Pretende-se fazer a divulgação dos resultados aos sujeitos participantes do estudo, visando-se, assim, fornecer subsídios que auxiliem a compreensão dos aspectos psicológicos e das necessidades afetivas presentes em crianças adotadas.
4 APRESENTAÇÃO DOS DADOS
Nesta seção, apresentam-se os principais relatos das entrevistas realizadas com os pais adotivos. Utilizar-se-ão categorias, surgidas a partir das entrevistas, que contribuem para responder a pergunta de pesquisa o que possibilitaria o atendimento das necessidades afetivas da criança adotada. Para a visualização destes dados, utilizam-se quadros que contém a descrição dos sujeitos entrevistados e que constam as categorias montadas a partir das entrevistas com seus respectivos recortes das falas dos sujeitos que foram entrevistados.
Outrossim, expõem-se também a análises dos relatos.
Uma observação que cabe ressaltar, antes da apresentação do quadro com a descrição dos sujeitos entrevistados, é que todos adotaram bebês. Seus filhos adotivos não passaram pela a infância em instituição.
Abaixo, segue-se o quadro com a descrição dos pais entrevistados.
Quadro1. Descrição dos sujeitos entrevistados, idade e filhos.
Entrevista 1: mãe solteira: Suj.1 (sujeito 1) Idade: 54 anos
Escolaridade: curso superior completo
Filho(s): 1 filho adotivo de 10 anos
Entrevista 2: casal
Mãe: Suj.2.1 (sujeito 2.1), idade: 49 anos Escolaridade: curso superior completo Pai: Suj.2.2 (sujeito 2.2), idade: 59 anos Escolaridade: curso superior completo Filho(s): 1 filha adotiva de 18 anos.
Entrevista 3: casal
Mãe: Suj.3.1 (sujeito 3.1), idade: 55 anos Escolaridade: curso superior completo Pai: Suj.3.2 (sujeito 3.2), idade: 67anos Escolaridade: curso superior completo Filhos: 2 filhos biológicos (dois meninos,V e W) e 1 filha adotiva de 11 anos.
Entrevista 4: casal
Mãe: Suj.4.1 ( sujeito 4.1), idade: 53 anos Escolaridade: curso superior completo Pai: Suj.4.2 (sujeito 4.2), idade: 58 anos Escolaridade: curso superior completo Filhos: 3 filhos biológicos e 2 adotivos. Um menino e uma menina que têm hoje 14 anos.
Em seguida, inicia-se a apresentação das categorias estabelecidas através dos relatos dos sujeitos entrevistados. A primeira categoria abordada é a motivação, referente aos motivos que favoreceram para os pais a adoção de seu(s) filho(s).
Quadro 2. Categorias
Categoria:
1)Motivação para a adoção
Falas:
1) Suj.1 “... eu poderia ter solteira, sozinha.
Mas, eu não achava que seria bom nem para ele nem para mim... queria ser mãe independentemente da forma que fosse...”.
Suj. 2.1 “Conhecer a mãe, saber que não era uma pessoa drogada, basicamente foi isso...”. “... a gente tinha um sonho antigo de ter uma menina, nós tínhamos até uma filha imaginária, brincávamos...”.
Suj.2.2 “Nós não tivemos nenhum, como é que se diz, reforço externo para fazer esse processo de adoção, foi um sopro, foi um acontecimento”.
Suj. 3.1 “... se for uma menina eu fico, se for homem eu não fico, porque eu já tenho dois...”.
Suj.3.2 “... sempre queria uma menina, não tínhamos, ela não poderia mais ter filhos...
gravidez tem 90% de probabilidade de morte para os dois...”.
Suj.4.2“... achava que não tinha feito coisas pelos meus próximos de uma maneira assim muito autêntica e de coração, eu acho que um filho adotivo seria a prova maior que eu podia dar...”. “... é que a gente estava numa condição financeira bem, a gente achava que
estava resolvido... então, a gente se sentiu em condições pela situação que a gente vivia de que a gente poderia trazer essas crianças como filhos e dar uma oportunidade diferente para elas...”.
Investigar a questão da motivação dos pais para a adoção é importante, pois traz à tona os seus desejos com relação a esse tema. O conhecimento disso propicia dar início ao que se busca com esta pesquisa.
