Conforme acima visto, o Poder Judiciário tem admitido no direito brasileiro a possibilidade de terceiro-vítima, que não faça parte do contrato de seguro, postular diretamente contra a seguradora do causador do dano à respectiva indenização, limitado ao disposto na apólice de seguros.
Ocorre que deste entendimento surge à baila a questão da prescrição do direito de cobrança do contrato de seguro, que é matéria controversa até a presente data nos tribunais pátrios. Além de tal controvérsia, temos a questão do como se precisaria o início da contagem do prazo prescricional.
Bem lembra Glitz145, in Aspectos do Seguro de Responsabilidade Civil que:
A Dificuldade da demarcação do momento de início do prazo prescricional se deve à existência de um terceiro alheio ao vínculo contratual. Também se deve levar em conta o fato de que, para maior parte da doutrina, não é cabível a ação direta do terceiro contra a seguradora, mas sim contra o segurado (e aí o prazo prescricional pode chegar até a 20 anos). Outro fator de dificuldade é o fato de que deve ser caracterizada em primeiro lugar a responsabilidade do segurado, para aí assegurar-lhe o direito de reembolso.
Com o advento do novo Código Civil, o prazo prescricional para a reparação civil passou de vinte para três anos, e consequentemente, alterou o prazo em que a seguradora responderá pelo reembolso acima mencionado.
A atual legislação Civil, através do Código de 2002, prevê em seu art. 178, §6º, II, que prescreve em um ano a ação do segurado em face do segurador, contando-se o prazo do dia em que o interessado tiver conhecimento.
Encontraremos os mais diversos posicionamentos acerca do prazo anuo, e até quem diga que o prazo prescricional aplicável no caso, seria o qüinqüenal conforme disposto no Código de Defesa do Consumidor.
No caso de regresso de perda patrimonial, o segurado poderá postular perante a seguradora após efetivamente sofrer a constrição patrimonial, ou mesmo, denunciando a lide o seu segurador. Tanto uma, quanto outra opção suspendem o prazo prescricional.
Já no caso de terceiro postular diretamente contra a seguradora, a seguradora tem aceito tão somente os mesmos prazos previstos para o segurado. Convém lembrarmos que o seguro de responsabilidade civil, sem embargo, garantirá os sinistros ocorridos durante sua vigência. Portanto, é uma questão do terceiro postular seu direito perante o causador do dano ou
145 GLITZ, Frederico Eduardo Zenedin. Aspectos do Seguro de Responsabilidade Civil. p. 106
diretamente em face da seguradora, dentro do prazo para reclamar uma reparação responsabilidade civil.
De outro lado, as condições gerais do seguro de responsabilidade civil, ora atualmente vigentes e aprovadas pela Superintendência de Seguros Privados, tratam da prescrição, garantindo cobertura ao segurado dos sinistros ocorridos durante a vigência do contrato, desde que conhecidos e reclamados até o prazo máximo de um ano após o vencimento da apólice.
Vale relembrar ainda que a seguradora somente tomará conhecimento do evento quando o segurado é procurado para um acordo, ou quando é ajuizada a ação de reparação de danos ou ressarcimento pelo terceiro vítima ou seus beneficiários.
Assim, para o completo entendimento do tema proposto nesta monografia, trouxe-se à tona vários conceitos e concepções do que seja o contrato de seguro de responsabilidade civil, chegando a um ponto razoável e comum que servirá de base para a explanação do tema do presente Trabalho de Conclusão de Curso.
Como o princípio desse trabalho foi fazer uma abordagem geral sobre o Terceiro no Contrato de Seguro de Responsabilidade Civil, procurou-se destacar os principais aspectos do presente instituto e os demais que lhe são diretamente ligados. Deu-se por encerrada a presente pesquisa.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Contrato de Seguro sofreu inúmeras alterações desde a sua criação. Foram influencias de vários cantos e assim se adaptou a toda essa evolução mundial. Com isso, percebeu-se que o Contrato de Seguro teria que seguir regras de bom funcionamento para que continuasse o seu papel na sociedade. Através do Código Civil conseguiu isso e assim, o Contrato de Seguro tornou-se o que é nos dias de hoje.
