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Do andador e suas obrigações

No documento D IÁRIO DA V IAGEM F ILOSÓFICA (páginas 63-66)

Julgando o juiz e mais irmãos da mesa desta irmandade que para a boa e pronta expedição dos negócios dela é preciso haja um andador, o poderão eleger, procurando para isto pessoa ativa e desembaraçada, que possa satisfazer às obrigações do seu emprego; estas serão a de entregar as cartas que se expedirem da mesa, dar os avisos que se- lhe determinarem quando falecer algum irmão, assistir a todas as funções particulares e públicas em que se necessitar da sua assistência; obedecendo aos irmãos da mesa em tudo o que pertencer ao exercício dos seus empregos, por cuja razão deverão os mesmos irmãos mesários destinar-lhe algum salário competente e racionavelmente proporcionado ao merecimento do seu trabalho.

141 Estações = sermões.

CAPÍTULO X

Das contas que devem dar os oficiais que acabam aos que de novo principiam

Na mesma tarde da Dominga do Senhor destinada à posse da nova mesa, irá o escrivão prevenido dos livros da receita e despesa e do inventário, para logo depois de assinado o termo da aceitação se darem aos oficiais que de novo entram as devidas contas da receita e despesa do ano que então acaba; advertindo-se aos que as tomam que não devem levar em conta despesas que não sejam de justa precisão, e sempre em vista de documentos legalizados, porque as rendas da irmandade se devem somente distribuir nas festas determinadas nos sufrágios pelos irmãos e o resto em alfaias, de que se vê a irmandade (por estar no princípio) tão precisada para o decente culto, que se deve ao Santíssimo Sacramento; ficando a nova mesa obrigada a repor as despesas que levar em conta, sendo elas escusadas e fora do termo prescrito para a distribuição das rendas da irmandade. Achando-se tudo conforme e em termos de se atender, se fará o termo do encerramento das contas, o qual assinarão tanto os irmãos que de novo entram, como os que acabam.

CAPÍTULO XI

Do acompanhamento, sepultura e sufrágios particulares e públicos que devem ter os irmãos desta irmandade Falecendo algum dos irmãos, deverão todos os mais que se acharem nesta vila e não tiverem legítimo impedimento, acompanhá-lo à sepultura em corpo de comunidade, em cuja ação e em todas as mais funções, em que saírem fora em dito corpo de comunidade, se comportarão com toda a composição, modéstia e gravidade, ocupando sempre o último e melhor lugar os irmãos atuais da mesa. Serão mais obrigados a carregar à sepultura o irmão falecido, no esquife da irmandade, o qual se mandará fazer logo que for possível; em o mesmo esquife e na mesma forma serão acompanhados os filhos dos irmãos até à idade de doze anos, e assim mesmo as mulheres, ainda sendo viúvas, e as mães dos mesmos, sendo também viúvas, e pela alma de cada uma rezarão os irmãos um terço, na mesma forma que se determina para os próprios irmãos. Por tenção de cada irmão que falecer, sendo atualmente juiz, se mandarão dizer doze missas, pela do escrivão, procurador, tesoureiro e de cada mordomo, oito; e por cada um dos mais irmãos em geral, seis; e como para se alcançarem os bens espirituais que se pretendem pela instituição desta irmandade, o principal meio seja o Santo Sacrifício da Missa, se mandarão dizer todos os anos vinte e cinco missas por tenção de todos os irmãos vivos e defuntos, pelas quais se darão as esmolas que estão determinadas na constituição do bispado, e assim mesmo mandar-se-á fazer mais todos os anos, pelas almas dos irmãos defuntos, um ofício de nove lições, com missa e estações141 à roda da igreja e com a possível decência, sendo a irmandade obrigada a ele assistir. Este ofício se fará na segunda-feira seguinte à dominga da eleição da nova mesa e, caso que por algum justo embaraço se não possa fazer no referido dia, os irmãos da mesa o poderão transferir para dia mais cômodo, contanto que sempre se faça antes da atual mesa entregar a que lhe deve suceder, para que as almas que estão esperando este tão grande benefício não experimentem falta tão considerável.

