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DA FORMA. DO PROCESSO (77) 1

No documento CODIGO DO PROCESSO (páginas 93-119)

TITULO n.

Do proee<ia em feral.

CAPITULO I. Da prescripção {19)-

Art. 54. Os delictos e contravenções que os juizes de paz decidem definitiva- mente prescrevem por um anno, estando

(77) A forma do processo será a mesma determinada pelo Código do Processo Criminal, que não estiver em op- posiçio com a presente lei.— Lei da reioruia, art. 96.

Os julgameulos, nos processos criminaes, terão lugar independentemente do sello c preparo, que poderão ser pagos depois.—Dita lei, art. 100.

(78, Vide o Cap. VIII das disposições criminaes do Reg.

n. 12Í de 31 de Janeiro de 1842.

Proposta perante o j iry a questão de prescripção, deve

«lia se* decidida pelo juiz de direito. —Av. de 2 de Abril de 1836.

Vidt nota ao art. 292 sobre o recurso que ha da de- cisâo contra a prescripção allegada.

Pode ser allegada pelo promotor publico e julgada #*- officio.—V. Av. de 21 de Junho de 1805, nota ao art. 222.

"do Reg 31 de Janeiro de 1842.

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o delinquente presente, sem interrupção- no districto, e por três anãos, estando au sente, em lugar sabido.

Árt. 55. Os delictos, ém que tem lugar a fiança, prescrevem por seis ânuos, es- tando o delinquente presente, sem inter- rupção no termo, e por dez annos, es tado ausente, em lugar sabido, comtant»

que seja dentro do Império (79).

f Art. 56. Os delictos que não admittem fiança só prescrevem por dez annos, es tando o delinquente presente, sem infer-v rupção no termo (80). .

(79) Os delictos em que (e"m lugar a Gança prescrevem no fim de vinte annos, estando os réos ausentes fora do Império, on dentro em lugar não sabido. —Art. 32 da Lei de 3 de Dezembro de t&úi.

(80) Os delictos que não admittem fiança prescrevem no flm.de vinte annos, estando os réos ausentes em Jo- gar sabido dentro do Império: estando os réos ausente*

em lugar não sabido ou fora do Império, não prescrevem.

cm lempo algum. —Dita lei, art. 33.

O tempo para a prrscripção conta-sc do dia eu que

•for commettido o delicio. Se, porém, houver pronunciar

interrompe-se e começa-se a contar da sua data. — Dita lei, >"!. 3/i.

A prescripção poderá allegar-se em qualquer tempo e acto io processo da formação da culpa ou da acoisaçío»

89

Art. 57. A prescripção não se estende á indemnização, que poderá ser demandada em todo o tempo (81).

CAPITULO

n.

Du audienciai (82).

Art. 58. Em todos os juízos haverá uma ou mais audiências em cada semana, com attenção'á regular a Afluência dos negócios;

não havendo casa publica para ellas des- tinada, serão feitas na da residência do

« sobre ella julgará summaria e definitivamente o juiz municipal ou de direito, com interrupção da causa prin- cipal (*).—Dita lei, art. 85.

(81) A obrigação de indemnizar prescreve passados trinta annns, contados do dia em que o delicio for commettido.

—Dita lei, art. 36.

(82) Vide a Ord. do L. 8" T. 19.

Art. 77. Todos os juizes, que preparão os feitos ou nelles cooperSo, darão audiência em dias certos e de- terminados, uma ou duas vezes na semana, conforme a affiuencia do trabalho.

Os juizes substitutos darêo suas audiências nos mesmos dias em que as derem os efleclivos antes ou depois destes, conforme fòr mais conveniente e de acedido combinarem.

—Dec n. A8SA de 32 de Novembro de 1871.

(•) Dl* sentenças do juiz de direito proferidas em grio c appel- lação sobre a piescrirçÂo de que trata o »rt* 35 desta lei ha o **.

«urso de revista.—Art. 89, § 1* da mesma lei.

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juiz, ou em qualquer outra^em que possa ser (83).

