2 Principais fatores determinantes da competitividade das empresas do APL
2.1.3 Estrutura institucional e acesso a recursos
para motores28, além da Fundituba (SP) (metalúrgica) — autopeças, partes e componentes para motores — e da Agritech Lavrale (SP) — máquinas e implementos agrícolas, cabines para tratores, peças e componentes. Para outros sistemas importantes, como suspensão, freios e acoplamento, além de autopeças, partes e componentes, há fornecedores locais, com destaque para empresas pertencentes aos grupos Randon e Marcopolo, e a formação de acordos de compra e venda. A Agrale também se empenhou, ao longo de sua história, para estabelecer diferentes formas de acordos com empresas estrangeiras para acesso a tecnologias, ganhando competitividade nos segmentos de caminhões e tratores: Deutz (Alemanha), para produção de cami- nhões e tratores (1988); Zetor (República Checa), para fabricar tratores (1997); e Navistar (Estados Unidos) para produzir caminhões da marca International (1998); Itaipu Binacional e Stola, para desenvolvimento de protótipo do Agrale Marruá Elétrico (2012); e Foton-Aumark (China- -Brasil), para produção de caminhões da marca chinesa (2016) (AGRA- LE, 2016).
lar, contribuem para a geração e a difusão de novos conhecimentos e tecnologias para as empresas do APL MMeA31.
Sob a ótica institucional, o APL MMeA é composto pelo conjunto de empresas locais — do setor automotivo e de ramos associados à sua cadeia produtiva —, por representantes do poder público municipal e estadual e por organizações locais, como o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (SI- MECS), o Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás), o Departamento Regional do Rio Grande do Sul do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-RS), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Rio Grande do Sul (Sebrae-RS), o GarantiSerra-RS, a Universidade de Caxias do Sul (UCS), a Prefeitura de Caxias do Sul, através da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC), a Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI) e o Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Dentre esses, atualmente a representa- ção formal dos atores que compõem o APL MMeA é realizada pela CIC.
A seguir, são descritos, em maiores detalhes, aqueles com maior víncu- lo aos processos de aprendizado e desenvolvimento tecnológico.
Em relação à oferta de cursos técnicos de níveis médio e superior, as principais instituições são o Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), o Senai, a Faculdade de Tecnologia TECBrasil e a Escola Estadual Técnica de Caxias do Sul. Em nível de curso superior — graduação, especialização, mestrado e doutorado —, as principais organizações ofertantes são a Universidade de Caxias do Sul, o IFRS e a Faculdade da Serra Gaúcha (FSG). Observe-se que os cursos ofertados dividem-se entre Caxias do Sul e Farroupilha, que são duas das principais cidades com produção automotiva.
Sobre a realização de atividades de pesquisa e desenvolvimento de novos conhecimentos científicos e tecnológicos, além de formarem parte da infraestrutura de laboratórios na região do Corede Serra, dois atores possuem uma atuação mais próxima ao APL MMeA: a Universi- dade de Caxias do Sul e o Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul. A UCS mostra-se como a principal organização a realizar pesquisas, sobretudo em engenharia, inclusive mantendo rela- ções do tipo interação universidade-empresa com firmas dessa AP.
31 Para maior detalhamento acerca da atuação dessas instituições, de cursos ofertados, linhas de pesquisa, infraestrutura de laboratórios, etc., ver Conceição e Costa (2015).
Quanto às formas de assessoramento, o Sebrae volta-se para a realização de atividades de apoio à produção, com a particularidade de possuir atuação voltada para as empresas de micro e pequeno portes.
No âmbito das atividades mais próximas à geração e à difusão de ino- vações, há uma variedade de programas voltados à capacitação tecno- lógica32. A atuação do Senai divide-se em duas grandes áreas: forma- ção de recursos humanos e prestação de serviços industriais, alguns dos quais de cunho de desenvolvimento tecnológico. O Senai possui quatro unidades que possuem relação com o APL MMeA, sendo três em Caxias do Sul e uma em Bento Gonçalves.
