2.2 CONCILIAÇÃO
2.2.3 Etapas da conciliação
A conciliação divide-se em 07 (sete) fases que são:
Preparação; Abertura; Investigação (verificação de interesses); Agenda e Criação de Opções e Solução (minuta de acordo80):
A Preparação nada mais é do que a reunião para a conciliação, ela não é uma audiência por assim dizer, será onde o conciliador tomara ciência das partes e do caso. É dever do conciliador receber as partes de modo a se sentirem bem acolhidas pelo procedimento, tentando, já neste momento, diminuir a adversidade entre elas.
A fase seguinte é a Abertura, além de serem informadas que se trata de uma conciliação e não de uma audiência as partes deverão saber: como funciona uma reunião de conciliação, papel do conciliador, regras e procedimentos, regras de comportamento das partes, regras de atuação dos advogados. A fase de abertura é de suma importância, pois ela irá educar as partes, acalmar os conflitantes, gera confiança quebras possíveis resistências, cria um clima de cooperação, propicia empoderamento das partes e do respaldo comunicacional.
A luz do entendimento de Farinelli Cambi:
A eficácia da conciliação exige discussão aberta, direta e franca entre as partes. Pode acontecer antes ou depois da instauração do processo. É importante alternativa de aproximação e participação dos envolvidos na solução do conflito. Mas também proporciona efetivo acesso à justiça, já que sua eficácia depende do tratamento igualitário entre os contendores que decidem, em conjunto e da melhor forma, a situação conflituosa, buscando a maior harmonia e a mútua satisfação81.
Isto posto, têm-se a Investigação, onde será ouvida as versões de cada parte, verificando-se posições e interesses colocando as partes para dialogarem criando uma comunicação passiva entre elas, discutindo os pontos divergentes e convergente. Com isso em pauta irá ser marcado o início da fase de objetivação, ordenamento das discussões, identificação dos temas a serem objetos
80 LEITE, Eunice e QUILICI, Raquel Helena. Etapas da Conciliação. EMAG – Escola de Magistrados da Justiça Federal da 3ª Região
81 FARINELLI, Alisson: CAMBI, Eduardo Augusto Salomão. Conciliação e mediação no novo código de processo civil (PLS 166/2010). Revista de Processo. São Paulo, v.36, n. 194, abr. 2011. página.
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de resolução, fixação de prioridades e consenso com relação ao momento em que os temas serão debatidos, fase de Agenda.
Na Criação de Opções e Solução será executada uma oficina de ideias: pactos momentâneos sem qualquer avaliação e nenhum compromisso, servira simplesmente para expressar as ideias, sem julgar, sem se comprometer e sem tomar como proposta final por que então será feita as escolhas das melhores e mais criativas soluções, como os padrões e critérios objetivos, certificando-se que os conciliando estão legalmente orientados sobre o que estão a decidir.
E por fim a solução juridicamente possível a que livremente chegaram às partes, com o comprometimento e responsabilidade, por contemplar todos os seus interesses.
2.2.3.1 O Conciliador
A Política Nacional de Conciliação, criada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por meio da Resolução n. 125/2010, confere ao conciliador papel decisivo na pacificação de conflitos sociais que envolvam desde relações de consumo a problemas familiares. Esse profissional aplica técnicas autocompositivas para facilitar o diálogo entre as partes e estimulá-las a buscar soluções compatíveis com os interesses em jogo82.
Segundo a Resolução CNJ n. 125/2010, os conciliadores devem ser capacitados pelos tribunais com base em conteúdo programático elaborado pelo CNJ. Com vistas a uma adequada preparação, o Conselho também promove cursos de formação de instrutores de conciliação. Eles são os responsáveis por formar conciliadores em seus tribunais83.
