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Conforme esclarecemos, a primeira etapa da pesquisa consistiu no levantamento bibliográfico e documental acerca do PME e as anotações de campo. Em seguida, realizou-se a leitura e a análise crítica deste material, com o objetivo de corroborar as opções e escolhas teóricas que se configurariam como balizas necessárias à construção do trabalho, ao mesmo tempo em que o objeto e a forma de abordá-lo foram também se configurando.

Concluída a etapa supracitada, na segunda fase, passamos a fazer o levantamento da literatura que trata do tema juventude na contemporaneidade, tentando reunir um suporte teórico para tratarmos da conceituação dessa categoria social se estendendo a estudos mais

específicos sobre juventude e suas interfaces com escolarização, trabalho e inserção socioprofissional no Brasil do século XXI.

A terceira etapa da pesquisa diz respeito à entrada propriamente dita, no campo empírico. Essa etapa seguiu com a apresentação dos objetivos da pesquisa aos gestores da Escola Municipal Esperança, às professoras que coordenam o PME e aos seus doze monitores.

Posteriormente, falou-se das possíveis formas de coleta de dados e da existência do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), conforme (APÊNDICE A), para melhor estabelecermos os critérios éticos que tornassem viável a articulação entre a abordagem teórico-metodológica e a pesquisa de campo, permitindo reconhecer também a Escola Municipal Esperança como um espaço para a realização da pesquisa. Daí partiu-se para a aplicação dos questionários de perfil socioeconômico (APÊNDICE B), o que aconteceu no final do primeiro semestre do ano de 2013.

No segundo semestre do mesmo ano, mais especificamente nos meses de agosto, setembro e outubro, trabalhamos com as entrevistas semi-estruturadas. Ainda em outubro, o que se estendeu até dezembro, final do ano letivo na Escola Esperança, foram coletados os dados relativos aos projetos juvenis de escolarização, profissão e vida dos sujeitos da pesquisa mediante “bloco de notas” entregues aos mesmos para registros pessoais.

Os dados levantados foram tratados utilizando-se os princípios da análise de conteúdo de Bardin (1977). Segundo essa abordagem analítica, pode-se definir a análise de conteúdo como - um conjunto de instrumentos metodológicos cada vez mais sutis em constante aperfeiçoamento, que se aplicam a discursos extremamente diversificados (BARDIN, 1977, p.

9). Ainda de acordo com a autora, enquanto esforço de interpretação, a análise de conteúdo transita entre os pólos do rigor da objetividade e da fecundidade da subjetividade.

A partir desses pressupostos, entende-se que a análise de conteúdo se constitui como um método adequado para a interpretação dos dados coletados nesta investigação, que se apresentam especialmente em forma de depoimentos e falas que se pretende analisar a partir de uma perspectiva cuidadosa e objetiva, mas sensível às subjetividades e às trajetórias e experiências de vida de cada sujeito jovem entrevistado e da própria pesquisadora.

Quanto aos métodos acima esboçados e que foram utilizados nas etapas da coleta de dados e análise de dados, gostaríamos de explicitar, portanto, que temos a clareza de que não existem conhecimentos absolutos e definitivos, pois, estes sempre dependem de certas condições ou circunstâncias, de teorias, dos métodos e das temáticas que o pesquisador escolhe trabalhar. Foi com essa compreensão que desenhamos uma metodologia de trabalho e

pesquisa que melhor se caracterizou como um percurso metodológico percorrido nessa investigação.

1.3.1 A aplicação dos questionários

A aplicação dos questionários socioeconômicos ocorreu no período de 04 a 10 de junho de 2013. Com o intuito de esclarecer acerca da pesquisa a ser desenvolvida e os seus objetivos, aproveitamos a reunião geral do PME da Escola Municipal Esperança, envolvendo professoras comunitárias (coordenadoras do PME dos turnos matutino e vespertino), monitores, direção e vice-direção, ocorrida no sábado letivo do dia 18 de maio de 2013, no horário da manhã.

Outrossim, convidamos, individualmente, os jovens monitores com idades entre 19 e 28 anos para participarem da pesquisa e anunciamos a existência do TCLE, que trazendo maiores informações acerca da pesquisa e da coleta de dados, seria apresentado no momento anterior à aplicação do questionário, e devidamente assinado pela pesquisadora e pelos sujeitos a serem pesquisados.

Lembrando que num momento anterior, foi feito o levantamento das atividades cadastradas e em funcionamento na escola e o número de monitores nelas envolvidos. De posse da pasta com o documento chamado “Termo de Adesão e Compromisso6” (ANEXO B) foi possível na ocasião, obter algumas informações e dados pessoais dos monitores em atividade no PME da unidade escolar bem como, o mapeamento do perfil etário dos mesmos.

