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Coleta do Material

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 60-63)

Os jogos do Campeonato aconteceram entre os dias 15 de abril e 26 de agosto de 1923. Para recolher o material jornalístico necessário para o desenvolvimento do trabalho recorremos ao arquivo de periódicos da Biblioteca Nacional, onde tivemos acesso aos jornais

que estão disponíveis para consulta através da conservação em microfilmes. Uma pesquisa preliminar revelou que pelo menos seis jornais17 cariocas da época dedicavam algum espaço à cobertura do torneio de futebol. Sendo assim, foi indispensável definir quais deles fariam parte da nossa análise.

Decidimos, também, que concentraríamos nossos esforços nas crônicas a respeito dos 14 jogos realizados pela equipe do Vasco da Gama. Procuramos analisar os textos que eram publicados nas segundas ou terças-feiras consecutivas às partidas. Para não correr o risco de ficar preso a uma visão parcial que poderia ser veiculada por determinado órgão de imprensa, optamos por coletar sempre duas crônicas de cada jogo. Cada uma delas publicada por um jornal diferente. Além disso, não descartamos completamente notas que foram publicadas durante as semanas que antecediam e sucediam os jogos.

A necessidade de deixar alguns exemplares de lado deve-se ao fato de que a pesquisa seria inviabilizada se precisássemos consultar ao mesmo tempo todas as crônicas de todos os seis jornais. São eles: O Jornal, O Paiz, Correio da Manhã, O Imparcial, Jornal do Comércio e Jornal do Brasil.

Partimos para as primeiras investidas na Biblioteca Nacional e percebemos, então, que o material mais farto e útil para o nosso propósito estava concentrado nos jornais O Paiz, Jornal do Brasil e Correio da Manhã. O JB se mostrou fundamental para nosso trabalho. Além de ser citado por Mario Filho, o jornal já possuía um caderno exclusivamente de esportes e dedicava, assim como O Paiz, um significativo espaço para uma cobertura vigorosa do Campeonato. Dessa forma, realizamos toda a parte inicial de nossa pesquisa em cima destes jornais.

No entanto, algumas das edições de ambos os periódicos não realizaram a cobertura de determinados jogos ou, simplesmente, a edição do dia em que precisávamos trabalhar não havia sido microfilmada. Há ainda o caso de algumas edições que sequer foram impressas em determinados dias. Desta forma, procuramos inicialmente, sempre as crônicas publicadas no Jornal do Brasil e O Paiz. No caso de alguma delas estar ausente, partíamos para um dos outros jornais, preferencialmente o Correio da Manhã, que também já possuía um caderno esportivo. No Anexo F está a relação completa dos periódicos utilizados. Como a campanha

17 Ao realizarmos uma consulta pessoal à professora Dra. Marialva Barbosaa fim de conseguirmos mais subsídios para esta escolha. A pesquisadora é autora do livro “História Cultural da Imprensa – Brasil (1900 – 2000)”, entre outros importantes livros da área. Barbosa nos informou que as principais publicações cariocas daquele momento seriam justamente: O Jornal (criado em 1925) , A Noite (vespertino, fundado em 1918), Correio da Manhã (criado em 1901), Jornal do Commercio (criado em 1827), O Paiz (fundado em 1885) e Jornal do Brasil (fundado em 1891). Barbosa é doutora em História, com pós- doutorado em Comunicação pelo LAIOS-CNRS, Paris, professora titular do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense (UFF).

do Vasco teve 14 jogos, e gostaríamos de trabalhar com duas crônicas por jogo, teríamos 28 textos para analisar. No entanto, as edições do Jornal do Brasil e de O Paiz dos dias seguintes ao jogo entre Vasco e Botafogo, pela segunda rodada da competição, não estavam disponíveis na Biblioteca Nacional. Para a análise deste jogo, recorremos então, apenas ao Correio da Manhã. Foi feita uma busca por outros periódicos, mas foram encontradas apenas pequenas notas que pouco acrescentariam à nossa pesquisa. Um exemplo é o texto a seguir do Jornal do Commercio:

Este outro jogo marcado para hontem effectuou-se no campo da rua General Severiano. A partida transcorreu muito movimentada, desenvolvendo ambos os teams boa techinica. O jogo terminou com a victória do Vasco pela contagem de 3x1. Nos segundos “teams” venceu ainda o Vasco por 9x0. (Jornal do Commercio, 23/04/1923, p. 5)18

Desta forma, trabalhamos no total com 27 crônicas e outras 18 notas que tinham relação direta com a campanha do Vasco no Campeonato. Todos estes textos estão disponíveis nos Anexos A, B, C e D.

3.1.1 Os jornais

Jornal do Brasil (JB), Correio da Manhã e O Paiz eram três dos principais jornais da década de 1920, na cidade do Rio de Janeiro. Os três gozavam de grande prestígio na sociedade carioca e tinham uma ampla circulação na então capital do país. No NFB, Mario Filho faz uma citação indireta ao JB (Rodrigues Filho, 2003, p. 123). Ele conta que, no dia da partida entre Vasco e Flamengo, as bancas de jornal receberam grandes encomendas do periódico. A maioria dos exemplares teria sido levada para a garagem de remo do Flamengo.

Lá, os remadores embrulhavam as pás de remo (que posteriormente teriam sido usadas para agredir os torcedores do Vasco) com as folhas do JB. “Daí a utilidade do Jornal do Brasil, a mais volumosa folha da época”. (Rodrigues Filho, 2003: p. 123)

O Jornal do Brasil foi fundado em 1891 por Rodolfo Epifânio de Sousa Dantas, que havia sido Ministro da Educação do Império. Trata-se de uma publicação claramente ressentida com o fim da Monarquia e que tinha entre seus fundadores Joaquim Nabuco, o qual mais tarde se tornou chefe de redação. Adversário do Governo Republicano, o jornal foi alvo de vários ataques e enfrentou problemas durante os seus primeiros anos de vida (Barbosa,

18 Todas as citações dos jornais de 1923 estão grafadas aqui da mesma maneira que eram encontradas nos jornais da época.

Sabemos que várias palavras não estão mais de acordo com o atual padrão da língua portuguesa.

1996).

No entanto, com um grande número de colunistas renomados e promovendo inovações no jornalismo brasileiro, a publicação ganhou popularidade. Entre as inovações pode-se destacar a valorização ao esporte. Nos anos 1920, o JB tinha um encarte especial para o esporte com o nome de “Diário Esportivo”. O turfe e o remo ocupavam grande espaço19, mas aos poucos, o futebol começava a dividir a importância no noticiário. Além disso, já na década de 20, a publicação dava grande relevância às fotografias, inclusive às do noticiário esportivo, que eram publicadas até nas capas do jornal.

O Correio da Manhã surgiu no ano de 1901, no Rio de Janeiro. Seu fundador era Edmundo Bittencourt. Lima Barreto e Graciliano Ramos são alguns nomes da vasta lista de intelectuais que prestaram serviço ao periódico, que foi extinto em 1974. Na década de 1920, o jornal dedicava um considerável espaço ao noticiário esportivo. Uma das carcterísticas marcantes era a publicação da classificação completa do Campeonato Carioca de Futebol, além da tabela com todos os resultados tanto da Primeira, quanto da Segunda Divisão. Nos jogos mais importantes, encontrávamos um detalhado relato que inclui o scout completo da partida com o número exato de hands, fouls, corners, off-sides e defesas dos goleiros de ambos os times.

O Paiz foi fundado em 1884, teve vida relativamente curta e permaneceu nas bancas apenas até 1930, ano em que foi extinto. O fundador foi o português João José Reis Júnior e o redator-chefe, em seu início, era Quintino Bocaiúva. O periódico é apontado como uma das principais publicações de apoio ao Governo do período e esta seria a razão pela qual sua sede foi destruída por populares que apoiavam a Revolução de 1930.

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 60-63)