RESUMO – A aplicação área de maturadores vem sendo amplamente utilizada, porém a pulverização deve atingir o seu alvo sem que ocorra deriva para áreas com culturas sensíveis. Objetivou-se com esta pesquisa avaliar o efeito de subdoses de sulfometuron methyl na cultura do milho quando aplicadas em estádios de desenvolvimento V4 e V8. O experimento foi instalado e conduzido na Fazenda da Universidade Federal de Goiás, UFG – Regional Jataí. Cada parcela do experimento continha 10 linhas do híbrido SYN 7G17. O experimento foi constituído de 8 tratamentos estabelecidos no delineamento com blocos casualizados em esquema fatorial 2 x 4 mais um tratamento controle (sem aplicação de sulfometuron methyl), com quatro repetições. O primeiro fator correspondeu à aplicação nos estádios V4 e V8 de desenvolvimento da cultura do milho e o segundo fator às subdoses de 3; 6; 9 e 12% de 15,0 g i.a. ha-1 de sulfometuron methyl. A cultura do milho foi sensível a subdoses de sulfometuron methyl nos estádios de desenvolvimento V4 e V8. Os efeitos de fitotoxicidade visual foram perceptíveis em ambos os estádios de desenvolvimento a partir dos 7 dias após a aplicação. Os componentes morfológicos e de produção foram afetados negativamente em ambos os estádios de desenvolvimento. Embora a produtividade de grãos seja afetada negativamente em ambos os estádios de desenvolvimento, constata-se maiores prejuízos quando ministrada as subdoses no estádio de desenvolvimento V4. A medida que se aumentou a subdose diminuiu-se a produtividade de grãos, independente do estádio que ocorra a aplicação.
Palavras-chave: deriva simulada, fitotoxicidade, sulfonilureia, Zea mays
1 Introdução
A aplicação de produtos fitossanitários com uso de aeronaves vem sendo amplamente utilizada em diversas culturas em que necessitam tratamento em fase de ciclo mais adiantada, na qual equipamentos terrestre podem causar danos por amassamento pelo tráfego. Uma dessas culturas é a cana-de-açúcar que necessita de pulverizações de maturadores, realizadas por aeronaves, para acelerar a maturação de cultivares e poder suprir a usina em matéria-prima o ano todo.
O sulfometuron methyl, pertencente ao grupo químico das sulfonilureias, é um dos maturadores de cana-de-açúcar amplamente utilizado. O grupo químico das sulfonilureias pertence à classe de herbicidas inibidores da enzima acetolactato sintase (ALS), também chamada acetohidroxibutirato (AHAS). ALS é a primeira enzima da rota da síntese dos aminoácidos de cadeia ramificada, valina, leucina e isoleucina (Trezzi & Vidal, 2001).
Os herbicidas derivados das sulfonilureias apresentam alto nível de atividade em doses muito pequenas (Ferreira et al., 2008) e são ativos tanto através da via foliar quanto via solo, translocando-se via apoplasto e simplasto. Após a absorção, são rapidamente translocados para áreas de crescimento ativo, meristemas, ápices, onde o crescimento é inibido em plantas suscetíveis (Oliveira Júnior, 2011). Os sintomas causados são bordas foliares amareladas, nervuras avermelhadas ou arroxeadas e limbo foliar com manchas amareladas. Ainda, as folhas tornam-se enrugadas e com redução ou paralisação do crescimento e desenvolvimento da planta. Os sintomas mais fortes incluem o aparecimento de cor amarronzada, morte das gemas apicais, com brotações das gemas laterais e inibição do crescimento radicular (Roman et al., 2007). As plantas acabam morrendo devido à incapacidade de produzir os aminoácidos essenciais de que necessitam (Oliveira Júnior, 2011).
O uso de maturadores como o sulfometuron methyl na cana-de-açúcar tem-se mostrado um risco a culturas sensíveis. Na aplicação aérea desses produtos, a pulverização deve atingir o seu alvo sem que ocorra deriva para a atmosfera garantindo a segurança das culturas vizinhas. Contudo, tem-se observado a possibilidade de ocorrência de deriva de maturadores de cana-de-açúcar na cultura do milho no sudoeste goiano.
