4.4 Resumo
5.1.1 Detecção de Distúrbios
As energias dos coeficientes wavelet das correntes de operação εD e das correntes de restriçãoεR, em regime permanente, são afetadas por ruídos de alta frequência, apre- sentando valor muito baixo e aproximadamente constante. Contudo, um aumento dessas energias indica que o sistema está sujeito a alguma condição de distúrbio ou operação de chaveamento, como faltas externas, faltas internas e condições de energização.
CAPÍTULO 5. MÉTODO PROPOSTO 48
Nas Figuras 5.2, 5.3 e 5.4 são ilustradas, respectivamente, as correntes iD e iR em ampére, as suas energias de operação e de restrição calculadas sem a consideração do efeito de borda (εwbD eεwbR , respectivamente) e as suas energias de operação e de restrição calculadas com a presença do efeito de borda (εwDeεwR, respectivamente), para os casos de energização, falta externa e falta interna ao transformador. De acordo com as Figuras 5.2, 5.3 e 5.4, em cada caso analisado, durante o distúrbio, existe um aumento considerável e praticamente instantâneo das energiasεDe/ouεR, o que as tornam ótimas candidatas para rápida detecção de distúrbios.
. Energia de Operação - EiD
Energia de Restrição - E.iR
0 2 4 6 8 10 12 14 16
0 10 20 30 40 50 60
Fase A Fase B Fase C
Energização Faltas Externas Faltas Internas Determinação de K baseada
nas distribuições dos pontos de operação para cada caso
simulado
w
. Energia de Operação - EiD
Energia de Restrição - E.iR
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000
Fase A
Fase B
E iwR
E wiD
E wbiR
-0,4 -0,2 0 0,2 0,4
0 0,5
1 1,5x 10-5
0,005 0,01 0,015
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000 a)
b)
c) Amostras i D i R
E iwbR
E wbiD
E iwR
E wiD
500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000
-10 -5
0 5 10
0 0,005
0,01
0 5 10 15 20
i D i R
E wbiR
E wbiD
E iwR
E wiD
a)
b) -20
-10 0 10 20
10-5 100
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000 10-5
100 105
i D i R
E iwbR
E wbiD
E iwR
E iwD
-0,4 -0,2 0 0,2
10-7 10-6 10-5 10-4
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000 10-10
10-5 100
a)
b) i D i R
E iwbR
E iwbD
E iwR
E iwD
3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000
-2 0
3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000
10-5 100
10-5 100
(a)
(b) i DA i RA
E RAwb
E DAwb
E RAw
E DAw
k1 k2
-2 -1 0 1 2 3 4 5
i DA i RA
3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000
10-8 10-6 10-4 10-2 100
k1 k2
E RAwb
E DAwb
3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000
3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000
Amostras c) ( 10-8
10-6 10-4 10-2 100 102
E RAw
E DAw
k1 k2
Figura 5.2: Energização do transformador: a) Correntes de operação e restrição; b)εwbD e εwbR ; c)εwDeεwR.
De acordo com a Figura 5.2 , na energização do transformador,k1ek2correspondem, respectivamente, aos instantes de amostragem em que os disjuntores dos lados de baixa e alta tensão conectaram o transformador à rede elétrica.
Para detectar a ocorrência de distúrbios, as energias de operaçãoεDe de restriçãoεR,
CAPÍTULO 5. MÉTODO PROPOSTO 49
. Energia de Operação - EiD
Energia de Restrição - E.iR
0 2 4 6 8 10 12 14 16
0 10 20 30 40 50 60
Fase A Fase B Fase C
Energização Faltas Externas Faltas Internas Determinação de K baseada
nas distribuições dos pontos de operação para cada caso
simulado
w
. Energia de Operação - EiD
Energia de Restrição - E.iR
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000
Fase A
Fase B
E iwR
E wiD
E wbiR
-0,4 -0,2 0 0,2 0,4
0 0,5
1 1,5x 10-5
0,005 0,01 0,015
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000 a)
b) i D i R
E iwbR
E wbiD
E iwR
E wiD
500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000
-10 -5
0 5 10
0 0,005
0,01
0 5 10 15 20
i D i R
E wbiR
E wbiD
E iwR
E wiD
a)
b) -20
-10 0 10 20
10-5 100
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000 10-5
100 105
i D i R
E iwbR
E wbiD
E iwR
E iwD
(a)
(b) i DA i RA
E RAwb
E DAwb
k1 k2
-2 -1 0 1 2 3
3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000
10-8 10-6 10-4 10-2 100
E RAwb
E DAwb
3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000
3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000
Amostras c) (
10-8 10-6 10-4 10-2 100 102
E RAw
E DAw
k1 k2
1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000
-4 -2 0 2 4 6
i DA i RA
10-6 10-4 10-2 100 102
1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000
E RAw
E DAw
10-6 10-4 10-2 100
E RAwb
E DAwb
Figura 5.3: Falta externa: a) Correntes de operação e restrição; b)εwbD eεwbR ; c)εwDeεwR. calculadas a cada instante, são comparadas a limiaresEDeER, respectivamente.
