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Descarga fluvial e intrusão marinha

No documento universidade do vale do itajaí - Univali (páginas 58-61)

5. DISCUSSÃO

5.2. Descarga fluvial e intrusão marinha

em períodos de vazão muito elevada, a navegação, obras portuárias e dragagem são interrompidas.

Como esta forçante tem papel importante sobre as demais, é importante conhecer como ocorre a sua variação. No Estado de Santa Catarina, o regime de fluxo dos rios é controlado pelo regime pluviométrico, representado por chuvas distribuídas ao logo do ano, com precipitação média anual para a Bacia Hidrográfica do Itajaí de 1.550 mm, com dois máximos, na primavera e verão e dois mínimos no início do verão e no outono, indicando características de regime subtropical. Análises de longo termo indicam que os máximos são mais assinalados nos meses de fevereiro e os mínimos nos meses de junho e julho (ANTUNES, R. B.; CONSTANTE, 2016).

Dados analisados da descarga fluvial no município de Indaial/SC de 1998 a 2015 (17 anos) mostraram média diária de 280±292 m3.s-1, com mínima de 17 m3.s-1 e máxima de 4.596 m3.s-1 (Tabela 1). Entretanto, a maior parte do tempo apresenta-se abaixo do valor médio, com mediana de 180 m3.s-1 e moda é de 169 m3.s-1, valores da ordem de 100 m3.s-1 significativamente menores que o valor médio. Esta diferença é atribuída a pulsos esporádicos de altas taxas de precipitação na bacia hidrográfica, que elevam significativamente a descarga fluvial por curtos períodos, elevando o valor médio da vazão. Importante frisar que durante o período analisado, 50% do tempo a vazão ficou entre 120 e 310 m3.s-1. Analisando as médias mensais, a vazão mínima foi registrada em abril com 183±217 m3.s-1 e duas máximas, em setembro com 400±493 m3.s-1 e em outubro com 459±410 m3.s-1 (Tabela 3). Estes dados com um alto desvio padrão e um alto coeficiente de variação para todos os meses analisados, mostram uma variabilidade muito grande no regime de fluxo do rio, em curto espaço de tempo.

Schettini (2002) analisou dados da mesma estação fluviométrica entre os anos de 1934 e 1998 (64 anos), um período muito maior que o deste estudo, e encontrou alta variabilidade do regime de fluxo do rio. Naquele estudo foi registrado o valor médio da vazão de 228±282 m3.s-1, mínimo de 17 m3.s-1 e máximo de 5.390 m3.s-1. Ao comparar as médias mensais, pequenas diferenças foram encontradas, sendo que as vazões mínimas foram registadas em abril, como neste estudo, com 164±110 m3.s-1 e em dezembro com 185±124 m3.s-1, e as vazões máximas em outubro, como neste estudo, com 309±192 m3.s-

1 e em fevereiro com 285±185 m3.s-1. Entretanto são valores mais baixos que os registrados nesta análise.

É importante destacar o ano de 2011, onde foi realizada a dragagem de aprofundamento dos canais de acesso ao Complexo Portuário do Itajaí, ano no qual se deseja avaliar se houve impacto agudo durante esta obra, na qualidade química da água no estuário. Este ano foi considerado atípico, visto que a média anual da vazão foi de 498 m3.s-1, bastante superior à média histórica. As médias mensais da vazão mostraram mínima de 158 m3.s-1 em dezembro e 160 m3.s-1 em junho, e máxima de 1.214 m3.s-1 em setembro, mês que foi registrada uma grande enchente no município de Itajaí/SC.

Frente ao exposto, sabendo-se que ocorre uma variabilidade muito grande em curto espaço de tempo no regime de fluxo do rio Itajaí-Açu, e que isto gera reflexo nas outras forçantes estuarinas, conclui-se que análises ambientais no estuário devem levar o fator descarga fluvial em consideração.