Na literatura existem diversos trabalhos com sulfometuron methyl e outros herbicidas do grupo químico das sulfonilureias, tais como residual no solo (Santos et al., 2009), lixiviação (Garcia et al., 2012), fitotoxicidade para a cultura da alface (Moro et al., 2012) e soja (Silva et al., 2012), efeito de deriva simulada em laranjeiras (Martins, 2010), maturador (Silva et al., 2010), seletividade (Correia & Leite, 2012) entre outros. Porém, para a cultura do milho objetivando o estudo da deriva simulada com subdoses e consequentemente a caracterização dos sintomas de fitotoxicidade, em campo, não são encontrados. Diante desse contexto, objetivou-se com a pesquisa avaliar o efeito de subdoses de sulfometuron methyl na cultura do milho quando aplicadas em estádios de desenvolvimento V4 e V8.
2 Material e Métodos
O experimento foi instalado e conduzido na Fazenda da Universidade Federal de Goiás, UFG – Regional Jataí, localizado no município de Jataí, GO. As coordenadas geográficas da área são 17º 55’ 37,3’’ S, 51º 43’ 4,7’’ O e altitude de 663 m. O clima segundo Köppen (1931) é classificado como Awa, tropical de savana, mesotérmico, com duas estações bem definidas, com verão chuvoso e inverno seco, o que propicia duas safras anuais de alto rendimento em sistema de rotação soja-milho. Segundo dados do INMET (2014), a temperatura média máxima e mínima da região, no período de janeiro a junho do ano de 2014, foi de 23,4ºC e 21,8ºC, respectivamente, com total de precipitação pluvial nesse período de aproximadamente 796 mm (Figura 1).
Figura 1. Dados climatológicos e estádios fenológicos V4 e V8 da cultura do milho que receberam aplicação de subdoses de sulfometuron methyl, no período de janeiro a junho de 2014. (Jataí, GO, 2014).
O solo da área experimental é classificado como Latossolo Vermelho distroférrico de textura argilosa (EMBRAPA, 2013). Uma amostra composta do solo da área experimental foi enviada para análise química para fins de fertilidade e de composição granulométrica para posteriormente proceder à calagem e adubação.
As características químicas e granulométricas do solo são apresentadas nas Tabelas 1 e 2, respectivamente.
Tabela 1. Resultado da análise química do solo da camada de 0 a 20 cm antes da instalação do experimento. (Jataí, GO, 2014).
pH M.O. P H + Al K Ca Mg SB CTC V S-SO42-
g dm-3 mg dm-3 cmolc dm-3 % mg dm-3
4,7 40 4,82 4,54 0,12 1,75 0,31 2,18 6,72 32,4 8,6
pH em CaCl2; P, K - Mehlich-1; Ca, Mg – KCl.
Tabela 2. Resultado da composição granulométrica do solo da camada de 0 a 20 cm. (Jataí, GO, 2014).
Areia Total Argila Silte
---g kg-1 ---
390 460 150
0 20 40 60 80 100 120 140 160
0 5 10 15 20 25 30
Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho
Precipitação, mm
Temperatura, °C
Precipitação T °C Máx. T °C Mín.
V4 V8
O experimento foi constituído de 8 tratamentos estabelecidos em delineamento com blocos casualizados em esquema fatorial 2 x 4 mais um tratamento controle (testemunha sem aplicação do maturador sulfometuron methyl), com quatro repetições. O primeiro fator correspondeu à aplicação nos estádios V4 e V8 de desenvolvimento da cultura do milho e o segundo fator às subdoses de 3; 6; 9 e 12% de 15,0 g i.a. ha-1 de sulfometuron methyl (Tabela 3).
Tabela 3. Subdoses do maturador de cana-de-açúcar sulfometuron methyl.
Nome Comercial Nome comum Dose1/ % Dose Subdose*
g i.a. ha-1 ha-1 g i.a. ha-1 Curavial® Sulfometuron methyl
15,0
3 0,45
Curavial® Sulfometuron methyl 6 0,90
Curavial® Sulfometuron methyl 9 1,35
Curavial® Sulfometuron methyl 12 1,80
1/ Dose utilizada como maturador de cana-de-açúcar; i.a. – ingrediente ativo; *Adição de óleo mineral 0,1% v/v.
