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O S D EVERES DO E MPREGADO EM F ACE À DO E MPREGADOR

1.6 VINCULO OBRIGACIONAL DO EMPREGADO E DO EMPREGADOR

1.6.2 O S D EVERES DO E MPREGADO EM F ACE À DO E MPREGADOR

Interessante esclarecer, de inicio, a diferenciação feita pela doutrina, entre os deveres e as obrigações do Empregado.

44 MORAES FILHO, Evaristo de. Trabalho a domicílio e contrato de trabalho. "Edição facsimilada".São Paulo: LTr, 1994. p. 97.

45 Tal explanação é feita por Arion Sayão Romita, apud PEREIRA, Adilson Bassalho. A subordinação como objeto do contrato de emprego, p. 41.

Os deveres do Empregado são aqueles estabelecidos no contrato e demais Normas Jurídicas (Regras e Princípios), sendo também derivados da própria natureza do vínculo empregatício. A relação de deveres que aqui se fará pretende evidenciar aqueles mais citados pela doutrina.

Muitos doutrinadores enxergam a Subordinação como dever primordial do Empregado, ao lado daquela que consideram sua principal obrigação, o qual seja, a de prestar serviços, colocando-se a disposição do Empregador sua força de trabalho.

Assim para Magano46:

[...] os principais deveres do Empregado numa relação exemplificativa, compreendem na sujeição ao poder hierárquico, a atuação da boa-fé, a diligência, a fidelidade, a assiduidade, a colaboração, a não concorrência, a sujeição a revista quando não vexatória

Portanto, resta esclarecido que a Subordinação figura entre os deveres fundamentais do Empregado.

No que tange às obrigações do Empregado, para o mesmo autor, dentre as principais estão as de prestar serviços e realizar as atividades para os quais foi contratado e, quando for o caso, as de conceder o aviso prévio e ressarcir danos. Neste mesmo sentido, Maranhão47 para quem a “principal obrigação do Empregado é prestar o trabalho contratado. Trata-se de uma obrigação pessoal”.

Considerar-se-á obrigação do Empregado a prestação de trabalho, ao lado dos deveres decorrentes, quais sejam, de cumprir sua obrigação com pessoalidade, com fidelidade, com colaboração, com diligência e com obediência.

46 MAGANO, Octávio Bueno. ABC do Direito do Trabalho. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1998. p.194

47 MARANHÃO, Délio e Outros. Instituições de Direito do trabalho. 19 ed. São Paulo: LTr, 2000. p. 259-260

1.6.2.1 Pessoalidade

Para a configuração de pessoalidade esclarece Filho48: Para que seja configurada a pessoalidade, a prestação de serviços deverá ser prestada por pessoa natural, humana e tenha efetivamente um caráter de infungibilidade no que tange ao prestador. Deve a relação pactuada – ou efetivamente cumprida –, ser intuito personae com respeito à figura do trabalhador, que não poderá, em nenhuma hipótese, fazer-se substituir intermitentemente por outro trabalhador ao longo dos serviços pactuados.

Também se faz necessário à configuração do contrato individual de trabalho, que o Empregado seja somente pessoa física, pois se assim não sendo, não caracterizará o instituto do contrato individual de trabalho, afastando então a relação jurídica que se estabelece no âmbito justrabalhista.

No caso de haver um substituto e o Empregador aceitar a prestação de trabalho do substituto, esta se tornará uma nova relação jurídica trabalhista com este.

Quando se menciona a pessoalidade não se está cogitando apenas de tutela da pessoa do trabalhador ou da tutela do trabalho. A tutela da atividade empresarial também é resguardada por uma rede de normas que se dirigem à conduta do prestador de serviços e que prevêem sanções para qualquer desvio cometido e do qual advenha prejuízos para o regular andamento da atividade. Por essa razão – sustenta o jurista mineiro –, o trabalhador como ser humano, como ser ético, como portador de peculiar capacidade psicofísica e técnica laborativa, move-se na empresa com um feixe de aptidões e deveres jurídicos. 49

48 LIMA FILHO, Francisco das Chagas - Relação de trabalho e relação de emprego e princípios

informadores. Dourados News. Disponível em:

http://www.douradosnews.com.br/colunistas/colunistas.php?id=118&id_ARTIGOS=1141. Acesso em: 10/05/06

49 RIBEIRO DE VILHENA, Paulo Emílio. Relação de Emprego: Estrutura Legal e Supostos. São Paulo: LTr, 2002;

A atividade pessoal na figura do Empregado não admite que o prestador de serviços faça substituir por outrem sem a permissão do Empregador, tratando-se de qualificações personalíssimas.

1.6.2.2 Fidelidade

O dever de Pessoalidade está inserido no contrato de trabalho, caracterizando ser um dos elementos do Princípio de Boa-Fé apontando para o dever do Empregado de se conduzir com honradez, probidade, correção, garantindo harmonia entre as relações com o seu Empregador.

Gonçalves50 expõe de maneira clara que o dever de fidelidade corresponde a uma obrigação do Empregado em adotar determinadas atitudes importantes para a empresa, tais como:

a) não aceitar gratificações, presentes ou favores de terceiros que trabalham com a empresa, sem o consentimento do Empregador;

b) não revelar segredos de que tenha conhecimento, sejam eles de fábrica ou de negócio (...); c) não fazer concorrência desleal com o Empregador, nem colaborar com quem o faça (...).

