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rectíbem. Os cargos áa Misericórdia são, sobretudo . e princi-

palmente, encargos, desempenhados por espírito de fé e ca'

ïidade. Segundo o espírito 'e a letra de todos os compromis' sós, desde o Provedor ao último servente, todos os encargos são de anual duração e que, por isso mesmo, anualmente se renovavam. Não se compreende bem esta privilegiada singu-

laridade de exercício miédico vitalício numa instituição que^

pela sua origem, natureza, 'história e fim, todos os cargos são encargos por tempo de um ano, mas capazes, no entan"

to, 'de serem renovados todos os anos.

A i4 de 'Fevereiro de 1935, agradecem-se e aceitam-se os serviços clínicos da Doutora D. Branca Augusta Lopes

Chiote; e a 8 de Julho de 1937, o Dr. Francisco José Mar- tins Morgado, antigo Provedor e médico, oferece os seus ser- viços clínicos à .Santa 'Casa <2Z).

IPor morte do Dr. Fernandes Torres, foi nomeado para a sua vaga, em 23 de Março de 1943, o Dr. Francisco Inácio Teixeira Moz, e, para a vaga do Dr. Teixeira Moz na enfer-

maria dos homens, foi nomeado o Dr. António da Circun-

cisão Pires que tornaram posse no dia 6 de Abril(23).

A 17 de Maio d.e 1943, foi reconhecida a necessidade- de lemodelar o quadro dos médicos da Santa Casa. Fez-s&

um projecto de remodelação, em 12 de Julho seguinte. A 3.

de Julho de 1944, além dos médicos já existentes, ficaram a fazer parte do corpo clínico da Santa Casa, os médicos: di"

rector da enfermaria de obstetrícia e ginecologia, o Dr. Ali-' pio de Abreu; director da en.fermaria de cirurgia, o Dr. Ma-

nuel António Pires; médico substituto da enfermaria dos ho- mens, o Dr. Ramiro Augusto Moreno; e médica substituta da enfermaria das mulheres, a Dra. D. Branca Chiote t24'.

(23) Actas, n. 16, foi. 3'5 v, 86.

(24) Actas, 17, foi. 15 v, 19, 24, 46, 48 v.

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Com o crescimento da população hospitalar e a dimi' nuiçao das receitas, provocada principalmente pelo período das lutas liberais, no qual os serviços se desorganizaram, a

.

Santa Casa, depois do primeiro quarto do século XIX, viu'

/se em seriíssimas dificuldades. Assim é que, em 1839, a

Santa Casa não pagava as contas da 'botica desde 1833, e em 1841 a dívida ao boticário era de 236. 126 réis <3).

Vejamos agora o movimento de medicamentos, em vá'

.

rios períodos, destinados aos doentes internos. De 1845 a 186o vão 15 anos. Nestes 15 anos, a despesa foi de 539. 442 réis, equivalente a 35.960 réis por ano. De 1861 a 1877 vão

i7 anos. Neste período de tempo, a despesa foi de 2.667. 194 réis, o que dá a m'édia anual de 156. 890 réis, isto é cinco vezes mais do que nos anos anteriores.

Segundo o Compromisso de 1877, o mordomo do hos- pitai tem a seu cargo fazer entrar nas enfennarias todos os

remédios e o livro do receituário, até à hora e meia da tarde

impreterïvelmente, observar se o facultativo visita regular'

mente os doentes à hora marcada. Ora este receituário desde 1878 a 1898 - 2i anos - importou .em 5. 547. 883 réis, equi' valente a 264. 180 'réis por ano. (Mas a despesa com o recei- tuário sobe de ano para ano. De 1899 a 1902, quatro anos^

portanto, a despes'a foi de 1.302. 198 réis, correspondente a

325. 549 rlels anuais.

Esta despesa .anual sugeriu à Mesa da Santa Casa, de que era Provedor Abílio de Lobao Soeiro, a ideia de criar uma farmácia própria, tanto mais que os quatro farmacêuti-

cos locais estabeleceram um autêntico desafio de percenta-

gem que dava a impressão de boa margem de íucros <5).

