Em 2001, a dimensão do mercado brasileiro de software representava 1,5%
do PNB (Produto Nacional Bruto) Brasileiro, sendo maior e mais diversificado que o mercado indiano. A participação do mercado brasileiro de software no mercado nacional de TI apresentava um constante crescimento, representando o dobro da Índia (24% em 1999) e China (12% em 2001). A taxa de crescimento da Indústria Brasileira de TI era inferior à da China, cujo mercado era quase o dobro do brasileiro (US$ 18 bilhões X US$ 30 bilhões) e estava mais próxima à da Índia, cujo mercado era de US$ 12,9 bilhões em 2001. Entretanto, as exportações da Índia eram superiores às do Brasil, da China e de outros países líderes no mercado global.
(MIT-SOFTEX, 2002).
Segundo a ABES (Associação Brasileira de Empresas de Software), o mercado brasileiro de software atingiu em 2006, a 13a posição no mercado mundial, tendo movimentado 9,09 bilhões de dólares, equivalente a 0,97% do PIB nacional.
Deste montante, foram movimentados 3,26 bilhões de dólares em software, representando 1,3% do mercado mundial. Os valores restantes, 5,83 bilhões de dólares foram movimentados em serviços relacionados. Estudos recentes apontam um crescimento médio anual superior a 12% até 2010. Ainda em 2006, a participação de programas de computador desenvolvidos no país atingiu 32,5% do total do mercado de software brasileiro, alimentadas por cerca de 7800 empresas, dedicadas ao desenvolvimento, produção e distribuição de software e de prestação de serviços, sendo que 94% de micro e pequenas empresas. Neste mesmo estudo, China aparece na 11o posição com 9,57 bilhões de dólares enquanto que a liderança absoluta ainda é dos Estados Unidos com 303 bilhões de dólares representando 42,5% do mercado mundial (ABES, 2007).
Os consumidores de software e serviços brasileiros atualmente apresentam uma concentração maior, com os setores industrial e financeiro representando quase 50% do mercado usuário, seguidos por serviços, comércio, governo, agroindústria e outros. Ainda do ponto de vista dos usuários, a perspectiva é que os investimentos em TI no Brasil deverão crescer 15% no ano de 2007. Nesta mesma linha de TI, o Brasil participa com 43% do mercado da América Latina com cerca de 7,1 milhões e com uma base instalada de 22 milhões de PCs (ABES, 2007).
O estudo realizado pelo instituto de pesquisa IDC em parceria da ABES identificou durante o ano de 2006, algumas importantes tendências de curto e médio prazo do mercado brasileiro de software e serviços relacionados. No curto prazo as tendências são: consolidação de SOA (arquitetura orientada a serviços) como realidade; abordagem de processos em segurança da informação; soluções no segmento de mobilidade; melhores práticas (ITIL, ISO 27003; CMMI e PMBOK);
maior aderência a regulamentações nacionais e internacionais; crescimento dos projetos de VoIP e convergência voz/dados e um aumento da participação no mercado offshore internacional. A médio prazo, as principais tendências: Dynamic IT – sistemas mais flexíveis com maior desempenho; software de código aberto – como plataforma de infra-estrutura; software “as a service” – modelos de licenciamento via subscrição e a exportação de software – aumento da presença na América Latina.
A pesquisa realizada pelo MIT-Softex em 2003 apresenta uma abordagem sobre as barreiras existentes ao crescimento da indústria de software no Brasil e considera a visão dos empresários no setor. Em 1o lugar, com 42% a opção da preferência por Software importado frente ao desconhecimento de ferramentas nacionais existentes. Na seqüência, a dificuldade de acesso ao capital (financiamentos); uma ausência de Política Industrial; a falta de mecanismos de exportação; o fraco poder de compra do Governo; a deficiência em Marketing em relação aos produtos disponíveis; a alta carga tributária e os baixos salários em comparação a outros países emergentes; a elevada burocracia e o por último, o difícil relacionamento com as Universidades.
Esses fatores que descrevem as principais barreiras existentes ao crescimento da indústria de software no Brasil, colaboram para os dois principais gargalos internos enfrentados pelo setor de software brasileiro: a falta de mão-de- obra qualificada para área de TI e a dificuldade de acesso ao crédito.
O presidente da Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Software e Serviços para Exportação), Antonio Carlos Gil afirmou no início deste ano que um dos principais gargalos da indústria de software é a busca de profissionais qualificados. No mês de Janeiro, Carlos Gil entregou um documento ao governo federal com as principais sugestões do setor. Como uma das metas traçadas pela gestão do Governo Lula era de que o setor de software alcançasse US$2 bilhões em exportações durante o ano de 2007 e US$5 bilhões em 2010, a indústria acredita
que precisará gerar 100 mil novos empregos diretos para atingir estes objetivos.
Partindo dessa premissa, o presidente da Brasscom dentre outras solicitações, destacou uma das propostas apresentadas como a compensação de tributos federais com gastos em treinamento. A idéia é autorizar empresas que exportem softwares e serviços de tecnologia a compensarem, contra tributos federais como PIS/Cofins e Imposto de Renda, até 80% dos gastos que tiverem com capacitação de pessoal e certificação de recursos humanos. Ele reforça, destacando que os custos fiscais, tributários e trabalhistas do Brasil são muito maiores que os dos países com quem as companhias de software concorrem globalmente. Antonio Carlos Gil, finaliza, destacando que em uma pesquisa recente, que aponta que um salário de US$ 1,5 mil mensais gera custos finais 19% menores no México que no Brasil e 66% menores na Argentina, por exemplo. (FUOCO, 2007)
Além das questões tradicionais na área tributária e trabalhista, o segundo principal gargalo de âmbito interno é o acesso ao crédito. Segundo Kubota (2007), a indústria de software possui níveis extremamente baixos de ativo imobilizado, que serve de garantia em financiamentos. Esse elemento é um grande entrave para o setor, que dificulta para as empresas o acesso ao capital para investimento e padronização nacional e internacional. Entretanto, existem programas governamentais como o Prosoft do BNDES, que possui um programa de financiamento para as empresas e os compradores de software. Embora, em 2004, a sua carteira tenha sido dobrada, ainda tem pequena abrangência nacional. As empresas de venture capital, por sua vez, em geral só se interessam por empreendimentos que já atingiram um certo grau de maturidade e de obtenção de receitas, devido aos custos de administração e controle.
Kubota (2007) destaca que uma solução para esse gargalo seria a concretização do instrumento de "capital semente" (seed money) para auxiliar na geração de empresas de base tecnológica, como as de software.
Esta base tecnológica nos últimos anos tem sido impulsionada pelo PBQP- Software (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade em Software). Em um dos seus projetos, dentro do núcleo GENESS (Centro de Geração de Novos Empreendimentos em Software e Serviços) da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) com o intuito de desenvolver o projeto ESTRO – Sistema de Gestão de Projetos de Software, surgiu a empresa Sensys Consultoria e Sistemas.