Para a coleta de dados, as técnicas utilizadas por melhor se adequar aos objetivos da pesquisa, foram a análise dos livros de registros de visitas do MACT, entrevistas estruturadas aplicadas em populares que residem em no entorno do museu e questionário aplicado em alunos de duas escolas no bairro que o museu está instalado.
A coleta de dados aconteceu em diferentes momentos. O primeiro momento se deu por meio do uso da entrevista estruturada no período de 01 a 09/09/11. As entrevistas foram feitas com populares que residem no entorno do Museu Antares. Os entrevistados foram escolhidos aleatoriamente, o critério para participação era ser morador do entorno e ter mais de 12 anos de idade. Essa entrevista foi utilizada com o objetivo conhecer um pouco da comunidade que circunda o museu, saber se esta comunidade era visitadora. Ao todo foram feitas 70
entrevistas utilizando o questionário no Apêndice A. Optou-se pela entrevista porque os populares poderiam negar a responder o questionário de próprio punho.
O segundo momento foi de análise dos livros de registros de visitação do Museu Antares que ocorreu no período entre 20 de março a 19 de abril de 2013. Os livros analisados são dos anos de 2009 até o mês de abril de 2013. No entanto, as informações dos livros de registros não foram suficientes para responder aos objetivos da pesquisa, por isso houve nova coleta de dados.
No terceiro momento da pesquisa houve nova coleta de dados com alunos que já visitaram o museu. Como no Museu Antares há o registro das agendas de visitas, buscou-se uma escola que já havia visitado a instituição. A proposta era conhecer o público, traçar um perfil e sugerir propostas de melhorias, bem como fazer uma avaliação do museu. Assim, o contato com a escola foi feito e agendou-se a visita para a aplicação dos questionários que foi aplicado no dia 02/04/13 com 30 alunos do ensino médio. Utilizou-se o mesmo questionário (Apêndice A) por conter informações que correspondiam aos objetivos propostos.
Alertou-se aos sujeitos da pesquisa que como se tratava de uma pesquisa sem fim lucrativo, o mesmo não receberia nenhum tipo de remuneração, que a identidade seria mantida em sigilo e os dados pessoais jamais seriam associados à sua identidade, mesmo quando houvesse a publicação dos resultados deste estudo.
Advertiu-se também que era permitido não participar, se caso não quisesse. A aplicação dos questionários de pesquisa de público foi desenvolvida com tranquilidade, os visitantes demoraram cerca de cinco a 8 minutos para responder as perguntas. Muitos demonstraram entusiasmo em participar do estudo.
A análise de dados pode abranger, segundo Gil (1999), três fases distintas: a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados obtidos e sua interpretação.
Assim, o processo de análise ocorreu em três etapas. O primeiro momento foi o da pré-analise, onde foi feita uma ordenação dos dados e seleção do material que iria ser utilizado. Na segunda fase, houve a classificação dos dados revelados durante a coleta. No terceiro e, último momento da pesquisa, foi feita a análise dos dados e o confronto com a revisão de literatura. Os dados serão apresentados na próxima sessão.
É importante ressaltar que este estudo foi embasado nas diretrizes legais que respaldam a pesquisa envolvendo seres humanos, como estabelecido na Resolução nº. 196/96, do Conselho Nacional de Saúde (CNS) com base nos princípios da autonomia, circunscrita à dignidade humana, da não-maleficência, da beneficência e da justiça.
3 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS DADOS
Nesta seção, se inicia a análise e a discussão dos resultados do estudo.
Na sequência, discorre-se sobre os resultados encontrados na análise dos livros de registros e os questionários e entrevistas realizadas. Na seção subsequente, traz-se a discussão dos resultados, confrontando-os com o referencial teórico apresentado.
3.2 LIVROS DE REGISTROS DE VISITAS
Em 2009, o Museu Antares não fez um controle da visitação. Foi possível perceber não havia um livro de registro, que os visitantes não assinavam, nem mesmo aqueles que agendavam visitas ou aquele vindos de excursões de outras cidades, sendo assim, não se tem um número preciso de visitantes neste ano de inauguração. Em 2010, a situação é a mesma: visitas feitas sem controle, resultando em imprecisão e/ou inexistência de dados.
No ano de 2011 foram implantados melhorias no museu e como parte desse projeto houve a reforma do parque dos Dinossauros “Era do Gelo”, a organização da sala de Exposição Espaço Natureza, porém não havia um controle de visitação, os dados desse ano são imprecisos. Não havia um livro, mas uma pasta onde se guardavam as folhas de freqüências. Essas folhas registravam apenas a data e nome do visitante.
A partir de 2012 houve controle da visitação, no entanto, esta somente foi feita a partir do mês de abril. Isso porque como o Museu pertence à UEFS, no período de férias (de janeiro a abril) tanto de alunos quanto da maioria dos funcionários, a instituição permanece aberta ao público, mas não há agendamento para visitações. Assim, não há visitas guiadas, mas visitas aleatórias.
Os registros analisados apontaram que no ano de 2012 o MACT recebeu 2.870 (dois mil oitocentos e setenta) visitantes. Foi notório que o número de visitação é oscilou entre 70 e 1.131, sendo que o menor número ocorreu no primeiro semestre e os maiores índices no segundo semestre.
Salienta-se que em alguns meses o número de visitação é maior devido a uma programação especial que a instituição promove, como por exemplo, em maio
onde ocorreu a Semana de Museus houve um percentual alto de visitantes, alcançando o número de 681 visitadores.
No período entre outubro e novembro também se percebe este aumento devido ao evento promovido pela instituição, a Primavera de Museus (época em que acontecem vários eventos na instituição atraindo assim, muitos visitadores). Os dados dos números de visitantes do ano de 2012 podem ser conferidos na Tabela 01, a seguir:
Tabela 01: Número de visitações em 2012
Mês Quantidade de visitantes Janeiro a Abril Férias Escolares
Maio 681
Junho 423
Julho 139
Agosto 184
Setembro 206
Outubro 1131
Novembro 171
Dezembro 70
Total 2.870
Fonte: Dados da pesquisa
A análise dos livros de visitas foi possível depreender que a maioria dos visitantes do MACT entre o período de 2009 a 2013 é do sexo feminino, sendo 53%
e masculino 41% e, não informado, 6%.
O estudo dos dados mostrou que a maioria dos visitantes era estudantes, sendo 65% e visitantes aleatórios 35%. Destes 61% eram alunos da rede pública de ensino e 39% da rede privada. O número de escolas públicas estaduais alcança 38% e a rede municipal, 62%. Ressalta-se que das escolas particulares, a maioria era do ensino fundamental 69% e do ensino médio, 21%. Destes escolares visitantes do MACT, a maioria era do município de Feira de Santana 68% e de outros municípios baianos, 22%. Além disso, notou-se que das escolas públicas visitadas, a maioria é do próprio município e das particulares, de cidades circunvizinhas. Conforme figura 01, a abaixo:
Figura 01 - Perfil dos visitantes, 2012 Fonte: Dados da pesquisa, 2013.
Ressalta-se que nos registros não constam informações como idade, escolaridade e profissão, mas pelo grande número de visitantes serem estudantes de escolas municipais e estaduais, supõe-se que a faixa etária está acima de 7 anos de idade, ou seja, de crianças que já possuem a competência da leitura. Observou- se somente a presença de três escolas do ensino infantil na agenda de visitas, o que pode comprovar essa afirmação.