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De acordo com a decisão datada de 09 de setembro de 2005 a conclusão da primeira etapa se cumpriria até 24 de dezembro de 2005,

compreendendo a retirada de todos os quiosques da orla, e inicio da recuperação ambiental através da construção de passarelas de acesso à praia e replantio de vegetação nativa além da construção de novos quiosques conforme projeto.

Em setembro de 2005 a Prefeitura Municipal de Itajaí iniciou a retirada dos quiosques da Praia Brava no lado Sul, assim como os procedimentos de recuperação ambiental, entre eles a colocação de areia para formação de dunas, replantio da vegetação nativa em pelo menos 15 mil m² de área, além do procedimento licitatório para futura construção dos quiosques, nos padrões projetados, e das passarelas de acesso à praia. (segue em anexo as plantas dos projetos para os quiosques e passarelas)

Figura 5. Trecho sul da Praia., em maio/2007. http://www.itajai.sc.gov.br/noticias/

Em contrapartida alguns dos estabelecimentos permaneceram no lado Norte da Praia Brava, fato justificado pelo Município pelo provável prejuízo ante a proximidade do verão e o crescimento do fluxo turístico, demonstrando o desleixo na execução do projeto bem como negligenciando ordem judicial.

Figura 6. Trecho norte em janeiro/2006. http://viajenaviagem.wordpress.com/2007/01/11/noticias-da-brava/

Destaque-se que o cumprimento da retirada dos estabelecimentos se deu efetivamente no mês de março após o carnaval 2006.

Figura 7. Trecho norte em abril/2006. http://viajenaviagem.wordpress.com/2007/01/11/noticias-da-brava/

Outro problema que surgiu foi gerado pelas chuvas constantes no período dos meses de setembro e outubro, fato que tornou a areia do Bota Fora 1argilosa, essa areia seria utilizada para recomposição de dunas, e por esse motivo houve necessidade de estudar novas formas de extração da areia.

Figura 8. Trecho sul em setembro/2005. http://conselhos.itajai.sc.gov.br/noticiasp_det.php%3Fid_noticia

Questionou-se sobre a execução do projeto, principalmente sobre a largura da faixa de vegetação fixada, que por análise técnica era idêntica em toda extensão da praia, podendo gerar alterações na drenagem das águas pluviais, bem como no lençol freático.

Em relatório de vistoria realizado pela Prefeitura Municipal de Itajaí através da Secretaria de Planejamento Urbano (SPDU) e da Fundação do Meio Ambiente de Itajaí (FAMAI) na data de 30 de outubro de 2006 observou- se que:

1. As dunas no canto sul deveriam seguir o tamanho mínimo de 30 metros e 40 no máximo,como se verifica no canto norte da praia, mas apresentam-se com menos de 25 metros haja vista a inviabilidade do Poder Municipal promover o pagamento de desapropriações dos terrenos que estão a frente do mar;

Figura 9. Canto Norte. Arquivo pessoal 06/05/2007

Figura 10. Canto Sul/2005. http://conselhos.itajai.sc.gov.br/noticiasp_det.php%3Fid_noticia

2. O estaqueamento foi efetivado, porém deveria ser refeito devido ao seu mal estado de conservação, além de estar no limite entre as dunas e a calçada;

Figura 11. Trecho norte. Arquivo pessoal 06/05/2007

3. O plantio de vegetação nativa desenvolvido pela UNIVALI, ficou sob responsabilidade técnica da FAMAI, que apresentaram resultados positivos de crescimento e adaptação. Cabe destacar que a imagem a seguir reflete o crescimento num período de um ano e um mês após a retirada do estabelecimento comercial e do replantio da vegetação. Vide imagem 07.

Figura 12. Trecho norte. Arquivo pessoal 06/05/2007

4. O monitoramento tem sido realizado através de registros fotográficos pela FAMAI, além das contribuições da UNIVALI, ONG’s e da própria comunidade, porém a retiradas de plantas exóticas não se efetivou;

Figura 13. Divisa entre o trecho norte e sul. Arquivo pessoal 06/05/2007

5. Foram construídas 13 passarelas aéreas, no intuito de eliminar as 86 trilhas de acesso, e reconstituir a vegetação bem como as dunas, ocorre que alguns dos acessos ali existentes persistem dando margem ao

pisoteamento que degrada este espaço, sendo então de extrema necessidade seu fechamento;

Figura 14. Trecho norte. Arquivo pessoal 06/05/2007

6. Algumas árvores deveriam ser retiradas dos campos de dunas, pois fazem sombra impedindo o desenvolvimento da vegetação nativa.

