6º ano do ensino fundamental II. Partimos, pois, do princípio de que o livro didático, em geral, é o principal norte para os professores de Língua Portuguesa. É importante observar, nesse sentido, que a estruturação gramatical da maioria dos materiais didáticos se fundamenta na Gramática Tradicional (doravante, GT). No nosso trabalho, ressaltamos o processo de variação/mudança envolvendo os pronomes pessoais na posição de sujeito (caso nominativo), sejam eles: 2ª pessoa do singular (tu/ você), 1ª pessoa do plural (nós/a gente) e a 2ª pessoa do plural (vós/ vocês) e, comparamos o paradigma exposto no livro didático, que é o referido e adotado pela GT e confrontamos com os paradigmas em uso no Português Brasileiro (PB) tomando por base os estudos linguísticos de Lopes e Machado (2005); Rumeu (2008) e Lopes et al. (2009).
Na sistematização deste estudo, pretendemos responder algumas questões, tais como: 1) Em decorrência da entrada de pronomes que se combinam com formas verbais de 3ª pessoa do singular é possível perceber o enfraquecimento do sis- tema de flexões verbais no PB? 2) Quanto à desinência verbal, houve alguma perda com a entrada dos novos pronomes você(s)/ a gente? Para isso, recorremos ao suporte teórico metodológico da sociolinguística variacionista, a qual postula que o sistema linguístico é heterogêneo e a variação é uma propriedade regular e inerente ao sistema. Tal teoria postula, ainda, que as comunidades de fala heterogêneas e falantes-ouvintes nunca se expressam da mesma maneira e todas as variedades são igualmente estruturadas sendo mais ou menos “adequadas” a determinadas situações comunicativas. É importante salientar que os Parâmetros Curriculares Nacionais reconhecem que a língua é heterogênea, historicamente situada, estando sujeita a variações e mudanças. E o trabalho pedagógico, nesse sentido, deve contemplar, de maneira articulada, os usos linguísticos (ouvir-falar, ler-escrever) e a reflexão sobre a língua, de modo que o uso da língua adequa- do aos propósitos comunicativos e às demandas sociais.
OS PRONOMES POSSESSivOS EM PORtUGUêS: UMA PROPOStA DE REFlExÃO SObRE A AbORDAGEM DE GRAMÁtiCA NO ENSiNO FUNDAMENtAl
Marly Rocha Medeiros de vargas (CElE/UFRN) Orientador: Prof. Dr. Marco Antonio Martins (UFRN)
O presente trabalho tem por objetivo apresentar um diagnóstico do ensino de Língua Portuguesa, no que diz res- peito ao sistema pronominal possessivo em português. A análise teve como objeto o Livro Didático de Língua Por- tuguesa (LDP) do 6º ano do ensino fundamental, dos autores Cereja e Magalhães (2009), adotado em muitas escolas da Rede Municipal de Ensino de Natal/RN. Num primeiro momento, partimos do pressuposto de que a abordagem assumida pelo mencionado LDP refletisse os ideais expostos nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Por- tuguesa (PCNs), publicados na década de 1990, dentre os quais está o de uma concepção de língua condicionada e determinada histórica e culturalmente, e, portanto, sujeita a variações e mudanças, conforme as circunstantes he- terogeneidades externas. O desenvolvimento deste trabalho pressupôs o levantamento das definições e paradig- mas referentes aos pronomes possessivos, expostos nas Gramáticas Tradicionais (GTs) de Almeida (1977), de Bechara (2009) e de Cunha e Cintra (2009), bem como na abordagem do referido LDP. À luz da teoria sociolinguística variacio- nista, segundo Bortoni-Ricardo (2004; 2005), empreendeu-se, então, uma análise confrontual, sob uma ótica crítico- -reflexiva, entre a proposta apresentada pelo LDP e os paradigmas apresentados pelos estudos linguísticos, no que diz respeito ao sistema dos pronomes possessivos em uso no Português Brasileiro, conforme, por exemplo, o estudo realizado por Lopes (2009). É importante destacar que assumimos uma concepção de Língua (e consequentemente de ensino de Língua materna), que advoga uma pedagogia sensível aos saberes linguísticos dos alunos, quais sejam os que configuram mudanças decorrentes das situações reais de uso. Aspectos. Os nossos resultados apontam, no entanto, que a abordagem do LDP reproduz o paradigma pronominal da GT, sem considerar os diferentes usos dos pronomes possessivos no português brasileiro (PB).
