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Considerações Finais

Abstract

4. Considerações Finais

Portugal é um país do extremo oeste europeu e pelo seu acesso aos mares teve momentos fortes de sua marinha, conquistou mercados distantes, dominou territórios e explorou os recursos econômicos disponíveis. Passou por uma união à Espanha e depois levou seu rei ao Brasil fugindo de Napoleão. Nestes períodos Portugal experimentou o seu auge econômico, se tornou um país com destaque econômico mundial.

Anos mais tarde viu os acontecimentos das duas grandes guerras e depois a nação foi liderada por um governo ditatorial, primeiro com Salazar e depois com Caetano. O primeiro voltado a políticas internas e o segundo mais aberto à economia europeia. A ditadura chegou ao fim em abril de 1974 com a Revolução dos Cravos mediante insatisfações generalizadas e com o apoio popular para uma transição de ciclos.

Depois disso, com a Europa tentando criar uma espécie de Estados Unidos da Europa (EU) para tentar concorrer com os EUA, Portugal começou a sua preparação para a adesão ao bloco. Houve reestruturações internas em Portugal para se atender às exigências de união continental e de abertura, diversas políticas econômicas foram implantadas e mecanismos econômicos criados.

O bloco que se originou, para muitos, com a BENELUX em um ambiente de tensão internacional, passou à CECA e se fortaleceu com a criação da CEE. Teve a entrada efetiva de Portugal apenas em 1986 através do Ato Único Europeu e se consolidou como o bloco

econômico mais avançado com o SME e a Zona do Euro. Com os controles monetários e inflacionários em Portugal o país se tornou um dos primeiros países a fazer parte da União Monetária e adotar o Euro como moeda oficial para suas transações, abrindo mão do escudo.

Esta escolha impactou fortemente a economia do país, sobretudo com a crise internacional em meados de 2008, iniciada nos EUA, e que atingiu drasticamente os países Europeus, em particular os considerados de “economias fracas”, como é o caso de Portugal.

Neste ponto, é importante recordar a nossa problemática de pesquisa, que é a seguinte pergunta problema: Portugal obteve benefícios propulsores aos índices macroeconômicos com a adesão à Comunidade Econômica Europeia?

Com a adesão de Portugal à CEE, em 1986, o país passou por um momento de transição.

Os dados demonstram que o PIB, em valores, já estava em crescimento até a entrada do país no bloco, mas a inclinação deste incremento anual foi acentuada nos primeiros anos após a adesão e o país só sentiu uma parada e retração deste montante do PIB com a crise de 2008. Este mesmo comportamento se verifica nos dados de PIB per capita de Portugal, mesmo antes da entrada no bloco o país apresentava uma tendência crescente, mas com a adesão o incremento foi substancialmente aumentado.

Por outro lado, a FBKF apresentava melhores resultados, como percentual em relação ao volume do PIB, antes da adesão à CEE do que depois da adesão. No geral está relação é bastante inconstante, mas os dados demonstram claramente a queda, sobretudo a partir dos anos 2000. E é importante demonstrar que isso denota que mesmo com o PIB em crescimento a taxa de relação foi reduzida.

Os dados disponíveis de deficit e endividamento público apontam que Portugal já acumulava resultados negativos, contudo após a utilização do Euro como moeda e principalmente com a crise de 2008 os resultados foram significativamente piorados.

Os números da balança comercial, por outro lado, passaram a ser superavitários apenas a partir de 2012, ou seja, após o início da crise. Antes disso, o país apresentava constantes resultados de deficit na sua balança comercial. É importante destacar que o volume monetário de importações e exportações foi notoriamente aumentado após 1986. Estas transações comerciais foram estreitamente intensificadas, de longe, principalmente com a Espanha, mas outros países também tiveram aumento nas transações com Portugal, com destaque para os considerados “fortes” da União Europeia.

A composição da pauta, tanto de exportações como de importações, é curiosamente similar em termos de principais conjuntos de produtos. Máquinas, minérios e metais são os itens que mais foram transacionados por Portugal no mercado externo, tanto em compra como em venda, no período analisado. Entretanto, a queda na participação das exportações de peles, couros e têxteis é notória.

Já para o total de empresas do país, os números indicam que houve um aumento significativo ao longo do tempo, mas é importante destacar que ocorreu uma alteração de metodologia para a apuração destes dados. De toda forma, com a primeira metodologia identificava-se um incremento significativo que quase dobrou o número de empresas e já para a segunda que aborda o período mais recente há certa variação, contudo com o impacto de queda, no momento da crise de 2008, levaram os números absolutos a serem quase os mesmos na comparação de 2015 com 2005, mas nos anos próximos ocorreram aumentos da taxa de variação. Também destaca-se que a alteração de metodologia ocorreu em um momento próximo a utilização do Euro por Portugal.

Como já mencionado, a inflação foi controlada para e com a entrada do país na Zona do Euro. A taxa de desemprego do país que apresenta um comportamento cíclico ao longo do tempo sofreu um aumento significativo com a crise 2008. Porém, o desemprego masculino passou a estar em patamares similares ao feminino, fenômeno que não acontecia nos primeiros anos analisados, claro que há outros fatores - exógenos - que ajudam a explicar este comportamento.

A respeito da demografia, vemos nos dados que há um comportamento também cíclico, com destaque para momentos de variação abrupta, ao longo do tempo do saldo total

Revista de Economia Política e História Econômica, número 43, janeiro de 2020

influenciado pela mortalidade e esperança de vida e também pelos efeitos da migração. Mas nota-se que a mortalidade infantil foi reduzida de forma positiva e surpreendente ao longo do período analisado e que a população que migra apresentava variações ao longo do tempo, com a crise passou a mais sair do país do que a entrar.

Os dados do Censo demonstram melhoras nos níveis educacionais do país, bem como o nível de desenvolvimento medido pelo IDH que também apresentaram melhoras, já a pobreza e a concentração de renda do país foram pioradas com os agravamentos da crise de 2008.

Em suma, em mais de trinta anos da entrada de Portugal na União Europeia, os dados apontam para a afirmação de que houve sim melhoras significativas dos indicadores agregados, mas que com a entrada da moeda única o país ficou mais frágil às crises externas e sofreu fortemente com a crise de 2008. E, em comparações com os demais países do bloco nota-se o aumento dos mercados, com a livre circulação, foi mais bem aproveitado pelos demais países do que por Portugal. Nota-se que no agregado, com a União Europeia os países do bloco possuem mais força internacional para competir com os EUA, mas para Portugal de forma isolada, o país ainda está colhendo frutos de forma modesta e incipiente, há ainda um grande potencial para expansão e deixar de ser apenas um mercado demandante, para se tornar um player internacional de vultosas ofertas.