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EDUCAÇÃO JURÍDICA E A INTERDISCIPLINARIDADE

No documento PAZ, EDUCAÇÃO & LIBERDADES RELIGIOSAS (páginas 108-111)

METODOLOGIA INTERDISCIPLINAR COMO MEIO DE PROMOÇÃO À EDUCAÇÃO E À PAZ

3.2 EDUCAÇÃO JURÍDICA E A INTERDISCIPLINARIDADE

A Educação Jurídica compreende a forma como o discurso e a prática do Direito se inserem nas vidas dos sujeitos, por meio do exercício de cidadania e também da formação profissional ofertada pelas universidades (públicas e particulares), por meio da graduação e pós-graduação em Direito, buscando o desenvolvimento das potencialidades dos formandos.

Não se deve limitar apenas à capacitação de bacharéis que irão atuar no Judiciário; tem o dever ir além, pois possui um papel fundamental na sociedade, que é o de contribuir para o desenvolvimento de um Estado que represente e que conceda os direitos a todos os seus cidadãos.

Assim, “compreender a sociedade em sua pluralidade deve estar presente na formação dos bacharéis em Direito, uma vez que a ampliação das relações sociais, no âmbito global, exige novos ordenamentos jurídicos, os quais pressionam para a acessibilidade à Justiça” (OLIVEIRA, 2011. p. 69-70).

Atualmente, na visão dos críticos da área, o curso de Direito é visto apenas como uma preparação técnica para o exercício da advocacia, em que o profissional irá garantir, num futuro incerto, o retorno financeiro mediante o seu trabalho prestado à sociedade.

De acordo com Bento e Machado (2013. p. 203),

Nos dias atuais, muitas críticas são ainda lançadas contra a educação jurídica. Faltam, entretanto, estudos aprofundados sobre a educação jurídica, que enfrentem os problemas e desafios modernos. A educação, nos dias de hoje, apresenta antigos e novos desafios e questionamentos, como a necessidade de uma real capacitação e profissionalização dos docentes, e de forma continuada; as preocupações pedagógicas básicas, especialmente as que envolvam o processo de ensino e aprendizagem; os novos desafios da sociedade contemporânea, da era digital, com repercussões nas práticas pedagógicas, etc.

A educação jurídica, ao perseguir a “excelência” acadêmica, deve buscar formar profissionais mais generalistas, respeitando as características: intelectual, moral e ética; conscientes do papel que devem desempenhar na sociedade, com o compromisso da superação das desigualdades sociais. Nesse caso, é imprescindível desenvolver com os profissionais o “espírito científico” e o

“pensamento reflexivo, crítico e humanístico”, conforme o texto descrito no Art. 43 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) (Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996) que, assim, dispõe:

Art. 43º. A educação superior tem por finalidade:

I - estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo;

II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua;

III - incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive;

IV - promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação;

V - suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração;

VI - estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade;

A Resolução CNE/CES nº 9/2004 (BRASIL, 2004), em seu artigo 3º, propõe a busca de um perfil com “sólida formação geral, humanística e axiológica”, de tal maneira que o graduando em Direito possa desenvolver uma capacidade valorativa dos fenômenos jurídicos e também sociais, bem como a visão crítica e reflexiva, indispensável ao “exercício da Ciência do Direito, da prestação da justiça e do desenvolvimento da cidadania.”

Todavia, a simples reforma curricular do Curso de Direito nas IES do país, com propostas de matrizes que contemplem, ao mesmo tempo, os componentes profissionalizantes e os componentes fundamentais, por si só, não basta para garantir padrões minimamente aceitáveis para o ensino jurídico, com formação crítica, humanista do bacharel, ao ponto de habilitá-lo a compreender os novos paradigmas jurídicos, sociais e políticos que a sociedade brasileira vem enfrentando no século XXI.

Segundo Linhares (2010, p. 444),

É imprescindível, para que isso ocorra, uma prática diferenciada curricular, emancipatória, libertadora, que possa contribuir para uma nova configuração curricular pedagógica do ensino jurídico, de suas diretrizes e de seus conteúdos. Nesse diapasão, pressupõe-se que sejam alteradas as fórrmulas tradicionais de transmissão de saberes, em oposição a uma Educação jurídica estritamente formal e positivista.

Além da previsão, na matriz curricular do curso de Direito, de disciplinas que garantam bases sólidas ao aluno, tanto na formação profissional quanto humanista, para Linhares (2010, p. 444), “[...] é necessário despertar no aluno o diálogo aberto consigo mesmo e com o mundo, e que permita a busca da ampliação de novos sentidos para o homem”.

Ainda, deve existir um compromisso institucional em aferir as implementações definidas no Projeto Político Pedagógico das IES e desenvolvidas no curso, por meio do Projeto Pedagógico do Curso, tais como: os conteúdos das disciplinas ministradas; a metodologia e a didática desenvolvida pelos docentes em sala de aula; a definição dos critérios de avaliação dos alunos (o que, consequentemente, refletirá na qualidade do rendimento); o desenvolvimento da produção científica (tanto dos alunos como dos professores); as ações extensionistas; entre outras, pois, caso contrário, será muito difícil

garantir que os objetivos, definidos no projeto pedagógico do curso sejam atingidos.

Em suma, observa-se a necessidade premente de se buscar alternativas para que os processos de ensino-aprendizagem, no interior dos cursos jurídicos, possam ser vivenciados de forma mais crítica e reflexiva.

Não é possível negar as influências históricas na condução dos cursos jurídicos, mas é possível, a partir das concepções já construídas, propor caminhos para reflexões que poderão contribuir com a propositura de uma educação jurídica que, efetivamente, colabore para edificação da cidadania, em uma perspectiva emancipatória.

3.3 INTERDISCIPLINARIDADE E FORMAS DE APLICABILIDADE

No documento PAZ, EDUCAÇÃO & LIBERDADES RELIGIOSAS (páginas 108-111)