Com relação à motivação para a adoção, percebe-se que para o sujeito 1, a motivação para realizar a adoção é o desejo de ser mãe. O sujeito 3.1 expõe como motivação, o desejo de ter uma menina. O sujeito 2.1 expressa o fato de conhecer a mãe biológica, porém aparece ao decorrer da entrevista uma motivação implícita de ter uma menina. Para o sujeito 2.2 não houve algo que o tivesse motivado, apenas aconteceu. De acordo com o segundo casal entrevistado, o sujeito 3.2 argumenta como motivação o fato de seu parceiro, o sujeito 3.1 ter o desejo de ter uma menina. Por fim, para o terceiro casal entrevistado, a motivação, segundo o sujeito 4.2 foi para realizar uma atitude verdadeira em benefício do próximo.
Após a discussão sobre a categoria motivação para a adoção, continua-se a discussão dos dados acerca dos planos de adoção, se os pais adotivos entrevistados tinham ou não planos de adotar e quais eram esses planos.
Categoria:
2) Planos de adoção
Falas:
Suj. 1 “Olha, adoção sempre foi um assunto muito bem resolvido na minha cabeça desde garota”. “... sempre pensei em adotar...”.
Suj. 2.1 “Não... nunca tivemos planos de adoção”.
Suj. 2.2“... um ato involuntário. Aconteceu, é um estado de espírito...”.
Suj. 3.1 “Nós não tínhamos planos nenhum...”.
Suj. 4.1“... nunca pensamos em adotar uma
criança, foi por acaso”. “... a mãe da menina... ela procurava, queria dar a criança... eu quero dar e eu só vou dar essa criança para a senhora...”.
Suj. 4.2 “... sempre sonhei em ter uma família numerosa... só tenho três filhos e acho que tenho condições de ter mais filhos... aí eu falei com ela, conversamos, ela disse, vamos falar com nossos filhos...
então, houve um plano, não foi por acaso...”.
A questão sobre os planos de adoção é significativa, porquanto através dela é possível verificar se existiam previamente estes planos, contribuindo, deste modo, para a compreensão do que poderia contribuir para o atendimento das necessidades afetivas da criança adotada. Pois, a relação com a criança vai se basear nos planos, desejos prévios que esses pais tinham.
Observa-se que os três casais entrevistados não tinham planos, foi por acaso que chegaram a adotar. Apenas o sujeito 1 que sempre quis adotar e planejou a adoção.
Logo abaixo, mostrar-se-á a categoria histórico de adoção na família, demonstrando- se se os sujeitos entrevistados tem ou não algum membro na família que já adotou ou foi adotado.
Categoria:
3) Histórico de adoção na família
Falas:
Suj. 1 “... e não tenho na família casos de adoção, não lembro que amigos que tivesse adoção ”.
Suj. 2.1 “Só o meu sogro, que já estava em fase terminal, que ele era contra, porque os casos que ele conhecia...”.
Suj. 2.2 “Não, não, vamos arrumar isso aí, ele não era contrário, ele era precavido, já que a experiência para ele foi péssima com o
problema de adoção, adoção mal feita...”.
Suj. 3.1 “... você é louca de pegar uma criança, porque já tenho três sobrinhos adotivos”.
Suj. 4.1 “... na minha família... houve uma adoção errada...”.
Averiguar se há ou não histórico de adoção na família dos sujeitos entrevistados tem relevância, uma vez que há a possibilidade de relacioná-lo com o fato de eles terem realizado a adoção. Pois, supõe-se que, tido já familiaridade com a adoção, há menos preconceitos e temores, já que eles têm conhecimento do assunto e vivenciaram na família essa prática. Isso se torna importante, porque os preconceitos e temores dos pais vão influenciar diretamente na relação com a criança adotada.
Sobre o histórico de adoção na família, observou-se que todos casais entrevistados têm algum parente que já adotou, menos o sujeito 1.
Discorre-se a seguir sobre a decisão de adotar, demonstrando-se nas respostas dos sujeitos como chegaram à decisão de adotar.
Categoria:
4) Decisão de adotar
Falas:
Suj. 1 “É um desejo bem antigo... tinha esse desejo com 20 anos...”.
Suj. 2.2 “... adotar para mim é um estado de espírito, eu não era uma pessoa preparada para esse fato...”. “... foi uma tomada de decisão meio, meia, como se diz, corajosa”.
Suj. 2.1 “E nem eu, quando ele falou, eu me assustei, achando que ele ia desistir”.
Suj. 3.2 “Bom, nós conversamos”. “...
assumimos a idéia de ficar com a criança, uma que ela queria uma menina e para mim não tinha nada de contra, porque também seria interessante ter uma filhinha em
casa...”.
Suj. 4.1 “... a gente conversou com os filhos e as nossas crianças... também queriam mais irmãos...”.
