3 TRABALHOS RELACIONADOS
4.0 DESENVOLVIMENTO
Este capítulo, destina-se a descrição do hardware e do software, componentes da solução integrada, com descrição inicial do primeiro.
Os displays Braille possuem um número de celas tal que permitem reproduzir uma linha de texto na tela do computador, usualmente entre oito e oitenta celas colocadas em linha.
Dessa forma, a tendência atual no projeto desse tipo de sistemas é a de incorporar um número tal de celas de modo a fazer com que a leitura no display se aproxime daquela feita em papel.
Um aspecto comum do display Braille é o uso da tecnologia piezoeletrônica para exibir cada um dos seis (ou oito) pontosBraille de cada cela Braille. Cada unidade geradora de uma cela de oito pontos custa em média US$ 45 (quarenta e cinco dólares, no atacado). A Figura 2 ilustra de forma esquemática como funciona o mecanismo. Basicamente, os pontos em relevo sobem e descem quando acionados elétricamente, sendo reconhecidos pelo usuário.
Figura 2. Desenho esquemático de uma cela piezoelétrica.
Fonte: http://www.laratec.org.br/Focus.html
A Figura 3 ilustra a foto de dois modelos de celas comumente encontradas no mercado.
Figura 3. Celas piezoelétricas comerciais.
Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Refreshable_Braille_display
Salienta-se que a tendência é a de criar display do tamanho de uma página inteira, ao invés de procurar inovar barateando o custo das celas.
Porém, tal como foi descrito na seção 1.2, Problema de Pesquisa, em outra linha de raciocínio, os pesquisadores começaram a desenvolver um display de uma única cela, baseados na forma como o Braille é lido. Isto é, essencialmente, um caractere por vez.
Embora também seja comum usar outros dedos para fazer pré-leitura, ajudar a manter a linha e reforçar caracteres já lidos.
De forma geral, um dedo principal, geralmente o indicador, é quem faz a leitura. Esse mesmo dedo tem que se movimentar por cima das celas lendo-as uma após outra de forma linear, e não em paralelo, a diferença da visão.
Assim, em um display Braille de quarenta celas, quando o cego está lendo um caractere, os outros trinta e nove estão ociosos, pois não estão sendo lidos com os outros dedos. Assim começa a surgir a ideia de projetar um display de apenas uma cela.
Nesse conceito o dedo de leitura, que podia ser o dedo indicador da mão esquerda, ficaria sempre em cima da cela enquanto um sistema eletrônico simples e barato de mapeamento de texto da tela para uma superfície de tipo toque, tal como um touchpad ou uma tela também de tipo touch, serviria para selecionar o caractere. Outra alternativa para a interface, seria um mouse parecido com os comuns de computador, mas na sua parte de cima estaria colocada a cela, tal como o PORTÁTIL (http://www.institutoiracema.com), que exibe os distintos caracteres selecionados pelo mouse na medida em que é movimentado no sentido horizontal, à esquerda e à direita.
A empresa Telesensory, uma das primeiras a fabricar display Braille nos anos 70 e 80, criou um produto, no qual o texto passa a ser exibido em uma única cela fixa com o auxilio do indicador esquerdo, e a seleção do caractere era realizada com algo parecido com um track- ball ou track-wheel. O problema é que a cela desse projeto era pequena demais para poder ser lida de forma estática e o mesmo não teve sucesso no mercado, sendo abandonada essa ideia.
Assim, para reconhecer um caractere Braille em uma cela, ela deve ser suficientemente grande para não ser necessário efetuar a varredura dinâmica (em movimento) do dedo por cima da cela. Bastaria deitar o dedo em cima, ou deitar a cela em cima do dedo,
que o reconhecimento seria imediato (leitura estática). Além disso, cada um dos seis pontos seria claramente distinguível dos outros, porque cada um impinge sempre no mesmo lugar do dedo. Neste novo conceito de display Braille, o dedo ficaria fixo na cela, e os pontos são acionados em função do caractere que é exibido. Cabe salientar que para ter sucesso, a cela deve ter dimensões ligeiramente superiores as da cela impressa em Braille, sendo maior também que a cela piezoelétrica, a qual precisa ser lida de forma dinâmica
Em Sarakoglou; et al (2012), Figura 4, mostra-se uma solução próxima a atual proposta. Nela, um dedal com dez pontos (em vez de seis) representa de forma táctil, superfícies de objetos tridimensionais virtuais, o qual não é o intuito deste trabalho. Essa abordagem mostra características essenciais para a representação do display Braille: um lugar fixo para o dedo (um dedal, no caso), onde os pontos batem sempre no mesmo lugar; pontos maiores e com maior separação entre os pontos. Como o aparelho não foi projetado para exibir o Braille (nem no intuito de dar acessibilidade a pessoas com deficiência visual), não possui uma interface para seleção do texto a ser exibido no dedal.
Figura 4. Cela Braille.
Fonte: Sarakoglou; et al (2012)
Cabe destacar que no Braille tradicional, devido ao tamanho da cela e dos pontos e a necessidade de sempre ter o dedo em movimento, os pontos nunca fazem contato em um lugar específico do dedo. Assim, os pontos sempre são sentidos em lugares diferentes, sendo que é reconhecido apenas o padrão dos pontos. Por exemplo, como no código Braille têm várias
letras representadas com apenas um ponto, é muito difícil saber se está lendo a letra "a"
(ponto 1 na cela Braille), ou uma vírgula (ponto 2 na cela Braille), ou qualquer outra representada por apenas um ponto, ver Quadro 1, na seção 2.7.
Dessa forma, no Braille tradicional, o cego precisa geralmente usar as duas mãos e mais de um dedo, não para ler vários símbolos em paralelo, mas para posicionar corretamente seu dedo na linha e não se confundir com as linhas de cima ou de baixo. Esse alinhamento que o olho consegue fazer sem esforço para ler uma linha de texto é bem mais complicado no Braille em papel. Já na leitura com um display Braille tradicional, a leitura é normalmente feita apenas com um dedo, pois não existe a confusão entre linhas, pois só tem uma linha.
Seguindo esse raciocínio, no display Braille de apenas uma cela também não haverá esse problema, desde que a posição dos pontos seja adequadamente projetada.