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A precipitação e temperatura ao longo do período experimental (Figura 1) foram satisfatórias para o crescimento do Xaraés e do estilosantes Mineirão.

A ausência de efeito (P>0,05) das doses de P para TApF, Filo, TAlR e TAF do estilosantes Mineirão (Tabela 2) pode ser explicada pelo fato da menor dose de P avaliada (70 kg/ha de P2O5) ter sido suficiente para atender as exigências da espécie, classificada como pouco exigente por Vilela et al. (2004). Especificamente no caso do estilosantes Mineirão, a baixa resposta às doses altas de P decorre do desenvolvimento de mecanismos adaptativos desta leguminosa a situações de baixa disponibilidade deste nutriente. Desta forma, é possível atingir uma situação de máximo crescimento de folhas, com doses relativamente baixas de P (Lopes et al., 2011), o que permite menor custo na implantação desta leguminosa.

A menor TApF do Estilosantes Mineirão no plantio consorciado (Tabela 2), pode ser explicada pela competição por luz entre as espécies, tendo o Xaraés provocado o sombreamento no estilosantes Mineirão, resultando na redução da taxa de assimilação de carbono e, portanto, reduzindo a disponibilidade de compostos orgânicos que favorecem o maior aparecimento de folhas (Cutrim Jr. et al., 2010).

O maior Filo do Estilosantes Mineirão verificado no plantio consorciado (Tabela 2), pode ser justificado pela menor TApF verificada no mesmo e implicando no maior tempo, em dias, para o aparecimento de duas folhas sucessivas na ramificação da planta já que o Filo, para determinado genótipo, é relativamente constante durante o desenvolvimento vegetativo e quando em condições ambientais constantes (Cecato et al., 2007).

O efeito dos arranjos de plantio sobre a TAlR (Tabela 2) do Estilosantes Mineirão é semelhante ao resultado observado para TApF, onde o sombreamento provocado pelo Xaraés no plantio consorciado promoveu redução na atividade fotossintética do estilosantes Mineirão o que resultou na diminuição do crescimento da planta. As gramíneas são mais eficientes na utilização de água e de alguns nutrientes minerais e apresentam eficiência fotossintética mais alta, que resulta na

taxa de crescimento e potencial de produção de forragem superior ao das leguminosas (Nascimento Jr. et al., 2002).

A TAF juntamente com a TAlF do Estilosantes Mineirão são as características que determinam a área de um folíolo e, consequentemente, o tamanho da área fotossinteticamente ativa deste para a maior absorção de luz e maior eficiência fotossintética da planta que é ponto de partida para a formação de novos tecidos.

Fato observado pela maior TAF (Tabela 2) para o Estilosantes Mineirão solteiro.

A menor TAlF e TAlP do estilosantes Mineirão consorciado na maior dose de P avaliada (140 kg/ha de P2O5; Tabela 3), provavelmente, ocorreu como resultado do favorecimento da capacidade de desenvolvimento inicial do Xaraés, resultando no aumento da competição entre as espécies em função do crescimento inicial lento do estilosantes.

No plantio consorciado o sombreamento provocado pelo Xaraés sobre o Estilosantes Mineirão pode ter limitado a ativação das gemas axilares, o que conduziu ao menor NRP e NRS (Tabela 4). O potencial de perfilhamento ou de ramificação de um genótipo é determinado pela velocidade de emissão de folhas, pois cada folha formada corresponde à geração de uma ou mais gemas axilares (Nabinger, 1996). Como já foi discutido anteriormente, o estilosantes Mineirão, quando consorciado, apresentou menor TApF e, portanto, apresentou menor potencial de ramificação.

O efeito do sombreamento também foi observado por Thompson (1993) citado por Vendruscolo (2003) em experimento avaliando o crescimento de plantas de trevo branco sob sombreamento, sem suplementação de radiação. O trevo branco sombreado produziu baixa proporção de ramificações nos nós, com poucas folhas por ramos e maiores entrenós e pecíolos mais longos que as plantas não sombreadas.

Lopes et al. (2011) avaliando doses de P no estabelecimento de Xaraés e estilosantes Mineirão em consórcio, verificaram que as respostas para as doses de P em CF do estilosantes Mineirão foram mais acentuadas no intervalo de 25 e 50 kg/ha de P2O5. Segundo os mesmos autores, a partir da aplicação de 50 kg/ha de P2O5, o efeito positivo da adubação fosfatada sobre o CF é pouco evidente, porém

continua ocorrendo até a dose 200 kg/ha de P2O5, o que confirma o resultado obtido neste trabalho com a dose de 140 kg/ha de P2O5 (Tabela 5).

A ausência do efeito de doses de P para LF (Tabela 5) pode ser explicado pelo fato de a menor dose de P avaliada (70 kg/ha de P2O5) ter sido suficiente para atender as exigências da planta para esta característica. Concordando com Lopes et al. (2011) que verificaram que a LF foi favorecida pelas doses entre 25 e 50 kg/ha de P2O5.