Art. 59. Todas as audiências e sessões

•dos tríbunaes e jurados serão publicas, ai portas abertas, com a assistência de um escrivão, de um oíficial de justiça ou con- tinuo, em dia e hora certa, invariável, annunciando o seu principio pelo toque de campainha (84).

(V3)' Os dias santos e feriados jamais devem obstar ao andamento dos actos da administração da justiça crimi- nal, como se deduz das disposições deste Código.—Port.

do 1" de Abril de 1833 e Av. de 13 de Abril de 1336.

Mo só podem, como devem, os juizes muoicipaes fazer as suas audiências durante o tempo das correições, to—|

mando os escrivães as notas em separado para as lança- rem depois nos protocollos, como sempre se usou, guandu por qualquer ascid-mte não esta vão presentes os proto- collos, porquanto a justiça das partes não deve soffrer por esse motivo, nem é essa a intenção e o fim da lei. — Av. de 21 de Janeiro de 1853.

(84) Deve pôr-se em execução as leis que ordenão a presença dos escrivães nas audiências, levando seus pro tocollos para lançarem os requerimeutos, fazeudo-se effiec- tiva a responsabilidade daquelles que, sem motivo justi ficado, deixarem de comparecer, ou não tomarem os requerimentos em seus protocollos. r*o caso de não com parecimento, por motivo justificado, mandarão os escrivães sempre á audiência os protocollos, onde o escrivão que suas vezes tizer, ou qualquer outro do juízo, tomará os requerimentos e deferimentos respectivos. —Av. de .11 de

Dezembro de 1837. (Segue.)

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Art. 60. Nas audiências e sessões os espectadores,, as partes e os escrivães se conservarás sentados; aquellas, porám, levantar-se-hão quando fallarem ao juiz, tribunal ou jurados, e todos quando estes se levantarem (85).

CAPITULO III. Das suspeições e recusuções (86 e 87;.

Art. 61. Quando os juizes forem ini-

Na falta de olliciaes de justiça, o juiz designará um dos escrivães para abrir a audiência.—Av. de 7 de Dezem- bro de 186/1.

(85) Sendo o promotor publico uma das partes que fi gurão nas audiências, é-evidente que está cumprehendido na disposição do art. 60 do Cod. do Proc Crim., pela qual se acha revogada nesta parte a Ord. Liv. 3", Til. 19,

§ Io, e o Ass. de 7 de Julho de 1605.—A v. de 29 de Julho de 1853.

Deve ser mantido o costume, não derogado pelo art. 60 do Cod. do Proc, de nas audiências fallarem os advo- gados de seus assentos e por sua antiguidade. —Dec n.

1799 de 7 de Agosto de 1856.

(86) As suspeições postas aos subdelegados (a), dele gados (bj es juizes municipaes (c), serão processadas e

(a) Compete ao juiz municipal julgar as suspeições postas aos sub- delegados.—Art. 17, § 6o ila lei cit.

(b) As suspeições postas aos delegados são julgadas poios juizes de direito das comarcas.—Art. 25, § 2° da lei cit.

(o) Compete ao juiz de direito julgar as suspeições postas ao juua»

municipaes e delegados.—Ar.t. 25, § 2o da lei cit.

(37) Vid. a nota na pag. 92a

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B m igoa capitães (88), ou íntimos amigos, parentes, consaguineos, ou affins até 2*J gráo de algumas das partes, eeus amos

r

senhores, tutores ou curadores, ou tiverem com alguma delias demandas, ou fôrem

julgadas na forma dos regulamentos do governo, confor- mando-se nesla parte com a disposição da Ord., Ur. 3, Til. 21. A caução nas suspeições interpostas aos primeiro»

será de 12j>000, e para os segundos de 16JJ000.—/irt. 97 da Lei de 3 de Dezembro de 18/5.1.

(87) Aos juízes de direito das comarcas especiaes com pete exclusivamente a decisão das suspeições postas aos-l juizes substitutos (São os que esta lei creou) e juizes de paz.—Art. 13, g T do P.eg. n. «824 de 22 de Novembro- de 1871.

Aos juizes de direito das comarcas geraes compete o julgamento das suspeições postas aos juizes inferiores e aos meamos juizes de direito na ordem designada.—Art. ilt, $ 2* do Reg. cit.

