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Estratégias para diminuir o fracasso escolar

os indivíduos em pessoas autônomas e desafiadoras enfrentando as dificuldades e superando os obstáculos, levando ao sucesso em diversos aspectos de sua vida.

O Censo 2010 nos mostra que houve um crescimento da alfabetização nessa faixa etária. Em 2000, a taxa era de 94,2%, passando em 2010, para 97,5%, período em que atinge valores próximos à universalização. Dos 1.304 municípios brasileiros, com taxa de analfabetismo iguais ou superiores a 25%, 32 dos quais não ofereciam o Programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA), sendo a maioria na região Nordeste. Nesse sentido, a EJA não representa apenas o resgate dos direitos civis que lhes foram negados, mas o direito a uma escola de qualidade e reparadora, uma alternativa viável, com oportunidade concreta da presença de jovens e adultos na escola.

A EJA busca reparar a correlação idade/ano escolar, facilitando o acesso dos trabalhadores, donas de casa, migrantes, aposentados, encarcerados, como também aos que tiveram uma interrupção forçada, seja pela repetência, pela evasão ou oportunidades desiguais de permanência e condições adversas. Por isso, ela necessita ser pensada como um modelo pedagógico próprio, a fim de criar situações pedagógicas e satisfazer às necessidades de aprendizagem de jovens e adultos, de maneira que lhes possibilite a inserção no mundo do trabalho, na vida social, e abra novos canais (BRASIL, 2000).

Em 2013, foi implantada pela Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC) uma nova política de educação de jovens e adultos, a Nova EJA (NEJA, 2013), com metodologia e currículos específicos, material didático próprio, recursos multimídia, aulas dinâmicas e metodologia para ser trabalhada com alunos em defasagem idade/série. O curso tem duração de dois anos, divididos em quatro módulos, um por semestre com uma carga horária diária de três horas e vinte minutos, de segunda à sexta- feira. Dois módulos são compostos por disciplinas com ênfase em Ciências Humanas e os outros dois módulos com ênfase em disciplinas das Ciências da Natureza. Cada módulo é composto por um número reduzido de disciplinas, sendo o mínimo de cinco e o máximo de sete, aspecto que torna o processo ensino aprendizagem mais atraente. Em todos os módulos, o aluno terá Língua Portuguesa e Matemática e haverá um professor por disciplina (NEJA, 2013).

Marchesi e Pérez (2004) afirmam que as intervenções têm que ser feitas de forma multidimensional, e não isoladas. Não há caminhos fáceis, nem atalhos e nem soluções mágicas para reduzir o fracasso escolar, segundo apontam os estudiosos, e sim um trabalho sistematizado e global, com reformas profundas, levando em conta as demandas sociais futuras num esforço sustentado por vários anos. Os autores elaboraram seis

propostas como estratégias de intervenção contra o fracasso escolar que podem ser aplicadas adequando-se a diversos contextos:

Compromisso da sociedade: A educação passa por um descrédito da sociedade;

enquanto uma ampla parcela de políticos, professores, intelectuais, pais e meios de comunicação insistir no mau funcionamento do sistema educacional não haverá mudanças, mas sim a redução das expectativas e desânimo, criando um efeito negativo no rendimento dos alunos e na satisfação profissional dos professores. E educação não é uma tarefa apenas da escola; é necessário que haja a participação de todos, das instituições públicas e privadas, associações cívicas, das organizações não governamentais nas ações educacionais, devendo ser um eixo permanente na gestão a educação;

Intervenção no âmbito social e familiar: É necessário que se promova ações para diminuir a desvantagem social em que muitas famílias vivem, pois as condições sociais são um fator de risco para o fracasso escolar. É necessário que se desenvolva políticas públicas para incrementar a oferta de empregos, acesso à saúde de qualidade, moradia e de educação em favor das coletividades com maiores carências, estabelecendo uma sólida base para enfrentar com garantias o abandono prematuro da escola pelos alunos. Elevar o nível educacional das famílias com ofertas de programas formativos é um fator preponderante para o sucesso escolar das crianças. Famílias desestruturadas não valorizam a educação, ficando a criança sem referência e estímulo para aprender gerando defasagem da aprendizagem resultando em um fracasso escolar;

