• Nenhum resultado encontrado

4- RESULTADOS

4.1 CARACTERIZAÇÃO TEXTURAL E RESULTADOS U-Pb

Os cristais de apatita das amostras selecionadas apresentam-se sob a forma de cristais prismáticos subédricos a euédricos, incolores, transparentes e com comprimentos entre 100 e 200 μm.

As imagens geradas pela catodoluminescência (Fig. 4.1) mostram que, de um modo geral, os grãos são homogêneos, livres de fraturas e inclusões, e com zoneamento oscilatório ausente a incipiente. Desse modo, uma interpretação feita é a de que as apatitas teriam sido originalmente formadas por cristalização magmática.

Teixeira, L. P. V. 2018, Apatitas como Termocronômetros: uma investigação acerca...

22

Figura 4.1 – Imagens geradas por catoduluminescência que mostram as características texturais de alguns cristais de apatita provenientes das amostras FGL 6, FGL14 e FGL 22, respectivamente.

4.1.2 Resultados U-Pb

As análises por LA-ICP-MS foram realizadas em grãos de apatita homogêneos e todos os furos de laser priorizaram as porções centrais dos grãos a fim de se evitar uma possível influência nas idades de processos metamíticos que podem ter ocorrido nas bordas. De um modo geral, todas as análises geraram idades de intercepto inferior em diagramas Tera-Wasserburg menores que 550 Ma.

Amostra FGL 6

Os grãos de apatita desta amostra de granodiorito compõem uma população de 21 cristais cujo intercepto inferior sobre a discórdia fornece uma idade de 206Pb/ 238Ude 532 ± 17 Ma (MSWD = 1.5).

Figura 4.2: Diagrama Tera Wasserburg revelando a idade de intercepto inferior para a amostra FGL6

Trabalho de Conclusão de Curso, n° 308, 34p. 2018.

23

Amostra FGL 14

As apatitas analisadas revelam uma população de 22 cristais que se distribui sobre uma linha que intercepta a discórdia em 510 ± 26 Ma (MSWD = 1.08).

Figura 4.3: Diagrama Tera Wasserburg revelando a idade de intercepto inferior para a amostra FGL14.

Amostra FGL 22

Dos 37 furos feitos em grãos de apatita desta amostra, 21 foram plotados sobre a discórdia e geraram uma idade U-Pb de 516 ± 23 Ma (MSWD = 1.2).

Figura 4.4: Diagrama Tera Wasserburg revelando a idade de intercepto inferior para a amostra FGL22.

Teixeira, L. P. V. 2018, Apatitas como Termocronômetros: uma investigação acerca...

24

CAPÍTULO 5 DISCUSSÕES

5.1 CONSIDERAÇÕES SOBRE AS DATAÇÕES REALIZADAS

Como o objetivo do presente trabalho foi investigar o resfriamento do Batólito Galiléia, uma interpretação isolada somente a partir das idades obtidas por meio da datação das apatitas não seria a solução mais adequada. Desse modo, como Narduzzi (2018 e in prep.) também datou os zircões e titanitas provenientes das mesmas amostras aqui analisadas, as discussões serão iniciadas a partir da comparação das idades disponíveis para essas rochas do batólito.

Figura 5.1: Gráfico Temperatura de Fechamento (°C) versus Idade 206Pb/238U (Ma) para os minerais datados das amostras estudadas.

A fig. 5.1 apresenta a distribuição dos dados obtidos para os minerais datados de cada amostra (FGL 6, FGL14 e FGL22) em função da temperatura de fechamento (°C) e da Idade 206

Pb/

238

U

(Ma).

Ressalta-se que os grãos de zircão são concordantes e foram datados por diferentes técnicas, sendo os da amostra FGL6 analisados por LA-MC-ICP-MS, os da amostra FGL 14 por LA-SF-ICP-MS e os da amostra FGL22 por CA-ID-TIMS (Narduzzi 2018). Os grãos de titanita também apresentam idades concordantes e foram datados por LA-MC-ICP-MS. Destaca-se, ainda, que as temperaturas de fechamento consideradas na imagem acima (Fig. 5.1) são baseadas em dados da literatura (Chew &

Spikings, 2015).

Teixeira, L. P. V. 2018, Apatitas como Termocronômetros: uma investigação acerca...

