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delegacias especializadas de homicídios que, por sua vez, atuam sobre determinada circunscrição territorial. Com isso, o município de Belo Horizonte, por exemplo, ficou dividido em seis áreas que correspondem a seis delegacias especializadas de homicídios e não a apenas uma delegacia, como anteriormente. Tal situação permitiu um melhor conhecimento da área pelos policiais que lá trabalham, inclusive dos indivíduos que constantemente se envolvem nessas ocorrências. Nota-se que tal postura acabou por romper com a aleatoriedade na atuação das equipes de policiais que ora investigavam crimes na região sul da cidade ora atuavam na região leste ou norte. A partir de então ficaram vinculadas a determinada área, de modo a que qualquer homicídio ali efetivado estaria, necessariamente, aos seus cuidados. O esquema seguinte demonstra a regionalização da atuação:

ANTES DEPOIS

Outro importante aspecto dessa decisão foi o fato de que, para efetivá-la, diversos policiais tiveram que ser lotados na Divisão de Crimes Contra a Vida, o que aumentou o número de policiais cuidando das investigações desses delitos na capital e região metropolitana, visto serem os locais de maior incidência de casos.

Cabe destacar, ainda, que foram criadas delegacias especializadas de homicídios nos municípios da região metropolitana com maior incidência desses crimes que, apesar de em alguns casos ocupar as instalações da sede das antigas Delegacias Seccionais de Polícia Civil, encontram-se subordinadas à chefia da Divisão de Crimes Contra a Vida.

Os círculos na cor amarela correspondem às seis delegacias especializadas de homicídios que atuam em Belo Horizonte, quais sejam:

• Delegacia Especializada de Homicídios - Centro;

• Delegacia Especializada de Homicídios - Sul;

• Delegacia Especializada de Homicídios - Leste;

• Delegacia Especializada de Homicídios - Nordeste;

• Delegacia Especializada de Homicídios - Venda Nova; e

• Delegacia Especializada de Homicídios - Barreiro.

As demais correspondem às unidades que atuam em determinados municípios da região metropolitana de Belo Horizonte (Contagem, Betim, Ibirité, Ribeirão da Neves, Sabará, Vespasiano e Santa Luzia).

Cabe registrar que mais recentemente, por meio do Decreto n° 44.712, de 30 de janeiro de 2008, ocorreu nova reorganização na estrutura da Superintendência-Geral de Polícia Civil, permitindo-se a criação de treze Departamentos de Polícia Civil de âmbito territorial no interior de Estado, bem com a determinação da existência, a partir de então, de apenas quatro Departamentos de Polícia Civil de atuação especializada, entre os quais se encontra o Departamento de Investigações de Homicídios e Proteção à Pessoa - DIHPP. Nota-se, claramente, a preocupação do governo de Minas Gerais com as taxas de homicídios no Estado, visto ter elevado a unidade de apuração desses delitos de Divisão à categoria de Departamento de Polícia. Isso revela a importância, para o poder público, de se reduzir tal taxa, assim como a dinâmica de modificações na estrutura orgânica da Polícia Civil frente à realidade das ocorrências de homicídios no Estado.

As modificações na estrutura da DCCV, até aqui relatas, não tiveram um fim em si mesmas. Antes pelo contrário, tais modificações trouxeram importantes conseqüências para a apuração e repressão ao crime de homicídio.

A descentralização na atuação fez com que cada Delegacia Especializada de Homicídios passasse a atuar de forma integrada com o Batalhão da Polícia Militar da mesma base territorial, ou seja, em Venda Nova, atuam conjuntamente a Delegacia Especializada de Homicídios - Venda Nova e o 13° BPM. Assim, atuando de maneira integrada, facilitou-se a formulação e execução de operações conjuntas para o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão. Da mesma maneira, com a instituição das reuniões da metodologia de integração da gestão em segurança

pública - IGESP6 -, foi possível a participação articulada dos Delegados de Polícia e Comandantes de cada região em reuniões periódicas de avaliação de padrões de criminalidade e planejamento de ações de intervenção. Nesse sentido a reestruturação organizacional da DCCV permitiu a sua aproximação tanto das delegacias distritais quanto dos Batalhões e Companhias da polícia militar. Facilitou, portanto, a implementação de outra importante política no campo da segurança pública em Minas Gerais que é a de integração das ações das polícias civil e militar.

Outro aspecto a ser destacado é a atuação das Delegacias Especializadas de Homicídios com base em mecanismos de planejamento estratégico e de racionalização no emprego de recursos investigativos. Trata-se, na verdade, da implantação de uma atuação chamada de repressão qualificada. Tal mecanismo compreende a implantação de uma forma de trabalho de inteligência policial com o intuito de se identificar e mapear quais são e onde agem os agentes contumazes de homicídios. Há uma concentração dos esforços investigativos na elucidação dos autores-chave desse crime, ditos contumazes, nas áreas em que sua ocorrência atingiu patamares críticos, a fim de se retirá-los do seio social por meio de prisões cautelares, proporcionando a melhoria da segurança no local e, por conseqüência, a queda do número de homicídios na região.

