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2. Bananeira

2.2. Clima e solo

A melhor temperatura para o desenvolvimento normal das bananeiras comerciais situa-se em torno dos 28 oC, considerando-se a faixa de 15 oC a 35 oC de temperaturas como os limites extremos para a exploração racional da cultura. Se houver suprimento de água e de nutrientes, essa faixa de temperatura induz ao crescimento máximo da planta.

Em temperaturas abaixo de 15 oC, a atividade da planta é paralisada, e inferiores a 12 oC provocam o distúrbio fi siológico conhecido como “chilling” ou “friagem”, que prejudica os tecidos dos frutos, principalmente os da casca. O “chilling” pode ocorrer nas regiões subtropicais onde a temperatura mínima noturna atinge a faixa de 4,5 oC a 10 oC. Esse fenômeno é mais comum nos pomares, podendo, também ocorrer durante o transporte dos cachos, na câmara de climatização ou logo após a banana colorir-se de amarelo. As baixas temperaturas, também, provocam a compactação da roseta foliar, difi cultando o lançamento da infl orescência ou provocando o seu “engasgamento”, o qual deforma o cacho, inviabilizando a sua comercialização. Quando a temperatura chega a 0 oC, sobrevém a geada, causadora de graves prejuízos, tanto na safra atual como na seguinte.

Em temperaturas acima de 35 oC, o desenvolvimento da planta é inibido, em conseqüência, principalmente, da desidratação dos tecidos, sobretudo das folhas (Borges et al., 2000).

A bananeira é cultivada em altitudes que variam de 0 a 1.000 m acima do nível do mar. Com as variações de altitude, seu ciclo é alterado. As bananeiras do subgrupo Cavendish, cultivadas em baixas altitudes (0 a 300 m), apresentam ciclo de crescimento de 8 a 10 meses, enquanto altitudes acima de 900 m são necessários 18 meses para completar o seu ciclo. Comparações de bananais cultivados sob

as mesmas condições de solo, chuva e umidade observa-se aumento de 30 a 45 dias no ciclo de produção para cada 100 m de acréscimo na altitude. A altitude tem infl uência sobre a temperatura, chuva, umidade relativa e luminosidade que, conseqüentemente, afetarão o crescimento e a produção da bananeira (Borges et al., 2000). A baixa umidade relativa do ar proporciona folhas mais coriáceas e com vida mais curta (Borges et al., 2000). A bananeira planta típica das regiões tropicais úmidas, apresenta melhor desenvolvimento em locais com média anual de umidade relativa superior a 80%. Essa condição acelera a emissão das folhas, prolonga sua longevidade, favorece a emissão da infl orescência e uniformiza a coloração dos frutos. Contudo, quando associada às chuvas e às temperaturas elevadas, provoca ocorrência de doenças fúngicas, principalmente a Sigatoka-amarela.

Os ventos podem causar desde pequenos danos até à destruição do bananal. Os prejuízos causados pelo vento são proporcionais à sua intensidade e podem provocar:

“chilling” ou “friagem”, ventos frios; desidratação da planta, em conseqüência de grande evaporação; fendilhamento das nervuras secundárias; diminuição da área foliar, pela dilaceração das folhas; rompimento de raízes; quebra da planta; e tombamento da planta. As perdas de colheita, provocadas pelos ventos, têm sido relatadas na bananicultura e podem ser estimadas entre 20 e 30% da produção total.

A maioria das cultivares suporta ventos de até 40 km hora-1. Velocidades entre 40 e 55 km h-1 produzem danos que variam de moderados a severos, dependendo da idade das plantas, variedade, desenvolvimento e altura. Quando a velocidade do vento excede a 55 km h-1, a destruição da planta pode ser total. Contudo, variedades de porte baixo, como a Nanica, podem suportar ventos de até 70 km h-1, quando comparadas com variedades de porte médio (Nanicão e Grande Naine). Em áreas sujeitas à incidência de ventos recomenda-se o uso de quebra-ventos: cortinas de bambu, de Musa balbisiana, de Musa textilis ou de outras plantas.

A bananeira requer alta luminosidade, ainda que a duração do dia, aparentemente, não infl ua no seu crescimento e frutifi cação. Em regiões com alta luminosidade, o período para que o cacho atinja o ponto de corte comercial é de 80 a 90 dias após a sua emissão, enquanto que, em regiões com baixa luminosidade, em algumas épocas do ano, o período varia entre 85 a 112 dias. Sob luminosidade intermediária, a colheita ocorre entre 90 e 100 dias a partir da emissão do cacho.