Figura 15. Divisa entre o trecho norte e sul. Arquivo pessoal 06/05/2007

7. Algumas lixeiras que ainda se encontram em cima do campo de dunas, e outras distribuídas ao longo da praia, o local determinado a elas são na área de circulação/estrada.

Figura 16. Trecho norte. Arquivo pessoal 06/05/2007

8. Temporada 2006/2007, foram autorizados o funcionamento de dois bares no lado norte da praia Brava, desde que executassem suas atividades no local especificado, ou seja, do outro lado da estrada, em propriedades particulares, porém o que se viu foram instalações imensas como tendas fixadas e tablados de madeira sobre praia, sob o manto das autorizações de órgãos como SPDU, IBAMA e pela Prefeitura Municipal de Itajaí.

As medidas que deveriam ser adotadas por determinação judicial eram de edificar 10 banheiros (5 em cada estabelecimento) com esgoto e quatro duchas anexas às privadas, recuperar áreas degradadas ao fundo dos bares, compensação ambiental pelos desmatamentos extras, a não ser os necessários para construção dos banheiros, funcionamento somente com a construção do estaqueamento de proteção das restingas e dunas.

Figura 17. Trecho norte. http://flickr.com/photos/murilo_ito/page9/

9. Nas margens da lagoa do cassino devem ser respeitados os 30 metros legais em terrenos de marinha, além de se evitar a circulação de veículos, e o pisoteamento das dunas.

Figura 18. Divisa entre o trecho norte e sul. Arquivo pessoal 06/05/2007

10. As placas informativas/educativas foram fixadas em locais estratégicos, porém elas deveriam ser em maior número indicando a localização das passarelas, bem como a forma de sua utilização e conservação.

Figura 19. Trecho norte. Arquivo pessoal 06/05/2007

11. A permissão para estacionamento de veículos é para o lado oposto do campo de dunas e não tem sido cumprida.

Acredita-se que a esfera judicial é um espaço favorável às composições de conflitos na Orla Marítima e para sua gestão, mas a educação ambiental e disseminação de informações são instrumentos norteadores que levam à conscientização, e se faz necessária à comunidade, não só aquelas da Orla Marítima, ou da Zona Costeira, mas de forma mais ampla, abrangendo o Município, o Estado, o País, proporcionando a integração e participação na tomada de decisões e nos encaminhamentos que o desenvolvimento pode proporcionar, buscando soluções para os conflitos em busca da sustentabilidade.

No tocante a Execução da Sentença nº2005.72.08.004911- 8/SC, pode-se dizer que apresentou efetividade. Contudo, no que se refere aos procedimentos impostos, as limitações encontradas pelo município quanto a capacitação de pessoal, a indenizações a serem pagas, aos conflitos que sucederam o cumprimento da sentença e aos atos protelatórios, estes fizeram com que restasse prejudicada parte da execução de sentença.

Destaque-se que de acordo com o Juiz que prolatou a sentença a obrigação de fazer requerida foi satisfeita, e dessa forma extinguiu a execução em 05 de maio de 2006.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Constatou-se que a proposta de Gestão Integrada visa à consideração da Zona Costeira como unidade ambiental e geográfica, cujos ambientes não podem ser gestionados de forma isolada. O gerenciamento propõe a integração das políticas públicas e regimes jurídicos incidentes sobre este espaço. Visa também à integração dos diferentes níveis decisórios (União, estados e municípios) e destes com a sociedade civil, propugnando-se a gestão descentralizada e democrática da Zona Costeira.

O Regime Jurídico da Zona Costeira disposto na Lei 7661/88 regulamentado pelo decreto 5300/2004 visa promover o ordenamento do uso dos recursos naturais e da ocupação dos espaços costeiros através de gestão integrada e descentralizada incorporando diretrizes políticas além do aperfeiçoamento e difusão de conhecimento de ações de gestão, assim como o controle das ameaças ao meio ambiente costeiro.

