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Estratégia de coleta de dados

Antes de coletar os dados, foi elaborado um mapa dos agentes destacados para as entrevistas e o questionário (MAPEQ). A escolha dos agentes, de agora em diante chamados de participantes, seguiu dois critérios metodológicos (um básico- operacional e um acadêmico) nesta ordem: (a) cada uma das oito empresas do AP deve estar representada, no mínimo, por um membro do seu quadro efetivo, destacado para participar do empreendimento de engenharia; (b) o pesquisador deverá selecionar os representantes-chave das empresas, ou seja, aqueles que potencialmente estarão envolvidos nos principais processos de decisão que permearão o empreendimento de engenharia (Marshall, 1996; Yin, 2014).

Conforme Tabela 2, foram definidos quinze participantes para este estudo de

caso (P01 a P15). Essa codificação foi utilizada nas etapas de coleta, análise e

resultados. O número de respondentes (N=15) está em linha com os autores Marshall, Cardon, Poddar e Fontenot (2013). Esses estudiosos recomendam de 15 a 30 entrevistas por estudo de caso. Para Yin (2014), a referência é de 12 participantes.

Tais recomendações também estão em conformidade com a sugestão de Brinkmann e Kvale (2015) e Saunders et al., (2016), isto é, de 5 a 25 respondentes para entrevista em profundidade ou semiestruturada.

Tabela 2

Participantes da pesquisa - MAPEQ

Formação Experiência

(anos)

Função Empresa

Engenharia 05 Coordenador A

Engenharia 06 Coordenador B

Direito 10 Coordenador A

Sistemas da Informação 20 Coordenador C

Engenharia 43 Coordenador C

Engenharia 36 Gerente C

Engenharia 37 Gerente C

Engenharia 43 Gerente D

Engenharia 15 Gerente E

Engenharia 22 Gerente C

Engenharia 31 Gerente F

Engenharia 36 Gerente C

Sistemas da Computação 19 Diretor G

Engenharia 25 Diretor C

Engenharia 31 Diretor H

Média Mediana

25 25

Fonte: Elaborada pelo autor a partir dos dados da pesquisa.

É importante ressaltar que não há correspondência direta entre a ordem da

Tabela 2 e a codificação P01 a P15. A razão foi manter o sigilo para facilitar a

colaboração dos entrevistados, uma vez que houve o comprometimento do

pesquisador em não os identificar, pois se trata de um caso real, com envolvimento

de 08 (oito) empresas e eventual sensibilidade do participante em relação a algumas

informações prestadas. Pelo mesmo motivo foi criada separadamente a Tabela 3,

onde há correspondência entre a codificação P01 a P15 e o nível hierárquico – alta

gerência (AGE), média gerência (MGE) e baixa gerência (BGE) – atribuído pelo

pesquisador conforme a função exercida por cada participante. O propósito para

preparar essa hierquização foi verificar indícios de relação entre o nível gerencial do

participante, a categorização de Akinci e Sadler-Smith (2013) e Hodgkinson e Clarke

(2007), e a compreensão dos participantes sobre os pilares teóricos: processo de

decisão, racional e intuitico, e riscos e incertezas.

Tabela 3

Participantes e nível hierárquico

Participante Nível Hierárquico

P01 AGE

P02 AGE

P03 MGE

P04 AGE

P05 BGE

P06 BGE

P07 MGE

P08 AGE

P09 AGE

P10 MGE

P11 AGE

P12 BGE

P13 BGE

P14 AGE

P15 AGE

Fonte: Elaborada pelo autor a partir dos dados da pesquisa.

Um detalhe a ser ressaltado nessa pesquisa é a conformidade com a informação cruzada ou a triangulação (Bryman & Bell, 2015; Yin, 2014). Isso significa que diferentes participantes ou fontes expuseram suas compreensões relativas a um mesmo ponto focal, o que robustece o conceito metodológico empregado e, por consequência, as análises e resultados.

A coleta de dados propriamente dita, referente a cada participante, ocorreu após o término do empreendimento – ponto de coleta de dados – o que caracteriza a transversalidade (Bryman & Bell, 2015; Creswell, 2014; Neuman, 2014) e se dividiu em duas etapas de maneira sequencial. A primeira – etapa QUANTI – consistiu na aplicação do questionário REI (Pacini & Epstein, 1999). São quarenta assertivas fechadas, cada uma respondida de acordo com a escala tipo Likert de 5 pontos (Apêndice I). O questionário REI consiste de vinte assertivas destinadas a mensurar o grau do modo de pensar racional, e as outras vinte para mensurar o modo de pensar experiencial.

