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2. Espaço público

2.8. Projecto no seu contexto

2.8.7. Diversidade

A implantação e design do mobiliário urbano também têm um papel importante na criação de ambientes significativos e receptivos, aptos a suportar uma diversidade de usos, actividades e pessoas. Homens e mulheres, crianças e adultos, residentes e visitantes, velhos e novos, de diferentes culturas, raças e fé usam estes equipamentos de forma diferente e deveriam ser encorajados a sentirem-se à vontade quando os utilizam.

O design e implantação do mobiliário urbano deveriam responder a diferentes necessidades e escolhas dos seus utilizadores, em distintos momentos do dia.

Síntese Conclusiva

Em resumo, grande parte das definições de mobiliário urbano são gerais e as proposições que são mais específicas fomentam antinomias, são de certa forma limitativas ou definem o âmbito de aplicação do mobiliário urbano de maneira muito própria. A complexidade na definição do conceito de mobiliário urbano resulta, em parte, do grande número de equipamentos e objectos existentes - candeeiros, cabinas telefónicas, bancos, mesas, sinalética, etc. - e das diversas funções que estes têm que satisfazer - informação, segurança, circulação, conforto, protecção, recreação, etc. - e, na relação estreita que têm com o espaço público. No entanto, todas as enunciações assentam em dois eixos básicos: a sua utilidade como serviço público e a questão da propriedade pública e privada.

Apesar das diferenças de nomenclatura e independentemente do seu carácter como serviço, qualquer elemento colocado no espaço público urbano é vulgarmente apelidado de mobiliário e/ou equipamento urbano. Todos estes artefactos satisfazem uma série de características elementares motivadas por requisitos funcionais, de uso, ergonómicos,

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estruturais, estéticos, etc., com diferentes configurações e níveis formais determinados pelas necessidades dos seus utilizadores. No entanto, são os requisitos funcionais e de uso, os factores transversais que mais se salientam nas abordagens de quase todos os autores consultados. Tal posicionamento conduz a que, no geral, as classificações do mobiliário e equipamento urbano estejam agrupadas em famílias de acordo com as suas funções e usos. Esta classificação funcional é empregada para qualificar os elementos de acordo com a sua função principal dentro da rede de espaços públicos e, também com base na relação com os utilizadores. O mobiliário urbano é, assim, entendido como um instrumento técnico e funcional que estrutura o espaço público, que se torna parte da essência da rua.

O mobiliário urbano surge nos espaços públicos urbanos por motivos, de certo modo, relacionados com factores económicos, sociais e culturais, ambientais, físicos e também estéticos de um determinado conceito histórico-filosófico da sociedade. A evolução e desenvolvimento das sociedades repercutem-se no uso e no desenho dos seus elementos e, o mobiliário urbano foi acompanhando este progresso tanto a nível funcional, formal, tecnológico e de materiais como cultural, social e espacial.

Apesar de aglutinador das actividades sociais, e de facilitar a convivência social e o intercâmbio de experiências individuais e colectivas, o mobiliário urbano que actualmente se encontra nos espaços públicos das cidades europeias apresenta, no geral, uma linguagem única e universal que não caracteriza a cultura de qualquer dos locais.

De facto, estes elementos são instalados transversalmente e indiferentemente para além do carácter da urbe, transportando consigo a ameaça da homogeneidade cultural.

O processo de design do mobiliário urbano é similar ao processo de design de outros produtos e equipamentos. Destacam-se, de entre os requisitos gerais a considerar no projecto de design, a funcionalidade, a resistência, a manutenção, a ergonomia, a expressão formal e, os custos iniciais e de todo o seu ciclo de vida. O seu carácter universalista deveria procurar tornar as cidades aptas a todos, proporcionar um ambiente livre de barreiras arquitectónicas e ser suficientemente versátil de forma a prover

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equitativamente as necessidades de todas as pessoas independentemente da sua idade, género, raça, religião e/ou cultura.

Actualmente o mobiliário urbano tornou-se num elemento importante de acondicionamento do ambiente urbano: os seus elementos configuracionais, tais como, a linha, a superfície, a textura, a cor, a forma, o volume e os materiais, contribuem para a ambiência final dos espaços públicos. Esta relação pressupõe o conhecimento e a capacidade de interpretação destes lugares, pois estes artefactos possibilitam intervenções que podem contribuir para a definição de traços da identidade local, de características referentes ao clima, aos comportamentos, à paisagem urbana, à história e memória de cada espaço público.

Materialmente o espaço público configura-se em diversas tipologias morfológicas que assistem os pressupostos públicos. Do ponto de vista conceptual encontra-se demarcado pelos parques e jardins, as ruas, largos e alamedas, as praças e rotundas, os parques infantis, as frentes ribeirinhas, etc., ou seja, os lugares de encontro e desencontro dos cidadãos. É um espaço de uso comum – funcional, social, recreativo, civil, da mobilidade, comercial, de consumo -, um local de coexistência e de exercício da cidadania. Implica, por conseguinte, um território concreto, e esta materialidade, juntamente com todas as outras dimensões, é elementar para a construção e compreensão do espaço público.