SESSÃO 2
CONtRibUiÇÃO DA PESqUiSA ACADêMiCA PARA O ENSiNO DE PORtUGUêS
Esta sessão tem por objetivo reunir pesquisadores cuja preocupação está voltada para o ensino de Língua Portuguesa no âmbito escolar, reunindo estudos alicerçados na Sociolinguística Variacionista, os quais apresentam propostas que podem auxiliar o professor no processo de letramento do aluno. Sabe-se que, por razões de ordem sociocultural, a escola não poderia eximir-se de ensinar a norma oficial, haja vista as diversas situações em que esta é exigida. No entanto, na execução dessa tarefa, o professor de Língua Portuguesa deve ter consciência de que existe uma profunda diferença entre a língua prescrita pelas gramáticas e a língua que seus alunos trazem de casa. Nesse sentido, os trabalhos desta sessão debruçam-se sobre as estratégias comumente empregadas na escola para o ensino de sintaxe, a fim de avaliar até que ponto correspondem à realidade linguística dos alunos. Do mesmo modo, serão apresentadas propostas que não tratem o ensino a partir de uma concepção tradicional, mas que efetivamente proporcionem ao aluno a aprendizagem de estruturas sintáticas prestigiadas pela língua padrão.
ClítiCOS ACUSAtivO E DAtivO NO ENSiNO DE líNGUA PADRÃO Gilson Costa Freire - coordenador
Há tempos diferentes estudos acerca da língua oral no português brasileiro vêm registrando a praticamente consumada perda dos clíticos acusativo e dativo na referência à terceira pessoa (cf. Omena, 1978; Duarte, 1986; Malvar, 1992; Gomes,
aparecem preferencialmente em contextos de maior letramento, entendido como um padrão de comunicação sistemati- zado pela tradição literária e altamente prestigiado nas camadas sociais letradas (cf. Bortoni, 2004), e ainda assim sob certas condições estruturais. Não obstante tais constatações sobre o português do Brasil, sabe-se que a escola se lança à tarefa de ensinar a chamada norma oficial, que prevê o uso de formas muitas vezes estranhas à fala corrente brasileira, entre as quais os referidos clíticos de terceira pessoa. Assim, o presente trabalho levanta uma discussão acerca das estratégias comumente usadas pelos livros didáticos no ensino dos clíticos acusativo e dativo, verificando a eficácia de tais estratégias a partir de redações de vestibular. De um modo geral, as redações analisadas apresentaram muitas irregularidades no emprego dessas formas linguísticas, o que põe em xeque as práticas de ensino da língua padrão propostas pelos livros didáticos, que são frequentemente reproduzidas na escola. Em vista disso, este trabalho pretende fazer uma ponte entre o conhecimento acadêmico e o trabalho do professor em sala de aula, oferecendo uma proposta ao ensino de língua portuguesa a partir de práticas inovadoras que efetivamente proporcionem ao aluno a aprendizagem do padrão de prestígio.
ENSiNO DE SiNtAxE: O ACUSAtivO ANAFóRiCO EM tExtOS HUMORíStiCOS Ângela Marina bravin dos Santos
Esta comunicação tem por objetivo apresentar estratégias didáticas para o ensino do acusativo anafórico (objeto direto) em textos humorísticos. Trata-se de propostas que resultaram das investigações desenvolvidas pelo grupo de pesquisa ESAELP (Estudos Sociolinguísticos Aplicados ao Ensino de Língua Portuguesa), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). As pesquisas do grupo ESAELP mostraram que o apagamento do acusativo anafórico é um traço lin- guístico a favorecer o humor em piadas e charges. Os resultados obtidos serviram de base para o desenvolvimento das propostas didáticas que exploram exatamente a atuação dessa categoria na construção do humor presente nessas orga- nizações discursivas. A comunicação apresentará tais propostas.