26

Neste contexto, uma hipótese a se considerar, é a de que essa distribuição de idades seria o reflexo de um período de atividade magmática de longa duração, o que ampliaria o intervalo de cristalização da supersuíte G1que atingiria idades menores que 550 Ma. De fato, essa possibilidade estaria de acordo com o modelo proposto por Narduzzi (2018) que sugere, a partir de análises de alta resolução nos zircões, que os corpos graníticos do batólito Galiléia registram um intervalo de magmatismo ininterrupto e de longa duração (> 50 Ma).

Outra possibilidade a ser discutida é a possível influência no sistema U-Pb das apatitas de algum pico termal resultante de eventos metamórficos associados à evolução geotectônica do orógeno Araçuaí. Neste sentido, as idades obtidas para as apatitas podem indicar o registro pelos grãos, já cristalizados, do segundo evento metamórfico (M2) que ocorreu no Batólito Carlos Chagas e que, muito provavelmente, gerou um reflexo regional nas rochas do Orógeno Araçuaí, incluindo as do batólito Galiléia.

Este evento metamórfico foi caracterizado por Melo et al. (2017) a partir de um estudo que investigou a petrogênese do Batólito Carlos Chagas. Com base em características microestruturais de grãos de granada provenientes de granitos tipo S e da química da assembleia mineral, a autora sugere que o segundo episódio metamórfico de fácies granulito ocorreu a uma temperatura de aproximadamente 770 °C e pressão de 6,6 kbar. Além disso, parte das rochas deste batólito registra uma idade de 535-500 Ma para esse evento.

Isto posto, a idade do evento M2 é o principal parâmetro que suporta a hipótese de que as rochas do batólito Galiléia também foram afetadas por tal evento termal uma vez que, somente as apatitas, a despeito dos zircões e titanitas datados por Narduzzi (2018 e in prep.), registram idades menores que 550 Ma. Ademais, o pico termal desse evento teria atingido o batólito Galiléia a uma temperatura de até 500 °C, o que reforçaria ainda mais o fato de somente o sistema U-Pb das apatitas ter sido aberto, já que a sua temperatura de fechamento está entre 350 e 550 °C.

Outro fato observado é que quando se compara a idade das amostras de apatita datadas no presente estudo com a sua localização em relação ao batólito Carlos Chagas, pode-se notar que quanto mais a leste (E), ou seja, quanto mais próximo do Carlos Chagas, mais nova é a idade (Figs. 5.1 e 5.2).

Desse modo, os grãos da amostra FGL14 são mais jovens que os das amostras FGL22 e FGL6. Essa constatação pode sugerir que a maior proximidade com o pico termal do evento metamórfico do Carlos Chagas fez com que o sistema U-Pb das amostras FGL 14 e FGL22 permanecesse aberto por mais tempo e por isso os grãos registram idades mais novas. Além disso, como as apatitas da amostra FGL6, a mais afastada de todas, apresentam uma idade de 532 ± 16 Ma, isso indica que o pico termal do Carlos Chagas também foi registrado até as porções centrais do batólito Galiléia.

Trabalho de Conclusão de Curso, n° 308, 34p. 2018.

27

Figura 5.2: Mapa geológico simplificado da porção leste do Orógeno Araçuaí. As setas vermelhas na porção inferior esquerda destacam a localização das amostras FGL14 e FGL 22 analisadas neste estudo. A amostra FGL6 não foi representada mas se encontra à NW da amostra FGL22. Extraído de Melo (2016).

Teixeira, L. P. V. 2018, Apatitas como Termocronômetros: uma investigação acerca...

28

CAPÍTULO 6 CONCLUSÕES

A investigação do resfriamento do Batólito Galiléia configura-se como uma importante ferramenta para o entendimento da evolução termocronológica não só das rochas do batólito como das porções adjacentes do Orógeno Araçuaí. Neste sentido, a partir das datações das apatitas foram obtidas idades (510 ± 26, 516 ± 23 e 532 ± 17) que revelam novas possibilidades para a interpretação da evolução termal desse corpo.

Apesar de análises mais refinadas e sistemáticas serem necessárias, as apatitas estudadas revelam, dentro de seus erros, idades mais novas que as até então obtidas para zircões e titanitas das mesmas amostras em questão. As implicações acerca destes resultados sugerem que ou o Batólito Galiléia experimentou um intervalo de magmatismo ininterrupto e de longa duração (>50 Ma) ou o sistema U-Pb das apatitas foi afetado por um pico termal resultante do segundo evento metamórfico ocorrido no batólito vizinho, o Carlos Chagas.