As suspeições postas aos juizes de direito serão deci- didas :

§ 1." Nas comarcas de que (rata o art. 1* desta lei, pelo presidente da respectiva Relação.

S 2.* Nas demais comarcas, pelo juiz de direito da comarca mais vizinha do termo em que se arguir a sus- peição.

TJma tabeliã fixará a ordem de proximidade reciproca de cada comarca.—Art. li da lei n. 2033 de 20 de Se- tembro de 1871.

As suspeições em matéria cível, postas aos juizes de direito serão decididas pelo modo determinado no art. 11

desta lei.—Art. 26 da lei cit. '

(88) A Ord. do L 3% T, £6, g 7o,define o que seja ni- I migo capital.

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particularmente interessados na decisão da [causa poderão ssr recusados (89). E elles são obrigados a darem-se de suspeitos, ainda quando não sejão recusados (90).

Art. 62. O supplenté que não fôr sus- peito fará as vezes de juiz, e sendo os

(89) Não é licito aos juizes darem-se de suspeitos, s6

■jporque as partes o exigem, sem motivo legal, mas sim nos casos marcados oeste Código. — A?, de 23 de Junho de 183A.

Vid. nota ao art. 37.

O Av. de 15 de Novembro de 183i igu.ila os promo- tores ás partes. Juiz e promotor parentes, é este excluído na forma da Ord. do L. 4*, T. 48. g 29. — Av. n. 211 de 26 de Junho de 1858.

O Av. de 15 de Setembro de 1865 declara que o cn- nhadio não é impedimento para figurarem em uma causa crime promotor e advogado que sejão canhados.

O Av- 387 de 9 de Setembro de 1861 diz que aos pro- motores não se estende a disposição deste art. 61.

O de 15 de Maio de 1868, publicado no Diário Offi-

cial de 20, diz que, figurando o promotor como advogado de uma das partes a justiça, a elle se referem também as suspeições do art. 61 do Cod. do Proc Este Aviso foi expedido em resposta a uma consulta sobre a incompa- tibilidade existente entre os cargos de promotor e de de- legado de policia, exercidos por dous irmãos.

(90) Deve dar-se o juiz de direito nos recursos e no tribunal do jury, quando forem advogados seus sobri- nhos ou cunhados. Av. n. 512 de 7 de Novembro de 1861.

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três súpplentes suspeitos, será o processo remettido ao juiz mais vizinho para pro- ceder nelle como fôr de direito (91).

Art. 63. O escrivão officiará ao sup- plente ou juiz a quem remetter o pro—

cesso, declarando que lhe compete a de- cisão do pleito de F.. ., por haver-se reconhecido suspeito o juiz, ou quem suas vezes fazia (92).

Art. 64. Se o juiz não se reconhecer suspeito, poderá continuar no processo, como se lhe não fora posta a suspeição j mas o escrivão não continuará a escrever no processo, sem primeiro declarar por termo nos autos o requerimento vocal

(91) Sendo impedidos todos os quatro juizes de paz de- um districto, e devendo-se recorrer ao roais vizinho, DOS

casos etn que a lei assim o ordena, se deverá considerar e regular a vizinhança com relação somente á de uns a outros districtos, comprehendidos dentro do mesmo termo ou julgado, pois de outra sorte se confundiria a divisão que se julgou conveniente estabelecer para a boa admi- nistração da justiça.—Av. de 12 de Dezembro de 1840.

(92) Não sé deve conceder aos escrivães a faço Idade de deixar de enviar os autos aos juizes que entenderem ler contra si algum motivo de suspeição.—Av. n. 272 de 13 de Junho de 1862.

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ou escripto sobre a suspeição, e a finaí]

resolução do juiz.

Art. 65. O escrivão que não observar! o disposto no artigo antecedente será punido com um mez de prisão pela junta dos juizes de paz, depois de ouvir a parte

0 testemunhas.

Art. 66. Os juizes não podem ser dados de suspeitos no caso de formação de culpa, ou desobediência.