Com esta evolução procurou-se fundamentar a matéria nos acontecimentos do dia-a-dia e assim adaptar o Contrato de Seguro à problemática existente.
Neste sentido, surgiu o terceiro como parte não integrante ao Contrato de Seguro, mas que possui importância quando do Seguro de Responsabilidade Civil.
Assim, extrai-se da visão de Santos146 que o seguro de responsabilidade civil visa primordialmente a resguardar o segurado das perdas patrimoniais que poderia vir a sofrer caso provocasse algum dano a terceiro, girando em torno da garantia que representa, assegurando ao segurado o pagamento da indenização que lhe seja por ventura imposta em decorrência de ato ilícito pelo qual responda.
Nessa premissa defende-se, então, o papel do terceiro no Contrato de Seguro
146 SANTOS, Ricardo Bechara. Direito de seguro no cotidiano. p. 507.
Quanto as hipóteses levantadas no início da pesquisa, observa-se:
Quanto a primeira hipótese: a) O Seguro de Responsabilidade Civil, somente terá cobertura para eventos onde haja a comprovação de que o segurado e ou terceiro portaram-se com certa culpa na produção do dano? SIM. O Seguro de Responsabilidade Civil, somente terá cobertura para eventos onde haja a comprovação de que o segurado e ou terceiro portaram-se sim com certa culpa na produção do dano. Tal constatação de culpa é que levará a imputabilidade do resultado nocivo ao agente apontado como causador do mesmo, do que deriva o dever de recompor a situação.
Pode-se dizer que a Responsabilidade Civil traduz a obrigação da pessoa física ou jurídica causadora ou responsável pelo dano, de reparar o dano causado por conduta que viola um dever jurídico preexistente de não lesionar, implícito ou expresso em lei.
Desta forma, conclui-se que o Seguro de Responsabilidade Civil tem indubitavelmente o caráter ressarcitório, onde, o segurado, mediante pagamento de um prêmio pré-definido, está garantindo o ressarcimento pelo segurador, em caso de perda patrimonial ocasionada por sua responsabilidade, até os limites definidos em contrato próprio.
Quanto a segunda hipótese: b) O segurador poder ser responsabilizado perante terceiros em soma superior aquela que fora pactuado com o segurado? NÃO. O segurador não poder ser responsabilizado perante terceiros em soma superior aquela que fora pactuado com o segurado. No contrato de Seguro de Responsabilidade Civil, apesar de sempre se prever a existência de um terceiro, este tem como partes apenas o segurado e o segurador.
Assim, nos casos em que existe a estipulação em favor de terceiro, o segurado é apenas ressarcido na forma do contrato. Se verifica que o terceiro é uma figura inexistente dentro dos contratos de seguro de
responsabilidade civil, não podendo ser confundido com o beneficiário, que é sujeito pré-determinado, mas não parte legitima.
Quanto a terceira hipótese: c) O terceiro pode pedir indenização e/ou ressarcimento dos danos direto na companhia seguradora, caso sentir-se prejudicado? SIM. Caso sentir-se prejudicado o terceiro pode sim pedir indenização e/ou ressarcimento dos danos direto na companhia seguradora.
Nessa perspectiva, o sistema jurídico brasileiro autoriza esse acionamento direto da companhia de seguros pelo terceiro prejudicado. O Superior Tribunal de Justiça vem seguindo essa linha de interpretação desde antes do Código Civil de 2002, com a tese de que o seguro de responsabilidade civil constitui uma estipulação em favor de terceiro (Recurso Especial 257.880/RJ, Recurso Especial 294.057/DF).