ENSiNO DE PORtUGUêS NAS ESCOlAS bRASilEiRAS: CENtRADO NO PADRÃO REAl OU PADRÃO iDEAl?
Mayra Cristina Guimarães Averbug (iSERJ/FAEtEC-RJ)
A Imprensa, o MEC, a Escola, em sintonia com as expectativas da sociedade em geral, trazem novamente à tona ques- tionamentos sobre conteúdos e metodologia de Língua Portuguesa. Surgem críticas, inclusive severas, a respeito de
“equívocos” em livros didáticos, assim como da enorme defasagem linguística do alunado. Na verdade, o ensino de português nas escolas brasileiras parece ignorar (ou ignora) resultados de variadas pesquisas das últimas décadas: de natureza sociolinguística, de base laboviana (Labov, 1972; Weinreich, Labov & Herzog, 1969, 2005; Guy & Zilles, 2007) ou paramétrica, (Tarallo & Kato, 1989); ou de base gerativista (Chomsky, 1981, 1986, 1999). São desconhecidas (ou relegadas) características prototípicas do Português Brasileiro (doravante PB), muitas predominantes na fala espontâ- nea, algumas já incorporadas à escrita. Inúmeras variações e/ou mudanças que constituem a gramática brasileira são marcas do uso real no Brasil, não necessariamente as da gramática portuguesa (cf. Kato, 2005 e hipótese de Galves, 1997, 1998). É preciso: (a) primeiramente distinguir o “padrão real” do “padrão ideal”, aquele prescrito pela norma por- tuguesa, prestigiado pela elite intelectual brasileira e, naturalmente, valorizado pela Escola; (b) tomar como base a análise de resultados em pesquisas, alicerçadas por dados reais, sobre fenômenos sintáticos presentes no PB, seja em sua aquisição natural, verificada na fala espontânea de crianças antes do letramento (Averbug, 2008), seja na língua escrita produzida por estudantes em ambiente escolar, do 1º ano de escolaridade à universidade (Averbug, 2000); (c) levantar interessantes casos de hipercorreção e “desvios”, a fim de constatar dificuldades de processamento pelos alu- nos do padrão culto escrito; (d) discutir duas tendências possíveis de ensino de língua, “pedagogia centrada no código”
de “pedagogia centrada no uso do código” (Gagné, 2006, 1980; Bagno, 2006, 2000). Cabe a professores e pesquisadores interessados na construção e execução de um projeto pedagógico consistente entrar em consonância com a atual realidade linguística brasileira.
SESSÃO 3
A ExPRESSÃO DO SUJEitO E DO ObJEtO: ASPECtOS DA SiNtAxE DO PORtUGUêS bRASilEiRO E O ENSiNO DE GRAMÁtiCA Nosso principal objetivo, nesta sessão de comunicações coordenadas, é discutir a maneira como o ensino do sujeito e do objeto vem sendo abordado nas aulas de Língua Portuguesa do ensino básico. Trataremos, mais precisamente, sobre os seguintes fenômenos linguísticos associados à gramática do Português Brasileiro (PB): (1) o preenchimento/
não preenchimento do sujeito pronominal que, segundo Duarte, está associado a um processo de mudança em curso no PB e teria sido provocado pela redução no paradigma flexional; (2) a duplicação ou redobro do sujeito, que é bas- tante muito comum no PB, especialmente na modalidade oral da língua, embora possa ser encontrada na escrita; e (3) a expressão do objeto nulo anafórico no PB que não parece ser um fenômeno prestigiado nas aulas de gramática do ensino básico. Para atingirmos nosso objetivo, observaremos tanto gramáticas tradicionais, tais com as de Bechara (2001) e de Cunha e Cyntra (2008), quanto livros didáticos dos ensinos fundamental e médio – Terra e Cavallete (2009) e Cereja e Magalhães (2005, 2009). Para a realização dos trabalhos expostos nesta sessão, baseamo-nos em estudos realizados por Duarte (1993, 1995), Braga (1987), Pontes (1987) e Cyrino (1997, 2000, no prelo). Mais especificamente,