Campanhas de incentivo à contribuição da comunidade na investigação policial, com disponibilização de telefone para denúncias populares (como é o exemplo do número 181), bem como a divulgação de cartazes com fotografias dos homicidas mais

procurados, são exemplos da repressão qualificada que passou a ser a tônica nas atividades desenvolvidas pelas delegacias especializadas vinculadas a DCCV.

A criação do Núcleo de Apoio Logístico, do Núcleo de Inteligência e Informações, bem como a ampliação das equipes de plantão, são outras novidades advindas da reestruturação da DCCV, a partir de 2005, que contribuíram para a redução do número de homicídios na capital Belo Horizonte, após doze anos de aumentos consecutivos, conforme série histórica abaixo explicitada:

Gráfico 3

5.CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente monografia teve por objetivo perceber se o poder público tem agido frente à notória elevação das taxas de criminalidade violenta em Minas Gerais. Isto é, se ele tem cumprido com seu papel de promover o bem-estar social da comunidade mineira, em especial daquela parte que tem sido, com mais freqüência, vítima da violência no Estado. Não que a violência e a criminalidade não se manifestem em certas áreas do Estado, mas, como demonstram os indicadores estatísticos, elas são muito mais freqüentes em determinados espaços, particularmente os mais populosos e desorganizados socialmente.

Nesse sentido, inicialmente, fez uma abordagem dessa questão, tentando-se apontar alguns de seus complicadores. Da mesma maneira, questionou-se o porquê de atualmente os indivíduos estarem tão preocupados com a manifestação de ações criminosas, sendo que há alguns anos atrás, tal preocupação era secundária.

Como exemplar da elevação das taxas de criminalidade violenta no Estado, optou-se por trabalhar a ocorrência do crime de homicídio, sua dinâmica, manifestação, suas principais vítimas e autores.

Com isso, percebeu-se claramente que este tipo penal, altamente ofensivo à comunidade, não se manifesta de forma aleatória, antes pelo contrário, expressa determinados padrões de ocorrência.

Esses padrões revelam suas características que, em Minas Gerais, estão ligadas ao relacionamento da juventude masculina (apesar de estar crescendo a participação

feminina) com o tráfico e o consumo de entorpecentes. Importante frisar que esses jovens têm se apresentado tanto na condição de autores quanto na de vítimas.

Notou-se, também, que sua manifestação tem relação estreita com o tamanho da população, sendo que em Minas Gerais, nos últimos anos, tem crescido suas manifestações nas cidades com população superior a 100 mil habitantes e, naquelas com população acima de 250 mil habitantes, as taxas têm assumido números nunca antes registrados, prejudicando enormemente o bem-estar social nessas localidades e influenciando, com muita freqüência, o hábito cotidiano dos indivíduos.

As estatísticas oficiais sobre a criminalidade violenta em Minas Gerais, em especial os crimes de homicídios, dão conta de sua elevação a partir da segunda metade da década de 90. Se comparadas com a década anterior, perceber-se-á, explicitamente, seu significativo aumento. A questão colocada é: como o poder público tem se apresentado frente à nova realidade da criminalidade no Estado? Tem procurado enfrentar essa questão com as mesmas políticas públicas, a mesma estrutura organizacional, enfim, com os mesmos métodos do passado ou tem inovado e tentado promover soluções modernas e adequadas ao tamanho do problema enfrentado?

O que se tentou demonstrar é que, a partir do ano de 2003, com o início da gestão estadual Aécio Neves, diversas mudanças ocorreram na política de segurança pública estadual, a fim de dar respostas à nova dinâmica da criminalidade violenta no Estado.

Logo no primeiro mês de governo foi efetivada uma ampla reforma administrativa que, no caso específico da segurança pública, culminou com a extinção da Secretaria

de Estado da Segurança Pública e da Secretaria de Estado da Justiça e Direitos Humanos e a criação da Secretaria de Estado de Defesa Social. Também foi criado o cargo de Chefe da Polícia Civil, de livre nomeação pelo Governador do Estado dentre os integrantes, em atividade, da classe final da carreira de Delegado de Polícia.

Ao longo dos anos de governo foi notória a prioridade da segurança pública entre as políticas estaduais. Segundo Sapori (2006), ano a ano foram crescendo os investimentos nesse setor no Estado, de modo que nos quatro primeiros anos de governo foram investidos mais de 450 milhões, sem computar salários, custeio e manutenção das polícias. Somando-se esses itens, o valor aproxima-se de 3,5 bilhões de reais.

