masculino (Tabela 1).De acordo com IMBIRIBA et al., (2008), a hanseníase em adultos é mais frequente no sexo masculino, e o risco de exposição é determinante dessa diferença e que, em relação às crianças, não há diferenças, segundo sexo. Porém, no presente estudo, observou-se percentual maior no sexo masculino (60,6%) do que no feminino (39,3). Em contrapartida, estudos feitos por LUNA (2013), com relação ao gênero, observou-se maior prevalência no sexo feminino. A ocorrência de casos de hanseníase, aparentemente, tem igual frequência entre ambos os sexos na população em geral.
Observou-se que, no total dos anos, a classe multibacilar representou 55,5%, e a paucibacilar, 44,4% dos casos, sendo que houve uma associação significativa entre a classificação multibacilar e o sexo masculino. A maioria dos pacientes, quando diagnosticados de formas multibacilares, serve de alerta para o serviço local, pois é considerada a forma contagiante e potencialmente incapacitante da doença (BRASIL, 2001).
As formas MB caracterizadas como transmissíveis, quando não diagnosticadas e/ou tratadas, vão eliminar bacilos para o meio e disseminar a doença, mantendo, assim, a cadeia de transmissão. Uma vez diagnosticada a hanseníase, cabe aos serviços de saúde evitar que os doentes MB continuem transmitindo a doença, bem como instituir, precocemente, a terapêutica para os doentes PB, buscando a destruição dos bacilos existentes no organismo e evitando a evolução da doença e a instalação de sequelas incapacitantes (BRASIL, 2002).
Verificou-se que os homens foram mais acometidos pela hanseníase. Notou-se, ainda, uma predominância dos casos multibacilares em relação aos paucibacilares, no período analisado. Os achados deste trabalho reforçam a necessidade da realização de estudos regionais para se conhecer melhor a distribuição da doença a nível local, levantando aspectos que possam contribuir para ações de prevenção, diagnóstico e tratamento precoce, evitando as incapacidades e deformidades da hanseníase. Esses estudos devem possibilitar a construção de indicadores epidemiológicos seguros e que indiquem a real dimensão e a tendência da hanseníase no estado do Acre, contribuindo para um efetivo controle da mesma.
5. REFERÊNCIAS
AUGUSTO, C.S; LOPES, S. M. Adesão do comunicante de hanseníase à profilaxia. Saúde Coletiva, v. 3, n. 11, p. 85-90, 2006.
ARAUJO, M.G. Hanseníase no Brasil. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, Uberaba, v. 36, n. 3, p. 373-382, 2003.
ARANTES, C.K; GARCIA, M.L.R; FILIPE, M.S; NARDI, S.M.T; PASCHOAL, V.D.A.
Avaliação dos serviços de saúde em relação ao diagnóstico precoce da hanseníase. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 19, n. 2, p. 155-164, 2010.
AZULAY, R.D; AZULAY, D.R. ZULAY; AZULAY-ABULAFIA, L. Dermatologia revisada e atual. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.
BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de procedimentos técnicos baciloscopia em hanseníase. Brasília-DF: Editora MS, 2010. Cap. 2, p. 10. 2010.
BOECHAT, N; PINHEIRO, L.C.S. A Hanseníase e a sua Quimioterapia. Revista Virtual Química, v. 4, n. 3, p. 247 - 256, 2012.
BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria n°. 3.125, de 7 de outubro de 2010: Aprova as diretrizes para vigilância, atenção e controle da hanseníase. 2010.
BRASIL, Ministério Da Saúde. Guia de vigilância epidemiológica. Secretaria de Vigilância em Saúde. Ministério da Saúde, p. 07-21, 2005.
BRITO, K.K.G; ARAÚJO, D.A.L; UCHÔA, R.E.M.N; FERREIRA, J.D.L; SOARES, M.J.G.O;
LIMA, J.O et al. Epidemiologia da hanseníase em um estado do nordeste brasileiro. Revista de enfermagem UFPE, v. 8, n. 8, p. 2686-2693, 2014.