No financiamento à atividade produtiva e a clientes para compra de seus produtos, como mencionado, os grupos Randon e Marcopolo possuem instituições financeiras próprias: Banco Randon, Consórcio Randon, Consórcio Agrale e Banco Moneo. Ademais, são acessadas linhas de crédito de longo prazo e outros serviços financeiros via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e seus agentes repassadores, como o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), por exemplo. Além desses, como fonte de finan- ciamento ao desenvolvimento tecnológico de empresas e instituições de ensino e pesquisa, há a oferta de recursos através de editais da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), linhas de crédito, fundos e programas do BNDES (BNDES Inovação, BNDES MPME Inovadora e outros), editais da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS), editais do Conselho Nacional de Desenvol- vimento Científico e Tecnológico (CNPq) e outros. Além desses instru- mentos, o APL MMeA recebe recursos por meio de políticas públicas conduzidas pela Prefeitura Municipal de Caxias do Sul, pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, através do Programa de Fortaleci- mento das Cadeias e Arranjos Produtivos Locais (APLs), da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento, e pelo Go- verno Federal, via Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), através do Grupo de Trabalho Permanente para Arran- jos Produtivos Locais (GTP APL).
32 Sobre a atuação do Sebrae e do Senai, ver Conceição e Costa (2015).
2.2 Relações do APL MMeA com as esferas nacional e mundial
A discussão anterior mencionou algumas das relações do APL MMeA com as esferas nacional e mundial envolvidas com os processos de aprendizado e inovação. Agora, cabe analisar as relações de com- pra, de vendas e da internacionalização de suas empresas e a organi- zação de sua cadeia global de valor.
Em relação às compras das empresas, faz-se necessário observar que nem todas são realizadas dentro do APL MMeA, sendo oriundas de aquisições do Rio Grande do Sul, de outros estados brasileiros e do exterior. Note-se, portanto, que a localização dos principais fornecedo- res de ferro, alumínio, aço, resinas petroquímicas e outros insumos e bens de capital de fora do Corede Serra e adjacências dificulta o esta- belecimento de vínculos produtivos em todos os ramos industriais rela- cionados ao APL MMeA (CASTILHOS, 2007, p. 256).
Dentre as compras no mercado estadual e nacional, destacam-se as de ferro, alumínio e aço, em suas variadas formas e especificações.
Esses insumos são adquiridos, diretamente, de usinas siderúrgicas externas à região, ou junto a revendedores localizados em Caxias do Sul. Quanto aos dois primeiros, os principais fornecedores estão locali- zados em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Quanto ao aço, além de empresas de outros estados, existem fornece- dores no Rio Grande do Sul, como a Aços Finos Piratini. Ambas as situações dificultam a competitividade das empresas de micro e peque- no portes, pois, conforme Calandro e Campos (2002, p. 136), “[...] so- mente as empresas de médio e de grande porte conseguem o volume de compras que atingem o lote mínimo exigido pelas companhias side- rúrgicas”. Em razão da distância e do peso da carga, o custo do frete é relativamente elevado, de modo que o tamanho mínimo do lote dos pedidos necessário para diluí-lo até um patamar que permita a competi- tividade se mostra problemático para as empresas menores. Raciocínio análogo vale para outro insumo importante para o setor automotivo: as aquisições de resinas petroquímicas. Estas são utilizadas na fabricação de autopeças, partes e componentes de borracha e plástico33. Para as
33 De acordo com o Simplás (SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE MATERIAL PLÁSTI- CO DO NORDESTE GAÚCHO, 2013), que representa empresas predominantemente do Corede Serra, a proveniência da resina petroquímica para seus associados, dentre os quais 37% estão voltados à demanda do setor automotivo, divide-se entre 73,2%
do mercado nacional e 23,8% de importações.
demais compras de insumos, máquinas e equipamentos de procedên- cia nacional, seu detalhamento exigiria pesquisa de campo, cuja reali- zação não foi possível para este estudo.
Para as importações relacionadas ao APL MMeA, uma descrição aproximada de sua pauta é possível34. Entre 2014 e 2015, dentre os produtos com maior valor importado pelos municípios que compõem a AP e que podem estar associados ao setor automotivo, destacam-se os bens de capital para trabalhar metais, borrachas e plásticos e insumos (Tabela 13). Além disso, há a aquisição de autopeças, partes e compo- nentes prontos para os produtos do APL MMeA, que não são produzi- dos localmente ou para os quais as empresas locais não possuam pre- ços e/ou qualidade competitivos, compatíveis com aquilo que é deman- dado pelos fabricantes nas últimas etapas da cadeia produtiva do setor automotivo da região.
Quanto às exportações para as maiores empresas nos segmentos industriais do APL MMeA, estas se constituem em parte relevante das vendas, ainda que secundárias em comparação àquelas destinadas ao mercado nacional. A Tabela 14 apresenta a pauta dos principais produ- tos e destinos das exportações do setor automotivo do Corede Serra.
