2. REVISÃO DE ESTUDOS
2.6 D OCUMENTOS PUBLICADOS
É comum que ocorram publicações físicas sobre as ações, sejam livretos, cartilhas, folders, livros e outros materiais sobre as ações de extensão desenvolvidas nas IES. No acervo pessoal da pesquisadora alguns documentos coletados durante o curso de Especialização em Extensão Universitária e em contato com estudantes de diversas universidades de todo o Brasil, foram consultados e são indicados neste momento do texto.
Figura 3 – Cartilha de Trabalho Comunitário - PUC - MG
Fonte: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC, 200-?)
O primeiro documento analisado é uma cartilha de 33 folhas, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais sobre Trabalho Voluntário, Ações para o Desenvolvimento Local e Regional. Tiragem de 5000 exemplares sob coordenação da Profª Mônica Abranches. As seções da cartilha são: Apresentação, Introdução, Trabalho Comunitário, Metodologias para o trabalho comunitário (Planejamento, Diagnóstico Social, Mobilização, Ações Desenvolvidas, Parcerias e Avaliação e sustentabilidade do trabalho), Depoimentos, Conclusão, Fotos e Bibliografia.
A publicação de tais materiais é muito importante, pois permite ter fisicamente um material que registra a ação no tempo e espaço em que ocorreu, dá visibilidade para os atores e contextos, fica de legado para os futuros alunos terem uma referência dos caminhos percorridos entre outras contribuições. De acordo com Felippe (PUC, 200-?, p. 8) “a cartilha surgiu com o intuito de subsidiar novas atuações e sensibilizar alunos e professores para algumas concepções e estratégias que podem vir a fundamentar o trabalho comunitário” além disso também é destinada a representantes da comunidade externa que participam do planejamento, assim como os diversos parceiros das ações.
A referida cartilha registra referências possíveis de como um trabalho de Desenvolvimento Regional pode ser conduzido. Inicialmente são trabalhados os conceitos de trabalho comunitário (o que é, para os professores, para os alunos).
Dentro das metodologias são descritos os conceitos de planejamento, diagnóstico social, mobilização, ações desenvolvidas, parcerias, avaliação e sustentabilidade do trabalho. Por fim, os depoimentos, alguns projetos e a bibliografia.
O diagnóstico social promove uma aproximação da universidade com as necessidades da comunidade ou do grupo social e a reflexão sobre a sua situação, suas experiências e seus interesses. De acordo com a cartilha o diagnóstico pode:
(a) fornecer informações que permitem entender melhor as condições de vida da população; (b) entendimento do contexto e da dinâmica do cotidiano das pessoas;
(c) identificação das percepções, experiências e expectativas dos potenciais beneficiários em relação ao tema/problema (PUC, [200-?]p. 16).
Dentre as ações de diagnóstico social destacam-se: (a) conhecer e compreender a realidade local; (b) promover contato prévio com gestores e líderes
comunitários para que sejam discutidas as ações a partir da fala dessas pessoas; (c) envolver as pessoas no objetivo do projeto; (d) levantar as habilidades e afinidades da comunidade ou do grupo social e da equipe de trabalho; (e) perceber junto à comunidade ou ao grupo social as intervenções possíveis e necessárias; (f) desenvolver uma consciência da responsabilidade de cada um na obtenção de resultados entre outros (PUC, [200-?]p. 17).
Na fase de mobilização, as causas do projeto devem estar claras a fim de que a divulgação seja promovida e que os setores, grupo de multiplicadores e parceiros possam ser mobilizados.
Entre as ações de mobilização a cartilha indica: (a) realizar diagnósticos participativos; (b) identificar as lideranças, artistas e associações locais, grupos formais e informais (postos de saúde, igrejas, praças, escolas, rádios comunitárias);
(c) identificar os veículos de comunicação locais; (d) promover eventos (oficinas, workshops temáticos, festas, gincanas, campanhas de saúde etc); (e) organizar grupos de discussão das ações planejadas.
Já as ações socioeducativas devem contemplar as demandas da comunidade, os saberes científicos, uma linguagem adequada para o público que se pretende trabalhar, a troca de saberes e a promoção da melhoria da qualidade de vida, bem estar e justiça social (PUC, [200-?]p. 20). Exemplos de ações e mobilizações são indicadas no Anexo B.
