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Conceitos inter-relacionados de Joyce Travelbee

1- INTRODUÇÃO

5.3. Conceitos inter-relacionados de Joyce Travelbee

ENFERMAGEM

“È um processo interpessoal onde a enfermeira (o) assiste o ser humano, família ou comunidade para prevenir ou enfrentar uma experiência de doença ou sofrimento.

(TRAVELBEE apud LEOPARDI, 2006, p. 252)”.

Ainda para a autora, a enfermeira (o) é uma pessoa com conhecimentos e habilidades para a assistência, uma facilitadora, interessada em ajudar os outros e a si mesma, na prevenção, promoção, recuperação e reabilitação.

A Enfermagem enquanto profissão é comprometida com o reconhecimento da saúde como direito e condições dignas de vida e atua de forma a garantir a integralidade da assistência, entendida como conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, planejando e propiciando a população o conhecimento sobre saúde nos diferentes grupos e em distintos processos da vida.

SER HUMANO

“É o indivíduo único e insubstituível, original, semelhante e ao mesmo tempo desigual em relação à outra pessoa, no presente ou futuro. (TRAVELBEE apud LEOPARDI, 2006, p. 256)”.

Ainda segundo Travelbee, o ser humano é conhecido por seus atos e seu comportamento e não por seus pensamentos benévolos que podem jamais traduzir-se em ajuda concreta. Ele é único e diferente, é uma pessoa capaz de dirigir e controlar sua própria conduta, reconhecer a própria participação em uma experiência e percebê-la correta e válida, reconhecer seu próprio sentimento e comportar-se com eles, ter senso de humor, pensar que os problemas têm solução, aceitar sua obrigação de atuar.

Ao cuidarmos do ser humano devemos considerar os quatro princípios fundamentais da bioética para nortear nossas ações: beneficência, não maleficência, autonomia e justiça. A beneficência refere-se à obrigação ética de maximizar benefícios e minimizar danos ou prejuízos, ou seja, salvaguardar o bem-estar dos sujeitos. A não- maleficência significa não causar danos ou prejuízos, envolve abstenção e é assegurada a todas as pessoas, sendo a primeira e grande norma de conduta dos profissionais da área da saúde. A autonomia refere-se ao grau de poder da pessoa de tomar decisões que afetam sua vida, sua integridade e suas relações sociais. De forma sintética, podemos dizer que o respeito pela pessoa deve atender/primar pelo respeito à sua autonomia em deliberar sobre suas escolhas. E aquelas pessoas com autonomia diminuída (dependentes/vulneráveis) devem ser protegidas contra danos ou abusos (MONTAGNIER, 1995).

A autonomia do sujeito é um dos pontos básicos que fundamenta toda e qualquer relação entre seres humanos (MONTAGNIER, 1995).

COMUNICAÇÃO

“É um processo que irá permitir a um enfermeiro (a) a conseguir estabelecer uma relação pessoa-pessoa, concretizando dessa forma a finalidade dos cuidados, que é ajudar indivíduos as famílias a impedir ou enfrentar problemas físicos, psicológicos e emocionais, sempre encontrando um significado para os mesmos. É a capacidade humana de estabelecer a troca de informações e significados sobre o mundo e sobre si mesmo. (TRAVELBEE apud LEOPARDI, 2006)”.

Através da comunicação, o ser humano, a família, as instituições e a comunidade compartilham mensagens, sendo que pode exercer ou não, mudança no comportamento das pessoas envolvidas, através de seu entendimento.

A comunicação constitui o fundamento cultural da pessoa humana, e, mais que isso, da própria vida. É também uma necessidade básica, sem a qual a existência da humanidade seria impossível. Ela está presente em todas as etapas da vida, constituindo-se elemento essencial para a interação dos seres humanos e pode ter objetivos específicos; pode se prestar a relações interpessoais, ligações de grupo e à transmissão de idéias, ensinamentos, convencimentos, cultura, e lazer, dentre outros (TRAVELBEE, 1999).

