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Do Seguro e do Regime Disciplinar Diferenciado

3.3 DO CUMPRIMENTO DE PENA NO PRESÍDIO DE ITAJAÍ

3.3.5 Do Seguro e do Regime Disciplinar Diferenciado

Sobre o Seguro no Presídio de Itajaí o diretor comenta: ”É uma ala separada no Presídio. São os presos que correriam risco de vida se ficassem junto com os demais detentos, e, aqueles acusados de estupro.”

Sobre o seguro, não há previsão na LEP, mas o art. 40 da LEP, ”impõe-se a todas as autoridades o respeito à integridade física e moral dos condenados”.

Sendo que se não houvesse essa ala separada no Presídio, haveria risco a integridade física do preso. Como diz Mirabete90; ”como qualquer dos direitos humanos, os direitos dos presos são invioláveis, imprescritíveis e irrenunciáveis”.

O Regime Disciplinar Diferenciado - RDD, foi criado pela Lei n°10.792 de 01 de dezembro de 2003, que alterou a LEP e está inserido no art.

52, que assim dispõe:

Art. 52. A prática de fato previsto como crime doloso constitui falta grave e, quando ocasione subversão da ordem ou disciplina internas, sujeita o preso provisório, ou condenado, sem prejuízo da sanção penal, ao regime disciplinar diferenciado, com as seguintes características:

90 MIRABETE,Júlio Fabbrini:Execução Penal: comentários á Lei n°7.210,de 11-07- 84,1993.p128

I - duração máxima de trezentos e sessenta dias, sem prejuízo de repetição da sanção por nova falta grave de mesma espécie, até o limite de um sexto da pena aplicada;

II - recolhimento em cela individual;

III - visitas semanais de duas pessoas, sem contar as crianças, com duração de duas horas;

IV - o preso terá direito à saída da cela por 2 horas diárias para banho de sol.

§ 1o O regime disciplinar diferenciado também poderá abrigar presos provisórios ou condenados, nacionais ou estrangeiros, que apresentem alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento penal ou da sociedade.

§ 2o Estará igualmente sujeito ao regime disciplinar diferenciado o preso provisório ou o condenado sob o qual recaiam fundadas suspeitas de envolvimento ou participação, a qualquer título, em organizações criminosas, quadrilha ou bando.

Mirabete91 leciona sobre o assunto:

Constitui-se em regime de disciplina carcerária especial, caracterizado por maior grau de isolamento do preso e de restrições ao contato com o mundo exterior,ao qual poderão ser submetidos os condenados ou presos provisórios,por deliberação judicial,como sanção disciplinar,pelo prazo máximo de 360 dias, ou como medida preventiva e acautelatória nas hipóteses de presos sobre os quais recaiam fundadas suspeitas de envolvimento ou participação em organizações criminosas ou que representem alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento penal ou para sociedade.

Sobre a autorização da inclusão do preso no RDD preceitua o art. 54, da LEP:

91 MIRABETE, Julio Fabbrini. Manual de Direito Penal, Parte Geral.Vol I, 2006.p.257

Art. 54. As sanções dos incisos I a IV do art. 53 serão aplicadas por ato motivado do diretor do estabelecimento e a do inciso V, por prévio e fundamentado despacho do juiz competente.

§ 1o A autorização para a inclusão do preso em regime disciplinar dependerá de requerimento circunstanciado elaborado pelo diretor do estabelecimento ou outra autoridade administrativa.

§ 2o A decisão judicial sobre inclusão de preso em regime disciplinar será precedida de manifestação do Ministério Público e da defesa e prolatada no prazo máximo de quinze dias.

Sendo assim para que aja inclusão do preso no RDD, se faz necessário o despacho fundamentado do juiz competente.”Não se trata, portanto, de decisão meramente administrativa ”92. Exige-se que o ato judicial de inclusão nesse regime seja precedido de manifestação do Ministério Público e da defesa.

Conforme explica Renato Marcão93, em casos de urgências na inclusão preventiva do preso no RDD, o juiz poderá decretar sem a prévia autorização do Ministério Publico e da Defesa, não ocorrendo neste caso a violação de garantias constitucionais.

Sobre as faltas disciplinares que mais acontecem no Presídio de Itajaí o diretor comenta: “Brigas entre os próprios detentos e desacato aos funcionários”.

E sobre as punições aplicadas em caso de falta disciplinar, Maurílio complementa: “Dependendo da gravidade da falta o detento pode ser transferido para uma penitenciária ou ser colocado no RDD”.

Quem apura estas faltas é o Diretor do Presídio.

Sobre a quem é destinado o Regime Disciplinar Diferenciado o diretor diz: ”Presos de alta periculosidade e aqueles que cometem falta grave”.

92 CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal, parte geral. volume 1.9.ed.São Paulo:Saraiva, 2005.p 372

93 MARCÃO,Renato.Curso de execução penal. 3 ed.São Paulo:Saraiva ,2006.p.43

É preciso salientar que somente será aplicado o RDD ao preso que praticar falta grave consistente em fato previsto como crime doloso, desde que ocasione subversão da ordem ou disciplina internas, sujeita o preso provisório, ou condenado, sendo assim o simples cometimento de uma falta grave não constitui o direito do preso ir para RDD.