As parcerias são possibilidades de se potencializar o trabalho desenvolvido além de dar legitimidade e visibilidade às ações de extensão. Conforme afirma a cartilha, os parceiros podem contribuir de diversas formas: fornecimento de materiais didáticos, recursos financeiros, humanos, espaço físico, infraestrutura, capacitação técnica entre outros.
Dentre as possibilidades de parceria estão: poder público federal, estadual e municipal; grupos sociais locais (idosos, jovens, mulheres, artesãos, religiosos, culturais); mídia local; escolas; creches; câmara dos vereadores; comércio local;
SENAC, SENAI, SESI, Exército Brasileiro, Corpo de Bombeiros; Associação Nacional dos Rondonistas; Serviço Voluntário de Assistência Social – SERVAS, entre outros.
Em relação à avaliação a cartilha define: “a avaliação é um processo que deve comparar o objetivo almejado com a realidade atingida. É um exercício permanente, comprometido com as repercussões ao longo de sua realização”, se relaciona, portanto com uma perspectiva de avaliação processual (PUC, [200-?], p.
27).
Em relação ao processo de avaliação a cartilha indica algumas ações como:
(a) Definição e planejamento coletivo das ações de intervenção com a participação da comunidade externa e interna; (b) Monitoramento periódico das ações a fim de se identificar falhas do projeto e acompanhar os avanços e as dificuldades; (c) Divulgação dos resultados obtidos após a realização das intervenções e (f) Avaliação do impacto das ações sociais produzidos na vida das comunidades internas e externas. (PUC, [200-?], p. 28).
Figura 4 – Caderno do Encontro de Extensão UEMG
Fonte: Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG, 2012).
O segundo documento analisado é um caderno, 75 páginas, da Universidade Estadual de Minas Gerais. Tiragem de 2.000 exemplares o caderno foi produzido a partir da discussão realizada entre professores, estudantes extensionistas e membros da comunidade acadêmica da UEMG durante o 1 Encontro de Extensão e de subsídio do Programa Institucional de Apoio à Extensão – PAEx | PROUEMG. O
PAEx | UEMG foi criado em 2006 para apoiar o trabalho extensionista desenvolvido na universidade. De acordo com o caderno UEMG (2012, p. 69) o PAEx é:
destinado a apoiar o desenvolvimento de Projetos de Extensão, com o objetivo de contribuir com a formação diferenciada dos estudantes, fortalecer atividades extensionistas de impacto social, participar de políticas públicas numa relação dialógica com a comunidade e propiciar ao professor oportunidade de realizar a indissociabilidade ensino, pesquisa e extensão (UEMG, 2012, p. 69).
O evento contou com uma palestra principal e diversas mesas-redondas compostas por coordenadores de extensão, professores e estudantes das unidades Acadêmicas da UEMG. A palestrante foi Maria das Dores Pimentel Nogueira, Pró- Reitora Adjunta de Extensão da UFMG com a palestra intitulada Políticas de Extensão no Brasil. O Encontro foi norteado pelas seguintes questões: “Que extensão fazemos? Com quem? Para quê? Como?
O caderno é constituído por um texto resumido da palestra inicial e por diversos textos que sintetizam alguns dos projetos apresentados no evento que são indicados na figura 5. Os projetos estão alocados dentro das unidades da UEMG e o evento contribui para a visibilidade de todos os projetos por todos da comunidade acadêmica de todas as unidades.
Figura 5 – Projetos PAEx UEMG
Fonte: Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG, 2012).
Em diversos artigos foi possível conhecer projetos relacionados à musicalidade, alfabetização / escolarização de jovens e adultos residentes em acampamentos e assentamentos de reforma agrária, projetos permanentes relacionados a Núcleos de Formação Continuada de Conselheiros Tutelares e de Direitos do Estado de Minas Gerais / Escola de Conselhos, Observatório Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, Projeto Ethos: incubadora social, Revista Perspectivas em Políticas Públicas, Programas de valorização do território e cultural, projeto de coleta, triagem e recuperação de e-lixo (Projeto Ecotrônico) entre outros.
O Programa de Extensão Letramento e Ludicidade aproxima os conceitos de lúdico e letramento e as suas ações são direcionadas especialmente para a formação docente em parceria com o poder público e as suas ações são descritas na figura 6 – Organograma do Programa de Extensão: Letramento e Ludicidade.
