• Nenhum resultado encontrado

Panfletos do Movimento de Resistência na Alemanha

“Na realidade, a situação era tão simples quanto desesperadora:

a esmagadora maioria do povo alemão acreditava em Hitler. [...]

Contra essa sólida maioria, ficava um número indeterminado de indivíduos isolados, completamente conscientes da catástrofe nacional e moral [...]

Sua habilidade de distinguir o certo do errado permanecia intacta, e eles nunca tiveram nenhuma ‘crise de consciência’. [...]

Só numa ocasião, num gesto único, desesperado, esse elemento mudo e inteiramente isolado se manifestou publicamente:

foi quando os Scholl, dois estudantes de Munique, irmão e irmã, sob a influência do professor Kurt Huber, distribuíram os famosos folhetos

que afinal chamaram Hitler daquilo que era de fato – ‘assassino em massa’”

(Hannah Arendt. Eichmann em Jerusalém)

127

“Em breve, privarão a pessoa de qualquer chance de preservar sua pobre alma de seus uniformes, com aquele cruel e onipresente espírito militar deles. Que capítulo na história da nação alemã! O que as pessoas encontrarão para colocar mais tarde, além das

datas das batalhas e coisas semelhantes?”1

A segunda fase da Rosa Branca conta com dois panfletos, escritos entre janeiro e fevereiro de 1943, denominados Panfletos do Movimento de Resistência na Alemanha.

Também há um terceiro panfleto, que é apenas um rascunho, que trata da derrota da Alemanha na guerra. Christoph Probst redigiu este texto integralmente em janeiro de 1943 e o entregou a Hans Scholl, para uma possível distribuição que nunca aconteceu. Nesse segundo momento, a linguagem dos panfletos muda completamente, tornando-se mais direta, informativa e não existem mais citações. A guerra se torna a principal temática, os escritos são mais curtos, pragmáticos e a resistência proposta é mais clara e ativa. É neste momento que os estudantes criam novas células da Rosa Branca em outras cidades, ampliando a circulação panfletária e gerando uma movimentação financeira por meio de doações para custear a impressão de mais folhetos. Também é nesse ponto que Hans Scholl e Alex Schmorell entram em contato direto com um membro da resistência de Berlim, aliado a posições políticas de esquerda: Falk Harnack, irmão de Arvid Harnack. O professor de filosofia da Universidade de Munique Kurt Huber participa da escrita do sexto panfleto, em que é tratada, mais especificamente, a resistência estudantil. Huber até este momento não tinha conhecimento das atividades de seus alunos e, portanto, não havia participado da escrita dos quatro textos anteriores.

O ponto sem retorno

Em julho de 1942 a companhia médica de Hans Scholl é convocada para fazer um

“estágio de combate” no front oriental e Hans, Alex e Willi vão juntos para a Rússia.2 Em 21 de julho, os amigos fazem uma reunião no estúdio do arquiteto Manfred Eickemeyer para falar sobre questões políticas e possíveis formas de resistência. Dentre os presentes, além de Hans,

1“They'll soon deprive a person of any chance to preserve his pour soul from their uniforms with that grim and ubiquitous martial spirit of theirs. What a chapter in the history of the German nation! What will people find to put in it later on, apart from the dates of battles and suchlike?”. Tradução minha. Rascunho do diário de Sophie Scholl, de uma carta para Fritz Hartnagel, mas que possivelmente nunca foi enviada. 18 de abril de 1941, In: JENS, Inge. At the heart of the White Rose: Letters and diaries of Hans and Sophie Scholl. USA: Harper & Row Publishers, 1987, p. 133

2 Christoph Probst era de outra unidade e não vai com os amigos para o front oriental.

128 Sophie, Willi, Alex e Christel, também estavam Traute Lafrenz, o professor Kurt Huber, Gisela Schertling (namorada de Hans), Kate Schüddekopf (aluna de doutorado de Huber) e Hans Hirzel. No dia seguinte, em 22 de julho de 1942, eles partem para o front, chegando em Varsóvia, a primeira parada, no dia 26. Posteriormente os jovens ficam alocados na cidade russa de Vyazma, ocupada pelas tropas alemãs desde outubro do ano anterior.