Para finalizar convém mencionar que há posicionamento no sentido da inconstitucionalidade do RDD. O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária do Ministério da Justiça elaborou, através da resolução n.

8, de 10 de agosto de 2004, parecer contrário ao RDD.Teve como relator o Conselheiro Carlos Weiss.

Sobre isso cita-se a conclusão do parecer94:

Diante do quadro examinado, do confronto das regras instituídas pela Lei n.10.792/03 atinentes ao Regime Disciplinar Diferenciado, com aquelas da Constituição Federal, dos Tratados Internacionais de Direitos Humanos e das Regras Mínimas das Nações Unidas para o Tratamento de Prisioneiros, ressalta a incompatibilidade da nova sistemática em diversos e centrais aspectos, como a falta de garantia para a sanidade do encarcerado e duração excessiva, implicando violação à proibição do estabelecimento de penas, medidas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes, prevista nos instrumentos citados. Ademais, a falta de tipificação clara das condutas e a ausência de correspondência entre a suposta falta disciplinar praticada e a punição decorrente, revelam que o RDD não possui natureza jurídica de sanção administrativa, sendo, antes, uma tentativa de segregar presos do restante da população carcerária, em condições não permitidas pela legislação.

Mas Capez95 leciona que não há inconstitucionalidade no RDD:

Entendemos não existir nenhuma inconstitucionalidade em implementar o regime penitenciário mais rigoroso para membros

94Disponível

site:http://www.mj.gov.br/cnpcp/legislacao/pareceres/Parecer%20RDD%20_final_.pdf

95CAPEZ,Fernando. Curso de direito penal, parte geral. volume 1.9.ed.São Paulo:Saraiva,2005.p.374

de organizações criminosas ou de alta periculosidade, os quais, de dentro dos presídios, arquitetam ações delituosas e até terroristas.É dever constitucional do Estado proteger a sociedade e tutelar com um mínimo de eficiência jurídica o bem jurídico.

Por fim, vale ressaltar que a Lei 10.792/03, acrescentou no art. 87, parágrafo único, da LEP, a autorização para construção de penitenciárias à União Federal, Estados e Distrito Federal e territórios.

A presente monografia teve como objetivo investigar, à luz da legislação, da doutrina, da jurisprudência e de entrevista com o Diretor do Presídio de Itajaí, as Penas em Espécie, os Regimes Prisionais e o cumprimento de pena neste estabelecimento prisional.

O interesse pelo tema abordado deu-se em razão de sua atualidade e pela forma que é tratado e principalmente, frente a atual crise que vive nosso sistema carcerário, especialmente o Presídio de Itajaí, o qual possui uma lotação cinco vezes acima de sua capacidade, situação que impossibilita a aplicação da LEP.

Para seu desenvolvimento lógico o trabalho foi dividido em três capítulos.

O primeiro tratou de abordar primeiramente a evolução histórica do sistema penal e as penas em espécie.

O segundo capítulo foi destinado a tratar especificamente sobre os Regimes Prisionais.

O terceiro capítulo foi destinado a Progressão e Regressão de Regime e seu cumprimento no Presídio de Itajaí.

Inicialmente decorreu-se sobre a Progressão e Regressão de Regime, as penas privativas de liberdade devem-se ser executadas de forma progressiva, segundo o mérito do condenado e após ter cumprindo pelo menos um sexto da pena, da mesma forma que o preso tem direito de progredir de regime, tem também a regressão de regime, quando o preso pratica fato definido como crime doloso ou falta grave e sofrer condenação por crime anterior cuja pena somada torne incabível o regime

Posteriormente abordou-se como é cumprida a pena no regime fechado no Presídio de Itajaí, que não seria o lugar certo para aplicação deste regime, nem dos outros regimes prisionais, já que o Presídio, ou seja, Cadeia Pública se destina apenas a presos provisórios, não tendo sido, por isso, confirmada a primeira hipótese.

Quanto a segunda hipótese, a mesma foi confirmada, já que apesar de não ser o estabelecimento penal próprio para o cumprimento da pena, foi observado que os detentos em regime fechado trabalham, tem direito a banho de sol e a visita íntima uma vez por semana.

No regime semi-aberto os presos cumprem pena igualmente aos presos do regime fechado, com a única diferença que tem alguns dos benefícios assegurados pela LEP, como a da saída temporária, razão pela qual não foi confirmada a terceira hipótese.

Já no regime aberto os presos só comparecem ao Presídio para assinar ao livro albergue, não existindo a Casa de Albergado, conforme previsto na LEP, motivo pelo qual também não se confirma a quarta hipótese.

Sobre a progressão e regressão de regime, é feito geralmente o exame criminológico para fins de progressão, e a análise do critério subjetivo da pena é feita com base no comportamento do preso. Já o que mais faz os presos regredirem de regime é não assinar o livro albergue e cometer um novo delito, o que confirma a última hipótese.