Desta forma, como algumas questões relacionadas à história termal do batólito Galiléia permanecem abertas, são sugeridos como trabalhos futuros a aplicação de outros métodos de datação da apatita (TIMS), análises de elementos traço e aplicação de programas de modelamento das trajetórias tempo-temperatura (t-T).

Teixeira, L. P. V. 2018, Apatitas como Termocronômetros: uma investigação acerca...

30

1 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Alkmim F. F., Marshak S., Pedrosa-Soares A. C., Peres G. G., Cruz S., Whittington A. 2006.

Kinematic evolution of the Araçuaí-West Congo orogen in Brazil and Africa: Nutcracker tectonics during the Neoproterozoic assembly of Gondwana. Precambrian Research, 149: 43–

64.

Alkmim F.F., Pedrosa-Soares A.C., Noce C.M., Cruz S.C.P. 2007. Sobre a evolução tectônica do Orógeno Araçuaí-Congo Ocidental. Geonomos, 15 (1): 25–43.

Blackburn T., Bowring S. A., Schoene B., Mahan K., Dudas F. 2011. U-Pb thermochrology: creating a temporal record of lithosphere thermal evolution. Contrib Mineral Petrol, 162: 479-500.

Chamberlain K.R. & Bowring S. A. 2000. Apatite-feldspar U-Pb thermochronometer: a reliable, mid- range (~450°C), diffusion-controlled system. Chemical Geology, 172: 173-200.

Chu M. F., Wang K. L., Griffin W. L., Chung S. L., O’Reilly S. Y., Pearson N. J., Iizuka T. 2009.

Apatite Composition: Tracing Petrogenetic Processes in Tranhimalayan Granitoids. Journal of Petrology, 50 (10): 1829-1855

Chew D.M. & Spikings R.A. 2015. Geochronology and Thermochronology Using Apatite: Time and Temperature, Lower Crust to Surface. Elements, 11: 189-194.

Cochrane R., Spikings R. A., Chew D., Wotzlaw J. F., Chiaradia M., Tyrrel S., Schaltegger U., Lelij R. V. 2014. High temperature (>350°C) thermochronology and mechanisms of Pb loss in apatite.

Geochimica et Cosmochimica Acta, 127: 39-56

Dodson M. H. 1973. Closure Temperature in Cooling Geochronological and Petrological Systems.

Contibr Mineral and Petrol, 40: 259-274.

Gonçalves L., Farina F., Lana C., Pedrosa-Soares A. C., Alkmim F.F., Nalini Jr. H. A. 2014. New U- Pb ages and litochemical atributes of the Ediacaran Rio Doce magmatic arc, Araçuaí confined orogen, southeastern Brazil. Journal of South American Earth Sciences, 52: 129-148.

Gonçalves L., Alkmim F. F., Pedrosa-Soares A. C., Gonçalves C.C., Vieira V. 2017. From the plutonic root to the volcanic roof of a continental magmatic arc: a review of the Neoproterozoic Araçuaí orogen, southeastern Brazil. Journal of Earth Sciences.

Gradim C., Roncato J., Pedrosa-Soares A. C., Cordani U., Dussin I., Alkmim F. F., Queiroga G., Jacobsohn T., Silva L. C., Babinski M. 2014. The hot back-arc zone of the Araçuaí Orogen, eastern Brazil: from sedimentation to granite generation. Brazilian Journal of Geology, 44(1): 155- 80.

Kirkland C. L., Hollis J., Danisík M., Petersen J., Evans, N.J., McDonald B. J. 2017. Apatite and titanite from the Karrat Group, Greenland; implications for charting the thermal evolution of crust from the U-Pb geochronology of common Pb bearing phases. Precambrian Research, 300: 107- 120.

Lima S. A. A., Martins-Neto M. A., Pedrosa-Soares A. C., Cordani U.G., Nutman A. 2002. A Formação Salinas na área-tipo, NE de Minas Gerais: uma proposta de revisão da estratigrafia da Faixa Araçuaí com base em evidências sedimentares, metamórficas e idades U-Pb SHRIMP.

Revista Brasileira de Geociências, 32: 491-500.