Art. 67. Quando â suspeição fôr posta a xim ou mais membros da junta de paz, se o juiz ou juizes não se reconhecerem suspeitos, poderão continuar, e o escrivão procederá na forma do art. 64 (93).

Art. 68. Keconhecendo-se suspeito o

(93) Acontecendo que em uma junta de paz, composta de cinco juizes, correspondentes a cinco districtos de que se formava, fossem suspeitos, em um processo de que a 1 junta devia tomar conhecimento, os quatro juizes

de um

districio, perguntou-se ao governo o que se deveria fazer cm tal caso, ao que respondeu-se por Aviso de 2 de Ja neiro dê 18A0, que em tal caso devem ser chamados para a junta de paz supplenles dos juizes suspeitos, como dis põe o art. 62 e se pratica nos termos do art. 218 deste Código.

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juiz ou juizes, serão chamados pela junta de paz os supplentesmais vizinhos, quando possão comparecer a tempo de decidir a.

causa no prazo marcado para a sua actual reunião; e, não sendo possível o comparecimento no dito prazo, ficará a decisão adiada para a reunião próxima;

seguinte.

\.J Art. 69. Quando a parte contrária, re- conhecer a justiça da suspeição, poderá, a requerimento seu, lançado nos autos, suspender-se o processo até que ultime o conhecimento da mesma suspeição.

Art. 70. As juntas de paz julguo as suspeições dos juizes de paz, e as dos juizes municipaes nos crimes de que co- nhecem cumulativamente com os juizes de paz. Os jurados as dos juizes de direito, as dos juizes municipaes e membros da junta de paz (94).

(9k) Se o juiz de direito não reconhecer a suspeição, deverá remetter o conhecimento delia ao jury presente, aio convocar jory especial. — Av. de 2 de Julho de 1834.

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Art. 71. Todo o processo feito perante o juiz que fôr julgado suspeito é nullo, e assim será declarado pela junta de paz e jurados que houverem julgado a suspeição, condemnando ao juiz que se não I reconheceu suspeito a satisfazer á parte

Quando for suspeilo o juiz municipal ou juiz de direito, deverá qualquer delles tomar por adianto o juiz de or- pliãos do termo, não podendo ser o juiz municipal adjunto do juiz de direito, nem vice-versn, visto que já, con- forme o direito, ambos devem intervir no processo, sendo um o preparador, e o outro o julgador a final.—Av. de 28 de Outubro de 1830.

Vide nota ao art. 255 do Regulamento de 31 de Ja- neiro de 1842.

Vide nota 87.

Nas comarcas de que trata o art. Io da Lei n. 2033 de 20 de Setembro de 1871, o jury é presidido por Desembar- gadores ; e o art. 27 do Reg. n. U82a de 22 de Novembro do mesmo aimo, expedido para a boa execução da dita lei, dispõe assim:

A suspeição posta ao presidente do tribunal do jury, se nao for reconhecida pelo recusado, não suspenderá o julgamento.

O jury não julga suspeições postas ao presidente do tri- bunal.

Nas comarcas especiaes serão julgadas pelo presidente da Relação; e nas comarcas geraes pelo juiz de direito da mais vizinha na ordem designada.

c. p. 7

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rècusante as custas do processo: poderá, porém, reproduzir-se a acção (95).

CAPITULO

rv. ™

Da queixa e denuncia (96).

. Art. 72. A queixa compete ao offendido

T (95) Na appellação D.C225 por Acc. de 6 de Novembro»

de 1868 foi annullado um processo por ler sido susten- tada a pronuncia por um juiz impedido, como se decla- rou mais tarde, quando teve de presidir o jury, em que devia ser julgado o rtío.

(96) Fica abolido o procedimento ex-officio dos juizes formadores da culpa, excepto nos casos de flagrante de- lido; nos crimes policiacs, e nas espécies dos §§ 5° e 7o

deste artigo. .?•$

§ 1.* No caso de flagrante delido, se o réo obtiver fiança, a queixa ou denuncia será apresentada dentro dos 30 dias da perpetrarão do delicio.

§ 3.* Se o rio estiver preso, a queixa ou denuncia será offerecida dentro de cinco dias.