Ainda neste capítulo tratou-se do Seguro e do Regime Disciplinar Diferenciado. O Seguro é uma ala separada no presídio, para aqueles presos que correm risco de vida se ficarem com os demais detentos. Já o RDD é aplicado no Presídio no caso de faltas graves e presos de alta periculosidade.

Vale acrescentar que a situação do Presídio de Itajaí encontra-se insustentável, tendo a maior lotação da administração atual. O estabelecimento tem capacidade para 198 detentos e conta atualmente com 598 detentos.

Cumpre esclarecer, que o propósito desta monografia foi alcançado, posto que foram identificados a evolução histórica do sistema penal, ainda as penas em espécie, os regimes prisionais, os regimes especiais e finalmente a análise do cumprimento de penal no Presídio de Itajaí.

Referência das Fontes Citadas

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ANEXOS

QUESTIONÁRIO.

Respondido pelo Diretor do Presídio de Itajaí no dia 21/05/07 01) Há quanto tempo o Sr. é Diretor do Presídio de Itajaí?

R: 03 anos e 10 meses.

02) É feito o exame criminológico quando o preso ingressa no Presídio?

R: Não é feito o exame criminológico.

03) Como é cumprida a pena em regime fechado no Presídio de Itajaí?

R: Presídio é destinado para presos provisórios, no entanto, como não há vagas para presos do regime fechado e semi-aberto em penitenciárias, estes acabam cumprindo suas reprimendas em regime fechado no Presídio de Itajaí.

04) Eles têm direito a banho de sol, visita íntima, quantas vezes por semana?

R: Tem direito a banho de sol, ficando o período livre, das 07:30 horas as 21:00, quando a cela é fechada.

Já a visita íntima cada preso tem direito uma vez na semana, eles que marcam a visita, todo dia tem visita para algum preso.

05) Os presos do regime fechado trabalham? Fazem o que?

R: Sim.Os homens fazem rede, artesanato, grampos e serviços gerais realizados dentro do Presídio, já as mulheres fazem artesanato, grampos, serviços gerais e bordados.

06) Eles trabalham para alguma empresa?

R: Bordados são feitos para Arte Feminina, as Redes e os grampos também são produzidos para empresas.

07) Como é cumprida a pena em regime semi-aberto no Presídio de Itajaí?

R: É cumprida igual ao regime fechado, só tendo os benefícios assegurados pela LEP, como o da saída temporária.

08) Eles tem direito a banho de sol, visita íntima, quantas vezes por semana?

R: Igual ao regime fechado .

09) Os presos do regime semi-aberto trabalham?

R: Sim, realizam as mesmas tarefas do regime fechado.

10) Como é cumprida a pena em regime aberto no Presídio de Itajaí?

R: Por Itajaí não ter uma Casa Albergado, todos os dias os detentos comparecem ao Presídio para assinar livro albergue, horário para assinatura 17:00 as 20:00 horas, salvo por decisão judicial por motivo trabalho ou outro relevante, o detento pode estar realizado assinatura no livro mensalmente ou com outra periodicidade.

11) Como é feita a análise do critério subjetivo para fins de progressão de regime?

R: É feita com analise no comportamento do preso.

12) È feito o exame criminológico para a progressão de regime?Se positivo, como, onde e quem faz este exame?

R: Geralmente é feito.É realizado pela psicóloga do Presídio, no próprio presídio.

13) Quais os casos mais comuns que fazem o preso regredir de regime no Presídio de Itajaí?

R: Não assinar o livro albergue e não justificar as faltas e, pelo cometimento de um novo delito.

14) O que é o seguro? Quem vai para o seguro?

R: É uma ala separada no Presídio.São os presos que correriam risco de vida se ficassem junto com os demais detentos, e, aqueles acusados de estupro.

15) Para quem é destinado o Regime Disciplinar Diferenciado?

R: Presos de alta periculosidade e aqueles que cometem falta grave.

16) Quais as faltas disciplinares que mais acontecem no Presídio de Itajaí?

R: Brigas entre os próprios detentos e desacato aos funcionários.

17) Quem apura estas faltas?

R: Diretor do Presídio.

18) Quais são punições aplicadas em caso de falta disciplinar?

R: Dependendo da gravidade da falta o detento pode ser transferido para uma penitenciária ou ser colocado no RDD.

19) Como é feita a segurança do Presídio de Itajaí?

R: A Segurança é feita por 5 agentes prisionais por plantão e por cinco policias militares por plantão.

20) Quando foi o último motim?

R: Em 25/10/2003.

21) Quando houve a última fuga?

R: Em 11/07/2006.

22) O juiz corregedor comparece com que periodicidade no Presídio de Itajaí?

R: O juiz corregedor assumiu em outubro de 2006, e compareceu pela primeira vez em 04-05-07.

23) O Promotor de Justiça responsável pela Execução Penal comparece com que periodicidade no Presídio de Itajaí?

R: Promotor de justiça assumiu em novembro de 2006, e compareceu pela primeira vez 04-05-07.

24) O presídio faz pedidos de saída temporária, livramento condicional e progressão de regime para os detentos?A quem é atribuída esta função?

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