Ao falar da comunicação com o paciente, TRAVELBEE descreve algumas técnicas que a enfermeira pode levar em consideração, entre elas: saber a hora de falar e de calar-se; discutir temas relevantes e apropriados a cada situação; saber ouvir, mesmo que seus pensamentos divirjam dos pensamentos do outro; usar seus atributos pessoais, como caráter, a experiência anterior, o bom senso, o conhecimento científico e a preocupação com o bem-estar do paciente.

INTERAÇÃO

“É um contato que envolve indivíduos, no qual há uma influência recíproca; pode ter uma comunicação não-verbal ou verbal. (TRAVELBEE apud LEOPARDI, 2006, p.

257)”

Em sua demarcação científica Travelbee usa um conceito básico de interação que é para ela, o contato que envolve indivíduos, e uns influenciam aos outros, através de uma comunicação verbal ou não-verbal. A relação com o processo de saúde se

estabelece na capacidade de superar conflitos, que vai originar a finalidade da enfermagem. (LEOPARDI, 2006)

RELAÇÃO PESSOA-PESSOA

“Envolve enfermeiro e paciente numa experiência recíproca, por meio da qual a finalidade dos cuidados é realizada [...] A relação pessoa-pessoa é uma interação entre seres humanos, na qual não se evidencia qualquer processo de hierarquia, de modo que ambos podem compartilhar seus sentimentos, valores e significados, através do processo de comunicação. (TRAVELBEE apud LEOPARDI, 2006, p. 257-258)”

Esta relação pessoa-pessoa constitui uma meta a ser alcançada. É o resultado final de uma série de interações planejadas entre dois seres humanos: a enfermeira e o paciente. Será também uma série de experiência para os pesquisadores e os pesquisados, durante as quais, ambos desenvolvem uma capacidade crescente para estabelecer relações interpessoais. Destaca-se que uma das características desta relação é que ambos experienciam o crescimento e mudança de comportamento (TRAVELBEE, 1999).

Um outro ponto destacado pela autora, como fundamental para o êxito do relacionamento pessoa-a-pessoa, é o compromisso dos envolvidos. Isto faz com que a relação seja única e original, já que cada momento não pode ser repetido. Para ela, a interação não pode existir sem compromisso. Comprometer-se, significa transcender-se e interessar-se pelo bem-estar da outra pessoa. Quando se refere a transcender quer dizer que o seu compromisso vai muito mais além do esperado, que envolve e ultrapassa todas as dimensões que envolvem a vida daquele ser humano.

PERCEPÇÃO

“Refere-se ao movimento interno de uma pessoa para tomar consciência do mundo que o cerca, decifrando-o de acordo com suas experiências. (TRAVELBEE apud LEOPARDI, 2006, p. 258)”

Ao permear os objetivos da pesquisa partimos do princípio de que para perceber de forma verdadeira como se dá a comunicação entre os adolescentes e sua família, é necessária a criação de vínculos entre as pesquisadoras e os sujeitos da pesquisa.

A percepção pode ser descrita como a forma como vemos o mundo à nossa volta, o modo segundo o qual o indivíduo constrói em si a representação e o

conhecimento que possui das coisas, pessoas e situações, ainda que, por vezes, seja induzido ao erro. Percepcionar algo ou alguém é captá-lo através dos sentidos e também fixar essa imagem. As relações entre o indivíduo e o mundo que o rodeia são assim regidas pelo mecanismo perceptivo e todo o conhecimento é necessariamente adquirido através da percepção (LEOPARDI, 1999).

5.4 - Conceitos Adotados

PACIENTE INFECTADO PELO HIV

Ser humano que, circunstancialmente, entrou em contato com um vírus que pode vir a causar uma doença grave, no momento ainda sem cura, mas que se mostra, a cada dia que passa, ser uma moléstia tratável e controlável (CAMARGO, 1994).”