A norma também estabelece o Código de Ética de Conciliadores e Mediadores Judiciais, segundo o qual apenas poderá exercer funções perante o Poder Judiciário o conciliador devidamente capacitado e
82 CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. CNJ Serviço: O que é e como trabalha o conciliador na Justiça. Disponível em: < http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/80980-cnj-servico-o-que-e-e-como- trabalha-o-conciliador-na-justica>. Acesso em: 16. Out. 2017
83 CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. CNJ Serviço: O que é e como trabalha o conciliador na Justiça. Disponível em: < http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/80980-cnj-servico-o-que-e-e-como- trabalha-o-conciliador-na-justica>. Acesso em: 16. Out. 2017
cadastrado, cabendo ao respectivo tribunal a regulamentação do processo de sua inclusão no cadastro ou mesmo de exclusão. O profissional deve agir com lisura e respeito aos princípios do Código de Ética, sendo obrigado a assinar termo de compromisso e a submeter-se às orientações do juiz coordenador do núcleo de conciliação84.
Entre os princípios fixados estão a confidencialidade das informações prestadas pelas partes; a informação ao jurisdicionado sobre seus direitos e a natureza do conflito; a imparcialidade; a independência; a autonomia; o respeito à ordem pública e às leis; o estímulo para que as partes apliquem a experiência da conciliação em seu dia a dia; e a validação – dever de estimular as partes a perceberem-se reciprocamente como seres humanos merecedores de atenção e respeito85.
Impedimento – Segundo a resolução do CNJ, aplicam-se ao conciliador os mesmos motivos de impedimento e suspeição do juiz. Quando houver, por exemplo, algum tipo de relação entre o conciliador e uma das partes, ele deve comunicar o fato a todos os envolvidos e ser substituído.86
Casos de impedimento previsto no Código de Processo Civil:
Art. 144. Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas funções no processo:
I - em que interveio como mandatário da parte, oficiou como perito funcionou como membro do Ministério Público ou prestou depoimento como testemunha;
II - de que conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido decisão;
III - quando nele estiver postulando, como defensor público, advogado ou membro do Ministério Público, seu cônjuge ou companheiro, ou qualquer parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive;
84 CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. CNJ Serviço: O que é e como trabalha o conciliador na Justiça. Disponível em: < http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/80980-cnj-servico-o-que-e-e-como- trabalha-o-conciliador-na-justica>. Acesso em: 16. Out. 2017
85 CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. CNJ Serviço: O que é e como trabalha o conciliador na Justiça. Disponível em: < http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/80980-cnj-servico-o-que-e-e-como- trabalha-o-conciliador-na-justica>. Acesso em: 16. Out. 2017
86 CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. CNJ Serviço: O que é e como trabalha o conciliador na Justiça. Disponível em: < http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/80980-cnj-servico-o-que-e-e-como- trabalha-o-conciliador-na-justica>. Acesso em: 16. Out. 2017
IV - quando for parte no processo ele próprio, seu cônjuge ou companheiro, ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive;
V - quando for sócio ou membro de direção ou de administração de pessoa jurídica parte no processo;
VI - quando for herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de qualquer das partes;
VII - em que figure como parte instituição de ensino com a qual tenha relação de emprego ou decorrente de contrato de prestação de serviços;
VIII - em que figure como parte cliente do escritório de advocacia de seu cônjuge, companheiro ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive, mesmo que patrocinado por advogado de outro escritório;
IX - quando promover ação contra a parte ou seu advogado.
Casos de suspeição no Código de Processo Civil:
Art. 145. Há suspeição do juiz:
I - amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados;
II - que receber presentes de pessoas que tiverem interesse na causa antes ou depois de iniciado o processo, que aconselhar alguma das partes acerca do objeto da causa ou que subministrar meios para atender às despesas do litígio;
III - quando qualquer das partes for sua credora ou devedora, de seu cônjuge ou companheiro ou de parentes destes, em linha reta até o terceiro grau, inclusive;
IV - interessado no julgamento do processo em favor de qualquer das partes.
Sua função é como próprio nome indica, promover a conciliação. Não deve o conciliador, porém, limitar-se a, diante das partes, perguntar-lhes sobre a possibilidade de que cheguem a um acordo. É preciso que o conciliador participe ativamente das negociações, sugerindo soluções possíveis, enfim, mediando à solução do conflito.
