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COLETA, PROCESSAMENTO E ANÁLISE DE DADOS E DIFUSÃO

No documento Ciência da Saúde no Mundo (páginas 46-49)

O instrumento de coleta de dados utilizado neste estudo foi a ficha de notificação compulsória de violência interpessoal/autoprovocada, a qual representa do instrumento padronizado pelo ministério da saúde do Brasil para a vigilância de violências em populações vulneráveis (crianças, adolescentes, mulheres e pessoas idosas) de acordo com o SINAN.

Esta ficha é composta por variáveis agrupadas nos seguintes tópicos: dados gerais, notificação individual, dados de residência, dados da pessoa atendida, dados da ocorrência, violência; violência sexual, dados do provável autor da violência, encaminhamento e dados finais.

A notificação compulsória de violência sexual contra crianças e adolescentes deve ser realizada mediante a suspeita ou confirmação da ocorrência deste ato violento, em até 24h da identificação do caso. Profissionais de saúde, professores, profissionais de outros setores e até cidadãos podem ser agentes dessa notificação durante seu contato/atendimento das vítimas no âmbito de serviços de saúde, educação, dentre outros espaços. Embora existam discussões sobre o uso desta ficha como instrumento integrador da rede de garantia de direitos de crianças e adolescentes no caso de vitimização por violência, como a referida ficha padronizada de notificação é relacionada à alimentação de um sistema de informação em saúde (neste caso, o SINAN), observa-se que são os profissionais de saúde atuantes no Sistema Único de Saúde (SUS) os principais realizadores desta notificação. As fichas são preenchidas nas unidades de saúde pelos profissionais que fazem o acolhimento das vítimas, em seguida são enviadas para a Secretaria Municipal de Saúde onde são digitadas.

Em seguida os dados são transferidos também aos níveis estadual e federal, compondo os bancos de dados dessa área nas três esferas de atuação do SUS.

De acordo com o Instrutivo de Notificação de Violência doméstica, sexual e outras violências (VIVA), a ficha de notificação Individual de Violência Interpessoal/Autoprovocada possibilita que outras unidades façam a notificação, como: estabelecimento de ensino, conselho tutelar, unidade da assistência social, centro especializado de atendimento à mulher e unidades de saúde indígena. Desse modo, quando essas unidades identificarem um caso de violência, é possível fazer a notificação de violência utilizando esta ficha de notificação. Ressalta-se que em seguida, a ficha deve ser encaminhada para uma unidade

de saúde que seja referência no território para fins de digitação da ficha. A pessoa em situação de violência também deve ser encaminhada para acompanhamento pelo serviço de saúde de referência na área e pelos conselhos de direitos, quando for o caso (BRASIL, 2016).

Em caso de mais de uma notificação em outra unidade com a mesma vítima deve-se completar a primeira ficha de notificação individual já preenchida e registrada no SINAN, arquivando todas na Vigilância Epidemiológica e uma cópia nas unidades que as preencheram.

Os dados referentes às notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes do estado do Acre entre 2013 e 2017 foram fornecidos à equipe da pesquisa em planilhas no Microsoft Excel 2010, preparadas pelos profissionais da área de vigilância de violências do referido estado. As planilhas foram revisadas quanto a erros, lacunas e duplicidade. Em seguida, os dados foram processados utilizando-se o software SPSS v 19.0, sendo calculadas frequências absolutas e relativas o teste qui-quadrado de Pearson, considerando p <0,05, na comparação entre os grupos de interesse.

Foram estudadas as seguintes variáveis, de acordo com as respectivas categorias:

a) Da vítima:

- Idade (0 a 12 e 13 a 18 anos);

- Sexo (feminino ou masculino);

- Raça/Cor da Pele (branca, preta, amarela, parda, indígena);

- Possui Algum tipo de Deficiência (sim ou não);

- Escolaridade

- Situação Conjugal (solteiro (a), casado (a), viúvo (a), separado (a), não se aplica;

- Gestação após a violência sexual (sim, não);

b) Do Evento:

- Tipo de Violência Sexual (assédio sexual, estupro, pornografia infantil, exploração sexual e outros);

- Violência de repetição (se já ocorreu outras vezes);

- Local de Ocorrência (residência, habitação coletiva, escola, local de prática esportiva, bar ou similar, via pública, comércio/serviços,

- Tipo de Agressão (força/espancamento, enforcamento, objeto contundente, objeto perfuro cortante, objeto quente, envenenamento, arma de fogo, ameaças e outros).

c) Do agressor (a):

- Sexo (feminino, masculino, ambos os sexos);

- Conhecido da Vítima (sim, não);

- Uso de bebida alcoólica (sim, não);

- Número de Envolvidos (um e dois ou mais).

d) Do atendimento:

- Procedimentos indicados (profilaxia IST, profilaxia HIV, profilaxia HBV, coleta de sangue, coleta de sêmen, coleta de secreção vaginal, contracepção de emergência e aborto);

- Encaminhamento para outros setores (rede de saúde, conselho tutelar, instituto médico legal, delegacia de proteção à criança e adolescente, outras delegacias, centro de referência especializado de assistência social, delegacia da mulher, vara da infância e juventude, programa sentinela, ministério público, centro de referência da mulher, abrigo, outros).

A análise, interpretação e discussão dos dados foi realizado em conjunto com os profissionais da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (SESACRE), a fim de difundir os resultados do estudo e facilitar a adoção das medidas de prevenção e abordagem das vítimas no contexto local. Houve a participação em 03 reuniões no Comitê Estadual de Enfrentamento a Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes para aprofundamento do tema tratado e para apresentação de resultados parciais junto aos profissionais de diversos setores públicos e da sociedade civil organizada. Além destes espaços, os resultados parciais deste estudo foram apresentados no 9th International Meeting of Child and Adolescent Health 2019. Os autores do estudo também ministraram um minicurso na 11º Semana de Saúde Coletiva da UFAC, em 03 Junho de 2019, com o tema: Vigilância das violências no Brasil: fique por dentro e faça a diferença! ”.

No documento Ciência da Saúde no Mundo (páginas 46-49)