Definição dos Limiares para as Energias de Operação e de Restrição
Em regime permanente, os coeficienteswaveletde sinais provenientes do sistema elé- trico apresentam distribuição gaussiana com médiaµw = 0 e desvio padrãoσw (COSTA;
SOUZA, 2011). Desta forma, os coeficienteswaveletpodem ser usados para detecção de distúrbios por meio de limiares estabelecidos em função do desvio padrãoσw. Sejam os coeficienteswavelet em um intervalo dek1 a k2 {w(k1), w(k1+1), ..., w(k2)} variáveis aleatórias independentes e normalmente distribuídas, com médiaµw nula e variânciaσ2w (MONTGOMERY et al., 2006). Então, a variável aleatória
ε=
k2
∑
n=k1
w2(n) (5.3)
CAPÍTULO 5. MÉTODO PROPOSTO 50
. Energia de Operação - EiD
Energia de Restrição - E.iR
0 2 4 6 8 10 12 14 16
0 10 20 30 40 50 60
Fase A Fase B Fase C
Energização Faltas Externas Faltas Internas Determinação de K baseada
nas distribuições dos pontos de operação para cada caso
simulado
w
. Energia de Operação - EiD
Energia de Restrição - E.iR
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000
Fase A
Fase B
E iwR
E wiD
E wbiR
-0,4 -0,2 0 0,2 0,4
0 0,5
1 1,5x 10-5
0,005 0,01 0,015
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000 a)
b) i D i R
E iwbR
E wbiD
E iwR
E wiD
500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000
-10 -5
0 5 10
0 0,005
0,01
0 5 10 15 20
i D i R
E wbiR
E wbiD
E iwR
E wiD
a)
b) -20
-10 0 10 20
10-5 100
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000 10-5
100 105
i D i R
E iwbR
E wbiD
E iwR
E iwD
(a)
(b) i DA i RA
E RAwb
E DAwb
k1 k2
-2 -1 0 1 2 3
3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000
10-8 10-6 10-4 10-2 100
E RAwb
E DAwb
3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000
3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000
Amostras c) (
10-8 10-6 10-4 10-2 100 102
E RAw
E DAw
k1 k2
1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000
-4 -2 0 2 4 6
i DA i RA
10-6 10-4 10-2 100 102
1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000
E RAw
E DAw
10-6 10-4 10-2 100
E RAwb
E DAwb
-10 -5
0 5 10
i DA i RA
10-5 10-4 10-3 10-2 10-1 100
E RAwb
E DAwb
1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000
10-6 10-4 10-2 100 102
E RAw
E DAw
Figura 5.4: Falta interna: a) Correntes de operação e restrição; b)εwbD eεwbR ; c)εwDeεwR. segue a distribuição qui-quadrado comk2 -k1+ 1 graus de liberdade, médiaµε =εe va- riânciaσ2ε = 2µε. Portanto, as energias dos coeficienteswavelet, na amostrak, calculadas com as últimas amostras em uma janela de∆k−L+1 amostras, tal como definida para equação (4.28):
εwb(k) =
k n=k−∆k+L
∑
w2(n), (5.4)
também seguem uma distribuição qui-quadrado com∆k-L+ 1 graus de liberdade, média µε(k)=εwb(k)e variânciaσ2ε(k)= 2εwb(k).