FAMÍLIA

“É uma unidade dinâmica constituída por pessoas que se percebe como família, que convivem por determinado espaço de tempo, com uma estrutura e organização em transformação, para atingir objetivos comuns, construindo uma história de vida. Os membros da família estão unidos por laços consangüíneos, de interesse e/ou afetividade. Tem identidade própria, possui, cria e transmite crenças, valores e conhecimentos comuns influenciados por sua cultura e nível sócio - econômico. A família tem direitos e responsabilidades, vivem num determinado ambiente em interação com outras pessoas, famílias, escola, posto de saúde e outras instituições em diversos níveis de aproximação. Define objetivos e promove meios para o crescimento e desenvolvimento contínuo de seu processo de viver (GAPEFAM, 1995, p. 23).”

Conforme BRASIL (2007), podemos considerar família como um sistema ou uma unidade cujos membros podem ou não estar relacionados ou viver juntos, pode conter ou não crianças sendo elas de um único pai ou não. Nela existe um compromisso e um vínculo entre os seus membros e as funções de cuidado da unidade consistem em proteção, alimentação e socialização.

AMBIENTE

“É o meio físico, social, cultural, econômico, político e simbólico com o qual a família, grupo, centro de saúde e comunidade interagem dinamicamente. É constituído por

todos os seres e as relações existentes entre eles, formando um conjunto de crenças, valores que determinam o processo de viver, sem negar a própria condição humana reflexiva de autodeterminar-se e reagir, conhecendo e criando novos valores e crenças que podem provocar mudanças onde estão inseridos. Nele, a família e os indivíduos que a constituem, interagem com outros, e as demais instituições e comunidade em diversos níveis de aproximação, em condição de lazer ou trabalho, afetividade ou interesse, em um processo dinâmico e contínuo para transformarem o ambiente e serem transformados por ele, construindo histórias de vida, que determinam a qualidade de vida do ambiente (GAPEFAM, 1995, p. 25).”

Travelbee não define ambiente e sim define as condições humanas e experiência de vida em que o ser humano se depara como dor, doença, sofrimento, esperança e desesperança, entre outras, que podem ser equacionadas.

Em geral, o ambiente consiste no conjunto das substâncias, circunstâncias ou condições em que existe determinado objeto ou em que ocorre determinada ação.

ADESÃO

“A adesão é um processo dinâmico, multifatorial (aspectos comportamentais, psíquicos, sociais), que requer decisões compartilhadas e co-responsabilizadas entre o usuário do serviço, a equipe de saúde e a rede social de apoio, e com abordagem que atenda às singularidades sócio-culturais e subjetivas, visando a uma melhor qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV/Aids (GAPEFAM, 1995)”.

Como diretriz do Programa Nacional de DST/Aids, Adesão é tema transversal – perpassa todas as ações em saúde, e deve ser desempenhada por todos os profissionais dos serviços dessa área. Também é diretriz do Programa Nacional (PN) que as ações em DST/Aids fortaleçam as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS): humanização, integralidade, descentralização. É nessa diretriz que as estratégias estão pautadas.

Portanto, a adesão - sendo um processo que implica em vínculos (desde o vínculo do paciente com a própria condição, até os vínculos sociais), comportamentos e interações que vão muito além das prescrições e o ‘cumprimento de ordens’ – transcende, e em muito, a questão concreta do uso de medicamentos. (LIMA, 2005, p.

10)

A adesão ao tratamento tem representado um desafio para a assistência às pessoas vivendo com HIV/Aids. Entendendo que adesão ao tratamento não se limita ao uso correto e adequado dos medicamentos anti-retrovirais, as equipes de saúde devem procurar abordar também outras questões relacionadas ao viver e conviver com HIV/Aids, questões essas que permeiam não apenas o processo de adesão ao tratamento, mas também o próprio processo de cuidado em HIV/AIDS (SABER VIVER, 2007).

6 - O PERCURSO METODOLÓGICO

Como o tema desta pesquisa envolveu o estudo da percepção do portador de HIV e a relação com seus familiares, optou-se pela abordagem metodológica qualitativa descritiva do tipo relato de experiência.

Segundo Trivinos, 1987, a pesquisa qualitativa descritiva pretende descrever com exatidão os fatos e os fenômenos de determinada realidade, o que exige do pesquisador uma série de informações sobre o que se deseja pesquisar, como por exemplo, a população, a amostra e as questões da pesquisa.