Pesquisar como foi a decisão de adotar para os sujeitos, permite saber se foi algo feito em consenso, aceito entre os dois, no que diz respeito aos casais entrevistados. O que é muito importante, porque vai refletir diretamente na relação com a criança adotada. Se a adoção foi algo previamente desejado por apenas um dos membros do casal, haverá possivelmente uma maior disponibilidade deste para atender as necessidades afetivas da criança adotada. No caso da mãe solteira também é uma questão importante, pois permite saber como foi tomada a decisão, se foi influenciada por opiniões alheias, ou se foi algo decido por ela mesma, que estava certo, se foi uma decisão tomada há muito tempo na vida dela, ou se foi de momento.
Nota-se que para o sujeito 1 não se explicita como ele chegou a decisão de adotar, mas somente é relatado que é um desejo muito antigo. Pelas falas dos sujeitos 2.2 e 2.1, a decisão ocorreu sem uma certeza definitiva de que eles adotariam realmente, apenas aconteceu como eles já colocaram. Já para os sujeitos 3.1, 3.2, 4.1 e 4.2, mesmo eles relatando antes que não faziam planos de adoção, eles conversaram e decidiram, ficando claro que adotariam, de acordo com as falas do segundo e terceiro sujeitos citados anteriormente.
A próxima tabela evidencia a vivência dos sujeitos sobre o processo de adoção pelo qual passaram.
Categoria:
5) Vivência do processo de adoção
Falas:
Suj. 1 “Ah, tranqüilo e rápido. Foi muito bom”.
Suj. 2.1 e Suj.2.2“Tranqüilo...”.
Suj. 3.1 “Acho que foi normal... levou um ano e meio...”. “A única coisa que eu sentia era que era lento...”.
Suj. 4.1 “Tranqüilo...”
A vivência do processo de adoção é essencial, pois mostra os sentimentos dos pais, o quanto gerou de ansiedade, angustia pela espera da legalização do filho adotado. A demora desse processo de legalização influi na convivência com o mesmo em função de ter sentimentos de assunção que não foi legitimada no plano legal.
Observou-se que para os sujeitos 1, 2.1 e 2.2 e 4.1 o processo de adoção foi vivenciado de forma tranqüila. Somente o sujeito 3 vivenciou o processo como “normal”, sentindo que foi lento. Contudo, é importante esclarecer alguns dados que se relacionam ao fato de, em três casos, os sujeitos terem achado tranqüila a vivência do processo de adoção.
Para o sujeito 1, o intervalo do cadastro realizado como pretendente à adoção e a entrega do filho foi de apenas 4 meses. E todos os três casais não tiveram que passar pelo cadastro e a, conseqüente, espera na lista de pretendentes à adoção, porquanto eles já conheciam as mães biológicas de seus filhos, passando somente pelo processo de legitimação, da decisão judicial de guarda definitiva deles. Todavia, mesmo o sujeito 3.1 não tendo passado pelo cadastro e lista de espera, ela vivenciou o processo como lento, devido ao fato da burocracia para esperar a decisão judicial.
Abaixo, apresentam-se os relatos dos sujeitos referentes à reação da família quanto à decisão que tomaram de adotar.
Categoria:
6) Reação da família
Falas:
Suj. 1 “... quando era mais jovem minha mãe não apoiava muito... não estava contra, mas também não estava a favor...”.
Suj. 2.1 “Todos vibraram”.
Suj. 2.2“Perfeitamente bem”.
Suj. 3.1 “... minhas irmãs disseram, você é louca, porque você tem os filhos todos criados e você é louca de pegar uma criança, porque já tenho três sobrinhos adotivos”.
Suj. 3.2 “E a minha mãe fez uns comentários, escuta, vocês estão pensando bem, estamos. Meus colegas disseram que eu era louco...”.
Suj. 4.1 “... o pessoal chamou de corajosa,
há assim um espanto quando a gente diz, eu sou mãe adotiva... há assim uma admiração muito grande por parte das pessoas que sabem que a gente tem filho adotivo... ”.
Suj. 4.2 “... na minha família... irmãos eles disseram assim, mas tu és maluco, ter filhos dos outros”.
Saber da reação da família possibilita averiguar se as famílias dos sujeitos entrevistados foram a favor ou contra a adoção. Isso pode interferir na relação com a criança adotada, pois ela pode se sentir aceita ou não pelos familiares, influenciando na sua vivência com os pais no dia a dia.