A segunda etapa – QUALI – ocorreu logo em seguida ao preenchimento do

questionário REI e a realização da entrevista semiestruturada com cada um dos

participantes. Essa abordagem está de acordo com Bryman e Bell (2015), pois

existem tópicos específicos a serem examinados para além de uma análise geral. A

construção do questionário semiestruturado (Apêndice II), que balizou a entrevista,

seguiu as três orientações de Bryman e Bell (2015): (1) variação dos tipos de questões

tanto quanto possível, entre os nove tipos sugeridos por Kvale (1996); (2) o tipo de

fenômeno a ser pesquisado; (3) uma questão de fechamento geral referente a toda a

pesquisa. Assim, no Apêndice II, cada pergunta faz referência às três orientações anteriores, além da sua associação com o referencial teórico e especialmente com os pilares teóricos: processo de decisão, racional e intuitivo, e riscos e incertezas.

O questionário (Apêndice II) utilizado para a entrevista semiestruturada é composto de vinte perguntas. Esse número de perguntas está em conformidade com DiCicco-Bloom e Crabtree (2006) para uma entrevista dessa natureza. Eles estimam entre 5 e 10 perguntas por assunto a ser analisado. As 20 perguntas foram divididas em quatro blocos. Um bloco para cada pilar teórico objeto de pesquisa deste trabalho, e um quarto bloco, de cunho geral. Assim, foram constituídos: um bloco com sete perguntas - Pilar processo de decisão; um bloco com seis perguntas - Pilar racional e intuitivo; um bloco com quatro perguntas - Pilar riscos e incertezas; e finalmente um bloco geral com três perguntas.

Para contribuir para a robustez e confiabilidade da pesquisa, desde a escolha dos participantes (MAPEQ) até o encerramento das entrevistas, alguns procedimentos foram definidos em relação aos participantes. Eles foram convidados e agendados individualmente, após encerrar-se o empreendimento de engenharia, com o devido conhecimento de que se tratava de uma colaboração voluntária para uma pesquisa acadêmica. Uma vez aceito o convite, foram solicitados a não se manifestarem a partir daquele momento, mesmo após a entrevista, para quem quer que seja, principalmente para qualquer outra pessoa que tenha participado do empreendimento. Essa medida procurou evitar o conhecimento prévio ou posterior dos pares e o conteúdo dos questionários (Apêndices I e II) e, assim, permitir maior naturalidade e espontaneidade possíveis nas respostas. É importante frisar que as entrevistas foram isoladas, ou seja, mesmo que dois participantes fossem entrevistados no mesmo dia, isso ocorreu em lugares totalmente distintos, um sem conhecimento do outro. Além disso, ficou acordado entre entrevistador e entrevistado o caráter sigiloso da identidade dos participantes, devido à eventual sensibilidade das informações prestadas.

Todas as entrevistas foram gravadas em áudio e foram transcritas

posteriormente para textos em WORD (Microsoft), para serem manipuladas dentro do

software NVivo 11 Pro. Para Brinkmann e Kvale (2015), Bryman e Bell (2015) e Yin

(2014), é possível a utilização de software para auxiliar a análise de dados. Em média,

cada entrevista durou uma hora e dezenove minutos. O menor tempo foi de quase

quarenta e um minutos e o maior foi de uma hora e cinquenta e cinco minutos.

Parte da metodologia adotada neste trabalho, referente a parte QUALI, um estudo de caso com 15 participantes e entrevistas semiestruturadas, encontra respaldo em pesquisas publicadas como aquelas citadas na Tabela 4

Tabela 4

Pesquisas com metodologia semelhante a esse trabalho

Tipo de pesquisa

Área de aplicação

Coleta de dados

Nº de participantes

Nº de empresas ou projetos

Autor Ano de

publica ção

Publicação

Estudo de caso

Gerenciamento de projetos

Entrevista semiestruturada

18 06 Bosch-

Rekveldt, M., Jongkind, Y., Mooi, H., Bakker, H., &

Verbraeck, A.

2011 International Journal of Project Management

Estudo de prática

Gerenciamento de projetos

Entrevista semiestruturada

13 10 Thomas, J.,

George, S., &

Buckle Henning, P.

2012 International Journal of Managing Projects in Business Estudo

de caso

Gerenciamento de projetos

Entrevista semiestruturada

16 01 Lundy, V., &

Morin, P. P.

2013 Project Management Journal

Estudo de múltiplos casos

Gerenciamento de projetos

Entrevista semiestruturada +

documentação

04 08 Lech, P. 2014 Journal of

Knowledge Management

Fonte: Elaborada pelo autor.