Também segundo Leininger (1985) apud (Gualda) 2002, o paradigma qualitativo é o mais adequado para se descobrir às características, os padrões e o significado do fenômeno em estudo. O pesquisador entra e permanece no mundo das pessoas e utiliza métodos naturais de investigação para observar, documentar e aprender sobre elas e seu esquema de referências.

6.1 - Caracterização Geral do Estudo

Para Figueiredo, 2004, no método da pesquisa qualitativa descritiva do tipo relato de experiência, está direcionado para a investigação dos significados das relações humanas, onde suas ações são influenciadas pelas emoções e/ou sentimentos aflorados diante das situações vivenciadas no dia-a-dia. Tem como objetivo principal a descrição das características de determinada população ou fenômeno.

E ainda segundo o autor, o relato de experiência é o estudo que revela as ações do indivíduo como agente humano e participante da vida social. O informante conta a sua história e o pesquisador pode desvendar os aspectos subjetivos da cultura e da organização social.

6.2 - Caracterização dos Sujeitos do Estudo

♥ Dez clientes do atendimento do grupo de HIV, sendo eles do sexo feminino e masculino;

♥ Cadastrados na Unidade Central de Saúde município estudado;

♥ Residentes no município;

♥ Pacientes que foram até a Unidade de Saúde, para a realização de consulta com o médico infectologista e exame de CD4 + CV que aceitaram participar do estudo, tendo eles assinado o termo de consentimento livre e esclarecido;

♥ No sentido de preservar a identidade dos sujeitos e a confidencialidade dos dados, os sujeitos foram identificados no texto através de nomes de artistas o qual eles mesmos escolheram.

6.3 - O Campo da Ação

Esta proposta foi desenvolvida na Unidade Central de Saúde do município estudado, onde está instalado o programa de DST/AIDS. Para a entrada no campo, foi solicitada a autorização a direção da Unidade Central de Saúde, que após análise do projeto nos autorizou a realizá-lo na instituição.

A data de início da coleta de dados foi no mês de janeiro de 2008 que se estendeu até março de 2008. As entrevistas foram realizadas em ambiente reservado, todas as terças e quintas-feiras das 07h00min as 12h00min horas utilizando-se a sala de coleta de exames do programa DST/AIDS. Enquanto uma das pesquisadoras fazia os questionamentos, a outra procurava anotar as falas com maior fidedignidade, sendo depois digitadas.

6.4 - Coleta de Dados

Os dados iniciais foram realizados, através de observações e inferências sobre a natureza das necessidades e compreensão do indivíduo sobre o que está acontecendo. Nosso primeiro contato com os pacientes participantes da pesquisa ocorreu no programa DST, na Unidade Central de Saúde quando os mesmos se dirigiram até este local com a finalidade de consultar com o médico infectologista, buscar medicamentos ou para coleta dos exames de CD4 e carga viral.

Para a realização desta pesquisa foi utilizado um questionário com sete perguntas abertas, através do qual foram abordados 25 pacientes, sendo que 15 não aceitaram participar da pesquisa e 10 concordaram com a entrevista sendo este o número de participantes planejados para a realização desta pesquisa.

Os dados foram coletados por meio de entrevistas com os participantes no contexto onde estão sendo atendidos, através de entrevistas abertas e conversas informais com os

mesmos. A obtenção das informações se deu como segue: Entrevista - com os sujeitos do estudo referido anteriormente, utilizando-se a conversa informal sobre:

♥ Sua vida, seus projetos para o futuro após a contaminação pelo vírus HIV;

♥ O que mudou depois do resultado do HIV positivo;

♥ Como está sendo o relacionamento com a família;

♥ Quais os planos que o entrevistado tem para o futuro;

♥ Quais as dificuldades encontradas no decorrer do resultado do HIV positivo para o paciente e seus familiares;

♥ Qual o conhecimento do paciente infectado em relação ao conjunto de sinais e sintomas que sugerem a infecção pelo HIV;

Na abordagem ao paciente em tratamento de HIV/AIDS, explicamos o termo de consentimento livre e esclarecido e deixamos claro que se tratava de uma pesquisa universitária de Trabalho de Conclusão de Curso, enfatizando que poderiam desistir da participação na pesquisa a qualquer momento.