A experiência no front marcou profundamente Hans Scholl. As entradas em seu diário e as cartas no período de julho a novembro de 1942 mostram como ele se encantou com as pessoas, a paisagem e os lugares, inclusive se referindo a uma “febre russa”, ou seja, um amor louco por esse país. Seu irmão Werner - que morreu no front oriental antes da guerra terminar - estava no mesmo setor que ele, então, os dois passam juntos boa parte dessa experiência. Em uma carta para Kurt Huber datada de 27 de agosto de 1942, e assinada por Hans, Alex, Willi e Hubert Furtwängler, Hans descreve a sua impressão da Rússia e de sua experiência até aquele momento. Como foi dito, Huber havia se tornado próximo do círculo da Rosa Branca em junho daquele ano, mas ainda não fazia ideia das atividades da primeira fase, tampouco das ideias para o próximo momento.

A cidade, o gueto e toda a instalação deixaram uma profunda impressão em todos nós. É impossível dar até mesmo uma vaga imagem do que me acometeu na Rússia desde o dia em que cruzamos a fronteira. Não sei por onde começar.

A Rússia é tão vasta, tão ilimitada em todos os aspectos, e o amor de seus habitantes pela terra natal também é ilimitado. A guerra varre ao longo do campo como uma tempestade, mas depois da chuva o sol brilha mais uma vez.

O sofrimento leva a posse total das pessoas, as purifica - mas depois elas riem mais uma vez.3

Em diversos momentos de seus escritos, Hans faz referência ao sofrimento e a pobreza no front russo. No entanto, provavelmente devido a suas convicções religiosas, para ele, a pobreza era uma coisa boa para o ser humano. Como foi apresentado no Capítulo Um, um dos textos da publicação Windlicht, o ensaio denominado Sobre a pobreza, era justamente sobre o enobrecimento da alma através da pobreza. Hans explica o que era a “febre russa” em uma carta para seus pais datada de 18 de setembro de 1942:

Os homens chamam de ‘febre russa’, mas essa é uma expressão desajeitada e fraca. É algo assim: quando você vê o mundo em toda sua beleza encantadora, às vezes você fica relutante em admitir que o outro lado da moeda existe. Esta

3 “The city, the ghetto, and the whole setup made a very profound impression on all of us. It’s impossible to give even a vague Picture of what has assailed me in Russia since the day we crossed the frontier. I don’t know where to begin. Russia is so vast, so boundless in every respect, and its inhabitants’ love of their native land is boundless too. War sweeps across the countryside like a rainstorm, but after the rain the sun shines once more. Suffering takes total possession of people, purifies them – but then they laugh once more” Tradução minha. Carta de Hans Scholl, In: JENS, Inge. At the heart of the White Rose, p. 216.

129 antítese existe aqui, como acontece em todos os lugares, se você apenas abrir seus olhos para isso.4

Hans estava, portanto, se permitindo enxergar “o outro lado da moeda”, ou seja, estava tentando ver além do que a propaganda nazista falava sobre a Rússia e seus habitantes. Ele manteve um diário durante o seu tempo no front e em diversos momentos escreve como se estivesse se dirigindo a uma pessoa específica, um membro da intelligentsia alemã – como se essa pessoa estivesse lendo seu diário no momento em que ele escreve. Em uma dessas entradas, redige: “os alemães são incorrigíveis. Sua duplicidade é tão profunda agora que não poderia ser exercida sem matar todo o corpo. Uma nação condenada”.5 O corpo, é aqui entendido como todo o resto da população. É curiosa a analogia aos alemães como incorrigíveis, como se ele não fizesse parte desse grupo. De fato, Hans em alguns momentos afirma ser visto como ariano, europeu, soldado e médico, no entanto, ele próprio não se identificava com esses rótulos – inclusive, fica muito triste por ser obrigado a deixar a Rússia “apenas” por ser alemão. Usando de muita ironia, como é comum em suas cartas, o jovem afirma que iria se sentir nostálgico ao ir embora, e que: “na realidade, no entanto, cada pedaço meu é europeu, um discípulo, um guardião da herança sagrada, e é por isso que eu tenho que voltar [para a Alemanha]”.6 Em seu diário durante a estadia na Rússia, uma entrada é particularmente interessante – essa também como um diálogo a alguém culto:

Simplesmente fazer o seu dever é absurdo e enganador. O homem nasceu para pensar, diz Pascal. Para pensar, meu digno acadêmico: eu te censuro com essa palavra. Você está surpreso, eh, seu representante do espírito? O espírito que você serve nesta hora desesperada é um espírito maligno, mas você é cego ao desespero. Você é rico, mas você é cego à pobreza. Sua alma está murchando porque você se recusou a ouvir sua chamada. Você reflete sobre o refinamento final de uma metralhadora, mas você suprimiu a questão mais elementar em sua juventude. A questão de: por que e para onde? Quão pequena deve ser uma nação que chama Frederick II de ‘o Grande’? Essa nação lutou por sua liberdade contra Napoleão, apenas para escolher a escravidão prussiana. Eu sei o quão limitada é a liberdade humana, mas o homem é essencialmente

4 “The men call it ‘Russian fever’, but that’s a clumsy, feeble expression. It’s something like this: When you see the world in all its enchanting beauty, you’re sometimes reluctant to concede that the other side of the coin exists.

This antithesis exists here, as it does everywhere, if only you open your eyes to it.” Tradução minha. Carta de Hans Scholl, In: JENS, Inge. At the heart of the White Rose, p. 221.

5 “The Germans are incorrigible. Their duplicity is so deep-seated by now that it couldn't be exercised without killing the entire body. A doomed nation” Tradução minha. Diário Hans, 11 de setembro de 1942. Idem, ibidem, p. 238.

6 “In reality, though, I’m every inch a European, an epigone, a guardian of a sacred heritage, and that’s why I’ll have to go back”. Tradução minha. Hans usa o termo “epigone”, que pode ser traduzido ou como discípulo, ou como “aquele que nasceu depois”, se formos utilizar a etimologia grega. Carta para Rose Naegele, 10 de setembro de 1942. Idem, ibidem, p. 220.

130 livre, e é a liberdade dele que o torna humano. Liberdade e pobreza são humanos, escravidão e arrogância são prussianos.7

A relação direta entre o regime nazista e a “escravidão prussiana” é algo que toca os panfletos da segunda fase da Rosa Branca. Nesse fragmento também é possível perceber mais uma vez a noção de que a liberdade é um dom natural do ser humano, essencial de sua existência, fornecido por Deus – em consonância com o que era dito nos Panfletos da Rosa Branca. Em associação com esse diálogo, é possível pensar ainda na declaração de Hans para a Gestapo, na qual explica os motivos pelos quais ele se sentiu na obrigação de resistir, sendo um membro da classe culta da Alemanha. Segundo ele, se a situação externa na guerra não estivesse tão dramática, talvez ele não tivesse tomado nenhuma ação prática de resistência. É nesse excerto que ele explica a ideia de intelligentsia e o movimento de massa que colocou Hitler no poder:

Eu sou da opinião que não foi a maioria dos alemães que fracassaram politicamente no período entre 1918-1933 e acima de tudo em 1933. Em vez disso, foi a classe de pessoas em uma nação que deveria liderar essa nação politicamente, [a saber], a intelligentsia. Embora uma classe de pessoas e especialistas educados - em todas as esferas da vida intelectual – estava evoluindo até a plena floração, foram precisamente essas pessoas que foram incapazes de responder às questões políticas mais simples. Esta é a única maneira de explicar por que os movimentos de massa com seus slogans simples puderam acabar com todos os empreendimentos filosóficos mais profundos. Eu senti que era hora de apontar seriamente os deveres nacionais- políticos que esta parte da classe média [da Alemanha] estava obrigada a fazer. Se o desenvolvimento da política externa tivesse inicialmente tomado um curso mais pacífico, talvez eu não tivesse enfrentado a alternativa: devo comprometer-me com alta traição ou não? Em vez disso, teria tentado mobilizar as forças positivas dentro desta nação de tal maneira que teriam superado tudo o que era negativo e levado a uma forma nacional que valeria a pena lutar.8

7 “Merely doing one’s duty is absurd and misleading. Man is born to think, says Pascal. To think, my worthy academic: I reproach you with that word. You’re surprised, eh, you representative of the spirit? The spirit you serve at this desperate hour is an evil spirit, but you’re blind to despair. You’re rich, but you’re blind to poverty.