Além disso, uma nova maneira de lhe dar com a questão foi implementada no Estado, como é o caso de se criar, na estrutura da Secretaria de Estado de Defesa Social, uma Superintendência de Prevenção à Criminalidade, o que denota um novo olhar sobre a problemática da violência. A transferência da administração dos presos da Polícia Civil para a Subsecretaria de Administração Prisional é inquestionável, sobretudo quando se fala nas unidades de Belo Horizonte. As transferências nas cadeias do interior, apesar dos avanços, ainda demandarão investimento e tempo. Os incentivos para a implementação da filosofia de polícia comunitária, a integração das ações policiais, a efetivação da metodologia IGESP, entre outros, demonstram as movimentações ocorridas nessa área e, portanto, a ausência de uma paralisia institucional. Alguns dos projetos, certamente, não trouxeram os resultados esperados, mas ao menos demonstraram o interesse do poder público em cumprir com o seu dever

Em se tratando do crime de homicídio, os projetos estaduais foram variados. O mais importante programa de prevenção à criminalidade no Estado é o programa Fica Vivo, que tem por objetivo o controle de homicídios naquelas localidades onde suas taxas são demasiadamente elevadas. Tal programa conjuga ações de prevenção social com intervenção estratégica. Hoje, podemos encontrar seus núcleos na capital, região metropolitana e no interior do Estado, o que demonstra claramente sua expansão desde 2003, mas também a crescente preocupação dos cidadãos do interior do Estado com essa questão. Além disso, essa postura estatal indica que em Minas Gerais, ao contrário de outros estados brasileiros, criminalidade e violência não são assuntos exclusivos da forças policiais.

Ao se falar de mudanças organizacionais a fim de se melhorar a resposta aos problemas colocados pela criminalidade, o caso da Polícia Civil de Minas Gerais parece exemplar. Em razão da elevação das taxas de homicídios, a Instituição se viu obrigada a promover mudanças na sua estrutura, adequando-a às exigências apresentadas pela nova realidade. Com isso, a Divisão de Crimes Contra a Vida foi alvo de uma reforma organizacional, de modo a que as equipes de investigadores, ampliadas pela resolução editada pelo Chefe da Polícia, passaram a atuar numa área circunscricional específica que, em Belo Horizonte, coincide com a área das antigas Delegacias Seccionais de Polícia Civil. Essa nova forma de atuação permitiu aos policiais um maior domínio do espaço no qual atuam, seja no que diz respeito aos aspectos urbanísticos seja no tocante às características sociais. Isso denota que a mudança organizacional empreendida repercutiu na forma de atuação das equipes que, na realidade, tornaram-

se mais conhecedoras do espaço territorial e socioeconômico no qual atuam, potencializando-se, sobremaneira, os resultados de seus trabalhos investigativos.

A criação de duas supervisões na estrutura da DCCV permitiu o acompanhamento mais aproximado dos inquéritos policiais, a cobrança por melhores resultados investigativos, assim como o melhor entendimento e encaminhamento das soluções para os problemas vivenciados pelas equipes em cada delegacia especializada. Agora, com a gestão por resultados, elevou-se a responsividade no trato com os inquéritos de homicídios, o que, de alguma maneira, teve impacto na forma de atuação dos policiais que, a partir de então, ficaram mais atentos aos indicadores estatísticos e, o mais importante, passaram a trabalhar orientados por metas a serem atingidas, as quais de tempos em tempos reclamam a redução dos homicídios.

Em que pese os avanços descritos neste trabalho, outros ainda urgem, visto que a criminalidade violenta no Estado vem afetando de forma expressiva a qualidade de vida dos cidadãos. Nesse sentido, algumas ações seriam importantes para a melhoria no enfrentamento da questão:

• criação de delegacias especializadas em homicídios nas regiões do Estado em que tais taxas se encontram elevadas;

• capacitação específica para esse tipo de investigação, visto que os policiais que são designados para essas funções aprendem o ofício, na prática, com os mais experientes, isto é, não recebem um treinamento antecipado sobre os diversos meandros afetos ao crime de homicídio;

• investimentos financeiros para a aquisição de equipamentos imprescindíveis às atividades investigativas, sobretudo os de inteligência policial;

• implantação da metodologia IGESP nas regiões de elevados índices de criminalidade violenta;

• aproximação com profissionais de outros estados, a fim de se trocar informações sobre experiências exitosas na redução dos homicídios;

• aproximar as instituições do sistema de justiça criminal, com o intuito de se aumentar a efetividade na resposta às ocorrências desse crime.

Enfim, o que se depreende do exposto neste trabalho é que em contraposição à elevação das taxas de homicídios no Estado, em especial em Belo Horizonte e na sua região metropolitana, o poder público procurou responder às questões vivenciadas pela sociedade mineira, não se podendo, por isso, acusá-lo de perpetrar um estado de inércia institucional. Isso não significa dizer que em todas as situações o poder público age de maneira proativa. Não são poucos os casos em que a elevação das taxas de criminalidade trouxe, a reboque, a ação governamental. Mesmo assim cabe destacar que, na medida do possível, a burocracia estatal tem se transformado com o intuito de melhorar sua resposta, contribuindo, desse modo, para a melhoria do bem-estar social dos mineiros.

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