A intervenção de terceiro abrangida no tema refere-se ao pedido de indenização e ou ressarcimento dos danos, em sede patrimonial ou extra patrimonial (danos morais e ou estéticos, por exemplo), estes últimos fixados em espécie, diretamente perante a seguradora do causador do dano.
Assim, a seguradora teria que ao final reembolsar seu segurado, e, em seguida, dispensando-se o caráter de reembolso do contrato de seguro de responsabilidade civil, condenando as seguradoras a efetuarem pagamento diretamente perante o terceiro-vítima.
Neste sentido, o CC prescreve em um ano após o vencimento da apólice o prazo para a ação do segurado em face do segurador, contando-se o do dia em que o mesmo tiver conhecimento. Este prazo também é aceito para o terceiro.
Notadamente, Pedro Alvim, afirma que independentemente do contrato de seguros estar vencido, a seguradora não estará totalmente livre do dever de indenizar o terceiro e ou reembolsar seu ora anteriormente segurado.
Ao final deste, observa-se a intenção do presente trabalho de apresentar elementos capazes de trazer novas discussões a respeito da
estabilidade do Empregado Público, e não com a intenção de se esgotar o assunto.
REFERÊNCIA DAS FONTES CITADAS
ALVIM, Pedro. O Contrato de Seguro. 2ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 1986.
ALVIM, Pedro. O contrato de seguro. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1999.
ARMELIN, Donaldo. Legitimidade para agir no direito processual civil brasileiro.
São Paulo: Revista dos Tribunais, 1979, n.º 4.
BARBI, Celso Agrícola. Comentários ao código de processo civil. 10ª ed. 2ª tir.
Rio de Janeiro: Forense, 1998, n.º 35.
BEVILAQUA, Clóvis. Código Civil. 6. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1947. v.
5.
BEVILAQUA, Clóvis. Código civl dos estados unidos do Brasil. Rio de Janeiro:
Editora Rio, 1979.
BRANCO, Elcir Castello. Do seguro obrigatório de responsabilidade civil. 1ª ed.
Rio de Janeiro: Ed. Jurídica e Universitária, 1971.
BRASIL, Código Civil. Lei n. 3.071, de 01 de janeiro de 1916. Regula os direitos e obrigações de ordem privada concernentes às pessoas, aos bens e às suas relações.
BRASIL. Constituição de 1988. Constituição da República Federativa do Brasil.
Brasília/DF: Senado. 1988.
BRASIL. Novo código civil. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil.
BULGARELLI, Waldirio. Contratos mercantis, 2ª ed., São Paulo: Atlas, 1981.
CAVALEIRO NETO, Hermínio Mendes. A ilegalidade da negativa de atendimento do sinistro baseada no questionário de avaliação de riscos, no contrato de seguro de automóvel. Elaborado em 12/2003. Disponível em http/www.doutrinajusnavigandi.com.br/texto. Acesso em set/2008.
DIAS, José de Aguiar. Da responsabilidade civil. 6ª ed. – Rio de Janeiro: Forense, 1979, v. 2.
DIAS, José de Aguiar. Da responsabilidade civil. 4a. ed., vol. II, Rio de Janeiro:
Forense, 1960.
DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro. V. 7, Responsabilidade civil.
São Paulo: Saraiva, 2000.
DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 17. ed., v. 1. São Paulo:
Saraiva, 2001.
DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 1º vol, , 18ª. ed., São Paulo:
Editora Saraiva, 2002.
DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro. Responsabilidade Civil. 7ºv.
16. ed. São Paulo: Saraiva, 2002.
DINIZ, Maria Helena. Responsabilidade civil. 7º vol. 19ª ed. De acordo com Novo Código Civil (Lei nº 10.403, de 10/01/2002) e o Projeto de Lei nº 6.960/2002. São Paulo: Saraiva, 2005.
DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: responsabilidade civil. v. 7.
19 ed. rev. e atual. de acordo com o novo Código Civil (Lei n. 10.406, de 10-1- 2002) e o Projeto de Lei n. 6.960/2002. - São Paulo: Saraiva. 2005.