A ExPRESSÃO DO SUJEitO PRONOMiNAl NO PORtUGUêS bRASilEiRO: qUEStÕES PARA O ENSiNO DE GRAMÁtiCA Aryonne da Silva Morais (CElE/UFRN) – coordenadora
Orientador: Prof. Dr. Marco Antonio Martins (UFRN)
Neste trabalho, abordaremos o processo de variação/mudança relacionado ao preenchimento/não preenchimento do sujeito pronominal no Português Brasileiro (PB), com o objetivo de observar de que maneira essa questão é tratada em livros didáticos dos ensinos fundamental e médio. Mais especificamente, teremos por objetivo: (i) tomar como referência estudos já realizados e sistematizar a ocorrência do preenchimento/não preenchimento do sujeito pronominal no PB;
(ii) observar como esse fenômeno é tratado nos livros didáticos de Terra e Cavallete (2009) e Cereja e Magalhães (2005), respectivamente do 6º ano do fundamental e da 2ª série do médio; (iii) observar como essa questão é abordada pela Gra- mática Tradicional e (iv) trazer uma discussão sobre o ensino do sujeito gramatical nos bancos escolares. Para a realização deste trabalho, tomaremos como principal referência, os estudos realizados por Duarte (1993, 1995), segundo a qual a mudança linguística envolvendo o preenchimento do sujeito no PB está em curso e teria sido provocada pela redução no paradigma flexional na gramática dessa língua. Redução esta que estaria ocorrendo em virtude do uso generalizado dos pronomes você e a gente, que passaram a concorrer, respectivamente, com as formas de segunda pessoa do singular (tu) e de primeira pessoa do plural (nós), porém, associados a verbos sem a marca flexional distintiva.
O DUPlO SUJEitO NO PORtUGUêS bRASilEiRO: qUEStÕES PARA O ENSiNO DE GRAMÁtiCA Rimylles Fabrício Alves da Silva (CElE/UFRN)
Orientador: Prof. Dr. Marco Antonio Martins (UFRN)
Este trabalho trata de um fenômeno linguístico conhecido como construções com duplo sujeito, ou redobro do sujeito, no Português Brasileiro (PB) e o modo como (ou se) tais construções são reconhecidas pelo ensino de gramática nos níveis fundamental e médio. A proposta é (i) fazer uma breve revisão da temática a partir da literatura linguística - como Pontes (1987), Braga (1987) e Duarte (2005); (ii) observar livros didáticos de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental, mais es- pecificamente a coleção “Português Linguagens”, de Cereja e Magalhães (2009), e do Ensino Médio a coleção “Português Linguagens” (2005), dos mesmos autores. Serão observadas também as gramáticas de Bechara (2003), Cunha e Cintra (2008) e Castilho (2010) com a mesma intenção. As construções com duplo sujeito são muito comuns no PB, especialmente na modalidade oral da língua, embora possam ser encontradas na escrita. E, nesse sentido, estão presentes na fala e na escrita dos estudantes nos bancos escolares. Os objetivos deste trabalho são: (1) mostrar a ocorrência deste fenômeno no PB, como uma construção produtiva na língua; (2) verificar em que contextos linguísticos o sujeito pode ser duplicado, quais seriam as prováveis motivações linguísticas para tal; e (3) discutir essa questão no âmbito do ensino de gramática, especificamente o ensino de sintaxe no que diz respeito ao estudo do sujeito. Partindo desse confronto entre as posições da Gramática Tra- dicional e dos estudos linguísticos, é importante perceber se a duplicação do sujeito, de algum modo, é contemplada nos materiais didáticos analisados, ou seja, se essa questão vem sendo tratada pelos professores em sala de aula.