A semeadura do milho foi realizada em 22/01/2014 com adubação de 500 kg ha-1 08-20-18 + 0,3% Zn. Cada parcela do experimento foi representada por 10 linhas do híbrido de milho SYN 7G17 com 9 metros de comprimento. O espaçamento entrelinhas utilizado foi de 0,45 m e entre plantas foi de 0,30 m, aproximadamente. Aos 9 dias após a semeadura (DAS) realizou-se aplicação dos herbicidas atrazina e tembotriona para manejo de plantas daninhas em área total. A adubação de cobertura foi realizada aos 24 DAS com 250 kg ha-1 de ureia.
Aos 20 e 36 DAS, quando as plantas de milho se encontravam com 4 (V4) e 8 (V8) folhas totalmente expandidas, foram realizadas as aplicações das subdoses de glyphosate. Para aplicação dos produtos utilizou-se um pulverizador costal pressurizado à CO2, munido de barra com 6 pontas de jato plano DG 11002, espaçados de 0,50 m, com pressão constante de 2,8 bar e volume de calda equivalente a 200 L ha-1. Uma lona de plástico foi posicionada ao lado da aplicação para evitar exoderiva (Figura 2). Na aplicação aos 20 DAS, as condições climáticas no momento inicial e final da aplicação (11h08min às 14h00min) foram de 28,8°C e 36,2°C de temperatura, 71% e 21% de umidade relativa do ar, 8,4 km h-1 e 6,5 km h-1 de velocidade do vento. Na aplicação aos 36 DAS, as condições climáticas no momento inicial e final da aplicação (09h26min às 12h30min) foram de 33,9°C e
37,0°C de temperatura, 50,5% e 15,7% de umidade relativa do ar e ventos de 3,2 km h-1 a 3,5 km h-1, respectivamente.
Figura 2. Lona de plástico posicionada ao lado da aplicação para evitar exoderiva.
(Jataí, GO, 2014).
Foram realizadas avaliações visuais dos efeitos de fitotoxicidade com base na escala de notas de intoxicação de plantas do EWRC (1964), assim como porcentagem visual de retardo no desenvolvimento das plantas aos 7, 14, 21, 28 e 42 dias após a aplicação (DAA).
No estádio de desenvolvimento R1 (florescimento) foram determinados o diâmetro do colmo (DC), altura de inserção da primeira espiga (AIE), altura de planta (AP) e contagem do número de folhas fotossinteticamente ativas (FFA). Para a determinação do DC foi utilizado paquímetro digital graduado em milímetros no segundo internódio a partir da superfície do solo. A AIE e AP foram determinadas com uma régua topográfica graduada em centímetros, sendo que para a obtenção da AIE considerou-se a distância entre a superfície do solo até a inserção da primeira espiga e para AP considerou-se a distância entre a superfície do solo e o ponto de inserção da folha bandeira. Com os dados de AIE e AP foi possível obter a relação entre essas duas variáveis através da divisão da AIE por AP. Para a
contagem das FFA considerou-se as folhas que possuíam mais de 70% de área foliar verde. Todas as avaliações foram realizadas aleatoriamente em 10 plantas de cada parcela.
Em cada parcela colheu-se três linhas centrais de milho com quatro metros de comprimento (área útil), totalizando 5,4 m2 de área colhida, e fez-se simultaneamente a contagem do número de plantas para cálculo de estande final.
Separou-se aleatoriamente de cada parcela 10 espigas para determinar o número de fileiras de grãos (FG), número de grãos por fileira (GF), comprimento de espiga (CE) diâmetro de espiga (DE), diâmetro de sabugo (DS) e tamanho de grão (TG). O FG e o GF foram obtidos a partir de simples contagem. O CE foi determinado com o auxílio de fita métrica a partir da base da espiga até onde continha grão. O DE e DS foram determinados na região central da espiga com paquímetro digital graduado em milímetro. A partir da subtração do valor encontrado entre DE e DS e divisão do resultado por dois encontrou-se o valor de TG.