Nota-se que, com exceção de autopeças exportadas para os Estados Unidos, a maior parcela dos produtos finais do APL MMeA destina-se a nações pertencentes ao Mercosul e à América do Sul. Além disso, hou- ve vendas, em menor dimensão, para o México e para países da África e Oriente Médio, sendo o restante para as demais nações35. Convém explicitar que, em razão da internacionalização das maiores empresas, parte dos produtos finais exportados é vendida nas formas CKD ou SKD36, que possuem menor valor agregado que os montados. Cabe notar que parte do lucro das vendas das unidades de fabricação e mon- tagem das empresas no exterior é enviada para sua matriz no APL MMeA.
34 Frise-se, contudo, que nem todos esses produtos podem estar sendo adquiridos por empresas pertencentes ao complexo de produção automotiva dessa região. Ademais, parte dos insumos importados podem estar entrando por outras regiões, via escritó- rios de importação e remetidos para empresas do APL MMeA, não sendo computa- dos na pauta de compras do exterior do Corede Serra. Desse modo, as informações de importações devem ser interpretadas como uma aproximação para os principais tipos de mercadorias compradas de fora do País pelo setor automotivo local.
35 Cálculo dos autores a partir de dados de Brasil (2015).
36 CKD são produtos completamente desmontados, e SKD são os parcialmente des- montados.
Tabela 13
Produtos e origem das importações possivelmente associadas ao setor automotivo do Corede Serra — 2014-15
(US$ milhões FOB)
DISCRIMINAÇÃO 2014 2015
Valor % Valor % COREDE SERRA ...905,7 100,0 615,2 100,0 Outros ...792,1 87,5 545,5 88,7 Produtos selecionados ...113,5 12,5 69,7 11,3 8708 - Partes e acessórios de veículos automóveis 58,3 6,4 34,8 5,7 Argentina ... 10,0 1,1 6,0 1,0 China ... 10,3 1,1 7,6 1,2 8477 - Máquinas e aparelhos, para trabalhar borra-
cha ou plástico ou para fabricação de produtos
dessas matérias ... 10,1 1,1 7,1 1,2 China ... 2,4 0,3 3,0 0,5 Itália ... 5,6 0,6 1,2 0,2 8483 - Peças e componentes para o sistema de
transmissão de veículos automotores ... 8,9 1,0 6,0 1,0 Itália ... 2,5 0,3 1,6 0,3 China ... 1,7 0,2 1,9 0,3 8457 - Centros de maquinagem, máquinas de siste-
ma monostático e máquinas de estações múlti-
plas, para trabalhar metais ... 8,6 1,0 5,0 0,8 Taiwan ... 3,1 0,3 1,5 0,2 Japão ... 1,8 0,2 1,6 0,3 8462 - Máquinas-ferramentas para trabalhar metais 14,0 1,5 3,9 0,6 Itália ... 6,5 0,7 1,5 0,2 China ... 3,8 0,4 1,6 0,3 4002 - Borracha sintética e borracha artificial deri-
vadadosóleos,emformasprimáriasouemchapas,
folhas ou tiras ... 6,8 0,8 4,2 0,7 Polônia ... 1,2 0,1 1,2 0,2 Argentina ... 1,6 0,2 0,8 0,1 FONTE DOS DADOS BRUTOS: Brasil (2015).
Tabela 14
Principais produtos e destinos das exportações do setor automotivo do Corede Serra — 2013-15
(US$ milhões FOB)
DISCRIMINAÇÃO 2013 2014 2015
Valor % Valor % Valor %
TOTAL COREDE SERRA ...1.623,8 - 1.543,6 - 1.427,5 - Total setor automotivo ... 477,2 100,0 415,6 100,0 381,0 100,0
8707- Carroçarias e cabines para
os veículos automotores ... 145,6 30,5 148,0 35,6 144,4 37,9 Chile ... 67,2 14,1 72,0 17,3 52,9 13,9 Peru ... 24,6 5,1 21,4 5,1 31,4 8,2 Uruguai ... 16,8 3,5 16,4 4,0 16,2 4,3
8708 - Partes e acessórios dos
veículos automotores ... 109,8 23,0 91,8 22,1 80,6 21,1 Argentina ... 36,8 7,7 24,8 6,0 29,7 7,8 EUA ... 14,1 2,9 12,7 3,1 10,7 2,8 México ... 18,7 3,9 18,5 4,4 10,5 2,7 8702 - Ônibus e miniônibus ... 78,4 16,4 62,0 14,9 72,2 18,9 Argentina ... 8,7 1,8 15,7 3,8 18,2 4,8 Chile ... 25,9 5,4 12,3 3,0 15,3 4,0 Bolívia ... 12,3 2,6 7,4 1,8 5,6 1,5 8716-Reboquesesemirreboques 128,7 27,0 80,0 19,3 66,0 17,3 Chile ... 42,0 8,8 15,1 3,6 20,2 5,3 Argentina ... 14,4 3,0 7,5 1,8 9,4 2,5 Uruguai ... 15,5 3,2 11,2 2,7 8,4 2,2 Outros ... 14,7 3,1 33,7 8,1 17,9 4,7 FONTE DOS DADOS BRUTOS: Brasil (2015).