Figura 6 - Organograma do Programa de Extensão: Letramento e Ludicidade
Sobre este documento, destacamos neste estudo as indicações sobre a Avaliação da Extensão Universitária feitas pela palestrante no início do evento. Em seus apontamentos, Nogueira sinaliza que a avaliação deve considerar a realidade de cada universidade, deve fazer parte da rotina acadêmica a fim de nortear políticas, identificar distorções e democratizá-las. Aponta os seguintes pressupostos:
(a) Demonstrar a qualidade do que produz na extensão; (b) abranger todas as ações de extensão: programas, projetos, eventos, cursos, produções acadêmicas e prestações de serviços; (c) ser contínua, processando-se no decorrer das atividades; (d) ser qualitativa e quantitativa, realizada pela comunidade universitária e pela sociedade; (e) ter seus resultados considerados no planejamento e tomada de decisões das IES nas áreas de ensino, extensão e pesquisa (NOGUEIRA, 2012 apud UEMG, 2012, p. 21).
Após a publicação deste documento tivemos a publicação da Política Nacional de Extensão das Universidades Brasileiras publicado pelo FORPROEX que corrobora com as indicações feitas por Nogueira (2012).
O terceiro documento analisado é um folheto de 14 páginas, da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP que apresenta de forma objetiva contempla as diretrizes de como os projetos de extensão universitária podem ser articulados nesta universidade. O documento apresenta os fundamentos de um trabalho extensionista, as etapas de elaboração do projeto, o detalhamento da estrutura para elaboração do trabalho (Introdução, Revisão da Literatura, Material e Método, Resultados, Discussão, Conclusões, Referências Bibliográficas, Anexos, Apêndices, Resumo e Abstract). Ademais apresenta informações complementares que norteiam os editais, a equipe, a divulgação, a avaliação e por fim a publicação (Fatores que levam a negação de artigos, a redação científica exige clareza e concisão) e as Referências Bibliográficas.
Figura 7 – Manual para elaboração de Projetos de Extensão Universitária UNESP
Fonte: Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP, 2011).
Para o interesse deste presente trabalho importa identificar o que tal documento indica como processo avaliativo da ação de extensão. Tal assunto é tratado a partir de duas possibilidades: a avaliação processual, realizada durante o desenvolvimento das atividades do projeto e a avaliação de resultados, realizada ao final do processo. Além disso, o material indica algumas reflexões que podem ser utilizadas pelos executantes do projeto:
Como devemos acompanhar a evolução do nosso trabalho? Quando isso será feito? Por quem? Como saberemos se nosso projeto está fazendo diferença na realidade? Como vamos medir os resultados que queremos alcançar? O que podemos aprender com a nossa experiência? (UNESP, 2011, p.13).
Para a avaliação processual, o documento indica a seguinte matriz, expressa na figura 8 – matriz da avaliação processual (UNESP, 2011, p. 13):
Figura 8 – Matriz da avaliação processual UNESP
Fonte: Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP, 2011).
O detalhamento da estrutura para elaboração do trabalho é indicado no ANEXO C - Detalhamento da estrutura para elaboração do trabalho (UNESP, 2011)
Figura 9 – Manual de Projetos de Extensão Universitária
Fonte: Gonçalves (2008)
O quarto documento analisado é um livro publicado pela editora Avercamp, em 2008, figura 9, de autoria de Hortência de Abreu Gonçalves. No livro a autora descreve o passo a passo para a realização de Projetos de Extensão Universitária, inclusive em disciplinas da matriz curricular.
Em relação à avaliação a autora sugere a utilização de indicadores e relatórios parciais que devem ser entregues mensalmente e ao final da realização dos projetos. Sugere a aplicação de questionários e/ou entrevistas elaborados pelo professor para que os beneficiários e os estudantes respondam e subsidiem o professor em seu relatório final a ser entregue para a coordenação do curso. Tais instrumentos poderão auxiliar o docente na avaliação do retorno das ações tanto para os beneficiários quanto para os estudantes.
Para uma maior compreensão sobre o tema, o próximo capítulo apresenta os principais marcos históricos que justificam as transformações conceituais ocorridas pela extensão ao longo do tempo.