Melo M. G. 2016. Repeated Partial Melting Events in Polymetamorphic Carlos Chagas Batholith:

Implications for Tectono-Metamorphic Evolution of the Araçuaí Orogen, Southeastern Brazil.

Departamento de Geologia, Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, Tese de Doutoramento, 227p

Teixeira, L. P. V. 2018, Apatitas como Termocronômetros: uma investigação acerca...

32

Melo M. G., Lana C., Pedrosa-Soares A. C., Frei D., Alkmim F. F., Alkmin L. A. 2017. Two cryptic anatetic events within a syn-collisional granitoid from the Araçuaí Orogen (southeastern Brazil):

evidence from the polymetamorphic Carlos Chagas batholith. Lithos, 277: 51-71.

Melo M. G., Lana C., Stevens G., Pedrosa-Soares A. C., Gerdes A., Alkmin L. A. Nalini Jr. H. A., Alkmim F. F., 2017. Assessing the isotopic evolution of S-type granites of the Carlos Chagas Batholith, SE Brazil: Clues from U-Pb, Hf isotopes, Ti geothermometry and trace element composition of zircon. Lithos, 284-285: 730-750.

Mondou M., Egydio-Silva M., Vauchez A., Raposo M. I. B., Bruiguier O., Oliveira A. F. 2012.

Complex, 3D strain patterns in a synkinematic tonalite batholith from the Araçuaí Neoproterozoic orogeny (Eastern Brazil): Evidence from combied magnetic and isotopic chronology studies.

Journal of Structural Geology, 39: 158-179.

Nalini Jr. H. A., Bilal E., Neves J. M. C. 2000. Syn-collisional peraluminous magmatism in the Rio Doce Region: mineralogy, geochemistry and isotopic data of the Neoproterozoic Urucum Suite (Eastern Minas Gerais state, Brazil. Revista Brasileira de Geociências, 30(1): 120-125.

Nalini Jr. H. A., Machado R., Bilal E. 2005. Geoquímica e petrogênese da suíte Galiléia: exemplo de magmatismo tipo I, metaluminoso pré-colisional neoproterozóico da régio do médio vale do Rio Doce (MG). Revista Brasileira de Geociências. 35(4): 23-34.

Narduzzi F. 2018. Genesis and Evolution of a Neoproterozoic magmatic arc: The Cordilleran-type granitoids of the Araçuaí Belt, Brazil. Departamento de Geologia, Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, Tese de Doutoramento, 255p.

Narduzzi F., Farina F., Stevens G., Lana C., Nalini Jr. H. A. 2017. Magmatic garnet in the Cordilleran- type Galiléia granitoids of the Araçuaí belt (Brazil): Evidence for crystallization in the lower crust. Lithos, 282: 82-97.

Narduzzi F., Lana C., Farina F., Stevens G., Schannor M., Alkmim A., Nalini Jr H.A. The life-span of a Neoproterozoic, lower-crustal magma reservoir assembled in na accretionary prism. In preparation.

Noce C. M., Pedrosa-Soares A. C., Piuzana D., Armstrong R., Laux J. H., De campo C. M., Medeiros S. R. 2004. Ages of sedimentation of the Kinzigitic complex and of a late orogenic thermal episode in the Araçuaí orogen, northern Espírito Santo state, Brazil: zircon and monazite U-Pb SHRIMP and ID-TIMS data. Revista Brasileira de Geociências. 34(4): 587-592.

Pedrosa-Soares A. C. & Alkmim F. F. 2011. How many rifting events preceded the development of the Araçuaí-West Congo Orogen?. Geonomos, 19(2): 244-251.

Pedrosa-Soares A. C., Alkmim F. F., Tack L., Noce C.M., Babinski M., Silva L. C., Martins-Neto M.

A.. 2008. Similarities and diferences between the Brazilian and African Counterparts of the Neoproterozoic Araçuaí-West Congo orogen. Geological Society, London, 294: 153-172.

Pedrosa-Soares A. C., Campos C. P., Noce C., Silva L.C., Novo T., Roncato J., Medeiros S., Castañeda C., Queiroga G., Dantas E., Dussin I., Alkmim F. F. 2011. Late Proterozoic-Cambrian granitic magmatism in the Araçuaí orogen (Brazil), the Eastern Brazilian Pegmatite Province and related mineral resources. In: Sial, A. N., Bettencourt, J. S., De Campos, C. P., Ferreira V. P.