A produtividade foi obtida a partir da massa dos grãos, contidos na área útil de cada parcela mediante pesagem (expressa em kg ha-1) e ajustadas para 13% de teor de água. Para determinação da massa de 1000 grãos, foram realizadas contagens ao acaso de oito repetições de 100 grãos (Brasil, 2009), que tiveram suas massas determinadas e ajustadas para 13% de teor de água, possibilitando estimar através da média, a massa de 1000 grãos.
Os resultados foram submetidos à análise de variância utilizando-se o teste F a 5%, sendo os dados qualitativos submetidos ao teste Tukey e os quantitativos submetidos à análise de regressão a 5% de probabilidade.
3 Resultados e Discussão
3.1 Caracterização Visual dos Sintomas
As plantas de milho que receberam subdoses de sulfometuron methyl nos estádios de desenvolvimento V4 e V8 apresentaram o desenvolvimento afetado. Nas Figuras 3, 4, 5, 6, 7 e 8 fica evidente a evolução de fitotoxicidade da cultura do milho a partir da subdose de 0,90 g i.a. ha-1 de sulfometuron methyl, equivalente a 6% de deriva, para estádio de desenvolvimento V4 e a partir de 0,45 g i.a. ha-1 de
sulfometuron methyl, equivalente a 3% de deriva, para estádio de desenvolvimento V8. Resultados semelhantes foram encontrados por Miranda Filho & Novo (2006) quando estudaram fitotoxicidade de sulfonilureias na cultura da batata. Estes autores relataram que a fitotoxicidade aumentou conforme a dose utilizada e que para metsulfuron methyl e sulfometuron methyl as plantas tiveram atraso marcante do ciclo vegetativo mesmo em baixas doses. De acordo com Ferreira et al. (2008) herbicidas derivados das sulfonilureia apresentam alto nível de atividade em doses muito pequenas o que explica os resultados de fitotoxicidade obtidos.
Figura 3. Médias das notas atribuídas nas avaliações dos sintomas de fitotoxicidade por subdoses de sulfometuron methyl na cultura do milho em função da aplicação no estádio de desenvolvimento V4 e V8, segundo a escala de notas do EWRC (1964). (Jataí, GO, 2014).
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
0,00 0,45 0,90 1,35 1,80 0,00 0,45 0,90 1,35 1,80
Estádio V4 Estádio V8
Escala EWRC
Sulfometuron methyl, g i.a. ha-1
7 DAA 14 DAA 21 DAA 28 DAA 42 DAA
Figura 4. Sintomas visuais de fitotoxicidade aos 7 dias após aplicação de subdoses de 0,0; 0,45; 0,90; 1,35 e 1,80 g i.a. ha-1 de
sulfometuron methyl nos estádios de desenvolvimento V4 e V8 da cultura do milho. (Jataí, GO, 2014). 58
Figura 5. Sintomas visuais de fitotoxicidade aos 14 dias após aplicação de subdoses de 0,0; 0,45; 0,90; 1,35 e 1,80 g i.a. ha-1 de
sulfometuron methyl nos estádios de desenvolvimento V4 e V8 da cultura do milho. (Jataí, GO, 2014). 59
Figura 6. Sintomas visuais de fitotoxicidade aos 21 dias após aplicação de subdoses de 0,0; 0,45; 0,90; 1,35 e 1,80 g i.a. ha-1 de
sulfometuron methyl nos estádios de desenvolvimento V4 e V8 da cultura do milho. (Jataí, GO, 2014). 60
Figura 7. Sintomas visuais de fitotoxicidade aos 28 dias após aplicação de subdoses de 0,0; 0,45; 0,90; 1,35 e 1,80 g i.a. ha-1 de
sulfometuron methyl nos estádios de desenvolvimento V4 e V8 da cultura do milho. (Jataí, GO, 2014). 61
Figura 8. Sintomas visuais de fitotoxicidade aos 42 dias após aplicação de subdoses de 0,0; 0,45; 0,90; 1,35 e 1,80 g i.a. ha-1 de
sulfometuron methyl nos estádios de desenvolvimento V4 e V8 da cultura do milho. (Jataí, GO, 2014). 62
No estádio de desenvolvimento V4, as plantas de milho que receberam subdose de 0,45 g i.a ha-1 de sulfometuron methyl recuperaram-se a partir dos 14 DAA. Desse modo, aos 7 DAA tiveram nota EWRC próximo a 3, ou seja, leve amarelecimento das folhas e pequeno retardo no desenvolvimento visível em muitas plantas. A partir dos 28 DAA os danos ficaram menos perceptíveis e aos 42 DAA atingiu nota EWRC inferior a 2, ou seja, pequenas alterações visíveis em algumas plantas.