<3) Idem de . 1877, pág. 33 - AcoráSos, 1832, foi. 23, 27 v,

29, 29 v-

(4) Corresp. 1884-1929.

(5) Actas, 1884, foi. 161 v, 155 v.

Assembleia Geral da Santa Casa em 27 de Maio de 1900.

Graves as dificuldades da Santa Casa por causa da des- pesa com os doentes recolhidos no hospital e com os que socorre fora dela, e da despesa com o fornecimento de me- dicamentos a uns e outros. Provasse a despesa feita com os jnedicamentos nos últimos anos. A dívida era, por motivo dos medicamentos, de quase dois contos e quinhentos mil réis.

Para custear esta despesa, a Santa Casa dispunha apenas de 418.500 réis, os juros de inscrições de 2.790. 000 réis» o subsí- dio de algumas confrarias .computado em 250.000 íeis, a .con-

tribuiçâo

do Estado para as toleraidas e o

insignificante

ren-

dimento de foros em géneros e dinheiro. Com o avanço do pauperismo na cidade, o problema tendia a. complkar-se ain-

da mais.

'Feita esta exposição, é lançada a ideia da criação de uma farmácia a -fim de fornecer medicamentos para o hospi- tal, para os pobres e para o publico em geral. Para a. farmá-

cia, um partido farmacêutico com o ordenado anual de 250.000 réis e certa percentagem nos lucros a título de gra- tificaçao. Para se pôr em prática esta ideia, era necessário

aiienar as inscrições sufícientes para obter a quantia de um

conto, de réis, destinada à aquisição de medicamentos, arma- cão, aparelhos e vidraria.

A assembleia geral aprovou a ideia e o pedido ao Go-

verno para dar autorização (6>.

A 30 de Janeiro de 1901, o Governador Civil, Conse- Iheiro Abílio Beca, informa o 'Provedor que, pelo decreto n.°

288, de 2 de Novembro passado, a Santa Casa fora autoriza- da a alienar as inscrições necessárias a fim de obter a quan-

<6) Idem, foi. 167 v. - Corresp. 1884-1929.

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tia necessária de um conto de réis para fazer face às despe' sãs com a criação da farmácia. A 30 de Outubro 'de 1900, já o Govertío aprovara a criação; e, a 27 de -Março seguin.te, a Mesa aprovou o regulamento que previa, quando possível, um laboratório para análises iquímicas ao serviço do hospital

.

e do público, mediante preços» estabelecidos numa tabela. O

farmacêutico ganharia 250. 000 réis anuais, teria quarto no

hospital devidamente mobilado e a percentagem de 25%.

Este regulamento foi publicado no Diário do Governo de 15

e 16 de Abril de 1901 W.

Depois disto, vendem-se 2.700.000 réis de inscrições por 1.026.000 réis, nomeia-se farmacêutico Carolino Abel Rodri-

gues .Serrano e .compra-se e instala-se a farmácia por 211.800

réis (8).

No primeiro ano a farmácia apurou 299. 400 réis; no se- gundo, 537.330 réis; no terceiro, 7o'2.875 réis; e no quarto 865.375 réis (9)-

A 23 de Agosto de 1904, a Mesa apurou um saldo de 17.418'réis, e a 30 de Junho do ano seguinte apurou o sal'

do de 599.310 réis (10).

Diante 'deste saldo, a Mesa rejubila, e a 15 de Maio de 1905. a Mesa resolve concorrer, no dia 19 imediato, à arre' maUçâo do fomecimentt) de medicamentos ao hospital mi' litar-t11).

Termina o ano 1905-1906, e a Mesa observa com pra' zer que se .havia apurado a quantia de 795. 610 réis t12) e o

1(7) Idem, foi. 65.

<8) 1901-1906 - Farmácia, foi. 33 v, 50 v, 74 v°

(ç) Acafo, 1903, foi. 15 v, 30.

i(io) láeni, foi. 23.

i(li) Idem, foi. 23.