(eds) Granite-Related Ore Deposits. Geological Society of London, Special Publications, 350:

25-5.

Pedrosa-Soares A. C., Noce C. M., Alkmim F. F., Silva L. C. S., Babinski M., Cordani U., Castañeda C. 2007. Orógeno Araçuaí: síntese do conhecimento 30 anos após Almeida 1977. Geonomos, 15:

1-16.

Pedrosa-Soares A. C., Noce C. M., Wiedmann C. M., Pinto C. P. 2001. The Araçuaí-West Congo Orogen in Brazil: an overview of a confined orogen formed during Gondwanaland assembly.

Precambrian Research, 110: 307-323.

Trabalho de Conclusão de Curso, n° 308, 34p. 2018.

33

Pedrosa-Soares A. C., Queiroga G. N., Gradim C.T., Roncato J.G., Novo T. A., Jacobsohn T., Silva K.

L. 2006. Geologia da Folha Mantena (SE-24-Y-A-VI). Programa Geologia do Brasil, CPRM, 82p.

Pedrosa-Soares A.C., Wiedemann-Leonardos C.M., 2000. Evolution of the Araçuaí belt and its connection to the Ribeira Belt, Eastern Brazil. In: Cordani U.G., Milani E.J., Thomaz Filho A., Campos D.A. (Eds.) Tectonic Evolution of South America, International Geological Congress, Rio de Jameiro, p. 265–285.

Peixoto E., Pedrosa-Soares A. C., Alkmim F. F. & Dussin I. A. 2015. A suture-related accretionary wedge formed in the Neoproterozoic Araçuaí Orogen (SE Brazil) during Western Gondwanaland assembly. Gondwana Research, 27:878-896

Piccoli P. M. & Candela P. A. 2002. Apatite in igneous systems. Rev. Mineral. Geochem., 48: 255- 292.

Pochon A., Poujol M., Gloaguen E., Branquet Y., Cagnard F., Gumiaux C., Gapais D. 2016. U-Pb- LA-ICP-MS dating of apatite in mafic rocks: Evidence for a major magmatic event at the Devonian-Carboniferous boundary in the Armorican Massif (France). American Mineralogist, 101: 2430-2442.

Queiroga G.N., Pedrosa-Soares A.C., Noce C.M., Alkmim F.F., Pimentel M.M., Dantas E., Martins M., Castaneda C., Suita M.T. F., Prichard H., 2007. Age of the Ribeirão da Folha ophiolite, Aracuaí Orogen: the U–Pb zircon dating of a plagiogranite. Geonomos, 15: 61–65.

Richter F., Lana C., Stevens G., Buick I., Pedrosa-Soares A. C., Alkmim F. F., Cutts K. 2015.

Sedimentation, metamorphism and granite generation in a back-arc region: records from the Ediacaran Nova Venécia Complex (Araçuaí Orogen, southeastern Brazil). Precambrian Research. 272: 78-100.

Santos R. F., Alkmim F. F., Pedrosa-Soares A. C. 2009. A Formação Salinas, Órogeno Araçuaí, MG:

história deformacional e significado tectônico. Revista Brasileira de Geociências, 39: 81-100.

Schoene B. & Bowring S. A. 2007. Determining accurate temperature-time paths from U-Pb thermochronology: An example from the Kaapvaal craton, southern Africa. Geochimica et Cosmochimica Acta, 71: 165-185.

Tedeschi M., Novo T., Pedrosa-Soares A. C., Dussin I., Tassinari C., Silva L. C., Gonçalves L., Alkmim F., Lana C., Figueiredo C., Dantas E., Medeiros S., De Campos C., Corrales F., Heilbron M. 2016. The Ediacaran Rio Doce magmatic arc revisited (Araçuaí- Ribeira orogenic system, SE Brazil). South American Earth Sciences, 68: 167-186.

Vauchez A., Egydio-Silva M., Babinski M., Tommasi A., Uhlein A., Liu D. 2007. Deformation of a pervasively molten middle crust: insights from the Neoproterozoic Ribeira-Araçuaí orogen (SE Brazil). Terra Nova, 19: 278-286.

Vieira V. S. 2007. Significado do Grupo Rio Doce no contexto do Orógeno Araçuaí. Instituto de Geociências, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Tese de Doutoramento, 117p.