O Regime Jurídico da Gestão da Orla Marítima está disposto no Decreto 5300/2004. Estabelece a delimitação legal para a Gestão da Orla, que deve seguir os parâmetros legais, define os Instrumentos para gestão da Orla, inclusive da elaboração do Plano de Intervenção que deverá ser em conformidade com o planejamento federal, estadual e municipal da zona costeira, há necessidade que se verifiquem as características de cada região a fim de limitá-la.

Orla é uma porção ampla e que abrange a praia, a vegetação característica incluindo uma área terrestre e possui regime jurídico distinto da praia. Praia está limitada até onde se inicie outro ecossistema, enquanto que a orla ultrapassa esses limites chegando até a faixa terrestre. Orla pertence à Zona Costeira, está ligada ao mar e a faixa de terra, e seus espaços são de uso comum, encontram- se nela ecossistemas costeiros protegidos, inclusive considerados de preservação permanente, bem como bens públicos.

Dessa forma a ordenação da Orla Marítima da Praia Brava, enquanto espaço de maior incidência de conflitos na Zona Costeira do Município de Itajaí, deve se pautar nos princípios da Gestão Integrada, buscando a composição dos interesses incidentes sobre este espaço e a manutenção de suas características naturais, conforme as orientações do Decreto 5.300/04 e do Projeto Orla, bem como promover a integração da Política Urbana e Ambiental sobre este espaço, o que pode ser equacionado através do Estatuto da Cidade, tendo em vista o papel preponderante dos Municípios na administração da Orla Marítima.

A Orla Marítima não deve ser entendida como unidade isolada, afinal é parte da Zona Costeira. Dessa forma a Gestão da Orla Marítima deve se coadunar à Gestão das Zonas Costeiras, promovendo-se a integração de seus regimes jurídicos. A Orla Marítima, enquanto espaço dotado de fragilidade e importância ambiental e, ao mesmo tempo, de alta conflituosidade, requer estratégias próprias de gestão, consubstanciadas no seu regime jurídico, proposto pelo Decreto 5.300/04. Por fim, enfatiza-se que a gestão da Zona Costeira deve se dar no contexto da Gestão Integrada da Zona Costeira, integrando-se os seus regimes jurídicos.

O Projeto Orla visa prestar assistência técnica aos municípios costeiros e capacitar gestores locais para a aplicação de metodologia para o planejamento de intervenções na orla marítima, com a geração de instrumentos e ações locais de caráter normativo, institucional e gerencial.

O Plano de Intervenção na Orla Marítima é principal instrumento de Gestão da Orla Marítima e será elaborado e executado pelos Municípios, que terão como suporte o Decreto 5300/2004, para coleta de informações, classificação e diagnóstico.

Quanto ao Plano de Intervenção na Orla do Município de Itajaí, sua contribuição para o gerenciamento da Orla Marítima e adequação à Gestão Integrada de Zonas Costeiras, foi efetivado afinal, foi elaborado de forma que armazenou todos os dados colhidos da área em questão, fez análise do ambiente, destacou problemas, conflitos, capacidade, elaborou projetos, destacou

metas e objetivos entre outros para possibilitar a efetiva execução que ficou a encargo da Prefeitura Municipal de Itajaí e órgãos responsáveis, como a SPDU, IBAMA, FAMAI e UNIVALI.

Fatos como a determinação judicial da retirada dos bares existentes na praia, pela Justiça Federal, e o não cumprimento da mesma haja vista autorizações e alvarás de funcionamento anteriormente concedidos, levam a refletir a cerca da atual situação em que os municípios, estados enfim o país e órgãos subordinados se confrontam . Verifica-se que os órgão responsáveis pela fiscalização e concessão de alvarás e autorizações, agem sem o cuidado necessário, e com isso prejudicam a sociedade, as comunidades, o meio ambiente.

Por fim, no que se refere à Praia Brava, objeto de estudo da presente pesquisa pode-se considerar que no caso em tela, ocorreu apenas o cumprimento de decisão judicial exigida. Assim, não se pode afirmar que ocorreu o gerenciamento costeiro, pois faltam elementos estruturais necessários para efetivamente estabelecer tal gerenciamento, como a composição de comitês municipais que elaborem o planejamento. A ausência de comitês leva a busca da esfera judicial para solução dos conflitos nessas áreas.