O CP foi numericamente maior no arranjo de plantio consorciado quando comparado ao arranjo de plantio solteiro (Tabela 5). Gobbi et al. (2009) verificaram aumentos significativos no comprimento do pecíolo das plantas de amendoim forrageiro de acordo com o aumento nos níveis de sombreamento. O aumento na razão vermelho: vermelho distante leva ao aumento no comprimento do pecíolo e tamanho da lâmina, o que permite a planta posicionar sua área foliar na camada melhor iluminada do dossel. Essa resposta é acompanhada pelo decréscimo na emergência de gemas axilares e alongamento mais rápido nos entrenós (Lemaire, 1997).

O fato de não ter sido observada diferença (P>0,05) entre os arranjos de plantio avaliados para as características morfogênicas e estruturais do Xaraés (Tabela 6), é positivo, pois demonstra a eficiência do estilosantes Mineirão em fixar e transferir N para o Xaraés em consórcio, mantendo sua taxa de crescimento igual a do Xaraés solteiro que recebeu a dose de 50 kg/ha de N. As leguminosas além de manter o balanço positivo de nitrogênio no sistema, aumentam a qualidade da palhada, favorecendo os processos de mineralização (Schunke, 2001) por permitir maior ação da fauna e da microbiota do solo, acelerando a liberação de nitrogênio para as plantas em crescimento.

Os resultados obtidos com o Xaraés foram observados também por outros autores. Pinheiro (2011) observou que pastos consorciados com estilosantes ou adubados com 75 e 150 kg de N/ha apresentaram respostas semelhantes para as características estruturais do pasto. Segundo Paris et al. (2009) a produtividade por área e por animal em pastagem de Coastcross-1 consorciada com Arachis pintoi sem adubação é semelhante a pastagens consorciadas e adubadas com 100 kg de N. Ainda de acordo com esses autores a adubação é uma ferramenta imprescindível

para a boa produtividade animal, entretanto, os ganhos com a consorciação comprovam o efeito da leguminosa como doadora de N. Da mesma forma, o uso de Stylosanthes guianensis cv. Mineirão em consórcio com a Brachiaria decumbens cv.

Basilisk promoveu resultados semelhantes ao adubo nitrogenado, evidenciando que o uso dessa leguminosa pode ser alternativa para a substituição do N no estabelecimento e na manutenção da longevidade de pastagens (Martuscello et al., 2011).

A ausência do efeito das doses de P no Xaraés (Tabela 6) no presente estudo pode ser explicada pelo fato de que a menor dose de P avaliada (70 kg/ha de P2O5) associada ao P presente no solo que apresentou pH 5,0 (disponibilidade de 32% de P; Alcarde et al., 1989), resultou em 5,64 ppm de P, valor, provavelmente, acima do mínimo para atender a exigência da espécie. Magalhães et al. (2007) ao avaliarem a influência do N e do P na produção do capim-braquiária, verificaram que doses crescentes de P não influenciam a produção de matéria seca, a relação folha:colmo e o teor de proteína bruta do capim Brachiaria decumbens.

Valores semelhantes aos encontrados no presente estudo para TApF (Tabela 6) foram descritos por Martuscello et al. (2005), que observaram resposta linear e positiva às doses de N, com valores variando de 0,096 (sem adubação nitrogenada) para 0,121 folhas/dia (240 kg/ha de N).

Alexandrino et al. (2004) avaliando três dose de N (0, 40 e 80 kg/ha/semana de N) e oito tempos de rebrotação (0, 2, 4, 8, 16, 24, 32 e 48 dias após o corte de uniformização) para B. brizantha cv. Marandu encontraram valores de filocrono, de 12,20; 8,47; e 6,99 dias/folha, respectivamente, para as plantas que receberam 0, 40 e 80 kg/ha/semana de N, correspondendo, a dose de 40 kg/ha/semana de N ou 274 kg/ha/período, considerando 6,8 semanas de avaliação no tratamento de 48 dias, ao valor de filocrono encontrado para o Xaraés neste trabalho (Tabela 6).

Os resultados de TAlF e TAlC encontrados no presente estudo (Tabela 6), assemelham-se aos encontrados por Martuscello et al. (2011) que também não verificaram diferença significativa para estas variáveis em plantas de Brachiaria decumbens adubadas com 50 e 100 kg/ha de N e Brachiaria decumbens em consórcio com Stylosanthes guianensis cv. Mineirão.

Lopes et al. (2011) também não verificaram efeito de doses de P para o NFV, tendo o Xaraés apresentado média de 4,5 folhas por perfilho, o que pode ser explicado pelo fato de que o número de folhas vivas por perfilho é razoavelmente constante, de acordo com o genótipo, condições de meio e manejo (Gomide, 1997).

Lins (2011) ao avaliar capim-tanzânia consorciado com estilosantes Campo Grande ou adubado com N, não observou diferença para DVF e CFF das plantas do capim-tanzânia consorciado e adubado. Neste estudo também não foi observado diferença para estas características para o Xaraés solteiro e consorciado.

No documento Dissertação Renata Jardim.pdf (páginas 33-38)

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