A formação e o incentivo dos professores: A desvalorização do professor, principalmente pelo poder público, eleva os índices de insatisfação, tornando o profissional um mero reprodutor do conhecimento. É necessário que se estabeleça ações para a valorização da profissão, criando iniciativas que melhorem sua remuneração, sua formação, suas condições de trabalho e seu desenvolvimento profissional. As turmas nos dias de hoje estão cada vez mais heterogêneas e numerosas, dificultando o trabalho do professor em atender as diversas expectativas de seus alunos. Por outro lado, o mesmo tem que se conscientizar que centrar suas ações apenas no âmbito científico e nas didáticas básicas não motivará o aluno a aprender; é necessário que compreenda os interesses de seus

alunos em distintas formas de organização e gestão da aula, elaborando novas estratégias, levando o aluno a participar ativamente do processo ensino aprendizagem;

Primeiro, o Ensino Fundamental: evitar que os alunos se atrasem; os alunos chegam ao Ensino Médio com uma defasagem enorme dos conteúdos, sendo praticamente impossível reverter esse quadro nesse estágio do ensino. É necessário que se atente para a formação inicial da criança, priorizando as quatro capacidades básicas: leitura, cálculo, estratégias de aprendizagem e expressão criativa, com uma atenção especial aos alunos que podem adquirir essas capacidades mais lentamente;

Autonomia das escolas, cooperação e participação: A autonomia parece ser o ponto chave para o desenvolvimento de projetos educacionais pertinentes à realidade da comunidade escolar. Esses projetos devem ser discutidos e negociados com a administração educacional, de modo que favoreçam iniciativas que atinjam toda diversidade existente nessa comunidade. O desenvolvimento de um plano de ação tutorial, a informação às famílias, a oferta de matérias optativas, o acompanhamento daqueles alunos com mais problemas de aprendizagem e a reflexão sobre acultura dos alunos e suas formas de participação são temas importantes que devem fazer parte do projeto escolar. Compartilhar experiências com outras escolas agrega valores e, assim, surgem novas ideias. Uma escola sozinha pode correr o risco de fracassar pedagogicamente, portanto, deve unir forças com a sociedade, a família, a comunidade escolar e outras escolas nessa luta pela educação de qualidade. Não é uma tarefa fácil, mas é porém possível; e

Mudanças na prática docente na sala de aula: Enfrentar o fracasso escolar exige do professor um novo olhar. No contexto educacional atual, o professor deve traçar estratégias para despertar o interesse e a criatividade dos alunos e incentivar a participar ativamente do processo educacional. É preciso que os alunos com risco de fracasso tenham “êxito escolar” para elevar sua autoestima.

Despertar o interesse dos alunos pela aprendizagem e conseguir que participem na vida da escola e se sintam vinculados a ela é uma passo para garantir a redução do fracasso escolar (MARCHESI; PÉREZ, 2004, p. 29-32).

Marchesi e Pérez (2004) ressaltam, ainda, fatores pontuais a serem estudados e levados em consideração, tendo uma visão holística e não segmentada da educação.

Muitas propostas surgem para corrigir a distorção idade/série, mas poucas para erradicar a repetência, a evasão e o consequente fracasso escolar. O fracasso escolar tem que ser combatido na sua base desde o primeiro ano de escolaridade, para que se possa criar um alicerce sólido capaz de sustentar todos os segmentos da educação básica e, consequentemente, os do ensino superior.

Muitos projetos estão sendo desenvolvidos para tentar resgatar a autoestima de crianças e adolescentes, na tentativa de aflorar o dom que cada um traz consigo. Nesse sentido, podemos propor jogos em sala de aula ou em ambientes alternativos, resgatando o interesse pela aprendizagem, propondo uma ressignificação dos papéis de cada um no contexto escolar, melhorando o autoconceito e resgatando a autoestima.

Nesta parte procuramos discutir as causas do fracasso escolar e algumas estratégias para minimizar esse efeito, bem como relacionamos a conquista da autonomia e a elevação da autoestima como fatores importantes nesse processo.

3 O LÚDICO: UM CAMINHO PARA APRENDIZAGEM

Nesta parte iremos discorrer sobre a importância do lúdico na vida do ser humano segundo a visão de alguns autores e a interferência desse na aprendizagem.