Your soul is withering because you refused to hear its call. You ponder on the ultimate refinement of a machine gun, but you suppressed the most elementary question in your youth. The question why and whither? How small must a nation be that calls Frederick II ‘the Great’? That nation fought for its freedom against Napoleon, only to choose Prussian slavery. I know how limited human freedom is, but man is essentially free, and it is his freedom that renders him human. Freedom and poverty are human, enslavement and arrogance Prussian” Tradução minha.

Diário de Hans, 22 de agosto de 1942. In: JENS, Inge. At the heart of the White Rose, p. 232.

8 “I am of the opinion that it was not the majority of the German people who failed politically in the time between 1918 – 1933, and above all in 1933. Rather it was that class of people in a nation that should lead a nation politically, [namely] the intelligentsia. Although a class of educated persons and specialists – in all spheres of intellectual life – was evolving into full bloom, it was precisely these people who were incapable of answering even the simplest political questions. This is the only way to explain that mass movements with their simple slogans were able to out-shout every deeper philosophical undertaking. I felt that it was high time to seriously point out the national-political duties that this part of middle-class [Germany] was obligated to. Whom If the development of foreign policy had initially taken a more peaceable course, I perhaps would not have been faced with the alternative: Should I commit high treason or not? Rather, I would have attempted to mobilize the positive forces

131 Nesse sentido, para Hans, os membros das classes mais cultas tinham a obrigação de resistir, pois eles haviam falhado na sua tarefa de liderar a nação em 1933 quando permitiram Hitler assumir o poder. A única forma de explicar o movimento de massas seria então, precisamente pelo colapso da intelligentsia, que não conseguia mais responder questões políticas simples. Como explicitado no capítulo anterior, Hans e Sophie acreditavam que sua forma propagandística deveria servir para se comunicar diretamente com as massas nesse segundo momento de ação.

Durante seu período no front russo, Hans Scholl descobre que seu pai havia sido preso.

Em algum momento entre janeiro e junho de 1942, como vimos, Robert Scholl fora detido pela Gestapo pela primeira vez. Segundo Inge Scholl, “primeiro, houve uma longa conversa, em seguida, uma revista pela casa e, depois, eles foram embora levando nosso pai. Naquele dia, sentimos na pele que éramos terrivelmente impotentes”.9 Ele foi solto logo em seguida, com o aviso de que deveria aguardar o julgamento de seu caso, agendado para agosto daquele ano.

Robert Scholl foi denunciado por uma funcionária por ter chamado o Führer de flagelo da humanidade, além de dizer que se Hitler não acabasse com a guerra logo, os russos tomariam Berlim em menos de dois anos – uma afirmação que ele errou por apenas um ano. A acusação do Tribunal Especial Político chegou em 3 de agosto e Robert foi condenado a quatro meses de prisão por traição, começando em 24 de agosto. Apesar de a prisão do pai ter afetado Sophie e Hans, eles não ficaram de fato tão surpresos, visto que Robert Scholl era um oposicionista do regime nazista desde os primeiros anos de governo.

Uma outra figura fundamental para compreendermos essa mudança de pensamento na segunda fase da Rosa Branca é Alexander Schmorell. A bibliografia, de maneira geral, o apresenta como um jovem totalmente desinteressado por política e que foi facilmente influenciado por Hans. Sophie faz o mesmo comentário acerca de Alex em seu primeiro interrogatório para a Gestapo em 18 de fevereiro de 1943 e acrescenta alguns elementos que nos ajudam a compreender sua personalidade e visão política. Ela diz que Alex não se importava com a política antes da guerra, contudo, quando tiveram início as hostilidades contra a Rússia, ele começou a se preocupar mais pelos eventos políticos, principalmente no quesito militar.10

within this nation in such a manner that they would have outflanked everything negative and led to a national form that would be worth striving for” Tradução minha. Interrogatório de Hans Scholl. In: Gestapo Interrogation Transcripts: Willi Graf, Alexander Schmorell, Hans Scholl, and Sophie Scholl. ZC13267. (English Edition), por Joyce Light (editor) e Ruth Hanna Sachs (Tradutor) Kindle edition, posição 2176 – 2720, grifos meus.