Cabe ressaltar que a via judicial impulsionou o gerenciamento, porém, findo o processo, a administração pública competente e responsável pelo gerenciamento se mostrou inerte, exercendo sua obrigação temporariamente.

Algumas fases do projeto não foram cumpridas por questões financeiras e econômicas, mas que se verificou pontos positivos em seu desenvolvimento.

Cumpre ressaltar que a Ação Civil Pública apresentou pontos positivos, afinal a Justiça de forma inovadora, sentenciou determinando a retirada das construções e a realização de um projeto de revitalização que restou configurada como uma das primeiras a determinar a retirada de construções que

envolvem a recomposição de dunas e o desenvolvimento sustentável do ambiente.

Quanto a execução de sentença, é fato sua extinção pelo satisfação da obrigação de fazer requerida.

Saliente-se que as necessidades do ambiente, não são estáticas, e que ações de restauração e manejo ambiental se farão necessárias e constantes, assim como possíveis conflitos de uso e ocupação podem surgir no decorrer do tempo.

Restam, em nosso entendimento, pendências a serem sanadas em algumas áreas da orla, como e efetiva indenização para retomada de áreas destinadas à recomposição de dunas, intensificação de informações disponíveis a comunidade e usuários do local, implementação de um processo educativo ambiental em toda rede de ensino do município, seja particular ou pública, bem como para a população em geral, além da criação de Unidades de Conservação.

Restando uma vez mais destacar que a Orla Marítima pertence a Zona Costeira, e frente aos procedimentos adotados na Orla marítima da Praia Brava de Itajaí/SC, pode-se considerar que a implantação do Regime Jurídico foi semeado, porém sua efetiva aplicação depende do comprometimento dos entes envolvidos, ou seja, comunidade, Ong’s, SPDU, IBAMA, FAMAI e a Prefeitura Municipal de Itajaí.

Formulado o Problema:

1. Como se configura este modelo de gestão costeira denominado Gestão Integrada de Zonas Costeiras? Este modelo encontra respaldo no ordenamento jurídico brasileiro? Como o direito brasileiro regula a gestão da Zona Costeira?

O uso e gestão da Orla Marítima deve se dar a partir dos princípios da Gestão Integrada de Zonas Costeiras, integrando as políticas públicas incidentes sobre este espaço e abrindo espaço para a participação pública, especialmente no que se refere à atuação dos municípios costeiros na administração de suas orlas marítimas.

2. Qual o regime jurídico da Orla Marítima e como se dá sua integração ao contexto da Gestão Integrada da Zona Costeira?

O regime jurídico da Orla Marítima é aquele apresentado no decreto 5300/2004 a partir do artigo 25. A Orla Marítima da Praia Brava configura- se como um espaço de alta conflituosidade, que exige medidas de intervenção capazes de reverter a situação de descaracterização e promover a sua ordenação. A gestão da Orla Marítima da Praia Brava pode se tornar mais eficiente através da aplicação neste espaço do regime jurídico da Orla Marítima, especialmente pelo poder público municipal, que a partir do Decreto n. 5.300/04 passou a ter maior participação na gestão deste espaço.

3. O regime jurídico da Zona Costeira e da Orla Marítima estão sendo aplicados na Orla Marítima da Praia Brava? Como estes regimes jurídicos contribuem para o entendimento e tratamento dos conflitos jurídicos de uso e gestão incidentes sobre este espaço? A esfera judicial pode se configurar como uma boa alternativa para buscar a ordenação do uso e a proteção da Orla Marítima, a partir do caso específico da Orla Marítima da Praia Brava?

A esfera judicial apresentou-se como a estratégia para impulsionar o gerenciamento a fim de promover o tratamento dos conflitos incidentes sobre a orla marítima da Praia Brava e a sua ordenação, diante da falta de aplicação das estratégias de gestão previstas no regime jurídico da Zona Costeira e da Orla Marítima por parte do poder público municipal. A esfera judicial não é competente para o gerenciamento.

Considerando a conclusão alhures mencionada, pode-se perceber que as hipóteses 1 e 2 foram confirmadas, restando parcialmente confirmada a terceira hipótese onde se verificou que a esfera judicial serviu

apenas como impulso para que a administração pública iniciasse o gerenciamento costeiro, que infelizmente não está ocorrendo.

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