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ABSTRACT

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.5 FEBRE MACULOSA

Com relação aos fármacos que vem sendo utilizados para combater a erliquiose, inclui-se entre eles: a oxitetraciclina, o cloranfenicol, o imidocarb, a tetraciclina e a doxiciclina. Este último, tem sido indicado para o tratamento da erliquiose em todas as suas fases, uma vez que, a droga é absorvida com rapidez quando administrada via oral e se distribui pelo corpo chegando ao coração, rins, pulmões, músculos, fluido pleural, secreções brônquicas, bile, saliva, fluido sinovial, líquido ascítico e humores vítreo e aquoso (MOTA, et al., 2019)

O período do tratamento geralmente abrange de 3 a 4 semanas nos casos agudos e até́ 8 naqueles crônicos. Como já dito antes, certamente o diagnóstico precoce é considerado ser a melhor ferramenta para o tratamento da erliquiose canina, visto que a mesma quando diagnosticada no início dos sintomas, tem grande chance de ser mais rapidamente debelada ou pelo menos, controlada.

Unidos. No Brasil a primeira descrição deu-se em São Paulo, em 1900, pelo Dr. Adolfo Lutz.

Em 1996 devido ao elevado número de pacientes positivamente diagnosticados na região de Campinas e de São Paulo, tornou-se uma doença de notificação às autoridades dos setores da saúde e em meados de 2002 tornou-se um problema em nível nacional.

2.5.1. Agente causador

A FM é causada por uma bactéria pertencente à ordem Rickettsiales, da família Rickettsiaceae e do gênero Rickettsia. A mesma possui forma de bacilo, sendo um parasita intracelular obrigatório com forte tropismo para células do tecido endotelial, ou seja, aquelas que revestem os vasos sanguíneos. Devido ao seu ciclo natural restrito a um hospedeiro específico, a mesma pode ser classificada em diversos tipos (WEINERT, 2009; PAROLA;

PADDOCK; RAOULT, 2005), sendo que no Brasil a Febre Maculosa Brasileira está associada à duas espécies de riquétsia:

Rickettsia rickettsii - registrada no Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo (LABRUNA et al., 2011; KRAWCZAK, et al., 2014);

Rickettsia parkeri (cepa Mata Atlântica) - registrada em regiões próximas da Mata Atlântica em São Paulo, Bahia e Santa Catarina (NIERI-BASTOS et al., 2018; FACCINI-MARTINEZ et al., 2018).

O ciclo das riquétsias do grupo da FM na natureza é mantido através de um vetor, neste caso um carrapato e de um hospedeiro. Este último seria o amplificador e onde incluem-se os mamíferos silvestres que desenvolvem a forma assintomática da infecção e veiculam as bactérias para os carrapatos, que a abrigarão em estado de latência metabólica nas células das suas glândulas salivares e principalmente dos ovários, sendo estes últimos os órgãos que a transmitirão para sua prole (transmissão transovariana via ovócito/ovo) e daí infectando a próxima geração de carrapatos. A propagação da bactéria pelo carrapato pode ainda se dar por via transestadial, ou seja, de um estágio de desenvolvimento a outro, por exemplo, da larva para a ninfa e desta para o adulto.

No Brasil, os carrapatos considerados vetores de maior importância da bactéria causadora da FM encontram-se no gênero Amblyomma, o qual possui pouca especificidade de hospedeiro, realizando seu repasto sanguíneo em animais como gatos, cachorros,

silvestres. As espécies destes ectoparasitas de maior relevância em nosso país são, segundo Labruna et al. (2011):

Amblyomma aureolatum;

Amblyomma dubitatum;

Amblyomma ovale;

Amblyomma sculptum (Amblyomma cajennense sensu lato).

2.5.2. Epidemiologia

Devido à complexidade em se diagnosticar clínica e laboratorialmente a doença, os relatos de notificação da ocorrência de infecções, pela bactéria causadora da FM no Brasil, são escassos (LABRUNA et al., 2009). Dados obtidos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) do DATASUS do Ministério da Saúde, atualizado em 13/06/2019, mostraram que no período de 2009 a 2019 foram notificados 1506 casos de FM no Brasil, distribuídos nas regiões: Norte (9 casos), Nordeste (19), Sudeste (1072), Sul (385) e Centro-oeste (21). Nota-se que as regiões Sudeste e Sul apresentaram o maior número de notificações da doença.

2.5.3. Transmissão

O modo de transmissão da FM no caso, para os humanos, não ocorre de forma direta, fazendo-se necessária a intermediação de um carrapato infectado pela bactéria podendo o mesmo estar em qualquer uma das formas do seu ciclo de vida (larva, ninfa e/ou adulto). Cabe ressaltar que, devido ao fato das larvas, popularmente conhecidas por

“micuins”, serem de tamanho diminuto e por causarem menos dor no hospedeiro no momento da picada, são elas que apresentam maior probabilidade de transmissão da bactéria (FACCINI-MARTINEZ et al., 2014). Há também a possibilidade de que a transmissão da bactéria ocorra por exemplo, no momento em que os carrapatos contaminados e aderidos à pele dos hospedeiros, forem retirados com as mãos desprotegidas, além do frequente hábito que se tem de esmagá-los com as unhas, ação que pode expor o homem à hemolinfa dos carrapatos contaminados, provocando a transmissão do patógeno (FACCINI-MARTINEZ et al., 2014).