Para os mesmos, foi assegurado, também, o anonimato conforme o termo de consentimento livre e esclarecido.

Segundo Figueiredo (2004), a observação participante representa um modo de obter informações, ao mesmo tempo em que implica uma série de comportamentos nas situações em que se está envolvida. Assim sendo, o pesquisador move-se nos papéis de observador e participante, conforme as condições encontradas em seu dia-a-dia no trabalho de campo.

No primeiro passo, os pesquisadores concentraram-se nas observações. Observar e escutar são os aspectos essenciais. O observador busca obter uma visão ampla da situação e, gradualmente, faz observações detalhadas. É essencial que seja reservado algum tempo para a documentação detalhada das observações, antes que haja interação ou participação mais direta com as pessoas, pois isto permite verificar o que está ocorrendo antes que a situação seja influenciada pela participação de um estranho.

Nessa fase, o observador é também observado e testado.

6.5 - Registro de Dados

Os dados obtidos para o diagnóstico foram coletados a partir das observações e foram anotados de forma resumida no campo, para que fosse plausível a reconstrução

posterior das circunstâncias e relatos. As anotações completas foram feitas posteriormente, ao final de cada período de observação.

Neste segundo passo, a observação continua, mas alguma participação ocorre. O pesquisador começa a interagir mais com as pessoas e observa suas respostas.

6.6 - Plano e Implementação

Nesse terceiro e quarto passos de plano e implementação, as pesquisadoras tornam-se participantes nas atividades dos informantes, ficando difícil fazer observações detalhadas de todos os aspectos. Elas desenvolvem vários níveis de participação para aprender com as pessoas, sentir e experimentar através do envolvimento direto nas atividades. É importante, porém, que se mantenha sempre como observador atento, embora isto ocorra com menor intensidade.

Do processo de observação participante, o pesquisador faz observações reflexivas para determinar o impacto dos eventos, ou dos acontecimentos na vida das pessoas. Observação reflexiva significa “olhar para trás”, relembrar como se desenvolve todo o processo e avaliar como as pessoas responderam ao pesquisador. Isso o auxilia a considerar a influência sofrida e o desempenho das pessoas. Representa uma síntese de todo o processo de forma seqüencial e particular, para se obter uma visão integral.

6.7 - Avaliação dos Dados

No quinto passo, a avaliação dos dados aconteceu a partir da fala do sujeito do estudo, do processo observacional. No processo de análise, foram levadas em consideração as entrevistas e conversas informais. Na análise dos conteúdos desse estudo, foi levado em consideração o aspecto levantado por Minayo, quando coloca que:

“A expressão mais comumente usada para representar o tratamento dos dados de uma pesquisa qualitativa descritiva é a análise de conteúdo. No entanto, o termo significa mais do que um procedimento técnico. Faz parte de histórica busca teórica e prática no campo das investigações sociais”, MINAYO (1996 p. 199)”.

Segundo Minayo (1996), assim, os conteúdos obtidos das falas e das observações foram organizados em três momentos: a pré-análise, em que se organiza o

conteúdo obtido; a exploração do material, os dados a serem codificados buscando ver nesta os elementos centrais para a discussão; e o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação em que os resultados brutos serão tratados de maneira a serem significativos e válidos, permitindo ao pesquisador a realização de inferências e interpretações.

7 - RESULTADO METODOLÓGICO

Através da análise e interpretação dos dados coletados na pesquisa passamos a descrever a temática de acordo com os sujeitos e cenários de estudo. Através de nossas observações e conversas buscamos responder às questões que norteiam o estudo, resgatando o tratamento dos resultados.

Com a organização e leituras dos dados coletados, podemos ordenar questões, observações e as falas que serviram de apoio para sua interpretação. Na análise e discussão dos dados as questões que foram apresentadas aos pacientes, são as seguintes:

1 – Qual o impacto do resultado HIV positivo para você sua família?