§ 3.* Não estando o réo preso nem afiançado, o prazo para a queixa ou denuncia será igualmente de cinco dias, contados da data em que o promotor publico receber os esclarecimentos e provas du crime ou em que este se tornar notório. .

§ à.° As autoridades competentes remetteríõ aos pro- motores públicos ou seus adjuntos as provas que obtive? I rem sobre a existência de qualquer delicio, afim de que

«lies procedão na forma das leis.

§ 5." Se esgotados os prazos acima declarados, os pro- motores públicos ou seus adjuntos não apresentarem a queixa ou denuncia, a autoridade formadora da culpa-

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seu pai ou mãi (97), tutor ou curador, sendo menor (98), senhor oucon- I Fge .(99).

procederá ex-officio e o juiz de direito multará os pro- motores on adjuntos omissos na quantia de 208 a 100$, se não o Oferecerem motivos justificativos de sua falta,

§ 6.° O promotor publico, a quem o adjunto deverá j communicar a queixa ou denuncia que tiver apresentado, poderá addiciona-la como entender mais justa e prose- guir nos termos da culpa.

g 7.° As autoridades judiciarias, sempre que reconhe- cerem casos de responsabilidade, formarão culpa a quem ativer, sendo de sua competência; e não o sendo remet- teráõ ao promotor publico ou seu adjunto as provas que i sirvão para fundamentar a denuncia, participando esta remessa á auloiidade a quem competir a formação da

: culpa. Se porém o promotor ou seu adjunto não ciliciar : nos prazos dos §§ 1", T e 'á° applicar-se-ha a disposi- cão do § 5°. — Art. 15 da Lei n. 2033 de 20 de Setembro

de 1871". s s

(97) Na appellaçáo crime n. 6798, appellante o menor Severino Alves da -Silva, appellada a justiça, a relação da corte não conheceu da apr.ellação jjor ler sido 'imposta [ pela mãi natural do suppiicante, não lendo cila para isto direito. (98) A queixa compete ao pai ou mâi a respeito do _J seus filhos, emquanlo esics são filhos-familia. — Av. de 19 de Maio de 1860, no relatório de justiça de 1867.

(99) A todos os que devem ou podem denunciar os delictos, também é imposta a obrigação ou dada a faculdade de promover a aceusação e os mais termos do processo criminal.—Av. de 5 de Junho de 1862. ^l Depois do Dec. n.

1090 do 1» de Setembro de 1860 o crime de ferimento leve não tem procedimento offiçial, salvo se o criminoso for preso em flagrante ou o offendido

100

Art. 73. Sendo o offendido pessoa mise- rável (100), que, pelas circumstancias em que se achar, não possa perseguir o offen- sor, o promotor publico deve, ou qualquer do povo pôde intentar a queixa, e prose- guir nos termos ulteriores do processo.

pessoa miserável, segundo os arts. 73 e 74, g 6° do Cod.

do Proc., ou finalmente se for empregado publico nos termos do art. 2», § 3o do citado Decreto.—Av. de 3 de | Junho de 1862.

Sendo a queixa negocio pessoal, não pode ser dada senão pelo offendido, ou por outrem nos casos exceptuados nos art. 72 e 73 do Cod. do Proc. Crim., e tratando-se de legitimidade de pessoa para poder propor uma acção ou procedimento criminal, matéria que é de lei, não pôde ser supprida por uma interpretação, a que se não presta a letra do citado art 72, para se decidir que o filho pôde apresentar queixa pelos crimes conunettidos contra o pai

—Av. de 31 de Março de 1863.

(100) Por AT.n. 377 de 30 de Agosto de 1865 foi de- clarado que, á vista deste art. 73, se deve ter como mi- serável, para o fim do mesmo art., aquelle que declara perante a autoridade, e esta reconhece, que por suas cir- cumstancias não pôde perseguir ao offensor, salva ao réo, em sua defesa, a impugnação de tal declaração. ■ O escravo não pôde ser considerado pessoa miserável para que o promotor denuncie por elle, porque a lei deu ao senhor o direito de por parte delle apresentar queixa ou denuncia, não podendo por si sô apresentar-se o escravo em juizo.—Av. de 27 de Abril de 1853.

