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1. DIREITO DO CONSUMIDOR

2.6 CONTRATOS DE ADESÃO

Os contratos de adesão surgiram para facilitar o funcionamento da economia massificada. São utilizados para garantir o rápido acesso, de grande número de consumidores, a produtos essenciais como luz, gás, telefonia. 105

No CDC, o conceito de contrato de adesão está estabelecido no art. 54 do CDC:

Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas tenham sido aprovadas pela autoridade competente ou estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou serviços, sem que o consumidor possa discutir ou modificar substancialmente seu conteúdo.106

A jurista Marques107 diz que nos contratos de adesão “[...]

limita-se o consumidor a aceitar as cláusulas, que foram unilateral e uniformemente pré-elaboradas, assumindo, assim, um papel de simples aderente à vontade manifestada pela empresa no instrumento contratual massificado”.

Nesse tipo de contrato, o consumidor tem de aceitar em bloco o que dispõe nas cláusulas, sendo que muitas vezes nem se quer lê completamente o instrumento contratual que vai aderir. Portanto, deve existir um dever de transparência nas relações de consumo. Assim, o consumidor deve ser informado e deve ter a oportunidade de tomar conhecimento do conteúdo do contrato. Além disso, ele deve ser “redigido de tal forma a ser compreendido pelo ‘homem comum’”108

104 ULHOA COELHO, Fábio. Curso de direito civil: contratos. p. 131.

105 DA SILVA, Juliano Hirt. Proteção do consumidor nos contratos de adesão. Disponível em:

http://www.unibrasil.com.br/arquivos/direito/20092/juliano-hirt-da-silva.pdf. Acesso em: 14 out. 2013.

106 BRASIL, Código de defesa do consumidor.

107 MARQUES, Cláudia Lima. Contratos no código de defesa do consumidor. p. 31.

108 SCARAVAGLIONI, Eduardo. O Código de Defesa do Consumidor e os contratos de adesão . Jus Navigandi, Teresina, a. 4, n. 43, jul. 2000. Disponível em:

http://www1.jus.com.br/doutrina/texto.asp?id=706. Acesso em: 14 out. 2013.

2.6.1 Formação dos contratos de adesão 2.6.1.1 Da proposta e aceitação

Como no contrato de adesão se tem por alvo um número indeterminado de pessoas e o contrato (individual ou singular) se forma quando é emitida uma declaração de aceitação do destinatário. 109

O dispositivo legal que rege essa matéria perece ser, sem margem para dúvidas, o art. 30 do CDC nos termos do qual:

Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados, obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado.110

Essa norma legal se aplica a todas as relações de consumo, às quais os contratos de adesão se filiam. A declaração negocial do predisponente contendo as condições gerais constitui uma promessa irrevogável de contratar e gera no aderente um direito de aceitação.111

A aceitação no contrato de adesão assume uma forma específica. Como se sabe, nos contratos em geral, mais precisamente nos contratos negociais, a aceitação deve ser pura e simples. O contrato de adesão, todavia, não comporta, pela própria natureza de uma contraproposta. A proposta contratual, formulada em regra na forma das condições negociais gerais, ou é aceita na sua totalidade ou então o contrato não chega a se formar, por falta de aceitação. 112

2.6.2 Cláusulas abusivas nos contratos

A legislação destaca dois momentos distintos para a proteção do consumidor. Primeiro ampara o consumidor na fase pré-contratual e no momento da formação do vínculo da relação de consumo, Posteriormente, assegura ao

109 MIRANDA, Custódio da Piedade Ubaldino. Contrato de adesão. São Paulo: atlas, 2002. p.25.

110 BRASIL. Código de defesa do consumidor.

111 MIRANDA, Custódio da Piedade Ubaldino. Contratos de adesão. p. 67.

112 MARQUES, Cláudia Lima. Contratos no código de defesa do consumidor. p. 32.

consumidor o controle judicial da matéria vertida no contrato, criando assim normas que proíbem as cláusulas abusivas nos contratos de consumo.113

O STJ dá um conceito claro a respeito das cláusulas abusivas:

As cláusulas abusivas são aquelas que geram desvantagens ou prejuízos para o consumidor, em benefício do fornecedor. Alguns exemplos: diminuir a responsabilidade do contratado, no caso de dano ao consumidor; obrigar somente o contratante a apresentar prova, em um processo judicial; permitir que o fornecedor modifique o contrato sem autorização do consumidor; estabelecer obrigações para outras pessoas, além do contratado ou contratante, pois o contrato é entre eles.114

O Código de Defesa do Consumidor institui normas imperativas, onde proíbem a utilização de qualquer cláusula abusiva, definindo-as como as que asseguram vantagens unilaterais para o fornecedor de bens e serviços, ou tornando incompatíveis os princípios da boa-fé e equidade dos contratos, segundo o art. 51, IV do CDC.115

Dispõe o art. 51, IV do CDC:

São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: IV - estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a equidade.

As cláusulas abusivas estão exemplificadas no art. 51 do CDC, permitindo que outras circunstâncias sejam adequadas como abusivas.

2.6.2.1 Nulidades às cláusulas abusivas

No caput do art. 51 que foi mencionado no subtítulo acima prevê que as cláusulas que são consideradas abusivas são nulas de pleno direito.

113 BENJAMIN, Antônio Herman V.; MARQUES, Cláudia Lima; MIRAGEM, Bruno.Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. 2.ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2006. p. 694.

114 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Cláusulas abusivas, uma armadilha nos contratos.

Disponível em:

http://www.stj.gov.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=398&tmp.texto=104906. Acesso em:

17 out. 2013.

115 DA SILVA, Juliano Hirt. Proteção do consumidor nos contratos de adesão. p. 5.

No entendimento de Bonatto116 “a nulidade de pleno direito é aquela [...] de vício manifesto, visível pelo próprio instrumento ou por prova literal; por essa razão, ao juiz é admitido dela conhecer independentemente de provocação.”

Como ressalta Rizzatto Nunes117, “não há de se falar em cláusula abusiva que não se possa validar; ela sempre nasce nula, ou melhor dizendo, foi escrita e posta no contrato, mas é nula desde sempre” Assim sendo, a sanção que é imposta à cláusula abusiva é a nulidade absoluta.

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