Damásio de Jesus deixa bem clara a diferença entre estes institutos como pode ser comprovado a seguir:
a) A anistia exclui o crime, rescinde a condenação e extingue totalmente a punibilidade; a graça e o indulto apenas extingue a punibilidade, podendo ser parciais;
b) A anistia, em regra, atinge crimes políticos; a graça e o indulto, crimes comuns;
c) A anistia pode ser concedida pelo poder legislativo; a graça e o indulto são de competência exclusiva do Presidente da República;
d) A anistia pode ser concedida antes da sentença final ou depois da condenação irrecorrível; a graça e o indulto pressupões o trânsito em julgado da sentença condenatória". (Jesus, p. 605).
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A construção de novos estabelecimentos penais é imperiosa, por mais que se façam concessões no sistema de punição de criminosos. A criação de novas vagas para delinqüentes perigosos deve acompanhar o crescimento populacional, lançando-se mão da privatização de presídios, se não houver outra saída. Além disso, é preciso cuidar da colocação profissional do egresso, para evitar a reincidência.
Embora os institutos o qual enseja o artigo 107, inciso II, do Código Penal, estejam solidamente incorporados à nossa tradição, a tendência liberalizante não condiz com a realidade social que somos obrigados a enfrentar no cotidiano. A cada dia que passa, aumentam os crimes praticados com violência e mediante emprego de arma de fogo. Preocupante é o beneficio para autores de roubo a mão armada, pois a pena mínima prevista para esse tipo de delito é de cinco anos e quatro meses – menos de seis anos.
A anistia, primeiro ponto abordado nesse trabalho, exclui o crime e apaga a infração penal. É dada por lei e abrange fatos e não pessoas. Pode vir antes ou depois da sentença e afasta a reincidência. Pode ser geral, restrita, condicionada ou incondicionada. Aplica-se em regra a crimes políticos e é concedida pelo Congresso Nacional . Pode também incidir sobre crimes comuns e não abrange os efeitos civis.
O indulto exclui somente a punibilidade e não o crime. Pressupõe condenação com trânsito em julgado e compete ao Presidente da República. Não afasta a reincidência, caso tenha havido sentença transitado em julgado.
A graça é o mesmo que indulto individual e assim como a anistia não cabe em crimes de tortura, terrorismo, tráfico de entorpecentes e drogas afins, bem como nos crimes hediondos. Ao contrário do indulto que é espontânea, a graça deve ser solicitada.
A concessão do instituto deve ser analisada caso a caso. O problema da superpopulação carcerária é preocupação de todos e providências que possam
auxiliar na resolução do impasse hoje criado são importantes. No entanto, os benefícios durante o cumprimento de pena precisarão ser cuidadosamente analisados pela Justiça para não se aumentar o risco de insegurança social.
A legislação já foi bastante liberalizada, com a inovação trazida pelas penas alternativas e a instituição dos Juizados Especiais Criminais. Hoje, para ser condenado a pena de reclusão, um criminoso tem de fazer bastante esforço.
O direito de conceder graça é sem dúvida a mais bela prerrogativa do trono;
é o mais precioso atributo do poder soberano; mas, ao mesmo tempo, é uma improbação tácita das leis existentes. O soberano que se ocupa com a felicidade pública e que julga contribuir para ela exercendo o direito de conceder graça, eleva- se então contra os códigos criminais, consagrados, mal grados seus vícios, pelos preconceitos antigos, pelo calhamaço impostor dos comentadores, pelo grave aparelho das velhas formalidades, enfim, pelo sufrágio dos semi-sábios, sempre mais insinuantes e mais escutados do que os verdadeiros sábios.
Sendo a clemência virtude do legislador e não do executor das leis, devendo manifestar-se no Código e não em julgamentos particulares, se deixar ver aos homens que o crime pode ser perdoado e que o castigo nem sempre é a sua conseqüência necessária, nutre-se neles a esperança da impunidade; faz-se com que aceitem os suplícios não como atos de justiça, mas como atos de violência.
Quando o soberano concede graça a um criminoso, não será o caso de dizer
que sacrifica a segurança pública à de um particular e que, por um ato de cega benevolência, pronuncia um decreto geral de impunidade?
Sejam, pois, as leis inexoráveis, sejam os executores das leis inflexíveis;
seja, porém, o legislador indulgente e humano. Arquiteto prudente dê por base ao seu edifício o amor que todo homem tem ao próprio bem-estar, e saiba fazer resultar o bem geral do concurso dos interesses particulares; não se verá, assim, constrangido a recorrer a leis imperfeitas, há meios pouco refletidos que separam a cada instante os interesses da sociedade dos cidadãos; não será forçado a elevar sobre o medo e a desconfiança o simulacro da felicidade pública. Filósofo profundo e sensível terá deixado aos seus irmãos o gozo pacífico da pequena porção de felicidade que o Ser supremo lhes concedeu nesta terra, que não é mais do que um ponto no meio de todos os mundos.
Não há de se negar a grande importância destes institutos no que se refere aos seus conceitos, formas e modos de aplicação em nosso dia-a-dia profissional.
Trata-se um horizonte aberto que nos proporciona um maior crescimento nos conhecimentos relativos as causas de punibilidade, que são largamente utilizadas na nossa vida de futuros operadores do Direito. Basta porem, analisarmos quem são os verdadeiros merecedores de tais benefícios, e, se estes, estão sendo aplicados de forma justa e competente.
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