No que se refere à reação da família quanto à adoção, nota-se que os familiares dos sujeitos 3.1 e 3.2 os chamaram de loucos, assim como também, os familiares do sujeito 4.2, mas não foram contra a decisão dele de adotar. A família do sujeito 4.1 reagiu com espanto, demonstrando uma admiração por esse ato. A mãe do sujeito 1 não foi contra, mas não apoiou totalmente essa decisão. E para os sujeitos 2 e 2.1 a reação de ambas famílias foi positiva, não havendo, de acordo com o relato deles, alguém que fosse contra essa decisão.
Adiante, verificam-se a(s) dificuldade(s) mais comuns que os pais entrevistados encontram no cotidiano com os seus filhos adotivos.
Categoria:
7) Dificuldade (s)
Falas:
Suj. 1 “Esse adoecimento de criança, de criança pequena, que toda hora tem uma coisa, que você não dorme, que tem febre...
cuidados”.
“... e agora estamos entrando na fase... ele está pré-adolescente... 11 anos, que é um inferno aquilo, porque agora tem essa classificação, então, eles se acham, tem que ver filme até mais tarde, ver filmes que não são para a idade dele, que são para 14 anos,
então, esse limite na fase de transição está bem complicado”.
Suj. 2.2 “Dificuldades nós não tivemos nem com cuidado nem com relação, as dificuldades vão aparecendo no momento em que ela vem crescendo, essas fases agora de adolescência...”. “Olha, a dificuldade era levar ao El divino e não sei o que, e 3h:
30min, 4 horas da manhã pegar... hoje ela está com o namorado, ele não é muito chegado a sair muito, aí eles ficam mais conosco”. “... as dificuldades parecem exatamente com a dos filhos legítimos...
fazendo uma comparação com os colegas a gente não percebeu nenhuma dificuldade com relação à adoção... ela é muito contida no sentido da amizade... eu tenho muitos colegas e poucos amigos e ela se espelha muito mais em mim neste tipo de comportamento... eu prefiro ter colegas para não sofrer como sofri no passado, ela foi muito traída... com mulher ela se satisfaz com a mãe, ela é aberta com ela...”.
Suj. 2.1 “Ela é bem atenciosa com a gente, obediente”. “Agora adaptar os projetos dela às nossas condições, conscientizar que tem hora e tempo para tudo, aí encontra uma certa rebeldia, porque quer tudo na hora... ela quer ir para os E.U.A trabalhar, fazer faculdade... antes na época do Energia tínhamos que ajudar a lidar com o problema da matemática, física”.
Suj. 3.1 “... ela é muito geniosa...”. “... ela é
muito chorona, qualquer coisinha ela emburra, ela é muito manhosa”.
Suj. 4.2 “... eles se sentem injustiçados, eles acham que nós tínhamos que ser, principalmente a menina, eu queria que o pai fosse rico e o pai não é rico, é um pobretão”.
“Ai, ai, como ela reclama”.
“... o problema dele é só que ele é vadio, ele é preguiçoso, ele quer tudo fácil...”.
Através da identificação das dificuldades que os pais encontram com os filhos adotivos, pode-se entender como está a relação com eles, se há dificuldades quanto ao fato deles serem adotivos ou se elas decorrem das mesmas dificuldades de quaisquer pais.
Três sujeitos (1, 2.1 e 2.2) relatam dificuldades com os filhos adotivos com relação às fases de desenvolvimento pelas quais eles passam. O sujeito 3.1 relata dificuldades com relação à personalidade da filha. E o sujeito 4.2 expõe dificuldades específicas com relação à filha e ao filho, como o filho seria muito preguiçoso e a filha muito materialista. Portanto, as dificuldades que aparecem são aquelas relacionadas às fases de desenvolvimento pelas quais os filhos passam, pré-adolescência e adolescência, e relacionadas às características pessoais de cada filho, no que se refere a seus temperamentos, seus valores. Dificuldades estas, que podem ter quaisquer pais sejam eles biológicos ou não.
Vistas as dificuldades que os pais relatam no convívio com seus filhos adotivos, demonstram-se, a seguir, formas que esses pais encontram de lidar com essas dificuldades.
Categoria:
8) Forma de lidar com a (s) dificuldade (s)
Falas:
Suj. 1 “... se chorava diferente, achava que era uma dor, que não era choro. Então, eu corria, sabe aquela coisa de marinheiro de primeira viagem, que qualquer coisa já liga para a pediatra...”.