O exercício da função de Conciliador é gratuito e, se ocorrente por período contínuo superior a um ano, constitui título para os concursos públicos promovidos pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, com a pontuação que lhe for atribuída pelo edital; Ao Conciliador é assegurada a fruição dos direitos e
prerrogativas do Jurado (art. 437 do Código de Processo Penal, Lei nº 10.259/01 (art. 18) e Resolução nº 02/2002 do TRF da 5ª Região e o ofício do conciliador terá duração de até 02 (dois) anos admitida a recondução.
Para ser conciliador deve-se observar o disposto no artigo 11 da Lei nº 13.140 de 26 de junho de 2015:
Art. 11. Poderá atuar como mediador judicial a pessoa capaz, graduada há pelo menos dois anos em curso de ensino superior de instituição reconhecida pelo Ministério da Educação e que tenha obtido capacitação em escola ou instituição de formação de mediadores, reconhecida pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados - ENFAM ou pelos tribunais, observados os requisitos mínimos estabelecidos pelo Conselho Nacional de Justiça em conjunto com o Ministério da Justiça.
O CNJ está desenvolvendo um cadastro nacional para inscrição de mediadores, conciliadores e câmaras privadas. Os tribunais poderão utilizar este cadastro, ou cadastros próprios para apresentar os mediadores, conciliadores e/ou câmaras certificadas que atuarão em sua jurisdição87.
2.2.3.2 Princípios
Os princípios que regem o conciliador são o da imparcialidade, isonomia entre as partes, oralidade, informalidade, autonomia da vontade das partes, busca do consenso, confidencialidade e boa-fé, todos previstos no artigo 2º da Lei 13.140 de 26 de junho de 2015.
Imparcialidade se baseia na premissa de que o conciliador não pode tomar parte de nenhuma das partes correndo o risco do mesmo arguir sua suspeição ou impedimento devendo o conciliador colocar-se entre as partes e acima delas, sendo esta a primeira condição para que possa o mesmo exercer sua função88.
A igualdade perante a lei é premissa para a afirmação da igualdade perante o juiz: da norma inscrita no artigo 5º, caput, da Constituição, brota
87 CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Quero ser um conciliador/mediador. Disponível em: <
http://www.cnj.jus.br/programas-e-acoes/conciliacao-e-mediacao-portal-da-conciliacao/quero-ser-um- conciliador-mediador>. Acesso em: 16. Out. 2017
88 BARROS, Paulo. Os princípios que regem a conciliação e a mediação. Disponível em:
<https://pramosbarros.jusbrasil.com.br/artigos/368276202/os-principios-que-regem-a-conciliacao-e-a- mediacao>. Acesso em. 20. out. 2017
o princípio da igualdade processual/isonomia das partes. As partes e os procuradores devem merecer tratamento igualitário, para que tenham as mesmas oportunidades de fazer valer em juízo as suas razões89.
A oralidade se aplica no modo de que a ideia da conciliação é evitar o ajuizamento de ações, ou até mesmo tirar conflitos do Poder Judiciário e resolve-los sem ter que movimentar a máquina judiciária para isso se preza pela prevalência da palavra falada sobre a escrita com audiências orais. Desconstruindo a ideia de judicialização de tudo temos a Informalidade, audiências informais sem linguagem rebuscada e trajes informais90.
O principio diretor da conciliação é aplicado para que as partes cheguem a um acordo. A celebração do acordo deve respeitar a autonomia da vontade, buscando o consenso, sem perdedores e vencedores e sim o fim do conflito.
O mediador e o conciliador não podem expor o que eles presenciaram na audiência. Tudo que tiveram conhecimento na condição de mediador e conciliador deve ficar em sigilo. Podendo, inclusive, escusarem-se de se depor como testemunhas.
Entende-se boa-fé como um conceito ético de conduta, moldado nas ideias de proceder com correção, com dignidade, pautada a atitude nos princípios da honestidade, da boa intenção e no propósito de a ninguém prejudicar91.