Assim, identificamos seis atividades sendo desenvolvidas em cada turnos de funcionamento do PME. A saber: Letramento, Matemática, Futebol, Danças, Teatro e Direitos Humanos e um número de 12 monitores. Dentre estes, foi possível verificar, no ato do levantamento, quatro monitores com as respectivas idades 31, 32, 38 e 48 anos. Os demais, totalizando oito monitores, tinham entre 19 e 28 anos. Dessa maneira, conforme literatura e estudos já mencionados anteriormente, estabelecemos a faixa etária dos 15 aos 29 anos de idade para demarcação da categoria juventude e, portanto, naquele momento, definimos como sujeitos na pesquisa em foco os oito sujeitos jovens atuando como monitores no PME.

6 Espécie de documento que formaliza a prestação de serviço voluntário na condição de monitor/a responsável pelo desenvolvimento das atividades de aprendizagem, culturais e artísticas, esportivas e de lazer, de direitos humanos, de meio ambiente, de inclusão digital e de saúde e sexualidade. Tais atividades, como consta no referido documento, voltadas à Educação Integral, e ainda, esclarece que tal serviço não será remunerado, apenas será feito ressarcimento com as despesas de transporte e alimentação, não gerando vínculo empregatício, nem obrigação de natureza trabalhista, previdenciária ou afim.

No mesmo ano de 2013, foi realizado um pré-teste do instrumento de coleta de dados na Escola Municipal Esperança no dia 03 de junho. Nesta ocasião, foram aplicados, pela pesquisadora, dois questionários, com monitores que estavam desenvolvendo atividades do PME, ou seja, ministrando oficinas de danças e futebol no turno vespertino, para verificar a inteligibilidade das questões, a coerência e a consistência das respostas fornecidas. Este serviu também para que pudéssemos calcular a média de tempo gasto pelos jovens monitores para responder o referido instrumento, bem como, sua avaliação e reestruturação. Nesse sentido, não foram apresentadas dificuldades de entendimento e não houve a necessidades de alterações das questões do instrumento, apenas ajustes na formatação de um item.

Posteriormente, para facilitar a localização dos demais monitores, consultamos os horários das atividades nos turnos, matutino e vespertino e, partimos para a organização de uma pequena agenda no intuito de aplicar os seis questionários restantes. A aplicação do questionário ocorreu parte nas salas onde estavam sendo desenvolvidas as oficinas, ambientes de trabalho dos jovens e sem a presença da pesquisadora e parte na sala da vice-direção e coordenação, com a presença da pesquisadora no local, porém sem a intervenção pontual da mesma. Ainda quanto ao local, deixamos a critério do/a monitor/a onde achasse melhor responder ao questionário. A entrega foi feita logo após o seu término, juntamente com o TCLE e, quanto ao tempo gasto, em média eles responderam entre 20 a 25 minutos.

Observamos que o teor do referido instrumento de coleta de dados não foi considerado difícil e nem invasivo por parte dos jovens pesquisados, segundo informaram os mesmos à pesquisadora.

Ademais, esclarecemos que no final de mês de agosto houve o desligamento de uma monitora de danças do PME, e posterior substituição por outra monitora que também se encaixava no perfil etário dos sujeitos escolhidos para investigação e consentiu participar do estudo. Sendo assim, totalizamos nove sujeitos jovens atuando como monitores no PME.

1.3.2 As entrevistas

No processo de coleta de dados utilizamos entrevistas com os sujeitos jovens. Elas foram realizadas individualmente e no ambiente escolar (sala de aula do “Mais Educação”, laboratório de informática, biblioteca escolar, sala da coordenação e sala de recursos), com exceção de uma entrevista que foi concedida na Biblioteca Municipal Arnold F. Silva, no centro da cidade de Feira de Santana. Nesse sentido, seguimos um roteiro previamente estruturado com foco nas atividades que os mesmos vêm desenvolvendo no âmbito do PME

na Escola Municipal Esperança no ano letivo de 2013, bem como os significados que o referido programa tem para cada monitor e o que representa ou a sua importância na vida de cada um deles/as.

Quanto à tipologia mais tradicional deste instrumento de coleta de dados, temos as entrevistas estruturadas, as não estruturadas e as semi-estruturadas. Segundo Oliveira (2010), todos os tipos de entrevistas aqui citadas são possíveis numa pesquisa educacional.