9 SCHOLL, Inge. A Rosa Branca, pp. 44-46.

10 Interrogatório de Sophie Scholl. In: Gestapo Interrogation Transcripts: Willi Graf, Alexander Schmorell, Hans Scholl, and Sophie Scholl, posição 3243.

132 Ela declara: “politicamente falando, eu acho que Schmorell é desinteressado. Ele é um sentimentalista puro que é impermeável ao processo de pensamento político. Culturalmente, ele tem tendências contrárias ao Nacional-Socialismo, pelos mesmos motivos que eu”11 e também adiciona que: “embora ele seja um completo oponente do bolchevismo com todas as fibras de seu ser, ele ainda nutre sentimentos fortes por sua pátria, o que o torna politicamente inseguro [...] Mas isso, em grande parte é porque ele não pensa seriamente sobre questões políticas e se empolga facilmente”.12

No entanto, ao ler os interrogatórios e as declarações de Alex Schmorell, é de se supor que esse recurso de o classificar como “politicamente desinteressado” possivelmente fosse uma estratégia dos amigos para protegê-lo. Alex, nascido na Rússia e membro da Igreja Ortodoxa Grega, assegura que não conversava de política com seus familiares, logo, ninguém da sua família sabia das suas atividades de resistência. Duas declarações são particularmente impressionantes: a primeira acerca da sua possível relação com perspectivas bolchevistas; a segunda sobre sua posição política mais concreta. Alex afirma que quando foi ao front russo, viu com os próprios olhos o que estava acontecendo na terra que ele tanto amava. Lá ele percebeu os rumos da guerra e também observou que as características e a personalidade dos russos não haviam se modificado com a chegada do bolchevismo.13 Recusa veementemente que seu amor pela Rússia tenha qualquer relação com amor ao bolchevismo. Segundo Schmorell:

Sobre a questão de qual corrente política eu sigo, ou ainda, o que penso do Nacional-Socialismo, eu admito sem hesitação que não posso me identificar como nacional-socialista, porque estou mais interessado na Rússia. Admito prontamente meu amor pela Rússia. Em contraste, rejeito o bolchevismo.

Minha mãe era russa, eu nasci lá, e não posso deixar de me importar com esse país. Eu me identifico abertamente como monarquista. Mas isso se aplica à Rússia, e não à Alemanha. Sempre que falo sobre a Rússia, não quero glorificar ou me descrever como adepto do bolchevismo; Em vez disso, estou apenas pensando sobre o povo russo e a própria Rússia. Por esta razão, a guerra entre a Alemanha e a Rússia me causa profunda tristeza. Por conseguinte, ficaria feliz em ver esta guerra chegar a um rápido fim, da forma

11 “Politically speaking, I think Schmorell is a nonentity. He is pure sentimentalist who is impervious to political thought processes. Culturally, he has leanings against National Socialism, for the same reasons I do” Tradução minha. Sophie usa a expressão “nonentity”, que quer dizer alguém que não tem qualidades interessantes ou que se destacam, alguém desinteressante ou insignificante. No entanto, no contexto político, “nonentity” pode ser entendido como uma pessoa que não se interessa por política. Interrogatório de Sophie Scholl. In: Gestapo Interrogation Transcripts: Willi Graf, Alexander Schmorell, Hans Scholl, and Sophie Scholl, posição, 3104.

12 “Although he is an absolute opponent of Bolshevism with every fiber of his being, he still nurses Strong feelings for his Fatherland, which makes him politically insecure [...] But that is largely because he does not think soberly enough about political matters and is easily enthused” Tradução minha. Interrogatório de Sophie Scholl. Idem, ibidem, posição 3266.

13 Interrogatório de Alexander Schmorell. In: Alexander Schmorell: Gestapo Interrogation Transcripts. RGWA I361K-I-8808. (English Edition), por Joyce Light (editor), Denise Heap (editor) e Ruth Hanna Sachs (Tradutor) Kindle edition, posição 263.

Documentos relacionados