Willigers B. J. A., Baker J. A., Krogstad E. J., Peate D.W. 2002. Precise and accurate in situ Pb-Pb dating of apatite, monazite, and sphene by laser ablation multiple-collector ICP-MS. Geochimica et Cosmochimica Acta, 66: 1051-1066.

Teixeira, L. P. V. 2018, Apatitas como Termocronômetros: uma investigação acerca...

34

Apêndice I

Tabelas contendo os dados U-Pb das amostras analisadas por

LA-MC-ICP-MS

Apêndice II

Resumo publicado nos anais do 49° Congresso Brasileiro de

Geologia

APATITAS COMO TERMOCRONÔMETROS: UMA INVESTIGAÇÃO ACERCA DO RESFRIAMENTO DO BATÓLITO GALILÉIA

Teixeira, L.P.V.1*; Narduzzi, F.1; Schannor, M.1; Lana, C.1, Mazoz, A.1

Applied Isotope Research Group, Departamento de Geologia, Escola de Minas, Universidade Federal de Ouro Preto; *[email protected]

RESUMO: A temperatura de fechamento do sistema U-Pb das apatitas (350 – 550°C) é menor do que a do zircão (750 – 900°C) e das titanitas (700 – 600°C). Isso permite estabelecer a duração de tempo intercorrido entre o período do magmatismo granítico com a formação de plútons e batólitos, e o resfriamento completo desses últimos. Portanto, as apatitas são importantes minerais para estudos termocronológicos em rochas ígneas. Neste sentido, grãos de apatitas provenientes dos granitoides Ediacaranos, pré-colisionais, metaluminosos a levemente peraluminosos (0.97 < A/CNK < 1.07; SiO

2

62 – 72 wt.%; CaO 2.8 – 6.1 wt.%), de médio a alto potássio (1.76 – 3.80 wt.%), de crosta inferior (> 0.8 GPa, cerca de 25 - 30 km) pertencentes à supersuíte G1 do Orógeno Araçuaí, foram utilizados como ferramenta de investigação termocronológica do resfriamento do batólito Galiléia. As apatitas analisadas foram separadas de amostras das quais já foram obtidas idades de U-Pb de alta-precisão (LA-MC-ICP-MS) em zircões e titanitas. Os dados de U-Pb em zircões sugerem que o magmatismo granítico que formou o batólito Galiléia na crosta profunda durou cerca de 80 Ma, entre 630 – 555 Ma, com o pico de atividade magmática em torno de 580 Ma. O período magmático entre 580 e 555 Ma, apesar de ser aquele que marca os estágios finais do magmatismo, é também aquele de provável deformação do batólito Galiléia, como sugerido pelas idades U-Pb de alta precisão obtidas em titanitas de origem deformacional (580 – 550 Ma). Esse provável período de magmatismo sin-deformacional ocorreu num estágio de crystal mush onde os granitos não eram totalmente cristalizados, sendo sempre colocados numa crosta inferior, com uma temperatura calculada entre 650 e 750°C, ou seja, em um ambiente em condição de supra-solidus. Além disso, esse período de magmatismo sin-deformacional também se coloca entre os limites temporais das fases metamórficas colisionais desse orógeno (585 – 545 Ma). As novas análises em apatitas magmáticas revelam idades de U-Pb em torno de 517 ± 24 e 519 ± 14 Ma. Portanto, as apatitas sugerem que o processo de resfriamento acabou ou junto com os processos metamórficos ou, talvez, tenha demorado mais. Novos estudos termocronólogicos nas apatitas já estão planejados e serão incorporados a novos resultados de modelização P-T-t nas rochas supracrustais intrudidas pelo batólito Galiléia. O conjunto desses novos resultados será de grande importância petrológica, geocronológica e tectônica para o Órogeno Araçuaí. Por fim, esses resultados preliminares mostram a possibilidade que batólitos graníticos Pré-cambrianos, de crosta média a inferior, tinham uma história magmática e geotérmica muito maior (>> 10 Ma) do que aquela antes encontrada usando como referência apenas os granitos de crosta superior e em contextos geológicos jovens. Esses novos resultados obtidos são pertinentes se confrontados com outros granitos Arqueanos e Paleoproterozoicos que pertenciam aos crátons do São Francisco e do Kaapvaal.

PALAVRAS-CHAVE: APATITA, TERMOCRONOLOGIA, ORÓGENO ARAÇUAÍ

Documentos relacionados