Como não é justo cuidar unicamente nos sufrágios e acompanhamentos dos irmãos à sepultura e desta não fazer menção, sendo cousa indispensável a toda a pessoa que falece; determinamos que em algumas das próximas futuras sessões se haja de convencionar o que mais justo parecer com relação às possibilidades dos moradores, entre os quais e a fábrica, devem ser recíprocos os interesses, de modo que, acordado que seja o quanto se deverá

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pagar por uma vez pelo cofre da irmandade para terem sepultura paga142 os irmãos que falecerem, passar-se-á a cuidar de verificar o acordado, ou na igreja paroquial que existe, permitindo-o assim o bem público ou em outra qualquer que se-lhe houver de erigir para o diante em paroquial, a qual tenha a comodidade, que a atual não tem, de dar sepultura aos cadáveres, sem prejuízo do público da vila.

CAPÍTULO XII

Das festividades que esta irmandade deve consagrar ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia

Sendo a primeira obrigação desta irmandade tributar nos seus dias próprios os devidos cultos ao Augustíssimo Sacramento da Eucaristia, determinamos faça (com a decência a mais possível) a solenidade de Quinta-Feira Maior, que constará de missa cantada, procissão, depósito do Senhor na forma costumada e sermão do mandato. E como a festividade do dia de Corpo de Deus (sendo destinada à câmara desta vila) nos embaraça de a poder fazer de uma maneira própria e particular, destinamos a dominga imediata à mesma festa do Corpo de Deus, para a nossa última solenidade, a qual deve constar de vésperas, missa cantada, sermão de manhã e procissão de tarde, e tudo com o Senhor exposto, sem contudo, que possa exceder a despesa do que importarem as jóias do juiz e mordomos e as esmolas que na Semana Santa se tiram para o Santo Sepulcro, para o que tudo entrará no cofre para dele sair a despesa precisa e determinada às ditas festividades, que estas deverão ser com o maior esplendor e grandeza que for possível, segundo as quantias a elas aplicadas; porém, despida de toda a pompa que possa nascer de vaidade.

Se, contudo, o juiz e mais irmãos da mesa quiserem fazer maior dispêndio e excesso, além do determinado neste compromisso, o farão à sua custa, ficando dela totalmente dispensado o referido cofre.

Joaquim Antunes - Francisco Luís Carneiro - José Caetano Ferreira - Domingos Franco de Carvalho - João Batista Mardel - José Antônio Carlos d'Avilar - José Joaquim Cordeiro - Sebastião José Prestes - José Antônio Franco - Antônio da Silva Tavares - José Antônio Freire Évora - Pedro Fernandes d’Oliveira - Antônio José de Siqueira - Manoel José de Souza - Antônio d'Almeida - Francisco de Souza Coelho - Valério Luís da Silveira Frade - Luís Dias Palhinha - Aleixo Antônio - Simão José Pereira - Antônio José d'Araújo Braga - Francisco Xavier d'Andrade - Francisco Xavier de Azevedo Coutinho - José Carvalho da Silva - Antônio Pinto Veríssimo da Cunha de Ataíde Varona - Vicente Ferreira de Souza - Antônio Coutinho de Almeida - Filipe Serrão de Castro - José Nunes da Silva - Severino Euzébio de Matos - De Manoel Rodrigues Calado - Manoel do Nascimento de Gabriel Ribeiro - Luís Egídio - De Manoel da Silva - Luís dos Reis - De Manoel Rodrigues da Silva - De Antônio Pedro - Miguel Soares.

142 Não seria “para”?

No documento D IÁRIO DA V IAGEM F ILOSÓFICA (páginas 63-66)