CAVALCANTI, F.L.I; RODRIGUES, M.L.T; ARAÚJO, V.M.C. Perfil clínico-epidemiológico da hanseníase em menores de 15 anos no município de Juazeiro-BA. Revista Brasileira em Promoção da Saúde, v. 26, n. 2, p. 208-215, 2013.
DRUTZ, D.J; CHEN, T.S.N; LU, W-H. The continuous bacteremia of lepromatous leprosy. New England Journal of Medicine, v. 287, n. 4, p. 159-164, 1972.
FARIA, J.L. Patologia Geral: Fundamentos das doenças, com aplicações clinicas.
Guanabara Koogan, 2003.
FRANCO, M.C.A. Dinâmica de transmissão da hanseníase em menores de 15 anos em área hiperendêmica na Região Norte do Brasil. (Tese) Doutorado de medicina tropical da Universidade Federal do Pará, Brasil 2014.
FREITAS, B.H.B.M. Indicadores e determinantes clínicos e epidemiológicos de hanseníase em menores de quinze anos, Mato Grosso, Brasil. (Dissertação) Mestrado em Enfermagem da Universidade federal do Mato Grosso, Brasil. 2015.
FOSS, N.T. Aspectos imunológicos da hanseníase. Medicina (Ribeirao Preto. Online), v.
30, n. 3, p. 335-339, 1997.
FILGUEIRA, N.A; COSTA J.J.I;LEITÃO, C.C.D.S; LUCENA, V.G.D; MELO, H.R.L.D;
BRITO, C. A. A. D. Condutas em clínica médica. Medsi, 2001.
GOULART, I.M.B; PENNA, G.O; CUNHA, G. Imunopatologia da hanseníase: a complexidade dos mecanismos da resposta imune do hospedeiro ao Mycobacterium leprae.
Revista Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v. 35, n. 4, p. 365-75, 2002
IMBIRIBA, E.B; Hurtado-Guerrero, J.C; Garnelo, L; Levino, A; Cunha, M.D.G; Pedrosa, V.
Perfil epidemiológico da hanseníase em menores de quinze anos de idade, Manaus (AM), 1998-2005. Revista de Saúde Pública, v. 42, n. 6, p. 1021-1026, 2008.
LANA, F.C.F; PINHEIRO, A.E; MOURA, L.F; LAMOUNIER, L.P; NASCIMENTO, C.A.C;
GONÇALVES, D.L. Hanseníase em menores de 15 anos no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, Brasil. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 60, n. 6, 2007.
LYON, S.; LYON-MOREIRA, H. Marcadores biológicos na Hanseníase. In: LYON S, GROSSI MAF. Hanseníase, Rio de Janeiro: Medbook, v.1, n.1, 2013.
MATOS, E.V.M; FERREIRA, A.M.R; PALMEIRA, I.P; SANTOS, W.N; SILVA, R.A.R.
Hanseníase em menores de quinze anos: uma revisão integrativa da literatura. Revista Prevenção de Infecção e Saúde, v. 1, n. 4, p. 63-72, 2015.
MIRANZI, S.S.C; PEREIRA, L.H.D.M; NUNES, A.A. Perfil epidemiológico da hanseníase em um município brasileiro, no período de 2000 a 2006. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v. 43, n. 1, p. 62-67, 2010.
MOREIRA, T.M.A; PIMENTEL, M.I.F; BRAGA, C.A.V; VALLE, C.L.P; XAVIER, A.G.M.
Hanseníase na atenção básica de saúde: efetividade dos treinamentos para os profissionais de saúde no Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Hansen internacional, v. 27, n. 2, p. 70-76, 2002.