O período de incubação da FM no hospedeiro é em média 7 dias, podendo variar de 2 a 15 dependendo da idade e susceptibilidade do indivíduo. Esse período abrange o intervalo de tempo desde a picada inicial do carrapato infectado até o momento da manifestação dos sintomas clínicos da doença (FACCINI-MARTINEZ et al., 2014).

2.5.4. Fase subclínica

A FM é uma doença infecciosa febril aguda e há uma dificuldade de se detectar os sintomas durante a sua fase subclínica, visto os mesmos serem inespecíficos e incluírem febre, mal-estar, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, sintomas semelhantes ao de outras infecções, como Dengue, Zika, Chikungunya, Sarampo, Rubéola, Enteroviroses, Sífilis, Salmonelose, entre outras. A evolução do quadro clínico é variável e dependente do grau de virulência da cepa da riquétsia variando desde sintomas mais brandas até os mais graves podendo chegar a óbito. O surgimento do exantema máculo- papular (erupções na pele, nos membros superiores e tórax) e as escaras de inoculação (vermelhidão nos locais das picadas) pode ocorrer a partir do segundo ou terceiro dias após a infecção, manifestações dermatológicas sugestivas da ocorrência da FM (FACCINI- MARTINEZ et al., 2014).

2.5.5. Manifestações Clínicas

Os sintomas mais comuns que podem ser observados no caso da infecção pela FM incluem:

 Febre alta (39,5°C);

 Mal-estar;

 Dor de cabeça;

 Confusão mental;

 Dores musculares e nas articulações;

 Vermelhidão das conjuntivas;

 Dores abdominais;

 Vômito;

 Diarreia;

 Desidratação e

 Exantema máculo-papular (erupções na pele, nos membros superiores e tórax).

2.5.6. Diagnóstico

Em decorrência de toda inespecificidade da interpretação dos sintomas clínicos, a anamnese (entrevista com um profissional de saúde) do paciente torna-se ferramenta de grande importância no direcionamento de fatores de risco e epidemiológicos na suspeita de FM.

Para o estabelecimento de um diagnóstico mais preciso da ocorrência da FM no paciente há a necessidade de se lançar mão do uso de ferramentas mais sofisticadas, incluindo:

 Reação de Imunofluorescência Indireta (RIF), método laboratorial sorológico, realizado em amostras de sangue para a pesquisa de anticorpos específicos IgM e IgG detectados do 7° ao 10° dia após a infecção pela picada do carrapato e que aumentam com o decorrer evolutivo da doença;

 Reação em Cadeias de Polimerases (PCR), em amostras de sangue e de escaras, biópsia de tecidos, para a pesquisa do antígeno específico para a caracterização do agente da doença;

 Cultura da bactéria em laboratório, que deve ocorrer apenas em laboratórios nível 3 de segurança (NB3), a partir de bactérias isoladas de carrapatos;

 Imunohistoquímica (IHQ), detecção da fase inicial da doença por meio de reação química específica para o antígeno do patógeno e que é realizado em amostras de tecidos do paciente;

 Hemograma, verificação do aumento do número de leucócitos e diminuição do número de plaquetas;

 Aumento do nível das enzimas hepáticas (TGO e TGP);

 Aumento do nível da enzima muscular (LDH);

 Aumento do nível da enzima cardíaca (CPK).

2.5.7. Tratamento

Realizar o diagnóstico clínico precocemente é fator determinante para o sucesso terapêutico e, apesar da grande virulência e complexidade no diagnóstico a FM tem cura por meio da administração de antibioticoterapia oral:

a) Antibiótico de 1ª escolha: Doxiciclina Cloranfenicol b) Antibiótico de 2ª escolha: Claridomicina

Azitromicina

2.5.8. Medidas Preventivas

Evitar que a contaminação por patógenos ocorra seria o melhor modo de prevenir a instalação desse tipo de doença. Assim, segundo os órgãos reguladores da saúde pública as orientações indicam:

 Evitar frequentar áreas infestadas por carrapatos;

 Evitar a circulação de animais domésticos nas localidades próximas às áreas de mata;

 Evitar contato com animais errantes ou silvestres;

 Retirar os carrapatos fixados, tanto nos animais quanto nas pessoas, realizando a torção dos mesmos com o auxílio de pinças e fazendo uso de luvas;

 Usar botas, meias, calças e camisa de mangas compridas preferencialmente de cor clara para poder evidenciar a presença dos carrapatos (escuros) quando adentrar regiões de mata;

 Usar repelentes, preferencialmente à base de Icaridina;

 Nos casos de contato com carrapatos manter por duas semanas vigilância contínua ao surgimento de possíveis sintomas.