Presentemente, o papel dos espaços públicos encontra-se na agenda política de qualquer cidade. Sujeito a mudanças significativas, são percebidos como lugares de suporte à vida colectiva, que espelham a cultura dos seus habitantes e alimentam a imagem do lugar. Pressupõem um nível de funcionalidade, de equipamentos e infra-estruturas que permitem a sua utilização pelos cidadãos, justificando a razão da implementação sistemática de mobiliário urbano nos seus espaços, para proporcionar serviços aos seus cidadãos.

Este posicionamento procede das várias teorias desenvolvidas ao longo dos tempos, nomeadamente da postura das cidades de novecentos perante a produção do espaço urbano. O século XIX apostou na racionalização das vias de comunicação e respectiva

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criação de grandes artérias, na especialização dos sectores urbanos e dos grandes empreendimentos, na maior atenção às condições higiénicas do ar, da luz e da água, que proporcionaram o território ideal para o desenvolvimento do mobiliário urbano como é hoje conhecido. A mudança de escala na criação do espaço público, tão clara em cidades como Paris, Barcelona ou Viena, permitiu a estandardização do mobiliário urbano entendido como elementos que, por um lado, estruturam, desenham e dão coerência à paisagem urbana e, por outro, promovem a sociabilidade e o seu uso diversificado.

Mas o espaço público urbano não esteve sempre em primeiro plano. O movimento moderno na primeira metade do século XX e as políticas públicas da segunda metade conformaram um urbanismo que o afastou para um plano inferior: teorias que descuidaram a questão do espaço público como suporte à vida colectiva e, no geral, confinaram-se a assuntos relacionados com a produção e reestruturação económica. A partir dos anos oitenta do século XX surgiram novas abordagens e iniciaram-se medidas para tentar corrigir erros passados e reconquistar o espaço público: travar a invasão do automóvel, potenciar o transporte público e favorecer a actividade pedonal e a dos ciclistas, recuperar os espaços industriais, portuários e/ou ferroviários obsoletos, criar novos parques, melhorar os espaços públicos abertos, etc. Aliás, a gestão do espaço público e dos seus equipamentos é, hoje em dia, uma das competências fundamentais das Câmaras Municipais. Esta capacidade permite deliberar sobre o tipo de mobiliário urbano a instalar, a sua situação geográfica e número, assumindo um papel fundamental na configuração do próprio espaço público e na adequação do mobiliário urbano nele colocado.

Mas esta requalificação e reconversão urbana actualmente generalizada pretendem mais do que reconquistar os espaços públicos da cidade: ambicionam introduzir os critérios inerentes ao conceito de desenvolvimento sustentável. Neste sentido, vários autores e consultoras formularam premissas relativas às qualidades e características necessárias para a materialização de espaços públicos de êxito. A publicação By Design (DETR/CABE, 2000) destaca a identidade, a continuidade e inclusão, a qualidade do

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domínio público, a facilidade de mobilidade, a legibilidade, a adaptabilidade e, a diversidade como os sete objectivos de desenho urbano.

Este conjunto de objectivos fornece uma conceptualização abrangente que permite uma abordagem ao projecto de design de candeeiros de iluminação para o espaço público, que leva em consideração as características do contexto local de instalação destes artefactos. No entanto, estes objectivos deverão ser equacionados em termos da sua relação com as pessoas e as suas actividades: um candeeiro pode ajudar na formação da vida de um local, mas são as pessoas que irão dar vida a esse lugar.

As referências urbanas estão presentes no quotidiano das cidades, seja na memória dos seus habitantes, seja nos hábitos e costumes locais, seja na própria estrutura urbana, ao ponto de alguns elementos do mobiliário urbano estarem associados a uma cultura ou a um local específico, sendo representativos de características identitárias de determinados contextos. Ou seja, o mobiliário urbano pode influenciar o sucesso de um local, tornando desejável projectar estes artefactos como um sistema integral que não pode ser separado do tratamento que se dá aos espaços públicos. Para tal, é necessário adoptar uma abordagem holística e uma equipa de design integrada que abranja vários campos de especialização técnica. É fundamental envolver um grupo de pessoas dedicado e com conhecimento para desenvolverem um plano integrado de design de mobiliário urbano.

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Design de Candeeiros

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Este capítulo, dividido em três secções, analisa as questões técnicas e sociais dos candeeiros de iluminação do espaço público e constitui o segundo corpo de conhecimento necessário à investigação. A primeira secção centra-se na relação entre o candeeiro e o espaço público, e no estudo da evolução da iluminação pública na cidade de Lisboa, desde as primeiras tentativas a azeite no ano de 1780, passando pela implementação do sistema de iluminação pública a electricidade nos finais de oitocentos, até às questões de eficiência energética da actualidade. Traça uma panorâmica da evolução formal e técnica destes artefactos, desde a sua génese até aos dias de hoje. Esta primeira secção termina com a caracterização dos requisitos actuais necessários às instalações de candeeiros de iluminação do espaço público. A secção seguinte aborda as tipologias e constituição dos candeeiros, a definição e delimitação de termos e as especificações técnicas e normativas destes objectos. A última secção resume uma série de princípios directa e/ou indirectamente relacionados com o design de candeeiros, como os conceitos e definições de magnitudes luminotécnicas como a luz e a cor, a temperatura da cor, o índice de restituição das cores, o rendimento luminoso e a duração de vida média das fontes de luz. E as questões directamente relacionadas com as características da luz em si e os materiais, como a aparência, a textura e a composição das superfícies.

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No documento design de candeeiros de iluminação pública (páginas 124-131)