotarem as medidas relativas à formalização da Convenção ou Acordo correspondente.”
A hierarquia das normas trabalhista deve observar a regra mais favorável, aplicando-se as disposições mais benéficas. Desta
forma a negociação coletiva que dispõe mais benefícios sobre o contrato individual prevalece tanto de forma hierárquica como pela regra mais favorável.
“Art. 619 (CLT) - Nenhuma disposição de contrato individual de trabalho que contrarie normas de Convenção ou Acordo Coletivo de Trabalho poderá prevalecer na execução do mesmo, sendo considerada nula de pleno direito.
Art. 620. As condições estabelecidas em Convenção quando mais favoráveis, prevalecerão sobre as estipuladas em Acordo.”
Mesmo dispondo da regra mais favorável devemos ter em pauta a orientação do enunciado 277 do TST, onde verificamos que as normas coletivas vigoram no prazo assinado, não integrando de forma definitiva os contratos individuais.
O artigo 621 da CLT induz a participação nos lucros da empresa que seja permitida e estabelecida pela Convenção Coletiva, readequando as peculiaridades da empresa. A participação é uma forma de complementação do salário, um pagamento condicionado na ocorrência de lucros da empresa. Atualmente temos a lei 10.101/2000 prevendo a participação nos lucros e resultados da empresa, dando ciência de que o pagamento não tem natureza salarial.
“Art. 621 (CLT) - As Convenções e os Acordos poderão incluir entre suas cláusulas disposição sobre a constituição e funcionamento de comissões mistas de consulta e colaboração, no plano da empresa e sobre participação, nos lucros. Estas disposições mencionarão a forma de constituição, o modo de funcionamento e as atribuições das comissões, assim como o plano de participação, quando for o caso.”
As cláusulas da Convenção Coletiva são incorporada
no contrato de trabalho sendo indevido e sancionado por multa as clausulas do contrato individual contrarias.
“Art. 622 (CLT) - Os empregados e as empresas que celebrarem contratos individuais de trabalho, estabelecendo condições contrárias ao que tiver sido ajustado em Convenção ou Acordo que lhes for aplicável, serão passíveis da multa neles fixada.
Parágrafo único. A multa a ser imposta ao empregado não poderá exceder da metade daquela que, nas mesmas condições seja estipulada para a empresa.”
Dentro da CLT que dispõe sobre as Convenções Coletivas de Trabalho existem dois momentos que verificamos a interferência do estado, no primeiro, com seu poder disciplinar impõe multa aos que não cumprirem a negociação coletiva e no segundo caso integra o artigo 616, parágrafo 4 da CLT de onde se admite o dissídio coletivo. A convocação do DRT que confere o artigo 616 parágrafo 2 da CLT, para as partes negociarem representa mera convocação, não impondo nenhuma penalidade para os que não comparecerem.
Conforme Octavio Bueno Magano, observância quanto à condição mais favorável está sofrendo contrate com a crise econômica, sendo que, em conflito com a política econômica – financeira ou salarial do governo torna-se ineficaz, característica apontada pelo artigo 623 da CLT.
“Art. 623 (CLT) - Será nula de pleno direito disposição de Convenção ou Acordo que, direta ou indiretamente, contrarie proibição ou norma disciplinadora da política econômico-financeira do Governo ou concernente à política salarial vigente, não produzindo quaisquer efeitos perante autoridades e repartições públicas, inclusive para fins de revisão de preços e tarifas de mercadorias e serviços.
Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a nulidade será declarada, de ofício ou mediante representação, pelo Ministro do Trabalho e Previdência Social, ou pela Justiça do Trabalho em processo submetido ao seu julgamento.
Art. 624. A vigência de cláusula de aumento ou reajuste salarial, que implique elevação de tarifas ou de preços sujeitos à fixação por autoridade pública ou repartição governamental, dependerá de prévia audiência dessa autoridade ou repartição e sua expressa declaração no tocante à possibilidade de elevação da tarifa ou do preço e quanto ao valor dessa elevação.”
O papel flexibilizador da norma constitucional através da Convenção Coletiva de Trabalho vem garantir varias vantagens para a classe trabalhadora organizada, mas, excepcionalmente, nada impede que venha a cumprir como redutor de vantagens. Verificamos que na maioria das vezes as negociações coletivas de trabalho vêm assegurar as condições profissionais frente às crises econômicas, vindas oras reduzindo salários, oras reduzindo jornadas de trabalhos, surgindo naquele momento como o mantenedor da garantia de emprego. O prazo de vigência, revisão e revogação da negociação coletiva possibilitam a readequação dos direitos frente a oscilações econômicas.
Quanto ao artigo 625 da CLT somente serão apreciadas pela Justiça do Trabalho às controvérsias decorrentes das normas coletivas relativas às condições de trabalho e relações entre empregado e empregador.
“Art. 625 (CLT) - As controvérsias resultantes da aplicação de Convenção ou de Acordo celebrado nos termos deste Título serão dirimidas pela Justiça do Trabalho.”
Temos também a disposição da Lei n. 8.984 que compete a Jústiça do Trabalho quando existir dissídios decorrentes da negociação coletiva, ou seja, entre os sindicatos, estes e empregadores ou trabalhador.