“Sou sozinha para dar limite, tenho que morder e assoprar, mas todo mundo passa
por isso, pré-adolescente e adolescente, independe”. “Converso e quando não dá, eu proíbo, às vezes, não negocio, mando... com relação a filmes... se aquilo é proibido para menores de 14 anos, então, é porque alguém estudou e viu que não é bom para aqueles que têm menos de 14 anos... educar tem que dar o caminho, cada idade tem suas coisas permitidas... bom é esperar como era no meu tempo, bom é chegar na hora e ter aquela expectativa...”.
Suj. 2.2“ Quanto a levar nos locais, levamos e buscamos sem problemas, a iniciativa sempre foi dela, liga e nós íamos buscá-la...
nas amizades para nós, nós tentamos melhorar, jogar um aberto com ela, de ter uma ou duas amizades, porque ela tem esse ponto de conflito, medo da perda... nós melhoramos... a gente percebe que ela está se desconstruindo mais, eu falo para ela assim filha nunca resista ao chato, se entregue a ele... por exemplo, no futebol, eu torço para Florianópolis, eu torço pelo Avaí quando ele está jogando, ou torço para o Figueirense quando ele está jogando, aí o chato tenta me convencer que o Figueirense é o melhor, aí eu falo tu tem razão para não ir para o confronto. Porque, não vejo resultado desse conflito, tento gerar o ponto bom do cidadão... e minha filha se espelha muito em mim nesse tipo de comportamento... ela copia exatamente esse comportamento hoje...”.
Suj. 2.1 “... ela queria ir para os E.U.A trabalhar, fazer faculdade... conversei, falei que é não era a hora, tinha que juntar dinheiro...”. “... ajudar a lidar com o problema no colégio, com a matemática, física... estudávamos juntos com ela, colocamos em aula particular, tivemos que administrar... não chegava a ser uma dificuldade, fazia parte do nosso papel como mãe e pai...”.
Suj. 3.1 “... quando eu brigo com ela e que ela vai para o quarto, a gente deixa, aí a gente sabe que a hora que ela se acalma ela volta...”.
Suj. 3.2“... quando ela começa a responder e dizer não, é melhor não continuar... deixa passar...”.
Suj. 4.2 “... eu levo na gozação, por exemplo, esse mês eu disse assim oh, está aqui a mesada de vocês, dia primeiro dei a mesada para cada um, e disse assim oh, o mês que vem não tem mais mesada, porque vocês não estão fazendo por merecer...
depende do comportamento esse mês e eles estão assim, eles querem me agradar, porque eles querem essa mesada...”.
“... tudo fácil, você não vai conseguir, alguma coisa tu vai ter que sofrer para conseguir. Estudar, então é uma...”. “... eu preparo os exercícios, testes para esse motivo... o menino, então, estuda comigo...”.
Suj. 4.1 “... a gente tenta administrar isso da melhor maneira, eu tento passar para eles,
que estudar é importante, de que têm uma família...”.
O modo como os pais lidam com as dificuldades que surgem com os filhos, permite saber como esses pais estão atendendo às necessidades afetivas de seus filhos.
Com relação ao modo de lidar com as dificuldades mais freqüentes no convívio com seus filhos adotivos, verificou-se antes que os sujeitos relataram não terem dificuldades na relação nem com o convívio com os filhos adotados, apenas dificuldades a respeito das mudanças decorrentes das fases de desenvolvimento que seus filhos passam, pré-adolescência e adolescência, respectivamente, ou, ainda, às personalidades e temperamento deles. Assim, as formas de lidar dos pais com as dificuldades são referentes aos valores pessoais de cada pai, agindo de forma mais rígida, proibindo certas coisas, ou quando há brigas, deixando passar e esperar as coisas se acalmarem, sem discutir sobre o ocorrido e, ainda, esclarecendo através de conversa a importância de certas coisas para os filhos.
Apresenta-se em seguida a categoria conhecimento da verdade, referente ao conhecimento das crianças de que foram adotadas pelos sujeitos entrevistados.
Categoria:
9) Conhecimento da verdade
Falas:
Suj. 1 “Sabe desde sempre, com dois e três aninhos eu contava historinha para dormir e já ia contando. Nunca escondi. Ele freqüenta o GEAAF...”.
Suj. 2.1 “Que ela veio de outra barriga”. “...
criança esquece, a gente tem sempre que repetir. Contava historinha que as crianças ficavam todas no céu esperando os pais aqui na terra, que ela tinha escolhido a gente e eu tinha um problema de saúde... dava certo, ela sabia, a gente contava quem era a mãe biológica...”.
Suj. 2.2 “... ela foi crescendo com aquelas informações gostosas... quando ela dormia...