Da mesma forma que dividimos as variáveis do contexto fonológico precedente, procedemos com as do contexto seguinte, ou seja, usamos a mesma classificação, de acordo com o ponto de articulação:
55 Consideramos as africadas[d, t] juntamente com as fricativas porque não tivemos ocorrências desses sons antes da pretônica [o]. Já em relação à pretônica [e], esses ocorrem apenas com a vogal alta [i], o que gerou nocautes.
Como possuem fricção, ao serem produzidas, optamos por não excluí-las da amostra, mas considerá-las juntamente com as fricativas.[tezoua ~ tizoua, desmaio ~ dismaio].
– bilabial [tomava, kobeyo, #opea], [pepino, sebola, semityo]; – labiodental [kofme, novidade],
[defuma, televisaw];
– linguodental [kaoteyo, xodovia, bonito],
[petka, xedoda, peneya];
–linguoalveolar[#oea, sebolia, eposadio, pozey],
[deskobi, bezouo, seoula,felipe];
– linguopalatal [koesi, koonio, oado], [eada, eeo, neu, me];
– velar [koumlo, koxia, sokeia], [seoa, aleki, sexasaw];
– seguida de vogal [koado]; [veado].
Modo de articulação
-oclusiva [opeava, kobava, kaoteyo, xodoviaya, sokeya, foaw], [petka, sebola, xedoda, pepino, pekeno, seoa];
-lateral [koi, polisya], [felipe, me];
-nasal [tomava, bonito, koese], [sea, semitio, peneia]; -tepe [koisko],
[ peu];
-vibrante [tereno, moria], -retroflexa [potues, vedua].
-fricativa [pozey, eposadio, ovedo, podia, apostila],
[bezouo, deskobi, vaeeya, beia, defedia, devia].
5.7.2.1 Vogal da sílaba seguinte
Buscamos observar a articulação e o timbre de cada fonema vocálico posicionado em sílaba seguinte, visto que a vogal da sílaba seguinte é referida por muitos autores como um dos principais contextos responsáveis pela aplicação ou resistência ao alçamento (KAILER, 2004).
[a,a][ova, tovaw], [pedaso, #etaw];
[e, e, ][ovedo, kobta, koseimos], [esketa, peken, #ezsito];
[i,i][domi, lobizme], [neblina, aleki],
[o,o,] [boboleta, kolka, koloa], [ekota, deskobi, futebw], [u,u] [popula, kofudi],
[seuda, peludo].
5.7.2.2 Atonicidade
Buscamos, com este contexto, investigar quanto a atonicidade pode influenciar no alçamento ou na mantutenção das pretônicas [e] e [o]. Para isso, consideramos as suas seguintes características:
– átona permanente – vogais ([e], [o]) átonas na palavra de origem - [boboleta], [sebola];
– átona casual – vogais ([e], [o]) tônicas na palavra de origem - [sebolia], [pekenini];
– sem status definido – conforme a flexão verbal as vogais ([e], [o]) tornam-se átonas - [pode], [paese].
5.7.2.3 Nasalidade
Como este contexto tem demonstrado relevância nos estudos, por exemplo, de Bisol (1984), de Schwindt (1997) e de Pontes (2000), os quais consideram que o [e] nasalizado alça quase categoricamente, buscamos verificar se a nasalidade de fato interfere na aplicação da regra de alçamento. Neste sentido observamos a vogal pretônica:
- oral [tovaw],
[sebola];
- nasal ou nasalizada[totua, koeso], [ tepeo,sea].
5.7.2.4 Contigüidade
Neste contexto, observamos o que seria mais relevante para a aplicação da regra de alçamento: se uma átona ou uma tônica contígua,
– tônica contígua [bonit], [neblina]; – átona contígua [komesey], [depede].
5.7.2.5 Vogal da sílaba tônica
Buscamos observar qual vogal, combinada com a tonicidade, seria mais favorável ao alçamento e qual o inibiria, para isso analisamos os seguintes contextos:
[tovuada, koxeteza, koxia, kolka, komu]; [sexasaw, #eeo, peio, depoys, neu].
5.7.2.6 Homorganicidade
Neste contexto observamos quando o [o] era sucedido:
– por homorgânica [koua ~ kuua],
[vestid ~ vistid];
– por não-homorgânica [bonit ~ bunit], [seuda ~ siuda];
– sem a presença de vogal alta nas sílabas seguintes como em:
[komade ~ kumade], [#espte ~ #ispte];
Fizemos esta classificação, porque, de acordo com Schwindt (2002), “a alta frontal [i]”
tem maior poder de alçamento tanto do [e] quanto do [o] no falar do Rio Grande do Sul, e também porque a maioria dos estudos acerca das pretônicas indica que as altas tônicas são mais favoráveis ao alçamento do que as demais vogais nesta mesma posição.
5.7.2.7 Classe morfológica das lexias56
De acordo com o modelo de Difusão Lexical, a palavra é o ponto de partida para a mudança da língua (OLIVEIRA, 1991, 1992). Buscamos, então, observar se isso é aplicável ao uso da média pretônica. Para tanto investigamos as classes morfológicas que havia em nosso corpus:
- substantivo [lobizmey], [eladeya]; - adjetivo [ostoz], [me]; -advérbio [nomawmete]
[dexepete]
- verbos[pode, osta, kosei], [paese, ea, deskobi];
57 [komido, kotado], - particípio
[vedido, pelado];
56 A classe morfológica não apresentou relevância na aplicação do alçamento das pretônicas [e] e [o] no falar das duas cidades paranaenses. Verificamos isso, primeiro porque o programa Goldvarb (for windows, 2001) a eliminou como insignificante das análises binominais; segundo porque os percentuais de alçamento são justificados, na maioria dos vocábulos, pelo contexto fonético que apresentam e não por pertencerem a uma classe morfológica ou outra. Diante disso, optamos por não apresentar tais contextos na análise deste estudo.
57 Como esses vocábulos muitas vezes parecem ser adjetivos e outras verbos, optamos por investigá-las separadamente dessas duas classes gramaticais.
- pronome [komi], [neu]; - numeral [deoyto]
- conjunção [kofme]; [#eba];
Esses últimos dois fatores foram amalgamados para obtermos células mais ortogonais, mesmo assim o número de pronomes e conjunções foi muito reduzido.
5.8VARIÁVEIS SOCIAIS OU EXTRALINGÜÍSTICAS
Baseando-nos na proposta de Labov (1972, 1994), a respeito da necessidade de considerar as variáveis sociais nos estudos de fenômenos lingüísticos, buscamos observar se idade, escolaridade, sexo, inserção no mercado de trabalho, região e indivíduo interferem no uso das pretônicas [e] e [o] no falar dessas duas cidades do Oeste e Sudoeste paranaense.