2 – Quais são seus projetos para o futuro após a contaminação pelo vírus HIV?

3 – O que mudou depois do resultado do exame HIV positivo?

4 – Como está sendo o relacionamento com a família?

5 – Quais os planos que você tem para o futuro?

6 – Quais as dificuldades encontradas no decorrer do resultado do HIV positivo para você e seus familiares?

7 – Qual o conhecimento que você tem em relação ao conjunto de sinais e sintomas que sugerem a infecção pelo HIV?

Este trabalho foi encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), da Universidade do Vale do Itajaí para apreciação em agosto de 2007, mas retornou devido a necessidade de algumas correções. Refizemos e enviamos novamente ao CEP, sendo aprovado em Setembro de 2007, o que nos autorizou o início da coleta de dados.

No início da realização da coleta de dados tivemos dificuldade na aceitação dos pacientes em participar da pesquisa, pois falar de HIV envolve o íntimo de uma pessoa, e muitos pacientes não tiveram coragem nem de contar para a própria família. Mas, aos poucos, conseguimos estabelecer uma relação de confiança com os mesmos, nos possibilitando conhecer suas histórias, suas dificuldades, angústias, medos e dúvidas, conseguindo assim concluir nossa pesquisa.

Outra dificuldade que encontramos foi o espaço para realizar a entrevista, pois não haviam salas disponíveis e tivemos que utilizar a sala de coleta de exames, sendo pequena para a presença de três pessoas, e o tempo disponível dos pacientes para

responderem as perguntas também foi uma dificuldade encontrada, pois alguns não puderam responder ao questionário, por falta de tempo.

As facilidades que encontramos foi o fato de uma de nós já trabalhar no Programa DST/AIDS e a aceitação da Coordenadora para que fosse realizada essa pesquisa, tendo ela nos facilitado o acesso aos prontuários dos pacientes e para conhecer o funcionamento de todo o programa.

8 - EVIDENCIANDO OS ASPECTOS ÉTICOS

De acordo com a Resolução 196/96 que prevê as normas de pesquisa que envolve seres humanos, foram tomadas todas as precauções com as questões éticas, incluindo a proteção, confidencialidade e sigilo dos pacientes e seus familiares, assim também por parte da Instituição de Ensino, durante todo o processo da pesquisa e sua divulgação.

Conforme Gelaim 1996, o enfoque ético, até então, estava centrado no bem estar da pessoa isolada da comunidade, porém surge a preocupação e a necessidade de considerar o ser humano como um ser social.

Assim, com o modelo social – problematizador, o pólo de preocupações se desloca da pessoa individual para a coletividade, centrando-se na pessoa com a valorização da conscientização para a conquista dos direitos e valores da cidadania com responsabilidade ética.

No contexto de coletividade, a busca de valores humanos perdidos com a racionalização e com a robotização é repensada. A enfermagem deve dirigir suas ações sempre priorizando os direitos de cada indivíduo/família, para isto, a/o enfermeira/o precisa ter conhecimento sobre o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem (1992), do cap.II artigo 18, in Gelaim, 1996:

“O enfermeiro é responsável por manter-se atualizado, ampliando seus conhecimentos técnicos, científicos e culturais, em benefício do cliente, coletividade e da profissão”.

Vasconcelos 1997 coloca que o enfermeiro deve ocupar seu espaço como educador, sendo um agente de mudança, minimizando a carência do conhecer da população que o cerca, abrindo novos horizontes, desmistificando certos pensamentos, gerando maior saber e confiança, respeitando e compreendendo a diversidade de hábitos e modos de conduta de cada família em particular, contribuindo para a preservação da identidade dessas.

Nesta perspectiva, o Enfermeiro, em seu papel de educador, é um profissional ético, uma vez que está exercendo e fazendo exercer a cidadania. Conforme Lima 2005, as questões éticas não se restringem à realização de pesquisas, mas também às práticas de intervenção: em primeiro lugar, é necessário garantir a confidencialidade: o paciente HIV+ não quer ter seus diagnósticos difundidos, uma vez que ainda são estigmatizados.

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