Como a descarga fluvial determina a variabilidade da distribuição espacial vertical e longitudinal da intrusão marinha, e esta provoca a estratificação do estuário em duas -químicas bem distintas, será discutido as tendências gerais da estratificação em função da descarga fluvial.

A cunha salina está presente quase todo tempo no estuário do rio Itajaí-Açu, entretanto, ela pode se desfazer em períodos de alta vazão ou ser intensificada em períodos de baixa vazão

com características salinas e outra com características fluviais interagindo ao mesmo tempo no estuário (Figura 7-a). A Figura 7-d e a Figura 7-e mostram exemplos da dominância da intrusão marinha sobre a descarga fluvial em períodos de baixa vazão, que resulta na intensificação da entrada da água marinha no estuário. Já a Figura 7-b e a Figura 7-c são exemplos da dominância da descarga fluvial sobre a intrusão marinha, onde a alta vazão do rio, expulsa quase que totalmente a cunha salina do estuário.

É importante salientar que períodos de maior ou menor vazão, exemplificadas nas duas situações descritas, influenciam também no tempo de trânsito e no tempo de residência para uma parcela de água entrar e sair, por exemplo, do sistema estuarino.

Zaleski e Schettini (2010) estudaram o tempo de trânsito para as águas fluviais e marinhas no estuário do rio Itajaí-Açu e concluíram que em períodos de vazão mais alta o tempo de trânsito para águas fluviais diminui em relação a períodos de vazão mais baixa. O tempo de trânsito para águas marinhas não mostrou a mesma relação, mas, analisando o tempo médio de várias amostragens, concluíram que a uma parcela de água marinha leva

três vezes mais tempo para percorrer o estuário do que a água fluvial. Para uma vazão média de 215 m3.s-1, o tempo de trânsito para a água fluvial é de cerca de 13,2 horas, e 50,7 horas para a água marinha. Pereira Filho e Rörig (2016) ao estudarem o balanço de massa para nutrientes inorgânicos no mesmo estuário, estabeleceram o balanço de água e sal e calcularam o tempo de residência para águas superficiais e de fundo em dois períodos. O período com vazão de 97 m3.s-1 mostrou um tempo de residência de 12,4 horas para a camada superficial e de 58 horas para a camada de fundo. O outro período, com vazão de 228 m3.s-1 mostrou um tempo de residência de 23 horas para a camada superficial e de 65 horas para a camada de fundo, ambos seguindo o mesmo padrão encontrado por Zaleski e Schettini (2010) para o tempo de trânsito das águas fluviais e marinha, onde a primeira permanece menos tempo dentro do estuário que a segunda.

Outro fator que determina o alcance da intrusão marinha é a variação da maré.

Considerando as variações intramareais, Schettini e Truccolo (1999), analisando todo o estuário, detectaram que a intrusão marinha pode variar até 8 km entre a preamar e a baixa-mar, porém, para uma salinidade de 30. Este estudo, considerando apenas os 20 km finais do rio Itajaí-Açu e salinidade maior que 1 próxima ao fundo, mostrou uma variação máxima entre a preamar e a baixa-mar de 4,6 km e mínima de zero. A variação média durante todo o período foi de 1,8 km. Pereira Filho, Spillere e Schettini (2003) ao estudarem a dinâmica dos nutrientes no estuário, observaram que a maré é uma forçante secundária na regulação da concentração dos nutrientes, principalmente em períodos de alta descarga do rio. Portanto, para as análises das variáveis físico-químicas deste estudo, a variação intramareal não foi utilizada, por considerar-se que seu efeito é pontual.

Portanto, em função do exposto, considerou-se neste estudo realizar as análises da qualidade química da água do estuário em função da descarga fluvial e, categorizando as amostras pelo local da sua coleta, sendo pelo estrato fundo e superfície, devido a localizadas nestes estratos, uma de origem marinha e outra de origem continental, e, pelas regiões do estuário, Baixo estuário e Médio estuário, conforme limites caracterizados por Schettini (2002), devido a

5.3. Comportamento das variáveis físico-químicas em função da descarga fluvial

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