Provavelmente, a entrevista semi-estruturada dê uma maior possibilidade de entendimento das questões estudadas nesse ambiente, uma vez que permite não somente a realização de perguntas que são necessárias à pesquisa e não podem ser deixadas de lado, mas também a relativização dessas perguntas, dando liberdade ao entrevistado e a possibilidade de surgir novos questionamentos não previstos pelo pesquisador, o que poderá ocasionar uma melhor compreensão do objeto em questão.

Ainda nesse sentido, entende-se que no decorrer desse processo de coleta de dados, há o momento das perguntas anteriormente determinadas (APÊNDICE C), podendo ser as respostas relativamente livres. Caso haja a necessidade, o pesquisador pode acrescentar uma questão não prevista, dependendo das respostas dos respondentes.

Partindo do princípio de que o grupo de jovens monitores compartilha saberes e apreensões educacionais no cotidiano das suas atividades no PME e, buscando compreender uma situação específica no campo educacional com base nas experiências e vivências desses jovens que ajudam a construir o cotidiano escolar e, nesse sentido, a materialização do PME e que também se constroem como sujeitos históricos nesse processo, é que optamos pela utilização dessa técnica de entrevista como forma de reorientar questões advindas dos questionários individuais.

Cabe realçar, então, que na realização desta investigação, foram feitas nove entrevistas, quantidade considerada satisfatória em uma pesquisa qualitativa, pois compreendemos tal qual Pais (2001, p. 89) que “um caso não pode representar o mundo, embora possa representar um mundo no qual muitos casos semelhantes acabam por se refletir”.

No que tange ao procedimento adotado pela pesquisadora, no tocante às entrevistas, todas foram devidamente gravadas em gravador de áudio, com consentimento dos sujeitos entrevistados e, posteriormente, transcritas e digitalizadas para a análise e nexos interpretativos. No que se refere às falas dos/as jovens presentes no corpo do texto, especialmente reveladas no capítulo cinco, esclarecemos que foram colocados na íntegra os depoimentos coletados e, ao editá-las, retiramos alguns vícios de linguagem e expressões

repetidas com o intuito de dar melhor fluidez ao texto e facilitar a compreensão das mesmas, sem prejuízo do teor e da lógica do seu conteúdo.

1.3.3 As notas sobre os projetos juvenis

Em outubro de 2013, fomos surpreendidos com a orientação da SEDUC, via técnica representante do MEC nas escolas com PME do Estado da Bahia, sobre a suspensão temporária das atividades do referido programa na Escola Esperança, as quais só retornariam em março de 2014, o que afastaria temporariamente os monitores do cotidiano das oficinas e da escola.

Ao utilizamos uma espécie de “improvisação criativa”, através da qual nos foi possível coletar os dados complementares acerca dos projetos juvenis, nos lembramos, dadas as devidas relativizações, do que já ensinava a antropologia social sobre método e objetivo de investigação. É o caso aqui, de nos reportarmos ao antropólogo Bronislaw Malinowski em sua obra clássica intitulada “Argonautas do pacífico ocidental”, publicado em 1922, que ao referir-se aos “imponderáveis da vida social” já deixava lições importantes sobre o trabalho de campo e as suas possíveis dificuldades e atenuantes.

Diante do exposto, para que os monitores nos falassem mais especificamente sobre os seus projetos juvenis de escolarização, profissão e vida, foi entregue aos mesmos, pela pesquisadora e após combinados, blocos de notas, uma espécie de “cadernetinha”

personalizada com seus respectivos nomes e um envelope constando explicações (APÊNDICE D) sobre questões a serem pontuadas no registro que estávamos solicitando deles naquele momento da pesquisa de campo.

Para complementar as entrevistas individuais, em que os sujeitos já sinalizavam questões pertinentes aos seus projetos juvenis, este último pareceu-nos a forma mais adequada, uma vez que os monitores estavam se desligando do PME e concordaram em fazer as anotações fora do ambiente escolar, com mais tempo para tal registro e entregar o material até o final do ano letivo de 2013, conforme combinação feita com a pesquisadora previamente.

Para a nossa surpresa, seis dos nove sujeitos nos entregaram as suas respectivas

“cadernetinhas” em tempo combinado, no período do conselho de classe da escola, e os três restantes nos procuraram na ocasião da jornada pedagógica da rede municipal de ensino, entre os dias 30 e 31 de janeiro do corrente ano, para a entrega do seus blocos de notas com informações relativas aos seus projetos juvenis. Dessa forma, a criação ou “improvisação”

desse espaço de diálogo, nos permitiu reunir uma razoável quantidade de informações acerca dos projetos juvenis com certo detalhamento e profundidade, em um período de tempo relativamente curto e fora do contexto escolar pesquisado.