A atividade fotossintética é rapidamente acelerada quando a iluminação encontra-se na faixa de 2.000 a 10.000 lux, sendo mais lenta na faixa entre 10.000 e 30.000 lux, em medições feitas na superfície inferior das folhas, onde os estômatos são mais abundantes. Valores baixos (inferiores a 1.000 lux) são insufi cientes para que a planta tenha bom desenvolvimento. Já os níveis, excessivamente altos, podem provocar a queima das folhas, sobretudo quando essas encontram-se na fase de cartucho ou recém-abertas, como também da infl orescência (Borges et al., 2000).

A bananeira é uma planta com elevado e constante consumo de água, em virtude da morfologia e hidratação de seus tecidos. As maiores produções de banana estão associadas à precipitação total anual de 1.900 mm, bem distribuída no decorrer do ano, ou seja, representando 160 mm mês-1 ou 5 mm dia-1. A carência de água adquire maior gravidade nas fases de diferenciação fl oral (período fl oral) e no início da frutifi cação. Quando submetida à severa defi ciência hídrica no solo, a roseta foliar se comprime, difi cultando, ou até mesmo, impedindo o lançamento da infl orescência.

Em conseqüência, o cacho pode perder seu valor comercial.

Em cultivos irrigados, a quantidade de água aplicada está estreitamente relacionada com a capacidade de retenção de água pelo solo. Em solos profundos e com boa capacidade de retenção de água, a adição de 100 mm mês-1 pode ser sufi ciente, contudo, em solos de baixa capacidade de retenção de água pode ser necessária a adição de180 mm mês-1. É fundamental, porém, que o fornecimento de água assegure disponibilidade não inferior a 75% da capacidade de retenção de água do solo, sem que ocorra o risco de saturação, o que prejudicaria a sua aeração (Borges et al., 2000). Assim, a precipitação efetiva anual deveria ser de 1.200-2.160 mm ano-1. 2.2.2. Solos

Em todo o território brasileiro encontram-se condições de solo favoráveis ao cultivo de banana. Contudo, nem sempre são utilizados aqueles mais adequados, o que refl ete em baixa produtividade e má qualidade dos frutos. Apesar da bananeira apresentar sistema radicular superfi cial (30 cm), é importante que o solo seja profundo, com mais de 75 cm sem qualquer impedimento e, os com profundidade inferior a 25 cm são considerados inadequados. Em solos compactados, as raízes da bananeira raramente atingem profundidades abaixo de 60 a 80 cm, fazendo com que as plantas fi quem sujeitas ao tombamento. Em solos com camada adensada a 30-35 cm de profundidade, na qual o sistema radicular não penetra, a subsolagem se faz necessária. Daí, a importância de se observar o perfi l do solo como um todo, e não apenas as camadas superfi ciais. Recomenda-se, para o bom desenvolvimento da bananeira, que os solos não apresentem camada impermeável, pedregosa ou endurecida, nem lençol freático a menos de um metro de profundidade (Borges et al., 2000).

De modo geral, quando as condições climáticas são favoráveis, os cultivos podem ser estabelecidos tanto em encostas como em terrenos planos. Contudo, áreas com declives inferiores a 8% são as mais recomendadas; solos com declividade entre 8 e 30% são de uso restrito e os com declive acima de 30%, são consideradas inadequadas. Os terrenos planos a suavemente ondulados (declives menores que 8%) são mais adequados, pois facilitam o manejo da cultura, a mecanização, as práticas culturais, a colheita e a conservação do solo.

Em áreas declivosas (na faixa de 8 a 30%), além de medidas de controle da erosão, a irrigação é difi cultada exigindo o uso de motobombas de maior capacidade, com

grande consumo de energia, necessitando, ainda, compensador de pressão em razão das diferenças na topografi a do terreno. Nas principais regiões produtoras de banana no mundo, as várzeas e baixadas mecanizáveis têm sido utilizadas com sucesso, especialmente na produção de banana destinada à exportação (Borges et al., 2000).

A adequada disponibilidade de oxigênio é de fundamental importância para o bom desenvolvimento do sistema radicular da bananeira. Ocorrendo falta de oxigênio, as raízes perdem a rigidez, adquirem cor cinza-azulada pálida e apodrecem rapidamente.

Uma má aeração do solo pode ser provocada pela compactação ou encharcamento.

Portanto, para melhorar as condições de aeração do solo, em áreas com tendência a encharcamento deve-se estabelecer um bom sistema de drenagem. Os excessos continuados de umidade no solo por mais de três dias promovem perdas irreparáveis no sistema radicular, com refl exos negativos na produção da cultura. Por essa razão, os solos cultivados com bananeira devem ter boas profundidade e drenagem interna, para que os excessos de umidade sejam drenados rapidamente e o nível do lençol freático mantenha-se abaixo de 1,80 m de profundidade (Borges et al., 2000).