Nos ferimentos leves comprehendidos no art. 201 do Cod. Crim. não tem lugar o procedimento official, salvo sendo o offendido pessoa miserável, ou sendo o offensor

101

Art. 74. A denuncia compete ao pro motor publico, e a qualquer do povo (101): ç, C$rri*&4- ^

A

^/

Ç preso em flagrante; tem-o, porem, nos crimes de oitentas physicas leves, em conformidade do art. 5° da Lei de 36 de'Outubro de 1831, que os declarou pol iciaes.—AT. de 37 de Abril de 1853.

Se houver perdão da parte do offendido, põe-se termo á accusação. —AT.de 31 de Maio de 1864, como antes o de 19 de Agosto de 1863.

O AT.de 21 de Janeiro de 1867 decidio, declarando que o crime particular torna-se publico pelo facto de ser o offendido pessoa miserável, nos termos do art. 74 do Cod. do Proc, e portanto não tem lugar o perdão do offendido, segundo a doutrina do art. 67 do Cod. Crim.

Por AT.de 6 de Fevereiro de 1869 declarou o ministério da justiça não haver antinomia nesses dous Avisos de 31 de Maio de 1864 e de 21 de Janeiro de 1867, porque tratando-se no 1* do perdão do offendido miserável, cuja causa, independente de representação sua, fora intentada pelo promotor, nessa bypotbese tem elle o direito de impor silencio á justiça publica, quanto aos crimes particulares na forma do art. 67 do Cod. Crim. ; e no 2°, do caso em que o offendido, depois de ter representado sobre a impossibilidade de perseguir em juizo sen offensor, e obtido a intervenção do promotor, pretende embaraçar a acção publica, interpondo seu perdão.

O AT.213 de 31 de Julho de lr70 declara que o pro- motor publico deve intentar a queixa e requerer as di- ligencias necessárias, quando lhe fôiem remettidas por um juiz papeis relativos a crime praticado contra pessoa m iseravel.

(101) Vide AT.de 16 e 24 de Novembro de 1852 em a nota 68, e o de n. 394 de 9 de Novembro de 1867 em a nota 59.

Duvidando um juiz municipal em proceder esc-officio

102

§ 1.° Nos crimes que não admittem fiança (102). •

§ 2.° Nos crimes de peculato, peita, concussão, suborno, ou qualquer outro de responsabilidade.

contra os autores de tentativa do incêndio de um prédio pertencente á Imagem de Santa Tnere/a, que não tem Irmandade, consulta o presidente da respectiva província, e o governo imperial approvmi a decisão do mesmo pre- sidente, na qual se declarara qup, pelo facto da vacância, os bens vagos passão para a fazenda publica, e ficão su- jeitos á liscalisição do juízo da provedoria na forma do Dec. n. 834 de 2 de Outubro de 4851 art. 49, .§ 2» e Ar.

n. 85 de 28 de Mirço d: 1854; cabendo por isso pro- cedimento official da justiça.—Av. de 1° de Maio de 18ti8, publicado no Diário Official de 9.

(102) Entendeu o governo imperial que, em face deste

<§, compelia ao promotor uenunciar as tentativas e cum- plicidades dos cnmes inafiançaveis, embora odmittissem ellas fiança; e de accôrdo expediu es Av. ns, 268 de 13 de Novembro de 4 857, 262 de Sá de Novembro de 1852 e 42 de 27 de Janeiro de 1855.

Alguns juizes e tribunaes opinarão em contrario, e no- tavelmente o venerando tribunal da Relação do Rio de Janeiro, e o foro da corte, de tempos ú esta parte, sustentarão invariavelmente esta jurisprudência. No Accórdao n. 4481, appellante E■nevão Leubeck, e appellada a justiça, diz esse tribunal: « Não se regulando a fiança pela natureza e caracter do crime, e sim p>'la pena, é cabível a fiança nos casos de tentativa ou cumplicidade em crime ioafiançavel, e deve-se nestes casos julgar-se perempta a acção, se a parte desistir, pois que não cape procedimento official.

Gomo este, poderíamos citar mais Acc, o que boje se 91

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