MINISTÉRIO DA SAÚDE (BR). Secretaria De Vigilância Em Saúde. Sistema nacional de vigilância em saúde: relatório de situação.– 5. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2006
MINISTÉRIO DA SAÚDE (BR), Secretaria de Vigilância em Saúde. Situação Epidemiológica da hanseníase no Brasil – análise de indicadores selecionados na última década e desafios para eliminação. Boletim Epidemiológico.2013;44(11):1-12.
NOBRE, M.L. Estratégias para bloquear a transmissão da hanseníase em município hiperendêmico-Mossoró/RN. (Tese) Doutorado de Medicina Tropical do Rio de Janeiro:
Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz, 2016.
RODRIGUES-JÚNIOR, A.L; MOTTI, V.G. Estudo espacial e temporal da hanseníase no estado de São Paulo, 2004-2006. Revista de Saúde Pública, v. 42, n. 6, p. 1012-1020, 2008.
RODRIGUES, L.C.; LOCKWOOD, D.N.J. Leprosy now: epidemiology, progress, challenges, and research gaps. The Lancet infectious diseases, v. 11, n. 6, p. 464-470, 2011.
REES, R.J. LEPRA's elective period student programme, 1973-1983. Leprosy review, v.
55, n. 4, p. 321-325, 1984.
SALLES, B.O; GONÇALVES, A; PADOVANI, C.R. Perfil epidemiológico da hanseníase em Hospital Universitário de Campinas, SP: explorando fichas de notificação. HansenolInt, v.
40, n. 2, p. 36-47, 2015.
SILVA, P.H.A. Levantamento epidemiológico dos pacientes assistidos no serviço de referência em hanseníase do município de Campina Grande-PB no período de 2003 a 2012. (Manuscrito)Trabalho de conclusão de curso de farmácia - Universidade Estadual da Paraíba, 2014.
SANTOS, F.R.C. Perfil clínico-epidemiológico da hanseníase no município de Irecê- Bahia, período 2001 a 2011. (Manuscrito)Trabalho de conclusão de curso de medicina – Universidade Federal da Bahia, 2013.
JÚNIOR, F.J.G.S. Assistência de enfermagem ao portador de Hanseníase: abordagem transcultural. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 61, n. 1, p.1, 2008.
STEFANI, M.M.A. Desafios na era pós genômica para o desenvolvimento de testes laboratoriais para o diagnóstico da hanseníase. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v. 41, p. 89-94, 2008.
Secretária da Saúde de Santa Catarina. Estado de Santa Catarina - Secretaria De Estado Da Saúde - Aspectos Epidemiológicos Da Hanseníase – 2010 (Dados Preliminares). v.
1, n. 1, p. 1-4, 2010.
SOPRANI, S. A; SILVEIRA, C.D; FALQUETO, A. Fatores de risco para transmissão da Hanseníase. Revista brasileira de enfermagem, v. 61, n.1, p.1, 2008.
SILVEIRA, R.P; DAMASCENO, D; MUNIZ, V; LAGOAS, V; RAELE, S; OLIVEIRA, P.P.
Tendência da endemia de hanseníase no estado do Acre: evolução das formas clínicas de 1996 a 2006. Cadernos Saúde Coletiva. v.17, n.1, p.163-174, 2009.
TALHARI, S. Hanseníase bordeline virchowiana. Anais Brasileiros de Dermatologia, v.
85, n. 6, p. 921-2, 2010.
UJVARI, S.C. A história e suas epidemias: a convivência do homem com os microrganismos. Revista do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, v. 45, n. 4, p.
212-212, 2003.
VIEIRA, M.L. Os rumos da cidadania das pessoas atingidas pela hanseníase: uma análise do papel do Morhan no contexto da Constituição de 1988. Mohan. 2009.
WHO, WORLD Health Organization. Estratégia Global para aliviar a carga da hanseníase e manter as atividades de controle da hanseníase. Genebra: World Health Organization, p. 2-27, 2005.