A ExPRESSÃO DO ObJEtO ANAFóRiCO NO PORtUGUêS bRASilEiRO: qUEStÕES PARA O ENSiNO DE GRAMÁtiCA Fernanda Rafaela lopes de Medeiros (CElE/UFRN)
Orientador: Prof. Dr. Marco Antonio Martins (UFRN)
Dentre as possibilidades de expressão do objeto anafórico em Português Brasileiro (PB), bem como em outras línguas, está aquela em que o objeto é retomado por um pronome nulo. E este é um fenômeno presente tanto na fala quanto na escrita. A possibilidade da não realização do objeto anafórico no PB, no entanto, não parece ser discutido nos bancos escolares. Sendo assim, este trabalho objetiva analisar tal fenômeno, destacando como os livros didáticos, em especial, a coleção de Cereja e Magalhães (2009), trazem esse assunto. Propõe-se, portanto, confrontar a visão da gramática tradicio- nal (refletida nas gramáticas de Evanildo Bechara (2003) e Celso Cunha e Lindley Cintra (2008)) com estudos linguísticos como o de Cyrino (1997, 2000, no prelo), que observam um crescente aumento do objeto nulo no PB. Objetivamente, (i) verificaremos a expressão do objeto anafórico no PB, observando os contextos que favorecem ou não a ocorrência do objeto nulo ou preenchido (pronominal ou Sintagma Nominal); (ii) verificaremos como esse fenômeno é tratado no livro didático acima referido; para, então, (iii) fazermos uma discussão sobre tal assunto no âmbito do ensino de gramática, especificamente de sintaxe, no que diz respeito ao estudo dos complementos verbais nos ensinos fundamental e médio.
Após consultarmos as GTs e os livros didáticos do ensino básico, faremos uma reflexão crítica sobre a (não) abordagem do fenômeno, do objeto nulo propriamente, nas aulas de língua portuguesa.
SESSÃO 4
ENSiNO DE GRAMÁtiCA COM bASE NO tExtO
O ensino de língua portuguesa nos níveis fundamental e médio tem, muito frequentemente, tratado as questões grama- ticais de modo artificial, ao privilegiar o estudo de palavras ou frases soltas, isoladas de seu contexto de uso ?isoladas do texto. Perde-se, assim, a oportunidade de levar os alunos a perceber que as relações gramaticais não se reduzem à palavra ou à frase e sim perpassam o texto como um todo. Os textos, muito além de meramente servirem para ilustrar modos de emprego de algum item ou categoria gramatical, representam em si o objeto mais adequado ao estudo da língua. É
mais importam para a compreensão e interpretação dos textos em questão e, em decorrência, para a ampliação da com- petência comunicativa dos alunos, meta principal do ensino de língua portuguesa. Quando o texto é o objeto de estudo, de qualquer tópico gramatical que tomemos como ponto de partida para a análise em sala de aula, podemos chegar a inúmeros outros, percorrendo uma trajetória de abordagem aos fatos gramaticais que faça sentido para os alunos, isto é, que represente uma experiência real com a língua e não uma situação artificialmente criada. Alinhando-nos a essa perspectiva, apresentamos, na sessão coordenada “Ensino de gramática com base no texto”, sob uma ótica funcionalista, reflexões e proposições com o objetivo de fornecer subsídios para a construção de uma abordagem à gramática da língua portuguesa como uma prática cotidiana centrada no texto.
EStRAtÉGiAS FUNÇÃO > FORMA & FORMA > FUNÇÃO: SUGEStÕES PARA O ENSiNO DE GRAMÁtiCA COM bASE NO tExtO Maria Alice tavares (UFRN) - coordenadora
De uma perspectiva funcionalista, apresentamos duas estratégias que podem ser adotadas pelos professores de língua portuguesa na orientação de seus alunos para o trabalho de análise linguística em sala de aula. A primeira dessas estraté- gias tem como ponto de partida a forma linguística. Nesse caso, os alunos analisam as diferentes funções desempenhadas por uma dada forma em textos de gêneros variados, orais e escritos, de diferentes graus de formalidade. A segunda estra- tégia tem como ponto de partida a função, caso em que os alunos analisam diferentes formas que possuem uma mesma função, também fundamentados em textos de gêneros variados. Com a finalidade de exemplificar ambas as estratégias, descrevemos procedimentos passíveis de ser seguidos para: (i) estudar a miríade de funções desempenhadas pela forma AÍ em âmbitos gramaticais como dêixis, anáfora e articulação textual; (ii) estudar uma função do âmbito da articulação textual, a indicação de consequência/conclusão, identificando as formas que a desempenham e seus contextos de uso prototípicos. Com base nos procedimentos sugeridos, concluímos que, quando o processo de ensino/aprendizagem de língua portuguesa acontece em uma situação em que o texto é o objeto de estudo, de qualquer aspecto gramatical – seja uma forma, seja uma função –que tomemos como ponto de partida para a atividade de análise linguística, podemos chegar a inúmeros outros, percorrendo uma trajetória de abordagem aos fatos gramaticais que faça sentido para os alunos, isto é, que represente uma experiência real com a língua e não uma situação artificialmente criada. Nessa ótica, o momento de estudar advérbios ou a coordenação entre orações não é determinado apenas pela ordenação dada aos capítulos de um livro didático ou uma gramática normativa, mas também porque alguém falou, ouviu, leu ou escreveu algo que trouxe à tona a necessidade dos alunos de aprofundar o conhecimento a respeito de certo tópico gramatical.