No estádio de desenvolvimento V8, diferentemente do observado nas plantas que receberam subdose de 0,45 g i.a ha-1 de sulfometuron methyl (3% de deriva) no estádio de desenvolvimento V4, as plantas não apresentaram recuperação no decorrer das avaliações e apresentaram nota EWRC de 2, 3, 4, 4 e 4 aos 7, 14, 21, 28 e 42 DAA, respectivamente. Assim, aos 7 DAA as plantas apresentavam-se com leve amarelecimento no ápice das folhas novas e aos 14 DAA esse amarelecimento ficou mais pronunciado conforme a folha se desenvolveu. A partir dos 21 DAA as plantas não tiveram evolução dos sintomas e mantiveram nota 4, ou seja, as plantas apresentavam o amarelecimento descrito aos 14 DAA, razoável encarquilhamento e retardo no desenvolvimento, sem ocorrer necrose.
Na subdose de 0,90 g i.a. ha-1 de sulfometuron methyl (6% de deriva), aos 7 DAA, as plantas que receberam a subdose em estádio V4 e as que receberam em estádio V8 apresentaram pequenas alterações visíveis em algumas plantas, tais como leve amarelecimento e pouco retardo no desenvolvimento. Aos 14 DAA, os sintomas de fitotoxicidade foram mais pronunciados nas plantas que receberam a subdose em V4 pois constatavam amarelecimento, encarquilhamento e retardo no desenvolvimento mais pronunciado do que V8. Aos 21 DAA, as nota EWRC foi 5 para ambos os estádios e apresentaram forte retardo no desenvolvimento. Ainda, no estádio V4 houve aparecimento de bronzeamento, encarquilhamento e deformação de folhas e gema apical totalmente deformada, e no estádio V8 plantas com folhas dispostas mais rosetadas devido ao encurtamento dos entrenós. Aos 28 e 42 DAA, os sintomas descritos anteriormente em V4 contribuíram para um estande desuniforme e em V8, os sintomas evoluíram para início de necrose das folhas (ver Apêndice 2).
Nas subdoses de 1,35 e 1,80 g i.a ha-1 de sulfometuron methyl (9 e 12% de deriva, respectivamente), as plantas que receberam essas subdoses no estádio de
desenvolvimento V4, apresentaram evolução dos sintomas, sendo que na maior subdose aos 42 DAA, as plantas atingiram nota de EWRC igual a 8, ou seja, apresentaram danos extremamente graves que levaram a morte da maioria das plantas. Vale frisar que essa nota foi obtida da avaliação da parcela como um todo e que restaram algumas plantas na parcela que se recuperaram, porém sem apresentar potencial produtivo por causa do desenvolvimento deficiente. Já para as plantas que receberam essas subdoses no estádio de desenvolvimento V8 houve evolução dos sintomas, porém nessas subdoses aos 42 DAA, a nota EWRC foi em média 6, ou seja, observaram-se forte retardo no desenvolvimento das plantas, encarquilhamento e necrose das folhas do ápice mais pronunciado. Porém, ainda não havia pelo menos 80% das folhas destruídas e desse modo até essa avaliação não foi possível considerar essas plantas mortas de acordo com a escala de notas do EWRC (Apêndice 2).
Em trabalho realizado sobre deriva simulada de herbicidas utilizados em cana-de-açúcar sobre a cultura da alface, Moro et al. (2012) relataram morte de plantas de alface que foram submetidas a metsulfuron methyl, herbicida do grupo químico das sulfonilureias, em subdoses de 1% da dose utilizada como herbicida em cana-de-açúcar. Assim, pode-se afirmar conforme descrito por Ferreira et al. (2008) que moléculas pertencentes ao grupo químico das sulfonilureias podem apresentar atividade em baixas doses em plantas sensíveis, como por exemplo na cultura do milho.