Maranhão51, trazendo a lição de Krotoschin revela que:

[...] a fidelidade é também expressão da boa-fé com que deve ser executado o contrato de trabalho e se manifesta, principalmente, pela proibição de difundir notícias que possam implicar dano moral ou patrimonial ao Empregador e a empresa, assim como de praticar atos de concorrência à atividade econômica por este exercida.

50 GONÇALVES, Emílio. O Poder de Regulamentar o Empregador. 2ª ed. São paulo: LTr, 1997.

229p p. 43-44

51 MARANHÃO, Délio e Outros. Instituições de Direito do trabalho. 19 [ ed. São Paulo: LTr, 2000. p. 260

1.6.2.3 Colaboração ou Cooperação

Deve ao Empregado realizar o máximo esforço para auxiliar o Empregador, na parte do desenvolvimento do empreendimento, haja vista que se o Empregador depende dela e o Empregado dela necessita para manter sua subsistência.

Segundo Engel52 entre os deveres de colaboração do Empregado pode-se citar:

[...] aceitar a realização de horas extraordinárias quando assim o requere a urgência do trabalho; não se opor a uma transferência temporária de serviço decorrente de real necessidade da empresa, como no caso de ausência de um colega em férias ou enfermo, cuja função seja compatível com a sua qualificação profissional do Empregado substituto.

Portanto, o dever de colaboração constitui um dever fundamental, onde se concentram os demais deveres, por este dever o Empregado passa a ser elemento ativo na empresa, portanto trata-se de uma colaboração subordinada.

1.6.2.4 Diligência

A principal obrigação do trabalhador é a prestação do trabalho com diligência e dedicação.

Para, Arnaldo Süssekind53:

O dever de diligência importa para o Empregado na obrigação de dar, na prestação de trabalho, aquele rendimento qualitativo e quantitativo que o Empregador pode legitimamente esperar. A diligência do Empregado deve ser considerada tendo em vista a

52 ENGEL, Ricardo Jose. O jus variandi na execução do contrato individual de trabalho:

investigação teorico-critica em face de princípios gerais do direito aplicáveis ao direito do trabalho. 2001. 170f. Dissertação, Universidade do Vale do Itajaí. p. 93

53 SÜSSEKIND, Arnaldo e outros. Instituições de Direito do Trabalho, vol. 1, LTr, 16a. ed., São Paulo, 1996, pág. 255.

natureza da obrigação, as condições pessoais do trabalhador e as circunstâncias de tempo e lugar. O caráter objetivo da diligência em função de um tipo abstrato do bom trabalhador deve ser atenuado a fim de que sejam levadas em conta as circunstâncias relativas à obrigação e à pessoa de quem a presta.

Nas palavras Sussenkind citado por Barassi54: “a diligência normal é uma figura abstrata e relativa.”.

Explica Engel55:

“[...] o dever de diligência se contrapõe à caracterização da desídia. Age com desídia o Empregado que não é diligente no exercício de seu mister. Significa afirmar que o Empregado deverá executar suas tarefas com presteza e zelo, com rendimento normal, sem prescindir da qualidade que deve coroar seu trabalho.”

São vários os fatores que devem ser observados em cada caso, dentre eles: a natureza da obrigação, as condições pessoais do trabalhador, as circunstancias de tempo e lugar etc.

1.6.2.5 Obediência

A subordinação assegura ao Empregador o poder de dirigir a prestação pessoal de serviços (CLT, art. 2º), isto é, poder de dar ordens e resultando ao Empregado o dever de cumprir essas ordens (dever de obediência).

Importante observar que a obediência não se traduz numa submissão incondicional e sim o respeito as normas da empresa, no acatamento de determinações de superiores hierárquicos,

Assim expõe Oliveira56:

54 SUSSEKIND, Arnaldo e outros. Instituições de Direito do Trabalho, vol. 1, LTr, 16a. ed., São Paulo, 1996, pág. 255

55 ENGEL, Ricardo Jose. O jus variandi na execução do contrato individual de trabalho:

investigação teorico-critica em face de princípios gerais do direito aplicáveis ao direito do trabalho. 2001. 170f. Dissertação, Universidade do Vale do Itajaí. p. 94

56 OLIVEIRA, Francisco Antonio de. Consolidações das Leis do Trabalho Comentada. 2ª ed.

São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2000. 1342p p.40

[...] entre a ordem e a obediência existem pontos de equilíbrio.

Quem determina, quem dá ordens o faz com âncoras em crtérios próprios amparados, por sua vez, no que restou contratualmente previsto, bem assim nas leis, nas normas coletivas e pareceres de autoridade

Enquanto a obrigação do Empregado, os deveres representam, de certa forma, o modo concreto e específico de cumprimento das obrigações.

O dever de obediência e o dever de colaboração são os de maior relevância no âmbito do Estado de subordinação jurídica do Empregado ao Empregados. Neste sentido Lomarca57:

[...] a subordinação consiste no dever de obediência, que ao lado dos deveres de lealdade e diligência, forma a triologia sobre que repousa a estabilidade do vínculo laboral. A infração a tais deveres sujeita o dependente a penalidades disciplinares, que se escalonam desde a simples advertência até a demissão.

O dever de obediência uma vez executado pelo Empregado, poderá configurar a ocorrência de duas faltas graves, previstas no art. 482, h, da CLT: ato de indisciplina ou ato de insubordinação.

57 LOMARCA, Antonio. Curso Normativo de Direito do Trabalho. 2ª ed. Ver. E atual. São Paulo:

Revista dos Tribunais, 1993. 206p p.117.

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