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HEMIPTERA - Cigarras periódicas

C

igarras são insetos da ordem Hemiptera e subordem Auche- norrhyncha. Devido à grande variedade de espécies, elas se distribuem por regiões temperadas e tropicais ao redor do mundo.

O ciclo de vida das cigarras, assim como o de muitos insetos, consiste das fases: ovo, ninfa e adulto. Porém, em cigarras periódicas, esse ciclo é diferenciado pelo tempo em que essas etapas se dividem.

Cigarras periódicas só existem na região leste das grandes planícies dos Estados Unidos e são dividas em 2 grupos: as gerações que aparecem a cada 13 anos e as gerações que afloram de 17 em 17 anos. Para esses dois grupos de cigarras, a fase de ovo e vida adulta se resume em poucas semanas e, no resto da sua vida, a fase ninfa, as cigarras periódicas vivem subterrâneas e se alimentam do xilema retirado das raízes de árvores. Contudo, não é na fase ninfa que as cigarras periódicas causam o maior mal às árvores, mas sim nos anos que elas afloram do solo (Figura 6.5).

Figura 6.5: Buracos no solo resultantes do afloramento das cigarras perió- dicas no estado da West Virginia (EUA).

Fonte: Autoria própria (2016).

A cada 13 ou 17 anos, a região em que essas cigarras habitam é superpovoada por uma geração de novas cigarras e essa alta densi-

dade de cigarras se dá devido ao fato delas não terem defesas contra predadores naturais, e, portanto, sua estratégia para a manutenção da espécie é a alta fecundidade das fêmeas, que colocam de 400 a 600 ovos. Esses ovos são colocados nos troncos das árvores de forma que, assim que eclodirem, terão como alimento a seiva das árvores.

As cigarras preferem se alimentar de madeira menos densa ou com fácil acesso à seiva, por isso, preferem árvores novas ou, no caso de árvores maduras, elas ocupam principalmente galhos (Figura 6.6).

Esse inseto em número regular não apresenta nenhum problema para as árvores, porém, nos anos em quem milhões de insetos saem do solo e se alimentam da seiva, esses animais deixam de ser inofensivos e podem ser um problema para plantios e para árvores ornamentais.

Figura 6.6: Ataque de cigarras em árvores no estado da West Virginia (EUA).

Fonte: Autoria própria (2016).

Mesmo esses ataques não sendo diretamente responsáveis pela morte da planta, o alto consumo de seiva pode levar a uma redução de crescimento da árvore, o que pode prejudicar a planta na com- petição com outras plantas (LOUDA et al., 1990). Por exemplo, em

um estudo para avaliar os efeitos das cigarras periódicas no estado de Nova York, Karban (1980) concluiu que no ano após a emersão das cigarras, ou seja, no primeiro ano das ninfas, os anéis de cresci- mento de carvalho (Quercus ilicifolia) sofriam com um decréscimo de até 30% no crescimento.

Uma estratégia utilizada para reduzir os danos causados pelas cigarras periódicas nos anos que esse inseto emerge é a proteção de árvores que podem ser prejudicadas. Para as árvores jovens, que não estão desenvolvidas, aconselha-se fazer a proteção das copas com redes e do caule por algum material que impeça que as cigarras se fixem.

Na Figura 6.7, pode ser observado o uso de redes para a proteção da copa, que se mostra muito eficiente, pois não bloqueia o sol das folhas, e o uso de um cano de PVC para a proteção de caule.

FIGURA 6.7: Árvores protegidas contra o ataque das cigarras periódicas em West Virginia (EUA). Fonte: Autoria própria (2016).

Outra forma de minimizar esse problema com cigarras periódicas nas regiões afetadas do leste dos EUA é realizar o plantio de novas espécies no outono seguinte ao aparecimento das cigarras, pois assim se tem o tempo máximo para que a árvore se desenvolva antes que a próxima geração de cigarras emerja.

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