Das épocas de avaliações visuais para retardo no desenvolvimento verificou- se interação entre as subdoses de sulfometuron methyl e os estádios de desenvolvimento da cultura do milho aos 7, 14, 21, 28 e 42 DAA (Tabela 4).
Tabela 4. Resumo da análise de variância para as fontes de variação (FV): bloco, estádio de desenvolvimento (E), subdoses (S) e sua interação para o parâmetro retardo no desenvolvimento aos 7, 14, 21, 28 e 42 dias após aplicação (DAA). (Jataí, GO, 2014).
FV 7DAA 14DAA 21DAA 28DAA 42DAA
--- Retardo no desenvolvimento --- Pr > Fc1
Bloco 0,2320 ns 0,4732 ns 0,3994 ns 0,3185 ns 0,4008 ns Estádio (E) 0,0000 ** 0,0000 ** 0,0000 ** 0,0000 ** 0,4654 ns Subdoses (S) 0,0000 ** 0,0000 ** 0,0000 ** 0,0000 ** 0,0000 **
E*S 0,0000 ** 0,0000 ** 0,0000 ** 0,0001 ** 0,0000 **
CV, % 16,93 16,93 12,23 15,66 15,53
1 - Probabilidade de F tabelado ser maior que F calculado; *, ** - significativo a 5 e 1% de probabilidade pelo Teste F, respectivamente; ns - não significativo; CV - coeficiente de variação.
Na Tabela 5 é demonstrado o desdobramento dos estádios de desenvolvimento V4 e V8 da cultura do milho dentro de cada subdose de sulfometuron methyl para a variável retardo no desenvolvimento aos 7 DAA. A partir da subdose de 0,45 g i.a. ha-1 de sulfometuron methyl (3% de deriva) as plantas de milho que receberam as subdoses em estádio de desenvolvimento V4 tiveram maior retardo no desenvolvimento em relação às plantas que receberam as subdoses em estádio de desenvolvimento V8. O resultado pode ser explicado porque as plantas que receberam as subdoses em estádio V8 estavam mais desenvolvidas quando comparadas as plantas que receberam as subdoses em estádio V4.
Tabela 5. Desdobramento da aplicação nos estádios de desenvolvimento V4 e V8 da cultura do milho dentro de cada subdose de sulfometuron methyl para a variável retardo no desenvolvimento (%) aos 7 dias após aplicação (DAA). (Jataí, GO, 2014).
Estádio Sulfometuron methyl, g i.a. ha-1
0,00 0,45 0,90 1,35 1,80
--- Retardo no desenvolvimento, %, 7 DAA ---
V4 0,00 a 37,50 b 47,50 b 31,25 b 47,50 b
V8 0,00 a 8,25 a 8,00 a 10,00 a 10,50 a
DMS 4,9241
CV, % 16,93
Médias seguidas de letras diferentes, minúsculas na coluna, diferem entre si a 5% de probabilidade pelo teste Tukey. DMS, diferença mínima significativa. CV, coeficiente de variação.
Aos 7 DAA, o efeito das subdoses de sulfometuron methyl no retardo de desenvolvimento ajustou-se à regressão quadrática no estádio V4, porém sem ajuste em V8. A subdose estimada de 1,31 g i.a. ha-1 de sulfometuron methyl, equivalente a 8,7% de deriva, proporcionou maior retardo no desenvolvimento dessas plantas, equivalente a aproximadamente 47% de retardo em relação às plantas do tratamento controle (Figura 9).
Figura 9. Retardo no desenvolvimento (%) aos 7 dias após aplicação (DAA) em função de subdoses de sulfometuron methyl (g i.a. ha -1). **, significativo a 1% de probabilidade. (Jataí, GO, 2014).
Na Tabela 6 é demonstrado o desdobramento dos estádios de desenvolvimento V4 e V8 da cultura do milho dentro de cada subdose de sulfometuron methyl para a variável retardo no desenvolvimento aos 14 DAA. A partir da subdose de 0,90 g i.a. ha-1 de sulfometuron methyl (9% de deriva), plantas de milho que receberam as subdoses em estádio de desenvolvimento V4 obtiveram maior retardo no desenvolvimento em relação às plantas que receberam as subdoses em estádio de desenvolvimento V8.