Uma experiência com a língua leva à outra, e todas são válidas para que os alunos consigam ampliar suas gramáticas indi- viduais de modo a torná-las cada vez mais heterogêneas, isto é, dotadas de uma multiplicidade de estratégias gramaticais que podem ser adaptadas às exigências de situações de comunicação variadas.
PERíFRASE [iR/PEGAR/CHEGAR (E) v2] NA FAlA E NA ESCRitA: SUGEStÕES PARA O ENSiNO DE GRAMÁtiCA COM bASE NO tExtO Josele Julião laurentino(UFRN)
laralis Nunes de Souza(UFRN) Maria Alice tavares(UFRN)
Guiadas pelo referencial teórico do funcionalismo linguístico, focalizamos a perífrase [V1 (E) V2], em que V2 é o verbo lexical principal e V1 é um verbo auxiliar que indica aspecto global, sinalizando que o evento denotado por V2 é um todo pontual, repentino e/ou surpreendente. O papel de V1 é comumente desempenhado por verbos como IR, PEGAR e CHEGAR, em construções como “Foi/Pegou/chegou e disse que discordava”, “Foi/pegou/chegou e acreditou no amigo”.
Esse uso é frequente no português brasileiro contemporâneo, especialmente na fala, mas também aparece na escrita, em gêneros variados, como romances infanto-juvenis, entrevistas publicadas em jornais e revistas, histórias em quadri- nhos, tirinhas, letras de música, blogs. Por predominar em textos marcados pela informalidade, a perífrase [V1 (E) V2], embora recorrente na vida cotidiana dos brasileiros, dificilmente é abordada na escola, que tende a se deter em textos de registros mais formais – isso quando textos são trabalhados, pois, não raro, os alunos defrontam-se mais com regras e nomenclaturas e muito pouco com atividades de leitura e produção textual. Face a essa situação, temos por objetivo fornecer sugestões para uma abordagem à perífrase [V1 (E) V2] na disciplina de língua portuguesa em escolas de nível fundamental e médio de ensino, defendendo que a análise de qualquer aspecto da gramática deve ser feita com base em textos de diferentes gêneros orais e escritos. Articulando os processos de leitura, produção textual e análise linguística para fornecer experiências ricas e variadas de emprego da perífrase sob enfoque, a escola contribuirá com o desenvolvido de habilidades para o uso da língua de forma autônoma, crítica e criativa, aprimorará a reflexão e a prática da língua oral e escrita e possibilitará a ampliação do universo linguístico do aluno.
CONECtORES SEqUENCiADORES EM ARtiGOS DE OPiNiÃO: SUGEStÕES PARA O ENSiNO DE GRAMÁtiCA COM bASE NO tExtO Flávia Angélica de Amorim Andrade(UFRN)
Segundo o funcionalismo linguístico, a gramática é adquirida através da experiência do indivíduo com a língua em diferen- tes situações de interação, processo que tem início na infância, sofre maior sistematização no período escolar e perdura por toda vida. Nessa perspectiva, o professor de Língua Portuguesa dos níveis fundamental e médio de ensino tem o importante