De acordo com o Teorema da Aditividade do Qui-Quadrado, a soma de variáveis ale- atórias com distribuição qui-quadrado apresenta também uma distribuição qui-quadrado (MONTGOMERY et al., 2006). Considerando que cada elemento do vetor representativo das energias de operação, em regime permanente, no intervalo dek1 ak2, corresponda a uma distribuição qui-quadrada, com valores de média {µε(k1), µε(k1+1), ..., µε(k2)} e
variância {σ2ε(k1),σ2ε(k1+1), ...,σ2ε(k2)}, então a soma das energias∑k2k=k1εwb(k)forma uma distribuição de probabilidade com médiaµεe variânciaσ2ε dadas por:
µε= 1 k2−k1+1
k2
∑
n=k1
µε(n) = 1 k2−k1+1
k2
∑
n=k1
εwb(n), (5.5)
σ2ε =2µε. (5.6)
Das equações (5.5) e (5.6), tem-se ainda que:
µε= 1 k2−k1+1
k2
n=k
∑
1n m=n−∆k+1
∑
w2(m). (5.7)
Em uma análise em tempo real, na qual se é pretendido realizar o mínimo esforço com- putacional possível,µεpode ser calculado ao longo de todo o intervalo[k1k2], no regime permanente, como segue:
µε=
0, parak=k1−1 µε+εwb(k), parak16k<k2
µε+εwb(k)
k2−k1+1, parak=k2.
(5.8)
Portanto, o esforço computacional para calcularµεé equivalente a uma operação de adi- ção, por amostra, parak16k<k2e duas operações de adição e uma operação de divisão na amostrak2.
Baseado no Teorema da Aditividade do Qui-Quadrado, o limiarE foi definido como função dos parâmetrosµε eσ2ε, de maneira queεwb(k)<E no regime permanente, como segue:
E=µε+1
2σ2ε =2µε. (5.9)
Este procedimento também é válido para a componente de energia de restrição. Desta forma, das equações (5.5) e (5.9), tem-se:
ED= 2
k2−k1+1
k2
∑
n=k1
εwbD (n), (5.10)
ER= 2
k2−k1+1
k2
n=k
∑
1εwbR (n). (5.11)
Comoεw≈εwbdurante o regime permanente (COSTA, 2014), visto que não há efeito de
CAPÍTULO 5. MÉTODO PROPOSTO 52
0 0.2 0.4 0.6 0.8 1 1.2x 10-4
Energia de Restrição - E.iR
0
1 2 3 4 5 6 7 8 9
x 10-5
0 1 2 3
x 10
-4
Fase A Fase B Fase C
0 0.5 1 1.5 2 2.5 3 3.5 4 4.5
x 10-4 0
0.2 0.4 0.6 0.8 1 1.2 1.4 1.6 1.8
x 10-3
K = 4,05w1
Fase A Fase B Fase C Energização Faltas Externas Faltas Internas
E pu
0 0.5 1 1.5 2 2.5 3 3.5
x 10-4 0
0.2 0.4 0.6 0.8 1 1.2 1.4 1.6 1.8x 10-3
K = 4,05w1 Fase A Fase B Fase C Energização Faltas Externas Faltas Internas
E puw
1000 1200 1400 1600 1800 2000 2200 2400 2600 2800 3000
1000 1200 1400 1600 1800 2000 2200 2400 2600 2800 3000
0
10002 1200 1400 1600 1800 2000 2200 2400 2600 2800 3000
4 6 8 10
E puw
0
1 2 3 4
0 1 2 3 4
0 1 2 3 4
a)
x 10-4
b)
c) amostras
1000 1200 1400 1600 1800 2000 2200 2400 2600 2800 3000
1000 1200 1400 1600 1800 2000 2200 2400 2600 2800 3000
a)
b) amostras 5
1 2 3 4 5
x 10-4
M+0,5V
EiDw
σ
µ+0,5σ2
µ+0,5σ
µ
µ+0,5σ
µ+0,5σ2
µ
µ+0,5σ2
0 0,005
0,01 0,015
0,02 0,025
IOP =f(IREST) E iwb D =f(E iwb R) E i D =f(E ) w
i R w
E iD
wb
E = 2 D µE
E = 2 D µE Energia EDwb
w Energia ED µ
Figura 5.5: Definição dos limiaresEDpara as energias de operação: a)εwbD ; b)εwD. borda, então εw e εwb apresentam os mesmos limiares ED e ER. Os distúrbios transitó- rios são detectados com as energiasεwbD eεwDpor meio dos respectivos limiares EDe ER quando:
εD>ED, (5.12)
εR>ER, (5.13)
para ambas as energias sem e com os efeitos de borda.
Na Figura 5.5 é ilustrado o comportamento de εwbD eεwD, respectivamente, durante o regime permanente e após a ocorrência de uma falta interna no transformador, no qual εwD(k)≈εwbD (k)<EDparak<kf. O evento é detectado quando se temεwD(k)6=εwbD (k)>
ED.