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3.1 DAS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS EM ESPÉCIE

3.1.6 DA INTERNAÇÃO

Por fim, a medida de internação é considerada a mais gravosa das medidas socioeducativa, devido à grande limitação de liberdade que é imposta ao adolescente autor de ato infracional.

A internação está prevista no inciso VII, do art. 112 da Lei n° 8.069/90, e a aplicação dessa medida “[...] supõe a gravidade do ato ilícito praticado, e não pode ser considerada senão como uma retribuição ao ato infracional praticado pelo adolescente”.197

Tavares198 esclarece ainda que:

Para uns o dispositivo adota o princípio penal da proporcionalidade da pena com relação à gravidade do delito.

Para outros, o Estatuto, com sua filosofia protetora da criança e do adolescente, afasta tal princípio que somente pode ser aplicado no sistema punitivo, que é o destinado aos imputáveis. Sustentam que aqui o sentido inarredável é para a pessoa em desenvolvimento, pois as medidas aplicáveis não punem, mas

196 LIBERATI Apud PEREIRA, Tânia da Silva. Direito da criança e do adolescente. p. 1002.

197 LIBERATI, Wilson Donizete [2]. Adolescente e ato infracional: Medida sócio-educativa é pena? São Paulo: Juarez de Oliveira, 2002. p. 114.

198TAVARES, José de Farias. Comentários ao Estatuto da Criança e do Adolescente. p. 119.

protegem o adolescente com o atendimento da reeducação, o que é para o seu proveito, visando a sua reabilitação social.

Liberati199 salienta que “[...] a restrição do direito fundamental da liberdade somente poderá ser decretada pela autoridade judiciária, após o transcurso do devido processo legal, com as garantias da ampla defesa e do contraditório”.

O art. 121, caput, do ECA estabelece que a medida de internação está sujeita aos princípios da brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.200

O princípio da brevidade trata do tempo de duração da internação, que será de no mínimo seis meses – conforme § 2° do art. 121201 –, e do máximo de três anos – na forma do § 3° do mesmo dispositivo legal.

O princípio da excepcionalidade, nas palavras de Pereira202,

“[...] estabelece que a internação só deverá ser aplicada como último recurso à reeducação do adolescente infrator que se enquadre em uma das situações jurídicas do art. 122, ECA”, assim, “[...] a medida de internação somente será aplicada se for inviável ou malograr a aplicação das demais. Existindo outras medidas que possam substituir a de internação, o juiz deverá aplicá-las [...]”.203

Quanto ao princípio do respeito ao adolescente em condição peculiar de pessoa em desenvolvimento, “[...] o Estatuto reafirma que é dever do Estado zelar pela integridade física e mental dos internos, cabendo-lhe adotar todas as medidas de contenção e segurança, conforme dispõe o art. 125 do Estatuto”.204

199 Apud PEREIRA, Tânia da Silva. Direito da criança e do adolescente. p. 1003.

200 BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990.

201 BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990.

202 PEREIRA, Tânia da Silva. Direito da criança e do adolescente. p. 1004.

203 LIBERATI, Wilson Donizete [1]. Comentários ao Estatuto da Criança e do Adolescente. p.

98.

204 LIBERATI, Wilson Donizete [2]. Adolescente e ato infracional. p. 116.

Liberati205 destaca ainda que:

“[...] a medida de internação será necessária naqueles casos em que a natureza da infração e o tipo de condições psicossociais do adolescente fazem supor que, sem um afastamento temporário do convívio social a que está habituado, ele não será atingido por nenhuma medida terapêutica ou pedagógica e poderá, além disso, representar risco para outras pessoas da sociedade”.

Para a aplicação da medida de internação, o magistrado deverá observar as possibilidades elencadas no art. 122 do Estatuto206, quais sejam:

I – tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência à pessoa;

II – por reiteração no cometimento de outras infrações graves;

III – por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta.

Para Liberati207, “[...] o elenco das condições é taxativo e exaustivo, não havendo possibilidade da medida fora das hipóteses apresentadas”.

A medida de internação sempre terá um prazo máximo de três anos (§ 3°, art. 121208), sendo que, findado este prazo, o adolescente deverá ser liberado, colocado em regime de semiliberdade ou de liberdade assistida (§4°, art. 121209):

205 LIBERATI, Wilson Donizete [1]. Comentários ao Estatuto da Criança e do Adolescente.

p.99.

206 BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990.

207 LIBERATI, Wilson Donizete [1]. Comentários ao Estatuto da Criança e do Adolescente. p.

103.

208 BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990.

209 BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990.

O legislador, ao fixar este como tempo máximo, entende que o período acima citado é suficiente para que o Estado, por meio de mecanismos de tutela e supressão de liberdade, estabeleça processo educativo que reordene a subjetividade do jovem que ativamente participou de ação tipificada como crime. Nesta perspectiva, o Judiciário não determina reclusão com duração determinada, mas reavalia s situação a cada seis meses, podendo a sentença ser suspensa ou transformada de acordo com a participação/resposta do adolescente neste processo educativo.210

A exceção ocorre quando a internação for aplicada ao infrator que descumpre reiteradamente e sem justificativa determinação judicial que lhe aplicou o tratamento tutelar, conforme sugere o inciso III, do art. 122 do Estatuto211.

Neste caso, a aplicação da medida de internação tem natureza assecuratória, e comporta o prazo máximo de três meses – § 1° do art.

122 –, “[...] uma vez que visa apenas a compelir o adolescente a cumprir medida anteriormente imposta [...]”.212

Sobre o assunto, explica Liberati213.

[...] ao incidir na hipótese do inc. III, o adolescente não deixará de cumprir a medida burlada, que será cumulada com a que será imposta, independentemente do ato infracional praticado, após a instauração do devido processo legal, com ampla oportunidade de defesa para o adolescente.

Além de ser medida de imposição excepcional, a internação deverá ser cumprida em entidade exclusiva para adolescentes214 e em local distinto daquele destinado ao abrigo, assim, referida norma visa “[...] separar os

210 BAZÍLIO, Luiz Cavalieri; KRAMER, Sonia. Infância, educação e direitos humanos. p. 44.

211 BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990.

212 PEREIRA, Tânia da Silva. Direito da criança e do adolescente. p. 1005.

213 LIBERATI, Wilson Donizete [1]. Comentários ao Estatuto da Criança e do Adolescente. p.

104.

214 BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. “Art. 185. A internação, decretada ou mantida pela autoridade judiciária, não poderá ser cumprida em estabelecimento prisional”.

adolescentes em situação de internação dos apenas abrigados em situação do art. 98 do ECA. Isso para evitar, tal como nas Cadeias Públicas e Presídios, que se entre na chamada ‘escola do crime’”.215

Ademais, obedecer-se-à rigorosamente a separação por critérios de idade, compleição física e gravidade da infração, sendo obrigatória a execução de atividades pedagógicas (art. 123216).

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