GANDINI. Agnaldo Lorenzetti. A Responsabilidade Civil do Estado por Conduta Omissiva, Jus Navigandi, Teresina, a.7.
GLITZ, Frederico Eduardo Zenedin. Aspectos do Seguro de Responsabilidade Civil. In TEIXEIRA, Antônio Carlos (coord.). Em Debate: Responsabilidade Civil, Garantia. Rio de Janeiro: FUNENSEG, 2001.
GLITZ, Frederico Eduardo Zenedin. Revista Cadernos de Seguro, O terceiro no contrato de seguro de responsabilidade civil: a ação direta em face da seguradora. Rio de Janeiro: Funenseg. Ano XX, n.º 101, de maio/junho 2000.
GOMES, Luiz Souza. Dicionário econômico, comercial e financeiro. 5. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Tupã, 1968.
GOMES, Orlando. Introdução do Direito Civil. 11. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995.
GOMES, Orlando. Contratos. 13ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1994.
GONÇALVES, Carlos Roberto. Comentários ao Código Civil, São Paulo: Saraiva, 2003.
Jurisprudência Catarinense. Disponível em www.tj.sc.gob.br – www.tj.gov.br LEAL, Antônio Luís da Câmara. Da prescrição e da decadência. 2ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1959.
LEITE, Eduardo de Oliveira. A monografia jurídica. 5 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001.
LEVENHAGEN, Antônio José de Souza. Código Civil: direito das obrigações:
comentários didáticos. São Paulo: Atlas, 1981.
LOPES, Serpa. Curso de Direito Civil, São Paulo: Atlas. 2000. v. 5, n. 144,
LOUREIRO, Carlos André Guedes – Contrato de Seguro – texto obtido na internet in http://www1.jus.com.br/doutrina/texto.asp?id=3777.
LUZ, Aramy Dornelles da. Negócios jurídicos bancários. 1ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1996.
MARENSI, Voltaire. Revista de informação legislativa. O seguro de responsabilidade civil. Brasília, vol. 25, n.º 100, out/dez., 1998.
MARENSI, Voltaire Giavarina. O seguro no direito brasileiro. 7ª ed. Porto Alegre:
Síntese, 2003.
MARQUES,Cláudia Lima. Contratos no código de defesa do consumidor. 2ª ed.
São Paulo: Revista dos Tribunais, 1995.
MIRANDA, Francisco Pontes de. Tratado de direito privado. 2ª ed. Rio de Janeiro:
Borsoi, 1958. Tomo XLV
MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de direito civil. 28ª ed. 5º v. – São Paulo: Saraiva, 1989.
NADER, Paulo. Curso de Direito Civil - Parte Geral. Rio de Janeiro: Forense, 2003.
PASOLD, Cesar Luis. Prática da Pesquisa jurídica e Metodologia da pesquisa jurídica. 10 ed. Florianópolis: OAB-SC editora, 2007.
PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de direito civil, V. III. Rio de Janeiro:
Forense, 1997, n.º 205.
RODRIGUES, Silvio. Direito Civil, vol. 3. 20ª ed. São Paulo: Saraiva, 1991.
RODRIGUES, Silvio. Direito Civil, v. 5, n.º 7 São Paulo: Saraiva, 2001.
SANTOS, Ricardo Bechara. Seguro de responsabilidade civil. Ação direta do terceiro contra o segurador. Inviabilidade. Rio de Janeiro: Forense, 1999.
SILVA, Plácido e. Vocabulário Jurídico. 12ª edição. Rio de Janeiro: Forense, 1993.
Silvio Rodrigues. Direito Civil, vol. 3. 20ª ed. São Paulo: Saraiva, 1991.
SOUZA, Will Duel Fonseca de. Brevíssimas considerações acerca do contrato de seguro facultativo no Brasil: aspectos de direito material, com ênfase quanto à