Ŷ = 5,1786 + 63,373x - 24,25**x2 R² = 0,7343
Máx = 1,31 g i.a. ha-1
0 10 20 30 40 50
0,00 0,45 0,90 1,35 1,80
Retardo no Desenvolvimento, %
Sulfometuron methyl, g i.a. ha-1
V4 V8
Tabela 6. Desdobramento da aplicação nos estádios de desenvolvimento V4 e V8 da cultura do milho dentro de cada subdose de sulfometuron methyl para a variável retardo no desenvolvimento (%) aos 14 dias após aplicação (DAA). (Jataí, GO, 2014).
Estádio Sulfometuron methyl, g i.a. ha-1
0,00 0,45 0,90 1,35 1,80
--- Retardo no desenvolvimento, %, 14 DAA ---
V4 0,00 a 26,25 a 66,25 b 71,25 b 73,75 b
V8 0,00 a 23,75 a 35,00 a 46,25 a 46,25 a
DMS 9,5482
CV, % 16,93
Médias seguidas de letras diferentes, minúsculas na coluna, diferem entre si a 5% de probabilidade pelo teste Tukey. DMS, diferença mínima significativa. CV, coeficiente de variação.
Aos 14 DAA, o efeito das subdoses de sulfometuron methyl no retardo de desenvolvimento ajustou-se à regressão quadrática nos estádios de desenvolvimento V4 e V8. A subdose estimada de 1,63 g i.a. ha-1 de sulfometuron methyl (10,9% de deriva) proporcionou maior retardo no desenvolvimento para as plantas que receberam as subdoses em estádio de desenvolvimento V4, equivalente a aproximadamente 75% de retardo em relação às plantas de tratamento controle. A subdose estimada de 1,66 g i.a. ha-1 de sulfometuron methyl (11,1% de deriva) proporcionou maior retardo no desenvolvimento para as plantas que receberam as subdoses em estádio de desenvolvimento V8, equivalente a aproximadamente 47%
de retardo em relação às plantas do tratamento controle (Figura 10).
Figura 10. Retardo no desenvolvimento (%) aos 14 dias após aplicação (DAA) em função de subdoses de sulfometuron methyl (g i.a. ha -1). **, significativo a 1% de probabilidade. (Jataí, GO, 2014).
Na Tabela 7 é demonstrado o desdobramento dos estádios de desenvolvimento V4 e V8 da cultura do milho dentro de cada subdose de sulfometuron methyl para a variável retardo no desenvolvimento aos 21 DAA. A partir da subdose de 0,90 g i.a. ha-1 de sulfometuron methyl (6% de deriva) as plantas de milho que receberam as subdoses em estádio de desenvolvimento V4 tiveram maior retardo no desenvolvimento em relação às plantas que receberam as subdoses em estádio de desenvolvimento V8.
Tabela 7. Desdobramento da aplicação nos estádios de desenvolvimento V4 e V8 da cultura do milho dentro de cada subdose de sulfometuron methyl para a variável retardo no desenvolvimento (%) aos 21 dias após aplicação (DAA). (Jataí, GO, 2014).
Estádio Sulfometuron methyl, g i.a. ha-1
0,00 0,45 0,90 1,35 1,80
--- Retardo no desenvolvimento, %, 21 DAA ---
V4 0,00 a 20,00 a 53,75 b 73,75 b 80,00 b
V8 0,00 a 22,50 a 37,50 a 55,00 a 53,75 a
DMS 7,0326
CV, % 12,23
Médias seguidas de letras diferentes, minúsculas na coluna, diferem entre si a 5% de probabilidade pelo teste Tukey. DMS, diferença mínima significativa. CV, coeficiente de variação.
Ŷ = - 2,7857 + 95,159x - 29,101**x2 R² = 0,972
Máx = 1,63 g i.a. ha-1
Ŷ = 0,4643 + 55,714x - 16,755**x2 R² = 0,9945
Máx = 1,66 g i.a. ha-1 0
10 20 30 40 50 60 70 80
0,00 0,45 0,90 1,35 1,80
Retardo no Dsenvolvimento, %
Sulfometuron methyl, g i.a. ha-1
V4 V8