6.2 Resultados
6.2.2 Estrutura e funcionamento dos serviços
Na análise da estrutura física das unidades de saúde da APS foi observado que 88,6% das 53 equipes da ESF encontravam-se instaladas em imóveis locados.
Apenas seis equipes encontravam-se instaladas em imóveis próprios. As unidades possuíam equipamentos e materiais básicos para funcionamento, entretanto, não eram informatizadas e não possuíam equipamentos de reanimação cardiopulmonar.
O enfermeiro respondia pela gerência da equipe. Não havia auxiliar administrativo nas unidades, o que acarretava sobrecarga de trabalho para a equipe. O horário de funcionamento era de sete às 17 horas.
Em relação as cinco UBRs, quatro delas funcionavam em imóveis próprios e em melhores condições de infraestrutura física quando comparadas aos serviços da ESF. As unidades contavam com recepção, consultórios, sala de vacina, de curativos, farmácia e apresentavam equipamentos de reanimação cardiopulmonar e eletrocardiógrafo. As UBRs não eram informatizadas e o gerenciamento das unidades era feito por um enfermeiro com cargo de supervisor, além de possuir dois enfermeiros na assistência, um farmacêutico, técnicos de enfermagem e auxiliar administrativo. O corpo clínico era composto em média por quatro clínicos, três ginecologistas e quatro pediatras. O horário de funcionamento era de sete às 19 horas. O acesso da população aos serviços de APS era por livre demanda e por agendamento de consultas.
O vínculo empregatício da maioria (58%) dos médicos que atuavam nas equipes da ESF e nas UBRs era por contrato de dois anos, sem garantia de direitos trabalhistas.
Apesar da realização de concurso público no Município no ano de 2006, não houve preenchimento das vagas disponíveis para médicos da APS. Dos 60 médicos que ingressaram no Município por concurso público em 2006, permaneciam apenas 23 (38,3%). A contratação ocorria por meio de processo seletivo que foi realizado em 2007 e em 2011. No período entre 2007 e 2012 foram admitidos 434 médicos e ocorreram 364 rescisões de contrato. A figura 5 mostra o número de admissões e rescisões de contratos realizados com médicos a partir do processo seletivo que ocorreu em 2007. Essa situação contribuía para a defasagem e alta rotatividade dos profissionais, um dos principais fatores que dificultava o desenvolvimento das ações
de saúde na APS, com várias equipes incompletas (cerca de 30%) durante todo o período do estudo.
Figura 5 Número de admissões e rescisões de contratos com médicos de atenção primária, Ribeirão das Neves, 2007 a 2012
Unidades de Pronto Atendimento e Hospital Municipal
As duas UPAs possuem estrutura física para funcionamento de acordo com a política nacional de atenção às urgências (Brasil, 2006d). A UPA Joanico Cirilo de Abreu localiza-se na região central (RI), com o gerenciamento da Secretaria Municipal de Saúde e atende às seguintes especialidades: clínicas médica, pediatria, cirurgia ambulatorial e odontologia. A UPA Acrízio Menezes encontra-se localizada em Justinópolis, sua gestão é terceirizada e atende às seguintes especialidades: clínicas médica, pediatria, ortopedia e cirurgia. O atendimento nas UPAs ocorria com acolhimento e classificação de risco. Essas unidades estão vinculadas à Central de Regulação Médica de Leitos, que gerencia a transferência de pacientes aos hospitais de acordo com critérios técnicos de priorização de vagas e disponibilidade de leitos. O número de leitos, profissionais e a média de atendimentos estão descritos na tabela 2 (Ribeirão das Neves, 2013).
A Assistência Hospitalar era realizada no único serviço hospitalar existente, Hospital Municipal São Judas Tadeu, localizado na região central, que se caracteriza hospital geral de médio porte, que varia entre 50 e 100 leitos (tabela 2). O atendimento no Hospital é destinado exclusivamente ao SUS, prestando assistência de urgência/emergência em clínica médica, pediatria, cirurgia, obstetrícia e ortopedia.
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Na área de internação atende à média complexidade nas clínicas básicas. De acordo com os parâmetros assistenciais de 2,5 a 3,0 leitos para cada 1000 habitantes, seriam necessários no mínimo 860 leitos hospitalares no Município (Brasil, 2002). O Hospital não possui leitos de tratamento intensivo, estimados como necessários numa proporção de 4 a 10% do total de leitos hospitalares. O Município conta com a retaguarda de leitos de alta complexidade em Belo Horizonte (Ribeirão das Neves, 2013).
Tabela 2 Número de leitos, profissionais e média de atendimentos/mês das Unidades de Pronto Atendimento e Hospital Municipal, Ribeirão das Neves, 2012.
Unidade de Saúde Número de leitos
Número de profissionais
Média de atendimentos mês UPA Joanico Cirilo
de Abreu 14 16 médicos,
10 enfermeiros 4.800 UPA Acrízio
Menezes 40 92 médicos,
16 enfermeiros 8.000 Hospital Municipal
São Judas Tadeu 1077 39 médicos,
12 enfermeiros 1.600
Ambulatório de Referência de Doenças Infecciosas e Parasitárias
O Município possui um Ambulatório de Referência de Doenças Infecciosas e Parasitárias (ARDIP) que funciona na região do Centro, em imóvel locado, mas com boa estrutura física. O trabalho é desenvolvido por equipe multidisciplinar, composta por três médicos infectologistas, enfermeiro, farmacêutico, psicólogo, terapeuta ocupacional e assistente social. O agendamento de consultas é disponível por telefone, podendo originar-se de qualquer Unidade de Saúde. Não havia demanda reprimida para atendimento.
Laboratórios
O sistema de saúde conta com um Laboratório municipal responsável pelas análises de materiais referentes às doenças infecciosas e um laboratório terceirizado para as outras análises clínicas. Os dois laboratórios se localizam na região do Centro. O Laboratório municipal funciona em imóvel locado e conta com 18 profissionais: um
supervisor, um responsável técnico farmacêutico; técnicos de patologia clínica, entre esses um responsável pela sorologia para LV. O controle de qualidade do laboratório era feito pelo Laboratório de Referência Estadual, Fundação Ezequiel Dias.
Serviço de Epidemiologia
O serviço de EPI funciona na secretaria de saúde, possuindo um coordenador geral, quatro técnicos de nível médio para digitação de dados e um técnico de nível superior responsável pelas notificações de LV, busca e acompanhamento dos casos. Havia disponível equipamento de informática e veículo próprio. O serviço não apresentava epidemiologista.
Serviço de Controle de Zoonoses
O serviço de CZ funciona em imóvel locado, com 194 ACE que atuam prioritariamente no controle da dengue e encontravam-se distribuídos no território em pontos de apoio localizados em unidades de saúde e outros dispositivos do Município. Para o trabalho de controle da LV o serviço conta com 20 agentes de campo, dois supervisores de área, um supervisor geral, um médico veterinário como referência técnica, três médicos veterinários para eutanásia de cães, entre outras funções. Os equipamentos e insumos disponíveis para o controle da LV consistem em dois veículos utilitários, dois veículos adaptados para recolhimento de cães e 40 pulverizadores costais.
6.2.3 Processo de trabalho relacionado à assistência aos casos humanos de