Assim, para as maiores empresas da AP, com destaque para as dos grupos Agrale, Randon, Guerra e Marcopolo, as receitas originárias de filiais no exterior também são relevantes. Nesse caso, a decisão pela internacionalização, sobretudo de Randon e Marcopolo, levou em consideração o risco de perda de acesso a mercados, devido à forma- ção de blocos econômicos, variações cambiais, políticas industriais e outras (CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE INDÚSTRIAS, 2013, p. 291).
Essa distribuição da produção e das vendas dos produtos finais do APL MMeA segue uma tendência mais geral de regionalização, similar ao padrão de concorrência da indústria automobilística em âmbito mundial (COSTA; HENKIN, 2012, p. 6-9).
Quanto à organização da cadeia global de valor na produção dos grandes grupos empresariais do APL MMeA, parte dela já foi descrita na seção anterior. Agora cabe completar essa descrição. Constata-se que, além de possuírem unidades de produção no APL MMeA, os gru- pos Marcopolo, Randon e Francisco Stédile (Agrale) também têm fábri- cas em outras localidades, sendo multinacionais de capital local, exceto a Guerra37. No que tange à configuração da cadeia global de valor dos grupos mencionados no exterior, mantém-se a ideia de esta ter um arranjo híbrido, que combina controle hierárquico com modular, na for- ma do estabelecimento de relações de fornecimento com empresas desses países via acordos de longo prazo, segundo as especificações determinadas pelas maiores empresas do APL MMeA (CONFEDERA- ÇÃO NACIONAL DE INDÚSTRIAS, 2013, p. 291).
Neste âmbito, a Agrale possui unidade fabril na Argentina e em São Paulo (Agritech Lavrale e Fundituba) (AGRALE, 2016). A Marcopo- lo possui fábricas de carrocerias para ônibus subsidiárias (controladas) no Rio de Janeiro, no Espírito Santo, na África do Sul, na China e na Austrália, bem como participação acionária (coligadas) em empresas desse segmento, na Argentina, no México, na Colômbia, no Egito38, na Índia e no Canadá. Além delas, a Marcopolo possui participação em fábricas de autopeças em outros estados brasileiros e no exterior, como mencionado, para garantir o fornecimento de sistemas e autopeças críticos para a competitividade de carrocerias para ônibus. Para itens menos complexos, há a prospecção no mercado local, tanto no APL, quanto no Brasil ou no exterior. Ademais, a empresa estabelece acor- dos com montadoras de caminhões para o fornecimento do chassi com motor no Brasil, incluindo a Agrale, e, nos países em que há uma sub- sidiária do Grupo fabricando carrocerias. No exterior, a Marcopolo esta- beleceu acordos com a Daimler (Mercedes-Benz) no México, com a Iveco na China (autopeças), com a Tata Motors na Índia e com a GB Auto no Egito (CAVALCANTE; ARAÚJO, 2013; MARCOPOLO, 2016).
37 Os acionistas da Guerra venderam 80% de seu capital acionário, em 2008, ao grupo francês Axxon Group (COSTA; SOUZA-SANTOS, 2012, p. 71).
38 Os grupos empresariais Randon e Marcopolo atuam em quase todos os continentes, menos na área pertencente à União Europeia, a qual é suprida a partir do Egito, que possui acordo de livre comércio com os países desse bloco econômico, além de me- nores custos de produção em relação aos últimos (CAVALCANTE; ARAÚJO, 2013, p.
28).
A Randon possui unidades de fabricação (parques industriais) de reboques em São Paulo, em Santa Catarina (Randon Brantech), na Argentina, nos Estados Unidos e na China; unidades de montagem39 na Argélia, na Nigéria, no Egito e no Quênia; e fabricação sistemas e de autopeças no Rio de Janeiro (Suspensys40), na Argentina, nos Estados Unidos e na China (Frasle) (RANDON, 2016; COSTA; SOUZA- SANTOS, 2009).