1(12) 1901-1906 - Farmácia, foi. 88 v.

lucro de 648. 780 réis <13) como no ano seguinte o deu de 357'7°5 rels 4)*

Acontece que o farmacêutico, a 6 de Abril de 1906, ipediu que, em vez da percentagem nos lucros da farmácia,

se lhe aumentasste o ordenado. A Mesa 'concorda, e fixa-lho

em 400.000 réis anuais, e o Ministro do Reino, a 30 de Abril de 1907, indeferiu o pedido (15).

A farmácia continua á ter lucros. A 30 de 'Junho de 1908, regista um lucro áe 522.304 réis (16). No ano seguinte.

a 17 de Março de 1909, o Provedor, Albino José de Carvaliho e Castro, declara que o movimento da. farmácia estava limi- tado ao receituário do hospital e dos doentes externos <17).

No entanto, a 30 de Junho de 1910, o lucro ainda foi de 192.070 réis <18).

A Mesa da Santa Casa de que era Provedor o Eng.

Olímpio Artur de Oliveira Dias, apavora-se. Se neste ano o lucro fora assim insignificante, nos anos seguintes o pre- juízo seria certo, com o que a Santa Casa não poderia sii' portar. Esqueceu que, mesmo com prejuízo, haveria lucro

para a Santa Casa.

Certa a. Mesa do prejuízo, reúne a 5 de Novembro de

ipio. Na

convicção

de que a farmácia não

preenchia

o seu

fim - aumento de receita e maior distribuição de rem.édios aos pobres - e na 'certeza de ser difícil a sua fiscalização por parte das Mesas, foi proposta e aprovada a venda da far- macia, e votada em assembleia de 27 de Novembro, sendo arrematada, a 18 de Fevereiro de 1911, havendo apenas um

(13) Actas, 1903, foi. 41 v.

(14) Idem, 1907-1919, foi. 5.

(15) Corresp. 1884-1929 - Actas, 1903, foi. 34, 45.

.(16) Actas, 1907-1919, foi. 21.

'(17) ídem, foi. 14.

<i8) Idem, foi. 28.

único concorrente'que ofereceu a

quantia

de 5I3t 300 réls> .

O Governador 'Civil, Domingos Frias, a 15 de Novem-

bro d.e 1910. ainda tentou impedir a extinção da farmácia, por não acreditar que ela desse prquízo. Mesmo que o dês-

se, esse prejuízo seria inferior à despesa da Santa Casa com o fornecimento de remédios para os doentes, existentes den- tro e fora dela. Foi de opinião que se fizesse uma sindkân-

cia ao empregado; e, se acaso, resultasse mal, por-se-ia o lu-

.

gar a concurso (20).

Em obediência à opinião do Governador Civil, fez-se a sindicância da qual extraio o mais importante. «A diferença

apurada contra a Misericórdia e o dinheiro por 'cobrar de me-

dicamentos vendidos, dá um total de 1.954. 986 réis que, di- vidido pêlos io anos de existência da farmácia, acusa uma medi?, anual de 195.496 réis que foi positivamente em quan' to vieram importando os medicamentos dos doentes do hos- pitai e pobres em cada um dos io anos. Ora a média da im-

portânda de medicamentos que a Santa Casa gastou, em cada um dos anos anteriores à instalação da farmácia com os doentes do hospital e externos. foi de 371.414 réls <lue' com' parada com a media referida, mostra bem claramente que a farmácia traria sempre lucros à confraria, independentemen- te da sua má administração. É de notar ainda que, na esti-

maçao deste cálculo se deu, como incòbrável, ou perdida, a quantia de 375-390 réis, de medicamentos vendidos e por pagar, e se não meteu em conta a despesa de medicamentos

gastos com o hospital e pobres no ano económico de 1910- -1 gii > por não estar ainda esta importância convenientemen- te üquidaáa» (21).

(ig) Idem, foi. 29.

<2o) Corresp. 1884-1929.

(zi) Actos, i907-'i9i9, líol. 57 v

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